Filmes que Vi #20

Confesso que vi “Marguerite” e “Bem-vindo a Marly-Gomont” faz tempo. Na verdade, eu estava esperando para fazer uma master-list de filmes em francês, que são contemporâneos (por mais que eu ame, não colocaria Amélie Poulan nessa lista) e que, o principal, estão disponíveis no Netflix.

Mas… eu empaquei nos filmes. Comecei de novo nessa onda de ver documentários e com tanto seriado legal novo (vi toda “Girlboss” em uma noite e ainda estou digerindo), deixei os filmes meio que de lado e optei por parar com essa de enrolar meus textos.

Marguerite

marguer

Dirigido por Xavier Giannoli e estrelado por Catherine Frot (que também fez “Os Sabores do Palácio”, disponível no Netflix e que eu pretendo ver assim que tomar vergonha na cara). “Marguerite” conta a história de Marquerite Dumont, uma mulher rica que ama as artes e a música. Ama tanto, mas tanto, mas taaaanto, que convenceu a si mesma de que é uma excelente cantora. Só que não.

Marguerite é mais desafinada que o grito de um porco que está tendo seu rabo torcido. É capaz de quebrar taças, não com sua potência vocal, mas porque as taças decidiram sair deste mundo cruel através do suicídio. E a pobre coitada também não tem nenhum amigo, capaz de dizer a ela a verdade.

margue

A questão é que ela é muito rica e, na Paris dos anos 20, riqueza é sinônimo de influência. Ninguém quer entrar na lista negra de Marguerite ao dizer para ela que ela é uma péssima cantora.

O marido e os funcionários da casa de Marguerite ajudam-na a nutrir sua ilusão. Os convidados das pequenas soirées que ela organiza em sua casa, também aplaudem e sorriem, sob tortura.

Tudo vai bem e o segredinho obscuro da alta sociedade parisiense está bem escondido, até que… Marguerite, influenciada por um jornalista sarcástico e que precisa de dinheiro, decide amplificar seu talento a máximo, com a ajuda de um treinador e professor, e se apresentar em público, para todo mundo ouvir.

marguerite 2

TAN TAN TAN.

Esse filme tem algo de cômico e de engraçadinho, parece até um quadro dos Trapalhões ou coisa do tipo. Mas é um drama bem triste e, quanto mais eu pensava na situação de Marguerite, menos engraçado eu encontrava seus agudos e seus gritos desesperados.

O nível de francês é bom para quem tá começando, porque eles falam relativamente devagar. Ainda mais que é um filme de época, né? Mas, recomendo que não o vejam usando fones de ouvido, porque meu ouvido chegou a doer, nas cenas de canto de Marguerite. E olha que eu gosto de música clássica.

O mais legal é que a história, por mais bizarra que possa parecer, foi inspirado em uma vida real. Florence Foster Jenkins também era uma mulher rica, que adoraria se tornar uma cantora de ópera, apesar de não ter voz para isso.

Um segundo filme sobre a vida de Florence Foster Jenkins foi feito, estrelado por Meryl Streep. “Florence: Quem é essa mulher” é só um pouco diferente de “Marguerite”, se passa em Nova York, por exemplo, mas eu ainda não vi para poder comentá-lo.

Trailer de “Florence: Quem é essa mulher”:

Bem-vindo à Marly-Gomont

mary gomont.jpg

“Bem-vindo à Marly-Gomont” conta a história de um estudante de medicina, natural do Zaire, Seyolo Zantoko, que é interpretado por Marc Zinga.

Depois de formado, Seyolo recusa a oportunidade de voltar para sua terra natal e trabalhar para a aristocracia de lá. Ao invés disso, ele decide ficar na França e ser o médico responsável pelo vilarejo Marly-Gomont.

marly gomont

Junto com sua família – a esposa e dois filhos – Seyolo tem a difícil função de ganhar a confiança do vilarejo, se integrar e ser feliz em um ambiente bem racista, xenofóbico e provinciano. O filme se passa nos anos 80 e é baseado em uma história real, quem escreveu a história foi o filho de Seyolo.

Apesar dos temas abordados, o filme é muito leve e, ao invés de pender para críticas ao racismo e a xenofobia do povoado, ele usa o humor para exemplificar as situações. O horror da cidade quando os parentes barulhentos de Seyolo chegam em meio à uma celebração solene é hilário. As ligações entre Seyolo e a comunidade vão se desenvolvendo aos poucos e o filme acaba virando uma comédia leve.

marlyyyy

Há uma certa redenção, perto do final, mas não achei ela muito verídica. Talvez, se o filme fosse um pouquinho mais longo, eu conseguisse entendê-los um pouco melhor.

De qualquer forma, o filme é agradável e despretensioso e pode ser visto sem medo de ser feliz. O nível de francês é um pouco mais alto que o de Marguerite, porque eles falam super rápido. Além disso, há trechos em Lingala, a língua do Zaire, que também são super engraçados.

E aí, tem mais algum filme em francês no Netflix que eu deveria estar vendo? Alguma sugestão?

Beeijos, A Garota do Casaco Roxo

6 livros para ler em um dia

livros pequenos

Se você é como eu, provavelmente estabeleceu uma meta de leitura ambiciosa no Goodreads. Escolhi ler 60 livros esse ano e amo que a plataforma te mostra o quanto da sua meta já foi cumprida (35%), mas detesto que também mostre se você está atrasada nas leituras – o que significa que você pode não cumprir seu objetivo, se continuar nesse ritmo.

No momento, estou lendo 2 livros diferentes e estou para trás em um título. Jessica Woodbury, do Book Riot, fala exatamente sobre essa nossa obsessão com o Goodreads e as metas de leituras. Basicamente, ela escreve: “Como uma pessoa que realmente não pratica esportes, mas que lê como se minha vida dependesse disso, talvez minha obsessão seja melhor explicada através de metáforas esportivas. O Reading Challenge é meus Jogos Olímpicos. Não ter livros atrasados significa que estou no ritmo certo, estar atrasada significa que minha medalha pode estar fora do meu alcance, é ganhar ou morrer; fazer ou quebrar; é hora de ir com tudo.”

reading

Eu não estou realmente em uma ressaca literária, mas estou lendo livros que requerem mais minha atenção e que realmente não quero correr para terminar, só para voltar ao ritmo imposto pelo Goodreads. É em momentos como esse que eu recorro aos meus “one-night stands”, hehehe. Eu vou atrás de livros que podem ser lidos em um só dia, além de dar mais caldinho para minha meta de leitura.

Por isso, elaborei uma lista com livros fininhos com menos de 200 páginas e que podem ser lidos rapidamente.

1) O Carteiro e o Poeta, de  Antônio Skármeta – 127 páginas

carteiro e poeta livroDe todos os livros dessa lista, “O Carteiro e o Poeta” é o único que eu já resenhei aqui no blog. Poético e simples, o livro tem um final um pouco denso e segue sendo uma das leituras que mais me marcou na vida.

Sou uma leitora relativamente rápida, isso e o fato de conhecer o enredo por ter visto o filme homônimo de Michael Radford, “Il Postino”, fez com que eu lesse ele bem rápido mesmo. O vocabulário do livro é um pouco avançado – mesmo em português, não são palavras que usamos habitualmente- pode ser que algumas pessoas demorem um pouco mais para terminá-lo.

  1. O Compadre de Ogum, de Jorge Amado – 103 páginas

companhia-ogum

Quem sou eu para falar de Jorge Amado, não é mesmo? Mas, decidi incluir “O Compadre de Ogum” nessa lista porque foi uma das melhores, quiçá, minha melhor leitura de 2016.

Escrito em 1964, o livro conta a história de Massu, que é muito popular e amado por todos. Certo dia, a prostituta Benedita aparece muito doente na porta da casa de Massu, com um bebê no colo, o filho do casal.

Com quase 1 aninho de idade, o bebê gorducho e sorridente é entregue à vó de Massu, Veveva e, para o escandâlo da velhinha, a criança ainda não foi batizada na Igreja Católica.

Massu é muito querido por todos seus amigos e, por causa disso, todos querem ser o padrinho do moleque. E é então que o drama começa: Massu não consegue escolher uma única pessoa para ser seu compadre.

“A primeira reação de Massu foi de vaidade satisfeita, todos desejando a honra de chamá-lo de compadre, como se ele fosse político ou comerciante da Cidade Baixa. Por seu gosto convidaria a todos, o menino teria inúmeros padrinhos, os sete presentes e muitos outros, os amigos todos, os do cais, os dos saveiros, os dos mercados, das feiras, das Sete Portas e de Água dos Meninos, das casas de santo e das rodas de capoeira.”

p. 21

Da forma mais brasileira possível, Massu recebe uma visita de Ogum, seu pai de cabeça, que anuncia que ele, o orixá “em pessoa”, será o padrinho da criança.

Para saber como eles vão resolver essa confusão, que mistura religiões e crenças de uma forma deliciosa, só lendo o livro mesmo. Os personagens são todos maravilhosos e realistas, os detalhes muito especiais da organização do batizado do menino também são apresentados e você vai se pegar rindo alto. Super amaria se fizessem um seriado ou uma novela baseados nesse livro (filme eu sei que tem e dá para ver aqui, online)

Envolvente, engraçado e com cheiro de sol e de mar, esse livro tem a pura picardia do malandro. Toda vez que eu penso nele, acabo com um sorriso no rosto, ao lembrar das aventuras misturadas e das vidas contadas, sem preconceitos ou julgamentos.

  1. O Sal da Vida, de Françoise Héritier – 100 páginas

O Sal da Vida

“O Sal da Vida” não deve ser observado como um livro de romance, embora conte uma história. Basicamente, Françoise Héritier lista uma série de experiências, sensações, sentimentos, gostos e desejos, uns seguidos dos outros, de forma a ilustrar aquilo que dá graça à vida, aquilo que nos faz sermos humanos.

“[…] olhar, de cima, um gato que nem desconfia que está sendo observado, rir disfarçadamente, esperar o entardecer, regar as plantas e conversar com elas, apreciar o toque de um couro macio ou de um pêssego ou de um cabelo sedoso, estudar detalhadamente o plano e fundo da Mona Lisa ou as rendas de Van Dyck, ter um sobressalto de prazer ao som de uma voz, partir para uma aventura, ficar na penumbra sem fazer nada, provar com relutância gafanhotos grelhados, desfrutar o prazer das conversas sem fim com velhos amigos […]

p.21

É lindo e super diferente daquilo que estou acostumada a ler. Embora ele possa ser lido rapidamente, é um bom livro para quem está em busca de uma experiência de leitura diferente dos romances padrãozinhos.

Ele também propõe que nós mesmos observemos aquilo que é o sal da nossa vida, ao deixar as últimas páginas livres para serem preenchidas. Confesso que, logo após terminar a leitura, vi a vida com um pouco mais de cor.

  1. Talvez uma história de amor, de Martin Page – 157 páginas

capa talvez uma história de amor martin page

“Talvez uma História de Amor” é um dos poucos livros que eu não faço ideia de onde veio e de como foi parar na minha estante. Faz sentido se você considerar que o principal tópico do livro é uma possível amnésia.

Virgile é um publicitário de relativo sucesso e bastante anti-social. Seu relacionamentos nunca dão certo e ele sempre acaba levando um pé na bunda das namoradas. Mas, um dia, ele recebe uma ligação, que caí em sua secretária eletrônica. Uma mulher chamada Clara dá o veredito “está tudo acabado entre nós!”. Nada de novo aí. Mas… O problema é que Virgile não se lembra de ter namorado nenhuma mulher com esse nome.

Intrigado, ele tenta descobrir quem é essa Clara e, principalmente, tenta re (ou não, né?) conquistar o coração dela.

Esse livro se passa em Paris e a cidade chega a ser uma protagonista secundária, aparecendo no livro mais até do que Clara. O humor é bem daqueles secos e sarcásticos dos franceses, eu gosto, mas entendo que as doses de auto-depreciação do Virgile possam irritar um pouquinho.

“Ao chegar à estação de Montparnasse, com dezoito anos de idade, Virgile decidira que Paris seria o objeto do seu amor, pois era preciso, de alguma forma, dirigir seu amor para alguma coisa. Paris nunca o abandonaria. Paris estava ali sempre que precisava. Paris não exigia sair de férias para alguma ilha paradisíaca, com praias nojentas cheias de óleo e cremes e sol. Paris não estava nem aí se ele ficava sem lavar a louça uma semana, se não fazia barba ou se se vestia mal. Paris o amava.”

p. 67

O que mais me chocou, até agora, foi descobrir que “Talvez uma História de Amor” vai virar filme aqui no Brasil!!!!! Não é uma loucura? Será essa a comédia romântica que eu tanto ando querendo ver? O filme é estrelado por Matheus Solano (!), Thaila Ayala e Dani Calabresa (!!) e dirigido por Rodrigo Bernardo. A previsão de estréia é 07.dez.2017, segundo o Amo Cinema.

  1. O Menino do Pijama Listrado, de John Boyne – 186 páginas

o menino do pijama listrado capa

Todo mundo conhece bem a história de “O Menino do Pijama Listrado”, que foi adaptado para os cinemas em 2008, pelo diretor Mark Herman. Filme esse que, depois do soco no estômago que foi o livro, nunca consegui criar coragem para ler.

Se você não viveu debaixo de uma pedra nos últimos anos, sabe que o livro conta um pouco da história do Holocausto e dos horrores do Nazismo, do ponto de vista de uma criança, protegida por sua inocência.

Sempre que alguém precisava de alguma coisa, Pavel trazia o que quer que fosse imediatamente, mas quanto mais Bruno o observava, mais certo ficava de que uma catástrofe estava prestes a acontecer. Ele parecia menor a cada semana que passava, se é que isso era possível, e a cor que deveria estar corando suas faces havia se esgotado quase por completo. Os olhos pareciam pesados de lágrimas, e Bruno pensou que uma piscada mais demorada poderia desencadear uma verdadeira torrente delas.”

p. 126

Bruno, filho do comandante de um dos campos de concentração nazista, se torna amigo de Shmuel, uma das crianças judias presas no campo. Através da cerca elétrica que protege os limites do campo de concentração, os dois conversam e a história parte dessa premissa.

Curtinho e simples, na realidade, é um livro infanto-juvenil. Dá para ler “O Menino do Pijama Listrado” em uma sentada só. Ainda mais se você quiser saber o final desesperadamente.

O que poucas pessoas sabem é que John Boyne, o autor, escreveu a história inteirinha em dois dias e meio, sem quase dormir. Ele conta tudo em uma entrevista nesse site,[…] eu só continuei escrevendo até chegar no final. A história veio até mim, eu não sei de onde ela saiu. Enquanto eu escrevia, eu só pensava ´continue e não pense muito nisso´. Com meus outros livros, eu tive que planejar todos eles. Eu penso por meses antes de escrever qualquer coisa. Mas, com esse, na terça-feira a noite eu tive a idéia. Na quarta de manhã eu comecei a escrever e, na sexta-feira, na hora do almoço, eu já tinha o primeiro rascunho.”

Para ser justa, na mesma entrevista Boyne diz que depois desse primeiro rascunho, ele reescreveu o livro umas outras 8 vezes, até chegar no livro final.  A entrevista é ótima, também, para quem quer ser um escritor e precisa de um encorajamento. Se Boyne penou no começo de sua carreira e tinha que ter um emprego para poder se sustentar, imagina nós, pobres aspirantes?

  1. O Outro, de Bernhard Schlink – 95 páginas

livro-o-outro-bernhard-schlink-D_NQ_NP_14308-MLB4524747889_062013-O

Confesso que só comprei esse livro, porque na capa diz que ele deu origem a um filme estrelado por Liam Neeson e Antônio Banderas. Como eu gosto de ambos os atores, decidi dar uma chance.

Basicamente, ele conta a história de Bengt, que perdeu a esposa para um câncer. Depois de uma vida inteira de casados e de se aposentar, Bengt não tem muito o que fazer e se concentra nas tarefas de casa para o tempo passar mais rápido (que tédio, né, gente?).

Certo dia, Bengt recebe uma carta de um remetente desconhecido, mas que foi endereçada à sua esposa. Com a mulher morta e longe de poder ler o conteúdo da carta, Bengt a abre e o que encontra o deixa de cabelos em pé. De um tal de Rolf, a carta revela um antigo affair de sua companheira.

Decidido a descobrir todas as mentiras que sua esposa manteve, ele começa a trocar correspondências como o “Outro”, como se fosse a falecida.

Sinceramente, eu esperava mais desse livro. Imaginando Liam Neeson no papel de Bengt e Antonio Banderas no papel de Rolf, eu esperava que rolasse alguma luta corporal ou até uns assassinatos básicos. Mas, os grandes acontecimentos deste livro acontecem quase todos no âmbito psicológico. As 95 páginas podem ser lidas em menos de um dia com facilidade. O trailer do filme pode ser visto aqui:

Gostou e quer mais dicas de livros para “ler em uma sentada”? A Larissa Siriani tem um vídeo no canal dela só falando sobre isso!

Beeijos, A Garota do Casaco Roxo

Um Amor de Cinema – Victoria Van Tiem

CAPA-Um-Amor-De-Cinema

Nome: Um Amor de Cinema

Autora: Victoria Van Tiem

Editora: Verus

Páginas: 293

“Um Amor de Cinema” foi um dos livros que comprei quando tive aquele breve surto de compras na Bienal do Livro do ano passado. Demorei para lê-lo porque estava em busca do momento perfeito e, quando a hora finalmente chegou, li ele em um só dia.

No livro, seguimos a história de Kenzi Shaw, diretora de marketing e arte de uma agência de publicidade, que está prestes a ficar noiva de seu lindo-e-maravilhoso colega de trabalho, Bradley.

os simpsons casamento

Kenzi acredita que seu noivado vai finalmente fazer com que ela seja notada por sua mãe e por sua família de médicos-super-ocupados. Mas, no dia em que todos se juntam para celebrar, sua cunhada, Ren, anuncia para todos que está grávida e rouba a cena de Kenzi.

anderson cooper eyeroll

Não bastasse a falta de tato da cunhada, uma solicitação de amizade no Facebook deixa Kenzi de cabelos em pé. Shane Bennett, seu namorado da faculdade, surge das profundezas do passado para assombrá-la.

Quando Bradley avisa à sua noiva de que a agência de publicidade em que eles trabalham corre o risco de fechar, se eles não conseguirem uma conta nova, cabe a Kenzie conquistar o novo cliente e convencê-lo a fechar o contrato com eles. Mas é claro que isso não seria tão simples, né? O novo cliente é ninguém mais ninguém menos do que o próprio Shane Bennett.

Muito espertinho, Shane impõe uma condição para contratar a agência de Kenzi: Que eles revivam algumas das cenas dos filmes de comédia romântica que ela tanto gostava de assistir.

A lista, compilada por Shane, é a seguinte:

  1. Sintonia de Amor
  2. Uma Linda Mulher
  3. O Diário de Bridget Jones
  4. Vestida para Casar
  5. Dirty Dancing: Ritmo Quente
  6. Gatinhas e Gatões
  7. Simplesmente Amor
  8. Digam o que Quiserem
  9. Mensagem para Você
  10. O Casamento do meu Melhor Amigo

“Sorrio, apesar de tudo. É um dos meus favoritos. Tudo bem, todos são meus favoritos. Tem alguma coisa tão inocente e doce em filmes românticos. O mundo nem sempre faz sentido, mas, em uma boa comédia romântica, tenho a garantia de um final feliz. A garota sempre encontra o cara certo, aquele que realmente a entende, no nível mais básico.”

p.26

Sinto que li esse livro de forma incorreta. As 293 páginas dele não são nada intimidadoras e é possível terminar a leitura em um único dia, ainda mais quando se está empolgada para saber o que vai acontecer. Mas, não deixo de achar que, talvez, se eu tivesse apreciado ele mais lentamente, eu teria curtido mais. A grande questão aqui é que muuuuita coisa acontece. Tipo, muita mesmo.

big mistake

Kenzi e seu noivado; Kenzi e seu relacionamento conturbado com sua família; Kenzi e o ex-namorado tentando reconquistá-la; Kenzi e suas escolhas de carreira; Kenzi e o fato de seu trabalho estar entrando em uma possível falência; Kenzi e alguns baphos (relaxa, eu não dou spoiler) que te deixam de cabelo em pé… Tudo isso acontece na história e sinto que alguns problemas foram acelerados mais para o final e outros foram deixados de lado (o que eu até entendo, porque é isso que acontece na vida real mesmo. Algumas tretas são simplesmente ignoradas e tudo bem). Só mais algumas páginas extras deixariam o livro com o enredo mais amarradinho.

“Era de esperar que a essa altura os homens já tivessem aprendido a interpretar a palavra “bem”. Não significa que está tudo certo. Significa que há mais para dizer, muito mais. Que ainda há sentimentos enterrados bem fundo. Mas que serão expostos uma hora ou outra. É só uma questão de tempo.”

p.28

As cenas com Shane foram super fofinhas, mas me irritei um pouco com ele, pela insistência no romance com Kenzi, mesmo quando ela estava #deboa com seu relacionamento com Bradley. Confesso que também não o curti muito porque imaginei ele como o Paul Rudd (eu nem acho o Paul Rudd bonito, sabe?). Mas, acho que se não fosse essa coisa dos romances, não teríamos nem livro, né?

how to loose a guy in 10 days

Eu amei demais as recriações de cenas de filme de comédias românticas. Eu já havia visto todos os filmes da lista de Shane e também todos os outros que são mencionados durante o livro. Eu A-M-O comédias românticas e, dias atrás, quando fui ver Guardiões da Galáxia 2, não pude deixar de ficar chateada com os trailers: basicamente, só vai ter filme distópico, de ação, de aliens, de morte ou de violência. Cadê a Julia Roberts e a Sandra Bullock para nos salvar desse buraco, gente? Esse artigo da Carol Prado, do G1, busca responder nossas questões íntimas sobre o desaparecimento desse gênero.  Seria menos pior se os filmes de ação fossem bons, né? Mas, infelizmente, eu também achei Guardiões da Galáxia bem medíocre e ia fazer um texto só para ele, apontando tudo o que vi e que me incomodou, mas esse texto aqui, do Chico Barney, que compara o filme da Marvel com um filme dos Trapalhões com orçamento milionário, já disse tudo o que eu gostaria de ter dito.

mensagem pra voce

Voltando a “Um Amor de Cinema”: é um livro fofo e despretensioso, que, quando você terminar de ler, vai ficar com um sorriso nos lábios e o coração mais quentinho.

Fiquei com vontade de rever todas as comédias românticas mencionadas no livro e super me relacionei com o que a autora, Victoria Van Tiem, escreveu em seu site oficial sobre de onde tirou a idéia para escrever “Um Amor de Cinema”:

“A ideia veio de querer esses grandes momentos dos filmes românticos para mim mesma. Afinal de contas, nossas vidas devem ser como os filmes. Devemos viver e amar muito, sem arrependimentos, porque, realmente, não temos garantia de recebermos uma segunda ´tomada´.”

o casamento do meu melhor amigo

Recomendo!

Beeijos, A Garota do Casaco Roxo

As melhores lojas de papelaria do Instagram

Apesar do grande foco deste blog ser literatura e cultura, no geral, dois dos posts que são mais acessados aqui é aquele em que eu falo sobre lojas online de papelaria e o que aborda lojas online de acessórios.

A grande realidade é que, nem sempre, a gente tem dinheiro para satisfazer todas as nossas vontades. Eu sou super daquelas que adora olhar vitrines só para ver o que tem de legal e aumentar ainda mais a minha wishlist.

Em inglês tem até um termo que fala sobre essa coisa de olhar lojas sem comprar nada, é o “window shopping”. Mas, recentemente, descobri que é mais legal fazer “window shopping” em lojas online ou no instagram, ao invés de ir para a loja real e acabar “pentelhando” algum vendedor.

Por isso, juntei uma lista de lojinhas fofas de coisa de papelaria que eu sigo no Instagram. Planners, caderninhos, agendas, bloquinhos, canetas, carimbos, post-its… Te m de tudo!!! Confesso que a pior parte de acabar a faculdade foi não ter mais justificativa séria para investir meu sagrado e suado dinheirinho em coisas de papelaria. Quem sabe no mestrado, não é?

    1. Meg e Meg

Clima de Domingo: itens da #megemeg espalhados na cama 💙 Foto da @nerdisma ✨

A post shared by Meg & Meg (@megemeg.shop) on

Eu amo tanto a Meg e Meg, que posso dizer que de todas, ela é a minha lojinha favorita! Eu adoro os estilo dos produtinhos que são super fofos e clássicos. A marca foi fundada em 2015, pela Jéssica Blanco, e eles são de São Paulo!

Os planners e os caderninhos são meus favoritos, mas também a-d-o-r-o os bloquinhos deles, gente! O frete é grátis acima de R$ 150 e uma das coisas legais é que os preços são bem variados e dá para comprar desde coisinhas mais caras até mais baratinhas, tudo depende do seu bolso mesmo.

Todo mês, a Meg e Meg também disponibiliza printables gratuitos. São templates de coisinhas que você pode imprimir em casa, para adicionar no seu planner ou na sua agendinha. Esse daqui, por exemplo, te ajuda a organizar os filmes e livros que você viu! Tô de dedos cruzados para ver se ela faz um que ajude a elaborar a lista do mercado!

      1. Meu Mundo de Papel

O insta da Ceiça Frota, que comanda a “Meu Mundo de Papel” é uma gracinha!!! Eu fico com vontade de estudar e de escrever a mão toda vez que vejo as fotos dela.

A lojinha “Mimos da Ceiça” têm coisas super diferentes e com uma variedade de preços bem interessante!

  1. Loja La Pomme

A La Pomme já apareceu aqui no blog antes, mas eu ainda sigo eles e estou amando ver como eles cresceram e como os produtos da lojinha estão ainda mais legais!

Os planners que eles fazem podem ser personalizados com seu nome, como esses daqui. Acho chique demais coisas personalizadas com o nome da pessoa ou até o monograma com as inicias dela. Fora que deve ser um presente super diferente e exclusivo para você presentear um chefe, colega de trabalho ou talvez até uma professora. Eu super estou me planejando para comprar um planner ano que vem, haha.

  1. LUBI

O mais legal da LUBI são as ilustrações que enfeitam os produtos. Diferente de estampas e padrões, a LUBI tem coisinhas um pouco mais elaboradas sem que isso deixe o produto muuito mais caro do que o normal.

Na verdade, eles têm um caderno roxo com estampa de gatinhos que é a coisa mais minha cara que eu já vi na internet. Ele quase grita “Mandariela!!!” toda vez que eu olho para ele!

Sei não, mas essa história de ver caderninhos fofos está me dando uma vontade danada de voltar a estudar…

Além dos cadernos e bloquinhos, a LUBI tem o diferencial de ter vários pôsteres com ilustras fofíssimas!

  1. Donna Dolce

A Donna Dolce reúne coisinhas de papelaria e acessórios vintage que são uma gracinha!! A loja é de Recife, mas eles fazem entregas em todo o Brasil, utilizando os correios!

Eles têm uma coleção chamada “#GIRLPOWER, com cadernos e posters que vão fazer você querer ser cada dia melhor do que você foi hoje! Outro produto que eu achei maravilhoso foi o My Adventure Book” um scrapbook inspirado por aquele da Ellie e do Carl, de “UP! Altas Aventuras”, super tive ideias legais para presentear pessoas queridas com um desse!

Os preços também são super variados!!

E aí, gostaram de ir “window shopping” comigo? Mal posso esperar para despejar meu rico dinheiro nas coisas fofas dessas lojinhas! Amei T-U-D-O!!!

Beeijos, A Garota do Casaco Roxo

Pepitas Brasileiras – Jean-Yves Loude

pepitas brasileiras

Nome: Pepitas Brasileiras: Do Rio de Janeiro ao Maranhão, uma viagem de 5.000 quilômetros em busca dos heróis negros do país.

Autor: Jean-Yves Loude

Editora: Autêntica

Páginas: 351

Terminei de ler a última página de “Pepitas Brasileiras” com vontade de reler o livro, até que todas as palavras e informações contidas nele estivessem impregnadas em minha memória.

Deitada em minha cama, finalizei o relato de viagem de Leuk e Leão sabendo que aquela jornada de mais de 5 mil quilômetros havia mudado minha perspectiva em muitos assuntos e que “Pepitas Brasileiras” tem o grande potencial de ser minha melhor leitura de 2017.

Que livro, minha gente, que livro!

Nossa jornada começa com um e-mail, recebido no primeiro dia do ano por um casal de etnólogos franceses que, provavelmente, não tem nem ideia da aventura que os espera. Na tela do computador eles são encarados pelos olhares computadorizados da projeção da aparência de Luiza, cujo esqueleto – de 11 mil anos de idade – foi encontrado aqui no Brasil. A reação de ambos é de surpresa e de excitação, afinal de contas, o crânio tinha características negras, a projeção tem pele negra e pertence a uma época em que os pesquisadores acreditavam que América só estava sendo colonizada por migrantes da Sibéria e da Mongólia, que vinham através do Estreito de Bering. Será possível que os negros chegaram de barco a esta terra que conhecemos por Brasil antes que os outros “colonizadores”?

O e-mail, enviado por Zayda, diretora da companhia de cultura “Tambor de Crioula Catarina de Mina”, foi o impulso final para que Leuk e Leão organizassem suas coisas e viessem para o Brasil em busca dos personagens negros de nossa história, cujas vidas, feitos e conquistas foram encobertos ou esquecidos de alguma forma.

“Há uma coisa de que o Brasil sofre ainda hoje: a persistência de preconceitos ligados à evocação do país, clichês fabricados em grande parte pelo cinema, pela televisão e pela indústria turística e que sobrevivem graças à preguiça intelectual. Uma visão tacanha que irrita aqueles que se recusam a ver o gênio plural do Brasil, mestiço, efervescente, em perpétua criação, reduzido à simples evocação de Copacabana, do futebol, das novelas, da violência, do tráfico, do Carnaval e da coisificação do corpo feminino.”

p.18

Com os textos e a narrativa em formato de diário de viagem e endereçados especificamente à Zayda, o leitor observa um verdadeiro desfile de personagens, cores, gostos, cheiros e cidades deste Brasil, cujos nomes são tão pouco conhecidos que eram ignorados por mim.

Através de visitas em museus, sítios arqueológicos, quilombos, marcos históricos e cidades inteiras, contando com o apoio das pesquisas de Leuk e de entrevistas e diálogos com pesquisadores brasileiros, a jornada dos etnólogos é costurada à trajetória daqueles que marcaram a história do meu país. O resultado é uma mistura, aquela pontinha de sabor que faz você querer pesquisar e saber mais e mais sobre tudo aquilo que foi nos ensinado.

Desfilam pelas páginas e pelo nosso imaginário os mais conhecidos personagens negros de nossa história, como Aleijadinho e Castro Alves, passando por Ana das Carrancas e Santa Anastácia, cuja história eu já tinha ouvido aqui e lá, até chegar em Negro Cosme, a Beata Maria de Araújo e a história das mulheres do Quilombo Conceição das Crioulas, que eu realmente desconhecia.

“Essa imagem da liberdade reconquistada foi coberta por uma pichação escrota do tipo: “Deus criou o pé para chutar a bunda!”. Compreende-se que se trata da bunda do negro. Anoto a fórmula diante de um senhor que está ali passeando e parece constrangido por nossa atenção a semelhante expressão de racismo ordinário. Explico-lhe que também anotei outra reflexão, muito bonita, caligrafada na parede, inscrita na moldura pintada de um falso pergaminho: “Existe uma história do povo negro sem o Brasil. Mas não existe uma história do Brasil sem o povo negro.”

p.272

Muitos outros personagens aparecem no livro e uma das coisas que eu mais gostei é que você não precisa ser um historiador ou um intelectual para apreciar algumas das vidas apresentadas no livro. Basta ter empatia e você já vai sair anotando nomes, para pesquisar mais sobre essas “pepitas”. Didático, Jean-Yves pega o leitor pela mão e nos ajuda a refrescar conceitos que nos foram ensinados na escola e depois esquecidos com o passar dos anos.

Cada personagem que passava pelas páginas de “Pepitas Brasileiras” me ensinava um pouco mais sobre a história de meu país e sobre os contextos que foram torcidos para justificar a escravidão e o racismo. Aprendi que as estátuas de namoradeiras têm um fundo bem melancólico e triste até. Aprendi que a cultura do Nordeste é muito mais extensa e profunda do que eu tinha conhecimento. Aprendi que “Maria Padilha” tem um significado histórico real, que vai bem além de um simples nome.

“Um rapaz jovem e loquaz aponta cada figura policroma e nos apresenta São Jorge derrotando seu eterno dragão, os gêmeos médicos Cosme e Damião, uma série de Nossas Senhoras em suas diversas atribuições, Nossa Senhora Aparecida em perfeita cumplicidade com Iemanjá, a entidade espiritual das águas salgadas, ela própria muito próxima de Santa Bárbara. Tem também Ogum, Exu, Oxum, Iansã…. Uma verdadeira reunião cordial de potências sobrenaturais. E aqui os espíritos índios, Sete Catacumbas e Sete Encruzilhadas. E Zé Pelintra, o boêmio de roupa branca e chapéu de malandro: mas cuidado, por trás de sua silhueta de sambista cafajeste se esconde um espírito poderoso.”

p.59

Descobri que, para uma pessoa que gosta de história e que considerava conhecer relativamente bem o assunto, eu não sei de nada. Arrisco dizer que, da missa, eu arranho só um Pai Nosso.

Além do aspecto histórico, as religiões afro-brasileiras também têm grande destaque na narrativa e certos aspectos delas são explicados e aprofundados de forma que praticantes e não praticantes possam entendê-las um pouco melhor. Sem preconceitos.

“Uma vozinha interior nos guia para uma loja escura de estátuas afrorreligiosas. Imagino, Zayda, que esses minimercados atulhados de produtos místicos devem parecer banais para você. Mas eles nos fascinam. Cheiram a incenso e transbordam efígies de gesso pintado ou de ferro, de todos os tamanhos, orixás e santos católicos lado a lado, bunda a bunda, Virgens tímidas, deuses impudicos, gênios índios, espíritos vestidos de malandro sambista ou de marinheiro: só mesmo o céu brasileiro para abençoar tamanho samba do crioulo doido.”

p. 185

Eu queria que todo brasileiro lesse “Pepitas Brasileiras”. Eu queria uma nova versão dele, com a linguagem um pouco mais simples, para que ele pudesse ser lido nas escolas. O livro original foi escrito em francês e a tradução foi feita por Fernando Scheibe, que fez um ótimo trabalho em dar picardia e charme brasileiros a escrita de Jean-Yves.

Eu gostaria que a divulgação deste livro fosse bem maior. A Editora Autêntica fez alguns posts patrocinados no Facebook e eu aproveitei para comprar o livro na Festa do Livro da USP, depois de ler um desses. Mesmo assim, quem fez o cadastro de “Pepitas Brasileiras” no Goodreads foi a própria que vos escreve e eu ainda estou para ver alguma resenha dele em algum site (vi uma crítica no O Globo, mas foi só).

Como disse no começo do texto, quero reler “Pepitas Brasileiras” em breve. É um livro que te ensina e te incita a querer saber mais. Agora que tomei conhecimento desse Brasil, quero ir mais além e ler mais sobre a história de meu próprio país.

“Nunca me esquecerei de uma senhora negra, batista, prosélita, que aceitou vir ao Salão do Livro para nos escutar falar das consequências das expansões europeias na África e no Brasil. Essa mulher forte, empregada doméstica, levantou-se e interpelou toda a plateia: “Não é absurdo que seja preciso esse casal de brancos para nos falar de nossa história como se fossem negros?!” – e atravessou a sala para nos abraçar.”

p.301

Recomendo “Pepitas Brasileiras” para qualquer um, independente de idade, raça, escolaridade, sexo ou nacionalidade. Não estou exagerando ao dizer que esse livro ampliou meus horizontes.

Beeijos, A Garota do Casaco Roxo

Damas de Honra – Jane Costello

damas-de-honra

Nome: Damas de Honra

Autora: Jane Costello

Editora: Record

Páginas: 431

“Damas de Honra” é um livro complicadíssimo para mim. Eu acabei a leitura dele sem saber muito bem o que tinha achado dele (o que sempre é um mal sinal) e sigo meio confusa em relação aos meus sentimentos com essa leitura.

Eu acredito que, para os padrões de 2017, “Damas de Honra” têm elementos suficientes para ser considerado um livro problemático.

Nele, nós acompanhamos Evie Hart, uma jornalista que nunca teve um relacionamento verdadeiramente duradouro. A verdade é que, aos 27 anos, Evie nunca se apaixonou, nunca sentiu aquele frisson e também se convenceu de que não nasceu para o amor. Até o momento, isso nunca tinha incomodado ela de verdade, mas, agora que a temporada de casamentos começou – e que ela vai ser dama de honra em três deles – ela se sente bem confusa.

Grace, uma das melhores amigas de Evie, já tem uma filha com seu noivo e os dois vão casar em breve. É no casamento dela que a jornalista conhece Jack, um homem capaz de fazer Evie duvidar de suas convicções para com o amor. O único problema? Jack veio acompanhado de Valentina, a amiga mais sexy, sensual, “que dorme com qualquer um” e poderosa do grupo.

Evie está convencida de que Valentina “não é mulher” para Jack, afinal de contas, ela só dorme com caras sem cérebro, que só pensam nas calças e Jack, por ser o diretor de uma ONG que ajuda pessoas na África, definitivamente não faz o tipo dela.

Além disso, Evie também tem que lidar com a constante perseguição de Gareth, seu ex-namorado cheio de espinhas e que só quer saber de vê-la usando um maiô de couro com buracos nos mamilos.

Pouco antes do segundo casamento da temporada, o de Georgia, Charlotte, outra amiga, está se sentindo muito mal com seu corpo.  Evie, Georgia, Valentina e Grace, então, começam a ajudá-la a emagrecer e a transformar seu visual.

Conforme a narrativa avança, Charlotte, que agora está magra, admite ter uma paixão ardente por um dos noivos – agora maridos, né?- de uma das amigas. E o barraco é de cair o queixo.

Eu não posso contar -muito- mais coisas sem dar spoilers e estragar o livro para alguém que queira dar uma chance a ele. Mas a verdade é que, além do slut shamming com Valentina, as cenas com a Charlotte também me incomodaram um bocado e eu não sei dizer exatamente o quê, mas tudo me pareceu bem incorreto. Ainda mais com o que acontece bem no finalzinho do livro.

O livro tem 441 páginas, mas isso não me parece suficiente para o bom desenvolvimento da narrativa. Acontece coisa demais e não há respiro. Em certo momento, o foco da narrativa sai de Evie e do seu problema em manter relacionamentos duradouros, mesmo parecendo que ela encontrou “O” cara certo. Então, a autora passa o foco à Charlotte e as outras amigas e o arco dessas personagens se torna bem maior do que o da personagem principal, mesmo sendo um livro narrado em primeira pessoa.  Acho que a história seria bem mais interessante se fosse narrada por cada uma das personagens, alternando seus pontos de vista.

Outro problema que eu encontrei, que, em partes, combina com a questão anterior, foi a narrativa em primeira pessoa. A gente sabe que esse é o padrão do chick-lit e que é isso que os torna tão atraentes para o público, mas é necessário saber dosá-lo. O “xis” da questão aqui foi que Evie quase não tem aquele monólogo interno, que faz com que a gente entenda os problemas da personagem e acabe se identificando, torcendo e se apaixonando junto com ela. Essa falta de descrições faz com que Evie cometa ações e tome atitudes, que nos deixam  “???” e sem entender lhufas, mesmo sendo um livro em primeira pessoa, tecnicamente, mais pessoal e profundo.

A falta de explicações na narrativa em primeira pessoa e o grande espaço ocupado pelas histórias paralelas das outras personagens tomam tanto tempo que, até agora, eu não sei dizer exatamente como Evie resolveu seu problema com relacionamentos duradouros (não é spoiler, né, gente? É tipo dizer que alguém morre em um episódio de CSI. Em um chick-lit, a gente sabe que alguém fica junto no final).

Mas, sendo sincera, a parte que mais me incomodou foi a da Charlotte. Não me pareceu certo os comentários quanto a imagem corporal dela, em nenhum momento. As atitudes tomadas pela própria Charlotte e pelas amigas também me deixaram bem confusa. O livro é de 2008 e já faz um tempo, mas será que é tempo o suficiente para justificar o que hoje eu considero rude, grosseiro e até vulgar?

“Damas de Honra” não funcionou para mim, mesmo sendo um chick-lit que envolve casamentos e outras coisas que eu adoro. Mas, pode ser que ele funcione para você. Sendo sincera, ele teve um ou dois momentos que me fizeram rir, mas isso não foi o suficiente para que eu o considerasse um livro bom, arrebatador e de me deixar suspirando por semanas.

Tem alguém aqui que já leu “Damas de Honra” e que tope conversar comigo sobre ele? Talvez, debatendo um pouco, eu consiga entender melhor algumas das coisas que me incomodaram!

Beeijos, A Garota do Casaco Roxo

O Demônio na Cidade Branca – Erik Larson

odemonionacidadebranca

Nome: O Demônio na Cidade Branca: Assassinato, magia e loucura na feira que mudou os EUA

Autor: Erik Larson

Editora: Record (mas foi publicado pela Intrínseca recentemente também)

Páginas: 556

“O Demônio na Cidade Branca” foi um achado. Explico: Na livraria do meu bairro, vira e mexe vendem alguns livros bons, que ficaram encalhados no estoque das editoras, por R$ 12.  Lá, eu comprei “O Demônio na Cidade Branca” e muitos outros títulos – muitos mesmo, por isso estou proibida de comprar livros novos. Pouco tempo depois, descobri que a Editora Intrínseca tinha republicado o livro de Erik Larson no final do ano passado. Minha edição é de 2005, mas acho que a experiência de leitura é a mesma.

“O Demônio na Cidade Branca” é um livro de não-ficção que aborda acontecimentos e fatos históricos reais. Mais especificamente, nós seguimos a história da Exposição Universal de 1893, oficialmente conhecida como “Exposição Internacional Colombiana”. Sediada na cidade de Chicago, a feira internacional teve duração de um ano e buscava celebrar os 400 anos da chegada de Cristovão Colombo ao Novo Mundo, a América – daí o nome “Colombiana”.

Erik Larson, através de uma extensa pesquisa em livros, documentos oficiais, diários e arquivos, reconstrói a narrativa de tal forma, que a impressão que temos é que estamos lendo um romance com diálogos, cenários e personagens principais e secundários. Ele chega a ser quase cinematográfico.

No livro, nós acompanhamos as dores e o trabalho árduo de Daniel Burham, um dos maiores arquitetos dos Estados Unidos e o responsável por realizar a feira.  Burnham foi o criador do edifício Flatiron em Nova Iorque e ficou encarregado de supervisionar o trabalho de elaboração e design dos prédios da Exposição Universal. Ele também foi o responsável por construir os planos e por tonar a feira realidade. Os prédios seguiram um padrão arquitetônico e eram todos brancos, daí o nome “Cidade Branca”.

exposição universal
Na Exposição Universal de 1893, havia prédios para cada área do conhecimento (Humanidades, Manufaturas, Indústrias…) e também pavilhões temáticos para diversos países do mundo.

Junto com Burnham estava também Frederic Law Olmsted, o paisagista responsável pelo Central Park, também de Nova Iorque. Juntos, os dois tiveram o trabalho gigantesco e descomunal de transformar uma área pantanosa e úmida nos arredores de Chicago em uma Exposição Universal de dar inveja à de Paris, que aconteceu em 1889, e de sobrepujar o grande marco da exposição anterior, a Torre Eiffel. A exposição tinha até um grande lago navegável, que foi construído para agradar aos desejos paisagísticos de Olmsted.

exposição universal 2
A “Corte de Honra” de Burnham e o lago de Olmstead.

Paralelamente aos desafios de Burnham, nós seguimos o jovem médico H.H. Holmes, cujos olhos carinhosos e gestos afetuosos eram uma fachada para um grande psicopata que matou muita gente, ao longo do decorrer da Exposição Universal.

Visando obter lucro com o afluente de pessoas que iria até Chicago para visitar os pavilhões e prédios de Burnham, H.H. Holmes construiu um hotel mórbido, com canos de ventilação, passagens secretas e um porão equipado com um crematório e ácidos e solventes químicos, para ajudá-lo a se livrar dos corpos. Holmes era um serial-killer de deixar Jack, o Estripador no chinelinho. 

Entre os anos de preparativos que antecederam a Exposição, até a construção dos prédios; os acontecimentos da Feira em si; os assassinatos de Holmes, culminando, por fim, na prisão do assassino, através do trabalho do detetive Geyer, “O Demônio na Cidade Branca” é um livro eletrizante e de tirar o fôlego, que vai fazer qualquer jornalista desejar tê-lo escrito. Eu me peguei segurando a respiração em diversos momentos, por causa de Holmes, e também torcendo para que o trabalho de Burnham desse certo, além do sucesso da exposição.

Cenários e diálogos são reconstruídos por Larson através de suas extensas pesquisas. A narrativa começa conosco a bordo do Olympic, junto com Burnham, enquanto o navio cruza o Oceano Atlântico, para ajudar a resgatar a tripulação e os passageiros de um outro navio, que havia afundado a pouco, o Titanic. Tecendo conexões entre momentos históricos e comparativos que ajudam leitores mais leigos a entender o que está acontecendo, um dos principais momentos da história dos EUA ganha vida, cor, cheiro e forma.

Muitas curiosidades são levantadas e a quantidade de coisa que eu aprendi com esse livro não tá escrita! Um dos exemplos desses aprendizados inesperados aconteceu por conta do exaustivo trabalho dos engenheiros para encontrar algo que fosse superior à Torre Eiffel ,em todos os aspectos. O resultado foi obtido pelo engenheiro George Ferris, que construiu a primeira roda gigante (em inglês “Ferris Wheel”) da história. Os carrinhos da roda gigante tinham janelas de vidro e as descrições de Larson sobre o terror e o medo dos primeiros passageiros da roda gigante são hilárias. Pedidos de casamento, casamentos e tentativas de suicídio aconteceram naquela roda gigante.

Ferris-wheel - EXPOSIÇÃO UNIVERSAL
A primeira Roda Gigante da história, construída na Feira Internacional Colombiana

Outros personagens de importância histórica mundial passeiam pela feira e tudo o que você vai querer é ler mais e mais. Os assassinatos de Holmes também ajudam a dar um toque meio noir ao livro e, apesar de serem pesados, as descrições não são tão detalhadas a ponto de deixar você – muito – assustado. O perfil psicológico de Holmes é muito bem construído e é difícil não se surpreender com a quantidade de gente que ele matou sem que ninguém percebesse ou notasse algo de estranho.

A única coisa que eu senti falta foram imagens e fotografias. É bem comum, nesse tipo de livro, ter um capítulo inteiro só com imagens e fotografias que ajudam a criar um imaginário das cenas descritas e dos personagens também (eu, por exemplo, imaginei Burnham como Chris Hemsworth e agora me recuso a pesquisar seu rosto e ver que ele não é nada disso). A verdade é que a falta de imagens é explicada até por Larson, no próprio livro. Como uma forma de conseguir mais lucros para a exposição – que estava atolada em dívidas – Burnham vendeu os direitos de imagem e só havia um único fotógrafo autorizado a tirar fotos do local, por isso a escassez de registros. Qualquer hora vou até uma livraria só para ver se há fotos na edição da Intrínseca.

Recomendo “O Demônio na Cidade Branca” para qualquer um que goste de história, arquitetura, assassinatos, suspense, investigação e curiosidades. Quem gostou de filmes como “Os Intocáveis”, do Brian de Palma, vai adorar isso aqui. O livro é um prato cheio para quem quer se desafiar e sair um pouquinho da zona de conforto na leitura.  

Definitivamente, essa já é uma das melhores leituras que fiz em 2017 e agora só me resta procurar por livros semelhantes e tão legais quanto esse.

Beeijos, A Garota do Casaco Roxo

Livrarias legais para conhecer em Montevidéu

Conheço poucas livrarias legais aqui em São Paulo. Tem a Livraria Cultura, claro; as unidades da Livraria da Vila, cada uma com seu charme próprio e as Saraivas e Nobels da vida. Fora isso, nada. Não conheço livrarias pequenas, independentes e com seu catálogo próprio, selecionado. Não conheço redutos de leitores e lugares especiais – e preciso trabalhar nisso!

Talvez, por esse motivo, eu tenha ficado tão impressionada com as livrarias que encontrei no Uruguai. Com pouquíssimas redes, cada lugar que visitei tinha seu charme especial. Você sentia, realmente, que estava em um reduto, em um palácio de livros.

Líbreria Más Puro Verso

Peatonal Sarandí 675

20170202_133941

A Más Puro Verso é uma das mais conhecidas de Montevidéu. Ela tem outras 3 unidades, mas a que conheci fica na Peatonal Sarandí, logo atrás da Plaza Independencia.

Eu sabia que a livraria ficava em algum lugar por ali e, como tinha ido almoçar no Cabildo, estava de olho nas lojas, para ver se a encontrava. E, olha, quase a perdi. A entrada é super discreta e, com o movimento da hora do almoço da Peatonal, aliado com os artesãos e artistas de rua (eu tenho horror a estátuas vivas e era o que mais tinha por lá, cruzes!),  ficou impossível. Quando você for, fique de olho!

De acordo com informações da internet, o edifício onde a livraria está localizada, o Pablo Ferrando, foi construído em estilo art noveau, em 1917 e é uma criação do arquiteto italiano Leopoldo Tosi. O objetivo era que a loja funcionasse como um ponto de venda de artigos ópticos e equipamentos de precisão.

As escadarias são o ponto alto do prédio e eu recomendo que vocês as suba! No piso superior há um restaurante e café com umas janelas de vidro enormes, com vista direta para o pessoal passando na Peatonal. Acabei não comendo nada por lá porque tinha me entupido de chivitos e papas fritas e não tinha espaço nenhum na  minha barriga.

20170202_134114
Vista do topo da escadaria

Uma curiosidade: Como a vi nos últimos dias de minha viagem, acabei decidindo comprar um livro do Mario Benedetti por lá. Procurei em todas as mesas, bancas e prateleiras e até subi nas escadas laterais para ver se enxergava eles. Sem efeito. Desisti e perguntei a um vendedor que me informou que os livros do escritor uruguaio ficavam sempre atrás do caixa. Por que? Aparentemente, eles eram roubados tão frequentemente que decidiram mudar o esquema.

20170202_134130
Detalhe dos vitrais! A foto ficou tremida porque eu não tenho uma mão firme e o zoom da minha câmera é um fresco!

Libreria Yenny

Boulevard España y Rambla Rep. de Perú

Confesso: Eu não fui na Yenny atrás de livros coisa nenhuma. Eu tinha lido na internet que lá tinha uma torta de alfajor deliciosa e queria conhecer o lugar. Eu fiquei em uma casa em Pocitos e, logo no primeiro dia, eu e minha tia decidimos ir caminhando pela Rambla de Montevidéu, curtindo a praia e observando as pessoas. Quando percebi que estava mais ou menos perto da Yenny, comentei sobre essa livraria com a minha tia e usei o que restava do meu roaming para pesquisar o endereço exato.

Em uma virada noveleira, minha tia se deu conta de que é na Yenny que trabalha uma das amigas dela, Gabriela. Um motivo mais que especial para continuarmos nossa caminhada pela Rambla! (no final, depois do tanto de doce que eu comi, eu fiz minha tia caminhar até a Playa Ramirez. Do ponto de onde saímos, até Ramírez, são quase 10km. Devo ter gasto umas 200 calorias nessa brincadeira…)

20170201_162847
Titia e Gabriela, nas mesinhas do lado de fora da Yenny! O teto e as paredes são de vidro e tem ar condicionado. É bem agradável!

Entre os livros, Gabriela e a torta de alfajor mais sensacional, mais doce, mais seduzente e mais calórica que eu já comi em minha vida, acabei esquecendo de tirar fotos. Foi mal.

IMG_20170201_160201_987
Torta de Alfajor da Yenny: Se esse não é o bebê mais lindo de toda a história da humanidade, eu não sei qual é.

A confeitaria onde Gabriela trabalha, que fica no mesmo espaço da livraria, chama-se Oro del Rhin. Há outras unidades espalhadas em Montevidéu, mas eu não cheguei a entrar e perguntar se por lá também tinha torta de alfajor. O grande barato mesmo é pegar um livro, sentar em uma das mesinhas do lado de fora, com vista pro mar, enquanto se saboreia a torta de alfajor.

IMG-20170201-WA0034
Para o meu mérito, eu não consegui devorar tudo! Um pedaço só dessa torta de Alfajor é o suficiente para duas pessoas. Da minha metade, eu acabei embalando e levando o resto… E comendo de café da manhã no dia seguinte! :X

Há um espaço nos fundos com mais e mais livros. Gabriela me contou que a Yenny também empresta os livros – desde que você não os estrague, nem os leve para casa-, então você pode ler sem desembolsar muito.

Aliás, uma coisa que eu reparei e fiquei surpresa: O preço dos livros no Uruguai. É bem caro e bem acima da média dos preços daqui. Todos os livros que eu peguei eram de R$ 40 para cima e é bem difícil encontrar livros de bolso ou em promoção nas lojas de lá. Pode ser que eu tenha procurado nos lugares errados, mas acredito que comprar livros no Uruguai só vale a pena se você não conseguiu encontrar nada por aqui.

IMG-20170201-WA0035
Pensando nele… O Culote!!!

Babilônia Libros

Tristán Narvaja 1591, quase Mercedes

20170203_123419

Conheci essa aqui graças a uma foto compartilhada no Instagram pela Leila Rego. Eu fui nela no mesmo dia em que visitei a Fundação Mario Benedetti e caminhei de lá até a livraria (eu andei muito no Uruguai, usando o Google Maps). Não levou nem 15 minutos minutos da Fundação até a Calle Tristán Narvaja, que também abriga a famosa feira de antiguidades, aos domingos.

A rua é cheia de sebos e lojinhas de antiguidade e é uma graça. Há banquinhas com vendedores de livros na rua também. Eu queria entrar em todos e tirar fotos de tudo, mas já estava atrasada para encontrar uns amigos e morta de fome.

20170203_123425

A Babilônia é linda e é super diferente. A livraria tem plantas trepadeiras por todo lado e você fica com a impressão de que entra num mundo mágico.

A única coisa chata é o atendimento. O vendedor estava ouvindo algum tipo de podcast em alemão e mal prestou atenção em mim. Eu queria muito um livro que contasse toda a história de Montevidéu e, quando pedi, ele levantou, atravessou algumas prateleiras e jogou o livro na minha mão, para depois voltar a ouvir seu podcast.

O livro era o “Boulevard Sarandí” e eu fiquei bem interessada nele, mas… A edição em minhas mãos tinha marcas de água e sujeira e, dentro, alguns papéis aleatórios funcionando como marca páginas, um deles era um convite de casamento (de 2008!!! Será que o casal ainda está junto???). Tudo isso pela bagatela de $590. Nops. R$ 60 eu só pago em livro novo mesmo. Fica para uma próxima.

20170203_123410

Talvez o vendedor só estivesse cansado dos turistas que vão lá, porque a Babilônia já virou quase um ponto turístico. De qualquer forma, vale a visita.

Moebius Libros – A minha favorita

Perez Castellano 1432

IMG-20170213-WA0035

Certo dia, minha tia e eu pegamos o Bus Turístico de Montevidéu, que percorre toda a cidade e te dá uns fones de ouvido para acompanhar algumas explicações. Eu achei o preço da entrada meio salgado, mas valeu a pena, de certa forma. Minha recomendação: Venta muito, muito, muito em Montevidéu. Isso normalmente. Com aviso de ciclone, como nós tínhamos, e sentadas no andar de cima do Bus Turístico, eu quase morri congelada. Tipo assim:

1l0d10

Nós o pegamos na Parada 9, em Pocitos, e tivemos que descer no Mercado del Puerto, a parada 0. Uma baita de uma estratégia de marketing, já que nem eu nem minha tia tínhamos a intenção de comer ou comprar e acabamos fazendo os dois. E depois de fazer tudo isso, lógico, perdemos o horário do ônibus, que passa de meia em meia hora. Decidimos subir a rua lateral ao Mercado del Puerto e tentar pegar o bus ali na Plaza Independenzia.

IMG_20170224_213740_539
A Péres Castellano é uma rua peatonal, ou seja, só de pedestres. Caminhando pela rua, logo nós vemos algo de diferente…

E foi nessa ruazinha que encontramos a Moebius.

IMG-20170213-WA0042
Nova modalidade: Agachamento Literário! Conseguem ver o livro sobre como plantar maconha ali na frente?

Charmosa, pequena, muito desorganizada e com surpresas e deleites para os olhos em cada prateleira, a Moebius não é uma livraria, é uma experiência. Eles vendem livros usados e novos e não tinham nenhum dos 5 títulos que eu perguntei sobre (como o vendedor sabia o que tinha e o que não tinha de cabeça, sem verificar nada, eu não sei, mas ele sabia).

Este slideshow necessita de JavaScript.

Eu fiquei uma boa meia hora por lá, só explorando e apreciando e acabei perdendo o segundo bus turístico. Ops. Valeu a pena, de qualquer forma. Acabou virando meu lugar favorito. Sem o charme da Más Puro Verso, nem a extravagância da Babilônia e as distrações da Yenny, consegui curtir bastante o lugar e me arrependo muito de não ter comprado a estátua do Mujica com o termo y el mate debaixo do braço e a cachorra sentada a seus pés – se é que ela estava a venda, não?

IMG_20170210_093913_476
A escultura é tão perfeitinha que a cachorra de Mujica, Manuela, também tem 3 patas.

Bônus, que não é Livraria  – Café Brasileiro

Ituzaingó 1447

20170208_130317

Já que a gente já tinha perdido o ônibus mesmo, acabamos caminhando por toda a Ciudad Vieja (é melhor não fazer isso de noite, viu gente?). Passeamos pela Plaza Zabala e pelo Museu Romântico (um museu que guarda móveis e miudezas de pessoas ricas da antiga Montevidéu. Ele está situado em uma casa de 1810, que pertencia a um comerciante e tem muitas, muitas coisas bonitas e objetos que pertenceram a presidentes uruguaios e tudo mais. Ao mesmo tempo, ele é bem vazio e tem uma vibe esquisita. As únicas pessoas por lá eram eu e minha tia e as moças responsáveis por nos guiar agradeceram a visita dizendo que morreriam de tédio se nós não estivéssemos lá).

20170208_124337
Vai dizer que não tem uma vibe meio esquisita, gente?

Quando eu saí de lá, segui caminhando e, quando percebi, estava quase na esquina do Café Brasileiro. Mario Benedetti e Eduardo Galeano frequentavam o café com frequência e costumavam sentar nas janelas, para observar as pessoas. O café também foi frequentado por muitos outros intelectuais e artistas uruguaios e está lá desde 1877!!!

20170208_130329.jpg

Recentemente, terminei minha leitura de “A Trégua” e o número de vezes que Martín Santomé, o personagem principal, vai a cafés para tomar cortados (café com leite) e media lunas (como um croissant, que pode ser recheado com jámon y queso ou só manteiga #quero) é impressionante. Na verdade, ele e a mocinha, Laura Avellaneda, têm seu primeiro encontro fora do escritório, em alguns dos cafés de Montevidéu.  Martín também escreve muitos sobre como seria um bom garçom e reflete sobre as personalidades dos frequentadores. As cenas que li ganharam muito mais vida depois que conheci o Café Brasileiro, mas aquele final… Nunca vou perdoá-lo.

Este slideshow necessita de JavaScript.

A decoração tem fotos, artigos de jornal e miudezas que ajudam a relembrar e a traçar um pouco da história longeva do lugar. Há um café especial chamado Galeano, que vem com amaretto, chocolate e dulche de leche e foi uma das coisas mais deliciosas que tomei durante a viagem. Foi nomeado em homenagem ao Galeano, porque era assim que ele costumava tomar seu café desse jeitinho.

Peguei esse com uma fatia de torta de chocolate branco e blueberry e meu estômago estava no paraíso. Eu quase me esqueci de tirar foto porque já fui comendo direto.

IMG_20170208_132106_461
Um “Café Galeano”, do jeitinho que o escritor tomava e um cheesecake de chocolate branco com cobertura de frutas vermelhas

20170208_130816

Havia um homem sentado no lugar do Benedetti e, quando ele finalmente saiu, eu pude tirar uma fotinha de recuerdo. Agora, resta esperar que os mesmos deuses que inspiraram e abençoaram Benedetti, me abençoem também.

20170208_132901
❤ ❤ ❤

Beeijos, A Garota do Casaco Roxo

Visita à Fundação Mario Benedetti, em Montevidéu

20170203_113934

No começo de fevereiro eu tive a oportunidade de visitar o Uruguai pela primeira vez. Minha família é uruguaia e eu cresci com todo um imaginário das ruas, pessoas e dialetos locais e agora, finalmente, consegui colorir e dar vida a todas as imagens mentais que criei durante minha vida. Tudo graças a um casal de amigos! ❤

A verdade é que muitas das ideias que eu tinha sobre o local foram derrubadas e outras foram assentadas. Entre mates, chivitos, choripans e biscochos, o mais impressionante foi caminhar pelas ruas e pelo bairros de Montevidéu como se eu conhecesse tudo muito bem, como a palma da minha mão e talvez até melhor que São Paulo. Eu sabia quais ônibus pegar, que rua descer e para que lado caminhar sem nem precisar olhar para os mapas.

Talvez, essa impressão tenha sido causada pela leitura de livros do escritor uruguaio Mario Benedetti (tem a influência da minha família também, mas vocês me entendem). “Primavera Num Espelho Partido”, “A Borra de Café” e, mais recentemente, “A Trégua” foram alguns livros que li do autor e que me deixaram com a permanente sensação de familiaridade, de já ter lido aquelas histórias e de, talvez, já ter caminhado por aquelas ruas sem nem ter ido para lá. Com “A Trégua”, que eu li em espanhol, a sensação foi mais intensa. A linguagem montevideana, os sotaques e as escolhas de palavras me passaram a sensação de estar escutando uma história lida pelo meu avô.

Eu não criei um roteiro específico para visitar Montevidéu, mas tinha comigo uma lista de lugares que queria conhecer. Um deles era a Fundação Mario Benedetti, que fica na Calle Joáquin de Salteráin, 1293, no bairro de Cordón, em uma região majoritariamente residencial (eu super achei que tinha me perdido no caminho, porque só encontrei casas, um mercadinho e uma borracharia).

Um show à parte, a sede da Fundação é uma casa de 1910, que foi reformada e restaurada recentemente para sediar o local. Antes disso, o acervo de Benedetti ficava em uma Associação de Escritores Uruguaios.

20170203_120413

Fui recebida no local por Hortensia, a secretária do local e a pessoa responsável por fazer os tours da casa. Ela me contou que a fundação era um projeto de vida de Benedetti, que só pode realizá-lo depois de morto. Ele acreditava que criar a fundação com seu nome, quando ainda estava vivo era ser um grande puxa-saco de si mesmo.

Em seu testamento, Benedetti deixou tudo planejado: as ações da fundação, os presidentes, vice-presidentes e até suplentes, caso os primeiros selecionados morressem e ele também escolheu o local da sede: O apartamento onde ele e Luz, sua esposa, passaram boa parte de suas vidas, depois do exílio na Espanha.

Por ser um prédio residencial, os vizinhos não gostaram da ideia de ter gente entrando e saindo para visitar o local. Então, como alternativa, os diretores da fundação apontados por Benedetti escolheram a casa e a compraram e reformaram com o dinheiro da venda dos apartamentos de Montevidéu e da Espanha, que Benedetti tinha comprado durante o exílio.

20170203_120359

Quando cheguei, não havia ninguém além de Hortensia na casa. Ela me contou que poucas pessoas, uruguaios inclusive, sabem da existência da Fundação, que além de preservar o trabalho de Benedetti, também organiza um concurso literário bienal e também trabalha para a preservação dos direitos humanos.

Todos os móveis usados no local, as cadeiras, mesas, lustres e até as xícaras e pratos eram de Benedetti e Luz. Em uma das salas há um armário lindo armário com todas as coisas de cozinha do casal. A foto que eu tirei de lá ficou ruim, por conta da luz, mas é possível ver um pedacinho dele aqui:

img_20170203_152036_180

Há uma réplica do escritório de Benedetti, feita à partir dos relatos dos amigos e colegas do escritor, que dá a impressão de que ele saiu para ir na panaderia comprar biscochos e logo estará de volta. É possível ver um caderno com suas anotações, sua boina e seus suspensórios pendurados ao lado da porta. 

img_20170203_132057_947

Ao fundo, há um jogo de xícaras e um bule de café, pronto para ser usado. Hortensia me contou que, certa vez, Luz disse a Benedetti que a única função dele na casa era fazer o café e, por isso, as xícaras ficavam sempre em seu escritório. Em uma das estantes, há uma coleção das edições estrangeiras de seus livros. O local fica fechado porque Hortensia me contou que era comum que as pessoas tocassem e até tentassem roubar algumas coisas.

20170203_115515

A biblioteca com o acervo de livros pessoal de Benedetti também está lá e Hortensia conta que, em breve, esses livros vão ser disponibilizados ao público. Um dos objetivos da Fundação é que o local de sua sede funcione como um espaço cultual que possa ser desfrutado pelo público e por estudantes, para a realização de oficinas e cursos.

A impressão que tive é que a fundação ainda está se organizando e seu trabalho não está totalmente finalizado ainda, da forma como Benedetti queria.

20170301_130217

Depois da visita à casa, Hortensia me deu um folheto, o “Guia Benedetti”, uma ideia genial que te ajuda a conhecer Montevidéu a pé. Como boa parte dos livros de Benedetti tem referências a lugares e ruas de Montevidéu, o Guia Benedetti seleciona esses trechos específicos e cria rotas que você pode seguir, junto com os trechos em que Benedetti os mencionou e a que livro pertencem. Maravilhoso!

20170301_124900

20170301_125021

A única coisa chata é o horário de funcionamento. No site, somos informados de que a Fundação fica aberta até às 18 horas. Fui uma segunda vez para o local, desta vez acompanhada da minha tia e chegamos lá às 17h21. Mesmo assim, Hortensia informou que não poderia realizar o tour, por conta do horário. Uma pena. 😦

Além da fundação, eu visitei um monte de livrarias e até um café super especial e simbólico em Montevidéu, mas isso fica para outro post! Fique de olho!

Beeijos, A Garota do Casaco Roxo

(Mais) séries legais para ver no Netflix e fugir do Carnaval

Meu humor no Carnaval varia muito de ano para ano. Em 2016, por exemplo, eu estava super animada e cheguei a ir em alguns ensaios de Escolas de Samba e até em um técnico, que aconteceu no Anhembi. Bloquinhos não são minha praia, já que eu detesto multidões.

Sinto que vou passar meu Carnaval de 2017 de uma forma bem NSLC (Netflix, Spotify, Livros e Cama), com a ocasional mirada na televisão, para ver os desfiles.

Se você é como eu, aqui vai uma listinha de séries para te ajudar a passar o tempo. O legal é que todas são curtinhas com, no máximo, duas temporadas. Eu também classifiquei elas de acordo com tom, para te ajudar a fazer uma escolha mais certeira. Vamos lá?

The People Vs. O.J. Simpson: American Crime Story – Para você que quer histórias reais, um pouco das Kardashians, crimes e julgamentos judiciais

oj

Faz quase duas semanas que terminei de ver “The People Vs. O.J. Simpson” e eu sigo pensando na história verídica retratada por ela…

Foi igual quando vi “Making a Murderer”, que eu gostei muito, mas que não resenhei para o blog. Ambas as séries me fizeram pensar muito e fizeram com que eu me colocasse no lugar das pessoas retratadas por elas. Será que eu faria igual aos jurados de ambos os casos? Será que a mídia pode ser culpabilizada? Será que O.J. Simpson matou essas pessoas?

ojss

O.J. Simpson era um atleta renomado de futebol americano. Ele foi acusado do assassinato violento de Nicole Brown, sua ex-esposa, e de Ronald Goldman. Na época, a polícia de Los Angeles recebia acusações de violência policial contra negros e os casos de má-conduta policial aconteciam com frequência.

Um “dream team” de advogados foi contratado por O.J. para defendê-lo e, na promotoria, estavam Marcia Clark e Chris Darden. Boa parte dos episódios está centrada no caso judicial em si. Há muitas cenas no tribunal e reviravoltas acontecem durante o tempo inteiro. Uma hora um lado está na frente e, em outra, o panorama está completamente alterado. Eu ainda não era nascida na época do assassinato, mas imagino que deve ter sido um pesadelo real acompanhar todos os acontecimentos do julgamento.

ojs

Os eventos dentro e fora do fórum são frenéticos e é impossível não ficar de queixo caído em cada episódio.

O material da série foi baseado no livro “The Run of His Life: The People v. O.J. Simpson”, de Jeffrey Toobin. Há um episódio inteiro dedicado ao sexismo sofrido pela promotora Marcia Clark, que, na época, também enfrentava um divórcio. Absolutamente tudo foi abordado, desde  a  exposição dela na mídia, os comentários machistas e até as alterações que ela teve que fazer na imagem pessoal, para ser mais bem aceita pelo público. Eu fiquei impressionada. Será que se um caso como esse acontecesse hoje em dia, as repercussões em cima da promotora responsável seriam iguais?

clark

No geral, a série me fez refletir muito sobre o poder da retórica e a força da opinião pública. A série mostra os fatos, ao mesmo tempo em que me parece ter um viés. Mas, de qualquer forma, fiquei impressionada com o resultado do julgamento.

Outro ponto interessante é o Rob Kardashian. Rob é o melhor amigo de O.J. e acaba se tornando um de seus advogados. A série dá um enfoque grande na relação dele com as filhas e com a ex-esposa, Kris Jenner. Talvez para dar um destaque atual ao seriado ou até para explicar de onde vem a fama das garotas, que disseram publicamente que o retrato delas na série é exagerado e sensacionalista. Rob Kardashian confessou ter dúvidas sobre a verdadeira inocência de O.J. Eu também.

kardashian

Eu não sei o que eu faria se fosse uma jurada do caso, mas, certamente, os acontecimentos posteriores da vida de O.J. Simpson me deixaram bastante chocada. Cuba Gooding Jr, que interpretou O.J., disse que teve dificuldades para sair do personagem. Ele também disse que fez dois takes de cada cena: em um, ele interpretava um culpado que dizia ser inocente, e no outro, ele fazia as vezes de um inocente querendo provar que era inocente. A escolha final de qual cena usar seria só do diretor. Todas essas informações estão disponíveis na página do IMDB da série.

Além das discussões que trouxe à tona e dos monólogos interiores que ela me fez ter, essa série é viciante e eu quero revê-la com minha mãe, que adora dramas jurídicos.

gallery-1449092008-sarah-paulson-john-travolta-american-crime-story-120215

Ryan Murphy é um dos produtores da série (sim, o mesmo de Glee e American Horror Story), que deve ter novas temporadas. Parece que o material vai seguir o formato de “American Horror Story”, com uma história diferente em cada temporada.

A próxima deverá abordar o Furacão Katrina e o Governo Americano, que foi culpabilizá-lo por falhas no socorro e na prevenção de todas as mortes.

Fleming: The Men Who Would Be Bond – Para você que quer espionagem, cenas calientes, ficção histórica, mais cenas caliente à la Mr. Grey e Segunda Guerra Mundial

Admito, o único motivo para eu ter começado essa série tem nome e sobrenome: Dominic Cooper. Sou apaixonada por ele desde “Mamma Mia” e acabei vendo a série só por ter ele como protagonista e que bom que fiz isso!

fleeeeemeeeming

A minissérie da BBC conta a história de Ian Fleming, o escritor que criou o personagem “James Bond”. Antes da Segunda Guerra Mundial, Fleming nada mais era que um bon-vivant, um filhinho de papai que fazia suas vontades e nada mais. Seu irmão, Peter Fleming, é um escritor brilhante, um herói de guerra e a estrela dos olhos da mãe.

Tudo muda quando, após um ultimato de sua mãe e das conexões dela, Fleming consegue um emprego no escritório da Marinha Real. Logo depois a Segunda Guerra Mundial estoura e Fleming tem que amadurecer, criar responsabilidade e se tornar um homem de verdade.

Através de suas idéias revolucionárias, da criação de uma unidade especial de luta e espionagem e de estratégicas novelísticas, Fleming passa a ganhar o respeito de seus colegas na Marinha.

fleming

Os roteiristas da série intercalaram fatos verídicos com algumas das estripulias de James Bond, imaginadas por Ian Fleming. Seria impossível recriar todos os feitos reais da carreira dele já que, até hoje, boa parte dos documentos que a contam em detalhes é secreta.

A vida pessoal de Fleming também é bem movimentada e retratada na série. Ele tem uma namorada fixa, Muriel, que acaba tendo um destino trágico. Mas, seu verdadeiro amor é Ann O´Neill, esposa de um oficial do exército que está lutando na Alemanha. Enquanto o marido está longe, Ann também vive um affair bem público com outro homem, mas também está interessada em Fleming. Enfim, uma bagunça.

flrereming

Os cenários, vestidos e as cenas de ação são incríveis. A série é rica em detalhes e absolutamente linda de se ver. De repente, você é sugado para o século passado e a série termina te deixando com gosto de “quero mais”. As cenas calientes de Ian Fleming são realmente calientes. É melhor deixar para ver essa daqui sem a família junto.

huhuhuhuhu

A série tem 4 episódios, sendo que o último é uma reflexão dos atores e produtores sobre a vida incrível de Ian Fleming. Esse episódio mostra os bastidores da produção e a dificuldade em reproduzir a Inglaterra durante a Segunda Guerra Mundial. O material também inclui uma entrevista com o biógrafo oficial de Ian Fleming, que ajuda retrata o escritor com mais vivacidade. Um deleite para nerds de história, como eu. Toda série baseada em uma pessoa real ou que conta uma história verídica deveria ter algo assim.

Eu nunca li nada do Ian Fleming, nem vi filmes da série do James Bond, mas fiquei totalmente encantada com o personagem retratado e agora super quero me aventurar por histórias de espionagem.

flemingeee

Crazyhead – Para você que quer uma série girl-power, engraçada e curtinha

Crazyhead tem uma vibe meio “Buffy” e “Charmed” que me encantou.

crazzzyhead

Amy é uma menina que trabalha em um boliche e que passa por um tratamento médico, depois de certos acidentes. Ela acreditava que conseguia ver demônios, que habitavam o corpo de outras pessoas para fazer o mal e passou a tomar medicamentos para suprimir suas “ilusões”, tudo sob recomendação médica.

Raquel é doida e mora com o irmão. Ela é despachada e hilária e, certo dia, ela passa por perto do boliche onde Amy trabalha e vê a garota sendo atacada por um demônio. A vida de Raquel é matar os malditos demônios – menos no horário do Pilates – e ela fica surpresa ao descobrir que Amy também tem a capacidade de ver os danados.

crazyhead

As duas engatam uma amizade e passam a caçar demônios em conjunto. Trabalhando para esconder tudo do irmão de Raquel, Tyler, e de cuidar de Suzanne, a melhor amiga de Amy, que sofre de problemas sérios.

São 6 episódios de um humor leve e bobo. Alguns sustinhos são bons e você não daria nada pela série só por ver os primeiros episódios. Conforme a narrativa avança, Raquel e Amy acabam presas em uma confusão bem doida, com demônios por toda parte e com segredos sendo revelados em ambas as partes. É divertido sem ser pretencioso demais.

crazyyyyyhead

Eu não teria visto Crazyhead se não tivesse descoberto que o papel de Raquel era interpretado por Susan Wokona. Conheci a atriz em “Chewing Gun” – que eu amei- e já achei ela engraçada no papel de Cinthia. Agora, mais ainda.

Santa Clarita Diet – Para você que quer humor leve e bobo e algo que possa ser visto em família

santa-clarita-diet

Terminei de ver “Santa Clarita Diet” ontem de noite e, confesso, ainda estou bem brava porque a primeira temporada termina em um MALDITO CLIFFHANGER!!!

Deus sabe o quanto eu detesto séries que chegam em um clímax e terminam em um beco sem saída, te deixando sem resposta alguma e sentado feito um trouxa, esperando a próxima temporada. Acho que é um trauma causado por Lost.

“Santa Clarita Diet” conta a história de uma família normal, tradicional e até meio entediante. Os pais, Sheila e Joel, são casados desde o ensino médio e trabalham como corretores de imóveis. A filha, Abby, é uma típica adolescente de 16 anos.

saaaantaaaaa

Durante uma visitação em uma casa que está a venda, Sheila vomita muito. Tipo, muito mesmo. Estilo exorcista, sabe? Joel acredita que a esposa está morta, mas Sheila parece estar bem normal, mesmo depois de todo o líquido perdido e de uma misteriosa bola vermelha que saí de dentro dela.

No outro dia, Sheila se sente mais impulsiva e determinada. Ela age para satisfazer suas vontades e… só consegue comer carne. Preferencialmente, carne de humanos bem fresquinha, tirada pela própria mulher.

santa-clarita

A família, então, passa a buscar uma cura para o novo estado de morta-viva da esposa, ao mesmo tempo em que tem que matar pessoas e disfarçar tudo isso dos dois vizinhos, que são policiais. Uma loucura e totalmente fora da vida entediante e normal que eles tinham antes.

Ao todo são 10 episódios de meia hora, que te envolvem e te deixam querendo mais. Algumas partes são bem nojentas e hilárias e a Drew Barrymore fez a personagem ficar bem engraçadinha, mas o ator que interpreta o marido, Timothy Oliphant, foi o meu favorito. Fica claro que ele ama a esposa e que vai fazer qualquer coisa para deixá-la feliz.

Acho bom a Netflix liberar logo a segunda temporada…

Bônus!

Eu sou a pior pessoa para ver séries quando elas estão no hype e, geralmente, deixo para ver tudo beeem depois, quando a poeira já começou a baixar. Com essas duas séries, eu me encantei, apaixonei e… Já quero as novas temporadas!

Unbreakable Kimmy Schmidt – Para você que quer rir, se encantar, cantar e voltar a acreditar em seus sonhos

unbreakable

Unbreakable Kimmy Schmidt é maravilhosa, gente! Honestamente não sei porque demorei tanto para ver essa série!

Com duas temporadas (e com a terceira já confirmada para ser liberada em 19 de maio), a série segue a história de Kimmy Schmidt, que foi sequestrada na adolescência por um maluco religioso, que acreditava no dia do Juízo Final. Kimmy  passou quase 15 anos em um bunker, com outras 4 mulheres, até ser resgatada. Longe de ser um drama ou uma história triste, Kimmy é inquebrável (há, entendeu?) e agora vai ter a chance de realizar seus sonhos e viver a vida que sempre quis.

kimmy

Cause females are strong as hell, no?

titus

A série é muito engraçada e cada personagem que entra na história acaba tendo um desenvolvimento muito interessante. Tem Titus Andromedon, um ator que nunca conseguiu se dar bem na carreira e que é o colega de quarto de Kimmy. Negro e gay, Titus tem um talento maravilhoso para cantar. Peeeno Noir, bitches!! Lilian é a dona do apartamento onde vivem Titus e Kimmy e é um doce, meio raivosa, mas gentil. Ela morre de medo da gentrificação que está acontecendo em seu bairro (eu também!) e faz coisas bem doidas. Jacqueline é uma mulher rica, que acaba contratando Kimmy como sua assistente e babá e até Andrea, a terapeuta de Kimmy.

O mais legal é que Kimmy é a que sofreu mais, mas ela segue inspirando todo mundo a buscar uma versão de melhor de si mesmos. Super recomendo, não consegui parar de ver nem quando estava no Uruguai!

Stranger Things – Para você que quer mistério, sustos, um pouco de inocência infantil e uma vibe à la “E.T”

stranger-things-1-1200x605

Todo o hype gerado em torno de “Stranger Things” me fez ter um pouco de preguiça da série. Na verdade, ela foi tão falada na internet que eu já sabia – aqui e acolá- de algumas coisas que iam acontecer na história. Em uma premiação (acho que foram os Emmys) o cast infantil da série tirou uma foto super fofa, sentados numa mesa parecendo entediados. Achei uma graça e, só por isso, decidi ver a série.

“Stranger Things” se passa em uma cidade pequena, onde todo mundo conhece todo mundo e onde nada parece acontecer. Até que um dia, o garoto Will Byers desaparece misteriosamente. Seus melhores amigos, Mike, Dustin ❤ e Lucas, partem, então em busca dele garoto, através das florestas e bosques da cidade.

stranger

Mas, o que eles encontram, na verdade, é uma garota estranha, de cabelo raspado e com um passado misterioso, que se chama Eleven e é viciada em waffles. A menina acaba ficando amiga dos garotos.  O Sheriff Jim Hopper e a mãe de Will, Joyce, também são um ponto alto da história e eu adorei a química entre os dois.

Você, provavelmente, já sabe um pouco do enredo, que é bem detalhado. Qualquer coisa que eu diga a mais pode ser um baita spoiler. Então você vai ter que confiar na minha palavra, ao dizer que a narrativa é envolvente e empolgante, com reviravoltas emocionantes e de te deixar de cabelo em pé.

straaaaaanger

A série é cheia de surpresas e de personagens fora do padrão, como Nancy, a irmã de Mike, que acaba virando bem badass. Tem também a Barb, amiga de Nancy, que eu adorei, mesmo sem muitos motivos. Até mesmo Steve, o peguete de Nancy e típico galã de ensino médio, tem seus méritos, apesar de ser meio babaca no começo.

straaamger

Eu adorei que conseguimos respostas parciais no final, nem tudo foi revelado, mas soluções foram encontradas para os problemas propostos. Não me senti traída e estou louca pela segunda temporada.

O seriado tem inúmeras referências a livros do Stephen King e agora estou doida para ler um. Só que vai ter que ser uma coisa que não dê muito medo porque, olha, Deus sabe que eu detesto perder meu sono.

winona

Espero que essa lista tenha te ajudado a escolher algo legal para ver e passar o Carnaval. Tem alguma sugestão legal para mim, já que eu já vi tudo isso?

Beeijos, A Garota do Casaco Roxo