As Fases da Lua – Clarissa Côrrea, Liliane Prata, Bianca Briones, Leila Rego e Jennifer Brown

as fases da lua

Nome: As Fases da Lua

Autoras: Clarissa Côrrea, Liliane Prata, Bianca Briones, Leila Rego e Jennifer Brown

Editora: Gutenberg

Páginas: 350

“As Fases da Lua” é um livro lançado no ano passado pela Editora Gutenberg, que reúne 5 contos diferentes. As histórias envolvem a lua de alguma forma e, por causa disso, são todas inevitavelmente românticas.

“Caminhos Cruzados” é o conto de Clarissa Côrrea e sua lua é a crescente. Ele abre o livro e tem 88 páginas – o que é bastante, considerando que é um conto. Apesar de ser a história que “abre” o livro e que nos apresenta o conceito e a ideia por trás da coletânea, ela não me surpreendeu.

Alice, a personagem principal, é uma garota do interior que nunca se sentiu muito conectada à sua família. Ela não vê a hora de prestar o vestibular e de morar em São Paulo, como sempre sonhou. Isso até que ela conhece Gustavo, um cantor lindo, porém deveras cafajeste.

O Gustavo vira a cabeça da Alice e, depois de um relacionamento-relâmpago, ela acaba engravidando dele. Sem querer assumir o bebê, ele dá um pé na bunda da Alice, não sem deixar a menina devastada.

Acontece tanta coisa, mas tanta coisa, que fica difícil escrever uma sinopse sem revelar muito e estragar a surpresa. Esse é o tipo de conto que ou 1- deveria ser um livro ou 2- deveria ser bem editado e reduzido pela metade.

A autora gasta muito tempo em acontecimentos inúteis e que não vão avançar o enredo, enquanto, simultâneamente, apressa (ou ignora totalmente) trechos que deveriam ser mais longos. Algumas das frases e parágrafos são gigantescos e a impressão que dá é que eles não foram revisados.

O conto é narrado como se a Alice estivesse dando um depoimento, sabe? Acaba sendo muito maçante. A premissa é boa e a história é recheada de mulheres fortes, mas a forma como o conto é narrado acaba tirando toda a diversão da leitura.

Há erros de continuidade na narrativa. Um trecho que me marcou foi quando a Alice se muda para São Paulo. Ela se muda para o apartamento da tia e gasta algumas frases falando sobre ter convidado os amigos para morarem com ela e etc. Uma ou duas páginas depois, ela escreve algo tipo “fui com minha tia para São Paulo, para conhecer o apartamento dela”. Tipo, que? Eu reli esse trecho algumas vezes e continuo sem entender.

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Outra coisa que me incomodou foram as expectativas TOTALMENTE IRREALISTAS em relação a carreira de jornalista. Sério, quanto mais eu lia, mais eu me irritava. Eu sei que é ficção, mas essa parte me pareceu tão inverossímil, que esse conto vai ficar marcado na minha mente – pelos motivos errados.

A verdade é que, se não fosse pela minha teimosia, baseando no que vi em “Caminhos cruzados”, eu provavelmente não teria lido os outros contos de “As fases da Lua”, mas, né, ainda bem que eu sou teimosa.

Algumas coisas que aprendi” é o conto da Liliane Prata e, ah, é tão lindo! A lua dela é a cheia.

A Lena também está sofrendo por conta de um cara babaca, o Eduardo. Ele ignora as mensagens dela e só a procura quando está carente, sabe? A Lena é tipo a booty call dele, e sofre horrores por conta disso. Ela trabalha como professora de artes em uma escola, apesar de sempre ter sonhado em ser uma grande ilustradora e a vida dela parece estar naquele estágio estranho de “vai” ou “não vai”.

Um dia, uma amiga de infância, a Giulia, entra em contato pela internet. A Giulia se mudou para a Itália, pouco antes delas entrarem no ensino médio e, naquela época, isso pareceu ser o fim do mundo. Para evitar que a distância de um oceano acabasse com a amizade, elas fizeram um pacto. Se um dia a Giulia estivesse triste, a Lena iria visitá-la na Itália e, se um dia a Lena estivesse triste, a Giulia viria visitá-la no Brasil.

Lena descobre que o pai de Giulia (com quem ela tinha uma conexão especial) morreu em um acidente de carro e que a amiga está devastada. Sem perceber, ela apela ao pacto da amiga e usa suas economias para passar um período na Itália.

Na Itália, Lena conhece novos lugares, muda de ares, se reconecta com a amiga querida e também conhece algumas pessoas, que vão fazer ela esquecer do Eduardo bem, bem, bem rápido.

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“Eu comeria carboidratos se um garoto italiano comprasse eles para mim” – Quem não, Kate?

A relação entre as duas amigas é bem descrita e há vários subplots interessantes nesse conto. Eu fiquei com vontade de ler mais e de descobrir tudo que ia acontecer – com todos os personagens.

As descrições dos lugares são muito boas e parecia que eu estava mesmo na Itália com a Lena. É um conto muito fofo e eu pularia direto para ele.

Se você pudesse ficar…” é o conto da Bianca Briones e eu chorei horrores com ele. O conto é o da lua minguante.

Em apenas 54 páginas, somos apresentados ao casal Bruna e Guilherme. Os dois estão juntos desde sempre, tipo, mesmo. São namorados desde que eram criança e, agora que terminaram os estudos e estão começando oficialmente na “vida adulta”, mal podem esperar para casar e fazer tudo juntos.

O relacionamento dos dois vai bem e tudo parece promissor até que Guilherme começa a ficar doente, muito doente. O conto tem flashbacks da história do casal e é fofo, fofo demais.

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Euzinha, depois de ler esse conto.

É o menor conto do livro inteiro e eu fiquei impressionada com a forma como ele conseguiu me envolver e me encantar (e me emocionar) em tão poucas páginas.

Minha canção favorita é você” é o conto da Leila Rego e eu fiquei com vontade de quero mais, de novo! Esse é o da lua nova.

Dora é uma médica-oftalmologista que está na Bahia – para um congresso profissional, sem mais nem menos. Ela sofreu nas mãos de um ex meio louco e agora só quer saber de estudar e trabalhar, para a tristeza de sua melhor amiga Sarah.

Sarah sabe que o show de encerramento desse congresso profissional vai ser feito pelo cantor João Leone, que é a sensação do momento. Ela quer que a amiga vá ao show para que ela consiga curtir também – vicariamente, mas Dora não vai ceder tão facilmente.

Enquanto as duas discutem pelo telefone, no elevador, Dora é observada de perto por um homem lindo e misterioso, que deixa a médica mole e bamba, como há muito tempo ela não ficava.

Dora não vai ter escolha a não ser se deixar envolver pelo homem misterioso, cuja personalidade real vai surpreendê-la. Mamma mia, que conto!

Eu fiquei verdadeiramente triste quando esse conto acabou, porque eu queria mais e mais!

Uma das coisas que eu mais gosto nos livros da Leila é que os seus personagens pertencem todos a um mesmo universo. Em determinada cena, Sarah e Dora almoçam no restaurante de André, personagem do livro “A Segunda Vez que te Amei”. O João Leone, por sua vez, é irmão do personagem de um livros ainda não publicados da Leila, que eu tive a feliz chance de ler recentemente.

Oráculo Azul” é o conto de Jennifer Brown e, o fato da lua ter apenas 4 fases, já deveria ter servido como um aviso de que esse conto não deveria ter sido inserido nessa coletânea. Ele, por sinal, aborda uma bem fictícia “lua azul”.

Sabe aquele barulho de agulha riscando o vinil? Foi exatamente esse o som que meu cérebro fez quando comecei a ler esse conto.

Ele conta a história de Destiny, uma garota que mora em um lar adotivo e que é forçada pelos seus pais adotivos a fazer trabalho voluntário (oi? sim, é isso mesmo). A cidade em que ela mora está sendo banhada por um misterioso luar azul e isso tem deixado todos eufóricos e cansados.

O conto tem, ao todo, 39 páginas de extensão e eu juro que não consegui entender a história da Destiny, o significado dela ou o porquê, oh céus, fariam tanto escândalo por conta de doações.

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Enquanto os 4 contos anteriores podem ser considerados bons exemplos de chick-lit e de histórias sobre mulheres fortes (até o primeiro conto, que eu não gostei muito, é um ótimo exemplo de uma história sobre uma – ou várias – mulheres fortes), “Oráculo Azul” é mais voltado para o público Young Adult e destoa muito dos outros.

Sem sentido e deslocado das histórias iniciais, o conto de Jennifer Brown foi um jeito “chôchô” e meio triste de terminar um livro que teria sido muito bom – se não fosse a tentativa de enfiar um estrangeiro no meio para dar “atrair leitores”.

Já leu “As Fases da Lua”? Conta para mim qual foi seu conto preferido?

Beeijos, A Garota do Casaco Roxo

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3 livros que li recentemente

Estou voltando ao meu ritmo normal de leitura de pouco em pouco. Setembro foi um mês tão corrido e atribulado que, mesmo se quisesse, eu provavelmente não teria conseguido ler muito. Por causa disso, preciso confessar: estou sem ideias para posts novos no blog.

Tem alguma dica ou sugestão? Tem alguma coisa que você gostaria de ver por aqui? Me deixa um comentário, quem sabe isso não ajuda a minha deusa interna da inspiração! haha

Alguns dos (poucos) livros que li esse ano não foram resenhados aqui no blog. Para que eles não passem em branco, optei por escrever um post com mini resenhas deles. Vamos ler?

leituras recentes

  • Killers of the flower moon: The Osage murders and the birth of the FBI, de David Grann

Cover of Killers of the Flower Moon the Osage Murders and the Birth of the FBI

Eu peguei “Killers of the flower moon” para ler porque achei que seria parecido com “O Demônio na Cidade Branca”, de Erik Larson. Os dois traçam um momento histórico, para então abordar assassinatos que aconteceram durante aquela época.

No livro de David Grann acompanhamos o boom do petróleo nos EUA, que tornou uma tribo indígena, os “Osage”, extremamente ricos. O governo federal impedia que o petróleo fosse explorado nas terras dos indígenas sem o pagamento de royalties e isso trouxe muito dinheiro ao estado de Oklahoma e aos índios.

Apesar da riqueza, os Osage ainda eram extremamente discriminados e sofriam constantes limitações. Naquela época, alguns deles tinham que pedir autorização a um “tutor branco” toda vez que mexiam no dinheiro obtido pelos royalties.  

Mesmo com as aparentes divisões entre os Osage e os brancos, tudo vai bem. Até que uma série de ataques contra os índios começam a acontecer. Explosões, tiros, bombas e mortes “acidentais” começam a afetar a tribo e o governo não sabe mais o que fazer para conseguir prender o culpado – até que Edgar J. Hoover entra em cena com o embrião do que viria a ser o FBI – Federal Bureau of Investigation.

Hoover e seus agentes começam uma investigação à moda antiga e o resultado é um livro extremamente curioso.

David Grann faz um excelente trabalho em trazer à vida esse período da história dos Estados Unidos que é tão pouco explorado pelos livros e filmes. O livro é dividido em duas partes e a primeira aborda a tribo indígena e a vida em Oklahoma naquela época. A segunda fala mais sobre a investigação dos assassinatos e o surgimento do FBI.

Surpreendentemente, gostei mais da parte que traça a história dos índios do que a parte da investigação em si. Como estive em Tulsa, quando fui Jovem Embaixadora, foi fascinante ler sobre a história de um lugar que eu conheci.

No geral, o livro é bem interessante e é mais um dos ótimos livros de não-ficção que li esse ano.

  • Casino Royale, de Ian Fleming

capa do livro casino royale de ian fleming

“Casino Royale”, publicado em 1953, é a primeira aventura de James Bond. No livro, somos apresentado ao mais reconhecido espião do mundo, criado por Ian Fleming (há uma série documental disponível no Netflix, que conta um pouco da vida desse escritor). Ao todo, Fleming escreveu 14 livros com esse personagem e “Casino Royale” é o inicial.

Bond é enviado ao sul da França com o objetivo de jogar cartas contra Le Chiffre, o tesoureiro de um sindicato controlado pelo serviço de contra-espionagem da Rússia (SMERSH). A responsabilidade de Bond é jogar baccarat contra Le Chiffre e apostar até levá-lo à falência.

Ligeiramente mais vulnerável que os James Bonds dos filmes, o Bond do livro ainda é charmoso e poderoso com as mulheres, mas sofre bastante. Sofre tanto que eu fiquei achando que ele ia morrer durante um bom pedaço da história.

O livro foi uma experiência interessante demais, até para ver como é que eles escreviam livros de ação back in the day. Ainda assim, sigo firme vendo os filmes.

  • Jane Eyre, de Charlotte Bronte

capa de jane eyre de charlotte bronte

Ler “Jane Eyre” também foi uma experiência interessante. Foi o primeiro livro que li na vida, em que, sem nunca ter colocado meus dedos na história, eu sabia o enredo todo.

Eu sabia da história não porque vi o filme ou coisa do tipo, mas porque “Jane Eyre” é tão mencionado em alguns livros que li sobre escrita, que eu não tive escolha mesmo.

Mas, mesmo assim, essa foi uma experiência libertadora. Libertadora porque removeu toda aquela ansiedade em saber o que ia acontecer com os personagens. Como eu já sabia todo o enredo, eu pude só me concentrar na escrita e na construção de cenas da escritora.

Levei quase 3 meses para terminar o livro (eu li ele em inglês, então é perdoável, né?) e terminei a narrativa sentindo que Jane Eyre merecia mais. Eu também não desenvolvi nenhum crush pelo Mr. Rochester, pelo contrário, achei ele um abusado.

E você? Já leu algum desses livros? O que achou deles?

Beeijos, A Garota do Casaco Roxo

Livros lidos da minha meta de leitura

meta de leitura de 2017

Já faz um tempo que costumo escolher a quantidade de livros que quero ler em um ano. Eu também determino alguns (poucos) títulos aos quais quero dedicar minha atenção durante aquele período, além de tentar seguir o desafio de leitura do Popsugar (nem sempre consigo completar tudo, mas ele costuma me desafiar bastante a sair da minha zona de conforto).

No começo do ano, postei aqui no blog uma lista de livros que queria ler em 2017.

Apesar de ter sofrido da bendita ressaca literária e agora que já passamos da metade do ano, vamos ver quais livros eu já li?

Li, adorei e já resenhei para o blog. Até agora, segue como minha terceira melhor leitura do ano. Será que vai mudar?

  • O Aleph, de Jorge Luis Borges

Li, mas não resenhei para o blog. Consegui viajar nos contos de realismo fantástico do Borges e meu único arrependimento é ter lido “Cidades Invisíveis”, do Italo Calvino no mesmo ano. Por conta disso, as histórias meio que se entrelaçam na minha mente.

Também já li e resenhei para o blog. De tirar o fôlego, só não é o melhor livro de não-ficção que li no ano, porque temos dois pesos pesados que são o “Pepitas Brasileiras”, do Jean-Yves Loude e “O Instante Certo”, da Dorrit Harazim.

Esse eu li faz pouquíssimo tempo e também adorei! É fofo e doce e tudo o que eu precisava para relaxar e seguir minha vida.

Esse foi a maior decepção do ano, de longe. O livro da Jane Costello figura na minha lista de livros para ler desde 2013 e, quando finalmente consegui lê-lo, sobrou só tristeza. Recheado de preconceitos antiquados, piadas de gosto duvidoso e de uma mocinha que é bem zZzZzZ, “Damas de Honra” não foi uma leitura legal.

Ainda faltam 6 livros para ler dessa minha meta de leitura e apenas 16 livros, para que eu alcance meu número determinado no começo do ano – de 60 livros lidos. Você acha que eu consigo bater esse número?

Beeijos, A Garota do Casaco Roxo

5 dicas para quem quer sair da ressaca literária

A ressaca literária é um mal que acomete toda a pessoa que gosta de ler. Não adianta fugir, em certo ponto, você vai ser atingido e não vai conseguir ler, por mais que tenha muita, muita vontade.

Seja depois de ler um livro muito bom, seja depois de ler um livro muito ruim, ou até naturalmente, sem motivo algum: A ressaca literária chega para todos. Eu escrevi bastante sobre isso no blog, em 2013.

5 dicas para quem quer sair da ressaca literária

E olha, tenho que dizer, é uma coisa horrível. Ler é minha atividade favorita e é péssimo quando eu não consigo me animar para pegar um livro na estante ou até me concentrar em alguma determinada leitura.

Se você também sofre desse mal, continue lendo o texto! Reuni algumas dicas práticas para aqueles que querem sair logo da ressaca literária. Vamos conferir?

  1. Leia um livro de seu escritor favorito

Pode parecer contraditório, né? Quer dizer, se você não está conseguindo ler, por que minha primeira dica é ler?

Porque, às vezes, para conseguir sair de uma ressaca literária das bravas, é necessário se lembrar do porquê gostamos de ler. E não existe melhor forma de fazer isso do que lendo um livro de (ou até relendo) nossos escritores favoritos.

these things are great! it's like a TV in your head!

Fica mais fácil se envolver em uma história quando já conhecemos a “voz” desse escritor, assim, essa é uma boa forma de curar uma ressaca literária.

Se é uma releitura, pode ser ainda melhor. Já sabemos o que vai acontecer na narrativa e, ao relermos a história, somos recordados, de imediato, do porque gostamos de ler.

  1. Leia um livro grande

Outra que pode ser contraditória. Mas por que, ó Amanda, você está me mandando ler um livro grande, sendo que não consigo ler nem um livro pequeno?

O segredo para ler um livro grande reside em estabelecer metas. Pegue o número total de páginas e o separe em quantidades que não pareçam tão assustadoras. 20 páginas por dia não são muita coisa, não é mesmo? Agora 740…

Matilda filme lendo e rindo

Determine a si mesmo que você lerá as 20 páginas por dia e, aos poucos, se permita ser envolvido na história (e cumpra essa promessa). Aposto que, quando você passar da metade do livro, já vai estar lendo bem mais do que 20 páginas por dia e sua ressaca literária está longe, bem longe de você.

  1. Leia um livro pequeno

Sheldon Cooper fingindo que está lendo um livro grande, mas tá lendo um quadrinho

Sim, essa dica é a oposta da anterior. Se ler um livro grande não te curar da sua ressaca literária, ler um livro pequeno pode te ajudar a superar isso rapidamente.

Ao ler um livro que pode ser lido em um dia, você vai voltar a se sentir um leitor. Essa motivação extra pode te ajudar a trazer de volta a vontade, a motivação e o amor pela leitura.

Quer dicas de livros para ler em um único dia? Reuni 6 deles nesse post aqui! Escolha o que mais te agrada e se jogue!

  1. Elabore competições

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Esse daqui pode não funcionar para todo mundo, mas funciona que é uma beleza para mim!

Sou de Aries e sou muito competitiva por natureza. Por causa disso, uma das coisas que me força a ler – e, consequentemente, me tira das ressacas literárias – é competir.

Site como o Goodreads permitem que você determine uma meta de leitura anual e vão te avisando quando você está muito atrasado ou no ritmo certo de leitura. Gosto de observar sempre o número de livros que li nos anos anteriores (eu faço isso desde 2015, então são quase 2 anos que posso usar para comparar) e tentar bater esse número.

A Bela e a Fera cena da biblioteca
“Humpff! É claro que eu consigo ler mais do que a Bela!”

Outra coisa que é legal é combinar com seus amigos. Em 2015, eu apostei que leria mais do que uma amiga minha. Pois bem, perdi a aposta, mas foi definitivamente o ano em que mais li na vida, com 66 livros lidos.

  1. Laissez-faire, laissez-passez

Nada disso colaborou para que você curasse sua ressaca literária? Ou, então, mesmo depois de ler as minhas dicas, você segue sem vontade de ler?

Deixa estar, deixa passar.

Hoje em dia existem tantas formas legais e diferentes de relaxar, que é pecado se ater somente a uma delas o tempo todo.

gif fofo lendo sentada na poltrona

Vai ver um filme no Netflix, faz uma maratona daquele seriado que anda na boca de todo mundo, comece a ouvir podcasts, faça um cachecol de tricô ou pinte um livro de colorir.

Tenha em mente que o que te faz um leitor não é a quantidade de livros que você lê ou a frequência com que você pratica esse hábito, mas sim, o quanto você gosta de ler.

Te garanto: uma hora você vai voltar a ler naturalmente.

Gostou das dicas? Compartilhe o post em suas redes sociais e ajude um amigo-leitor que pode estar passando pelo mesmo problema.

Beijoos, A Garota do Casaco Roxo

5 livros legais de escritores latino-americanos

Muita gente acha que ser um bom leitor significa ler muitos, muitos, muitos livros. E só. Houve um tempo em que eu pensava assim e prezava mais pela quantidade do que por qualquer outra coisa.

Hoje penso de maneira diferente. A leitura é meu hobby e também a forma como eu aprendo mais sobre o mundo. Gosto de me desafiar e de disputar contra eu mesma em relação aos gêneros, estilos, autores, nível de dificuldade e, sim, até à quantidade de livros que leio de um ano para o outro.

Mas acho que o verdadeiro segredo para ser um bom leitor reside na diversidade de leitura.

Ler só livros de escritores homens ou só de autores de um determinado país pode ter seu mérito, mas não é exatamente diversidade, é?

Por mais que seja legal ter um autor favorito e ler todas as obras dele, acho interessante a ideia de sair da zona de conforto e de ler de tudo um pouco, mesmo. 

Para te ajudar a diversificar seu “cardápio” de leituras, elaborei uma lista com meus livros favoritos de escritores latino-americanos! Nossos hermanos têm obras excelentes e, muitas vezes, a gente acaba focando em dois ou três escritores e esquece que existem muitos outros que também são maravilhosos!

5 livros legais de escritores latino-americanos

Vamos aos títulos?

  • La Tregua e A Borra do Café, de Mario Benedetti

A trégua de mario benedetti

“La Tregua” foi o livro que fez eu quebrar meu jejum de não comprar livros, lá no começo do ano, quando fui para o Uruguai. Comecei a ler ele enquanto tomava sol na praia de Pocitos e acabei ficando mais morena nas costas do que na parte da frente do corpo. Não me arrependo nem um pouco.

O livro conta a história de Martín Santomé, um viúvo que está contando os dias até sua tão aguardada aposentadoria. Para marcar o feito, ele começa um diário onde relata alguns dos acontecimentos terrivelmente rotineiros de seu trabalho em um escritório, como contador. Os seus 3 filhos, já adultos, criados e maduros, também aparecem nos escritos.

Tudo vai bem rotineiro e calmo na vida de Martín. Até que uma funcionária nova, Laura Avellaneda, começa a trabalhar no escritório. Laura vira o mundo de Martín de ponta cabeça e a tão rotineira rotina dele vai para as cucuias. Os dois se apaixonam e engatam uma relação tão linda e preciosa, que você meio que se apaixona junto.

frases de la tregua mario benedetti

Eu li “La Tregua” em espanhol e  por ter tantas gírias e expressões tipicamente uruguaias me lembrou TANTO do meu vô, que eu quase não aguentei de saudades.

“La Tregua” é um livro doce, mas tão, tão, tão triste que eu fico chateada só de lembrar. Eu chorei horrores. É claro que vou reler no futuro – e em português, de preferência.

A história se passa em Montevidéu e as descrições são super vívidas, especialmente as dos cafés. A história foi publicada em 1959 e a impressão que temos é de que pouca coisa mudou na cidade, desde então.

Alguns dos pontos turísticos mencionados na história aparecem no Guia Benedetti, publicado pela Fundação Mario Benedetti. Quando terminei o livro, eu já estava em casa, mas a vontade foi voltar para o Uruguai, fazer o percurso do guia e ver Montevidéu pelos olhos do Martin.

capa de a borra de café de mario benedetti

“A Borra do Café”, eu li em português mesmo e me diverti bastante lendo. É a história de Claudio, começando por sua infância até ficar mais velho e adulto.

A infância de Claudio é marcada pelo futebol, pelas mudanças da família, a morte da mãe e pelo assassinato de um morador de rua em seu bairro. Há uma grande leveza na forma como ele narra esses acontecimentos.

“A Borra do Café” é parcialmente baseado nas memórias de infância do próprio Benedetti e acho que isso, de certa forma, me ajudou a gostar ainda mais do livro!

Minha impressão é de que em “A Borra do Café”, a cidade de Montevidéu aparece mais do que em “La Tregua”. Agora que conheço o lugar, quero reler o livro para verificar isso.

capa da nova edição de o carteiro e o poeta de antonio skármeta

Eu já resenhei “O Carteiro e o Poeta” aqui no blog e você pode ler a resenha para mais detalhes. Basicamente, o livro conta a história da inusitada amizade entre o poeta Pablo Neruda e seu carteiro.

Antonio Skarmeta é chileno e, recentemente, a Editora Record reeditou “O Carteiro e o Poeta”, que estava fora das prensas (o meu exemplar foi comprado em sebo, mas mesmo assim quero uma edição nova).

O livro virou filme em 1994 e eu escrevi sobre ele no blog também!

“Como Água para Chocolate” é um livro da escritora mexicana Laura Esquivel.

O livro conta a história de Tita, que nasceu em uma cozinha e cuja mãe não queria que se casasse. A tradição da família pregava que, por ser a filha mais nova, ela não poderia se casar e teria que ficar cuidando da mãe até ela morrer.

capa do livro como agua para chocolate da laura esquivel

Quando cresceu, Tita se apaixonou perdidamente por Pedro, sem poder ficar com ele por conta da bendita tradição. Para resolver todos os problemas (só que não, né?) Pedro acaba se casando com a irmã mais velha de Tita, só para poder ficar perto de sua amada.

Sem poder conversar ou trocar olhares por conta de uma proibição da irmã, Pedro e Tita se comunicam por meio da culinária e das sensações que a comida de Tita induz em todos os membros da família. As descrições alimentares são riquíssimas e a dose de realismo fantástico típica dos escritores latino-americanos também temperam o livro.

A resenha completa pode ser lida aqui no blog, neste link.

elenco de como água para chocolate
Tita e Pedro em uma das cenas de “Como água para Chocolate”

Capa de The Brief Wondrous Life of Oscar Wao

Apesar de estar em inglês, “The Brief Wondrous Life of Oscar Wao, é um livro de um escritor latino-americano. Junot Diaz nasceu na República Dominicana e emigrou para os EUA aos 6 anos de idade.

O livro conta a história de vida de Oscar Wao, mas vai além disso ao mostrar todas as gerações de mulheres fortes anteriores (e uma contemporânea) a ele.  O livro também se aprofunda e dá um grande panorama sobre como a ditadura de Trujillo afetou a vida de todos na República Dominicana.

É fascinante e, com certeza, uma das melhores leituras desse ano – até agora! Não é à toa que Junot ganhou um Pulitzer por esse livro, né?

Espero que minha lista te ajude a diversificar mais suas leituras! Sei que existem muitos outros escritores latino-americanos ótimos e alguns dos que li (Isabel Allende com “A Casa dos Espíritos” e Mario Vargas Llosa com “Travessuras de Menina Má”) não apareceram nessa lista.

Se gostarem do post, eu posso até fazer uma continuação!

Beeijos, A Garota do Casaco Roxo

PS: Recentemente escrevi uma resenha de um livro de mistério, com um narrador super não-confiável! Meu texto sobre “Sempre Viveremos no Castelo”, de Shirley Jackson, pode ser lido na Revista Pólen.