5 livros legais de escritores latino-americanos

Muita gente acha que ser um bom leitor significa ler muitos, muitos, muitos livros. E só. Houve um tempo em que eu pensava assim e prezava mais pela quantidade do que por qualquer outra coisa.

Hoje penso de maneira diferente. A leitura é meu hobby e também a forma como eu aprendo mais sobre o mundo. Gosto de me desafiar e de disputar contra eu mesma em relação aos gêneros, estilos, autores, nível de dificuldade e, sim, até à quantidade de livros que leio de um ano para o outro.

Mas acho que o verdadeiro segredo para ser um bom leitor reside na diversidade de leitura.

Ler só livros de escritores homens ou só de autores de um determinado país pode ter seu mérito, mas não é exatamente diversidade, é?

Por mais que seja legal ter um autor favorito e ler todas as obras dele, acho interessante a ideia de sair da zona de conforto e de ler de tudo um pouco, mesmo. 

Para te ajudar a diversificar seu “cardápio” de leituras, elaborei uma lista com meus livros favoritos de escritores latino-americanos! Nossos hermanos têm obras excelentes e, muitas vezes, a gente acaba focando em dois ou três escritores e esquece que existem muitos outros que também são maravilhosos!

5 livros legais de escritores latino-americanos

Vamos aos títulos?

  • La Tregua e A Borra do Café, de Mario Benedetti

A trégua de mario benedetti

“La Tregua” foi o livro que fez eu quebrar meu jejum de não comprar livros, lá no começo do ano, quando fui para o Uruguai. Comecei a ler ele enquanto tomava sol na praia de Pocitos e acabei ficando mais morena nas costas do que na parte da frente do corpo. Não me arrependo nem um pouco.

O livro conta a história de Martín Santomé, um viúvo que está contando os dias até sua tão aguardada aposentadoria. Para marcar o feito, ele começa um diário onde relata alguns dos acontecimentos terrivelmente rotineiros de seu trabalho em um escritório, como contador. Os seus 3 filhos, já adultos, criados e maduros, também aparecem nos escritos.

Tudo vai bem rotineiro e calmo na vida de Martín. Até que uma funcionária nova, Laura Avellaneda, começa a trabalhar no escritório. Laura vira o mundo de Martín de ponta cabeça e a tão rotineira rotina dele vai para as cucuias. Os dois se apaixonam e engatam uma relação tão linda e preciosa, que você meio que se apaixona junto.

frases de la tregua mario benedetti

Eu li “La Tregua” em espanhol e  por ter tantas gírias e expressões tipicamente uruguaias me lembrou TANTO do meu vô, que eu quase não aguentei de saudades.

“La Tregua” é um livro doce, mas tão, tão, tão triste que eu fico chateada só de lembrar. Eu chorei horrores. É claro que vou reler no futuro – e em português, de preferência.

A história se passa em Montevidéu e as descrições são super vívidas, especialmente as dos cafés. A história foi publicada em 1959 e a impressão que temos é de que pouca coisa mudou na cidade, desde então.

Alguns dos pontos turísticos mencionados na história aparecem no Guia Benedetti, publicado pela Fundação Mario Benedetti. Quando terminei o livro, eu já estava em casa, mas a vontade foi voltar para o Uruguai, fazer o percurso do guia e ver Montevidéu pelos olhos do Martin.

capa de a borra de café de mario benedetti

“A Borra do Café”, eu li em português mesmo e me diverti bastante lendo. É a história de Claudio, começando por sua infância até ficar mais velho e adulto.

A infância de Claudio é marcada pelo futebol, pelas mudanças da família, a morte da mãe e pelo assassinato de um morador de rua em seu bairro. Há uma grande leveza na forma como ele narra esses acontecimentos.

“A Borra do Café” é parcialmente baseado nas memórias de infância do próprio Benedetti e acho que isso, de certa forma, me ajudou a gostar ainda mais do livro!

Minha impressão é de que em “A Borra do Café”, a cidade de Montevidéu aparece mais do que em “La Tregua”. Agora que conheço o lugar, quero reler o livro para verificar isso.

capa da nova edição de o carteiro e o poeta de antonio skármeta

Eu já resenhei “O Carteiro e o Poeta” aqui no blog e você pode ler a resenha para mais detalhes. Basicamente, o livro conta a história da inusitada amizade entre o poeta Pablo Neruda e seu carteiro.

Antonio Skarmeta é chileno e, recentemente, a Editora Record reeditou “O Carteiro e o Poeta”, que estava fora das prensas (o meu exemplar foi comprado em sebo, mas mesmo assim quero uma edição nova).

O livro virou filme em 1994 e eu escrevi sobre ele no blog também!

“Como Água para Chocolate” é um livro da escritora mexicana Laura Esquivel.

O livro conta a história de Tita, que nasceu em uma cozinha e cuja mãe não queria que se casasse. A tradição da família pregava que, por ser a filha mais nova, ela não poderia se casar e teria que ficar cuidando da mãe até ela morrer.

capa do livro como agua para chocolate da laura esquivel

Quando cresceu, Tita se apaixonou perdidamente por Pedro, sem poder ficar com ele por conta da bendita tradição. Para resolver todos os problemas (só que não, né?) Pedro acaba se casando com a irmã mais velha de Tita, só para poder ficar perto de sua amada.

Sem poder conversar ou trocar olhares por conta de uma proibição da irmã, Pedro e Tita se comunicam por meio da culinária e das sensações que a comida de Tita induz em todos os membros da família. As descrições alimentares são riquíssimas e a dose de realismo fantástico típica dos escritores latino-americanos também temperam o livro.

A resenha completa pode ser lida aqui no blog, neste link.

elenco de como água para chocolate
Tita e Pedro em uma das cenas de “Como água para Chocolate”

Capa de The Brief Wondrous Life of Oscar Wao

Apesar de estar em inglês, “The Brief Wondrous Life of Oscar Wao, é um livro de um escritor latino-americano. Junot Diaz nasceu na República Dominicana e emigrou para os EUA aos 6 anos de idade.

O livro conta a história de vida de Oscar Wao, mas vai além disso ao mostrar todas as gerações de mulheres fortes anteriores (e uma contemporânea) a ele.  O livro também se aprofunda e dá um grande panorama sobre como a ditadura de Trujillo afetou a vida de todos na República Dominicana.

É fascinante e, com certeza, uma das melhores leituras desse ano – até agora! Não é à toa que Junot ganhou um Pulitzer por esse livro, né?

Espero que minha lista te ajude a diversificar mais suas leituras! Sei que existem muitos outros escritores latino-americanos ótimos e alguns dos que li (Isabel Allende com “A Casa dos Espíritos” e Mario Vargas Llosa com “Travessuras de Menina Má”) não apareceram nessa lista.

Se gostarem do post, eu posso até fazer uma continuação!

Beeijos, A Garota do Casaco Roxo

PS: Recentemente escrevi uma resenha de um livro de mistério, com um narrador super não-confiável! Meu texto sobre “Sempre Viveremos no Castelo”, de Shirley Jackson, pode ser lido na Revista Pólen.

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Filmes que vi #21

Recentemente li um livro de romance tão incrível, tão fofo e tão legal, que acabei voltando direto para minha ressaca literária. Pois é. Para tentar me recuperar, dei um tempo dos livros e corri para ver uns filminhos legais.

Quanto ao nome e à resenha do referido livro que me deixou no chão, em breve vocês devem acompanhar o post aqui no blog!

Na edição #21 do “Filmes que eu vi”, os dois filmes estão disponíveis na Netflix!

Nu

Nu Netflix poster

“Nu” foi uma experiência bem interessante. Não costumo ser exigente com o cinema, mas esse tinha tantos defeitos, que eu não consegui relevar, curtir as cenas e piadas e seguir em frente.

A história segue uma tendência entre os roteiros de filmes do momento, onde o personagem revive várias e várias vezes o mesmo dia. É o que acontece com Rob Anderson, interpretado por Marlon Wayans. É o dia de seu casamento e ele acorda completamente nu dentro do elevador de um hotel. Toda sua família já está na Igreja e até a noiva já está pronta, à espera dele.

Marlon Wayans Nu

No começo é desesperador e tudo que você quer é que Rob consiga chegar ao casamento o mais rápido possível. De certa forma, o filme tem uma vibe meio “Se Beber, Não Case”, sabe?

Aos poucos, Rob percebe que pode alterar seu rumo tomando atitudes diferentes e começa a mudar seu comportamento.

Viagens no tempo, repetições de dias e coisas que mexem com padrões são muito, muito difíceis de serem roteirizadas. Juntando isso com a esperteza na hora de cobrir as partes de Marlon Wayans, o filme até que fica aceitável.

Marlon Wayans Nu filme

Mas, como eu disse antes, várias perguntas ficaram no ar. O porquê dele repetir os dias, por exemplo, foi uma coisa que não ficou clara no filme. Outros elementos da narrativa também me deixaram bem “???”.

As piadas também não foram nada memoráveis e sinto que vou esquecer desse filme rapidinho. Uma pena porque tinha potencial.

Fome de Poder

fome de poder pôster

Esse filme me deixou tão IRRITADA. Mas de um jeito bom, sabe? Acho que era mais indignação que qualquer outra coisa, rs!

Estrelado por Michael Keaton, que está maravilhoso, “Fome de Poder” conta a história de origem do McDonald’s. A verdadeira história do McDonald’s.

Michael Keaton Ray Kroc Fome de Poder

Ray Kroc é um vendedor de máquinas de milk-shake que está tendo problemas nos negócios. Apesar de tentar, ele simplesmente não consegue vender novas máquinas e está prestes a falir.

Até que ele recebe um pedido inusitado de 5 máquinas para um mesmo restaurante. Desconfiado de que há algo de errado, Ray vai até o restaurante e vê longas filas, comida sendo servida rapidamente e um hambúrguer extremamente saboroso.

O restaurante é diferente dos tradicionais da época e tá fazendo tanto sucesso, que Ray decide conhecer os donos. E, então, os irmãos Dick Mac Donald e Mac Mac Donald acabam apresentando a ele todos os segredos do restaurante, inclusive o novo sistema Speedy – criado por eles-, que entrega comida mais rápido.

Fome de poder mcdonald's do filme

Decidido a se aproveitar do sucesso dos irmãos, Ray começa a criar um sistema de franquias, que leva o McDonald’s para todos os estados do país. Com cada vez mais fome de poder (há!), Kroc começa a se tornar um personagem dúbio e você acaba se sentindo traída por ele.

Ray kroc fome de poder mcdonald's

O final é decepcionante para os irmão Mac Donald e, até os dias de hoje, se você pesquisar “quem é o fundador do McDonald’s” no Google, a resposta imediata é Ray Crook.

Dois filmes, um bom e um ruim. Um que te deixa nervoso e outro que te deixa com raiva. Espero que você escolha o que vai te fazer mais feliz!

Beeijos, A Garota do Casaco Roxo

O Sol também é uma Estrela – Nicola Yoon

Capa de O Sol Também é uma Estrela, da Nicola YoonNome: O Sol também é uma Estrela

Autora: Nicola Yoon

Páginas: 276

Editora: Arqueiro

Eu ganhei “O Sol também é uma Estrela” de presente de aniversário, mas só agora, depois de finalmente superar minha ressaca literária, consegui ler ele.

O livro tem 276 páginas ao todo. Dessas, 270 são de uma história que se passa em um único dia na vida de dois adolescentes, Natasha e Daniel.

Natasha é jamaicana e imigrante ilegal nos EUA. Ao final daquele dia, ela será deportada de volta ao seu país de origem. Desesperada e querendo ficar no país que ela identifica como seu, ela vai tentar de tudo para poder conseguir um visto de estadia.

“Para a maioria dos imigrantes, mudar para um país novo é um ato de fé. Mesmo que você tenha ouvido histórias sobre segurança, oportunidade e prosperidade, ainda assim é um grande salto se afastar de sua língua, de seu povo e de seu país. De suas raízes. E se as histórias não fossem verdadeiras? E se você não conseguisse se adaptar? E se não fosse desejado no país novo?” p. 20

Científica, cética e a pessoa de exatas mais de exatas que eu já vi em um livro, Natasha não acredita em amor à primeira vista. Ela acredita em dados e em fatos científicos. Mas, só naquele dia, ela vai se permitir ter esperança de conseguir ficar naquele país.

Daniel é filho de coreanos ultra-exigentes. Naquele mesmo dia, ele vai fazer uma entrevista com um ex-aluno da Universidade de Yale, para tentar entrar na faculdade dos sonhos – de seus pais.

Ele quer ser poeta, mas seu pai quer que ele estude Medicina e seja médico. Daniel é de humanas, romântico e apaixonado. No dia da entrevista que vai definir os rumos de sua vida, ele vai se encontrar com Natasha ao “acaso” e vai fazer de tudo para provar para ela que amor à primeira vista existe sim.

“Há uma expressão japonesa da qual eu gosto: koi no yokan. Não significa exatamente amor à primeira vista. É mais parecido com amor à segunda vista. É a sensação que a gente tem quando conhece uma pessoa por quem vai se apaixonar. Talvez você não a ame imediatamente, mas é inevitável que acabe amando.” p. 66

Normalmente eu não curto muitos livros de “insta-love”. Sabe quando o mocinho e a mocinha se apaixonam quase que de imediato? Quando a gente tem aquela impressão de que o romance acontece de uma hora para outra e que não foi propriamente construído? Então, isso é “insta-love”.

Logo no começo da leitura de “O Sol também é uma Estrela”, eu fiquei com medo dele ser um livro assim, já que se passa em um único dia.

Mas o romance entre os dois é muito amorzinho. Junto com Natasha você passa, aos poucos, a acreditar também em amor à primeira vista. Apesar do romance ter duração de apenas um dia, os dois são imbatíveis e enfrentam logo de cara preconceitos e julgamentos dos outros.

“Como é que este pode ser o mesmo dia? Como é que todas essas pessoas podem continuar com a vida sem saber nada do que acontece na minha? Às vezes o mundo da gente balança com tanta força que é difícil imaginar que quem está ao redor não perceba também.” p.  196

Os capítulos são narrados por Natasha e Daniel alternadamente, mas há um terceiro narrador: O Universo.

O Universo interrompe a história do casal em vários momentos, para explicar o que acontece com os outros personagens do livro. São pessoas com quem eles têm contato, ainda que brevemente, ou são seus pais. A idéia é explicar como as coisas estão interligadas e como as nossas ações têm o poder de afetar os outros a nossa volta.

Alguns capítulos narrados pelo Universo são bem engraçados e contam a história do surgimento do olho ou do porquê coreanos são donos de quase todas as lojas de produtos para cabelos afro de Nova York. Outros são tristes e permitem que a gente enxergue e consiga ver o outro lado dos sentimentos de Natasha e Daniel.

Ao explicar como os pais dos adolescentes se sentem e porque se comportam da maneira que se comportam, o livro joga por terra aquela ideia maniqueísta de bem x mal.

“Há uma espécie de júbilo puro na certeza da crença. A certeza de que sua vida tem um propósito e um significado. De que, ainda que sua vida terrena possa ser difícil, existe um lugar melhor no futuro e que Deus tem um plano para você chegar lá.” p.45

Outra coisa que eu achei legal e interessante é como a Nicola Yoon amarrou a trama. Se Natasha e Daniel não tivessem se conhecido em um momento X, eles teriam se encontrado mais para frente em um momento 2X e assim por diante. O que à princípio se assemelha ao acaso, na verdade prova que acaso não existe mesmo. Deve ter dado um trabalhão fazer o outline desse livro, mas o resultado é surpreendente.

“O Sol também é uma Estrela” é um YA fofo e leve, que poderia ser bem batido e clichê, mas que acaba sendo inovador e diferente de tudo que já li antes. No geral, foi uma leitura fofa e que me deixou com sentimentos quentinhos no coração, assim como “Fangirl”.

A capa é linda e eu fiquei feliz que a versão brasileira é semelhante à americana. O pessoal da Editora Arqueiro fez um vídeo bem legal mostrando os bastidores de como eles montaram a capa, usando string-art.

Beeijos, A Garota do Casaco Roxo

Fangirl – Rainbow Rowell

fangirl rainbow rowell

Nome: Fangirl

Autora: Rainbow Rowell

Editora: Novo Século

Páginas: 421

Quem acompanha meu blog toda semana percebeu que eu diminui bastante o número de resenhas publicadas aqui. Em comparação ao ano passado que, vale lembrar, foi meu ano de TCC, as resenhas quase sumiram! Há uma explicação para isso: entrei na maior ressaca literária da minha vida.

Eu começava a ler e deixava o livro de lado, começava a engrenar uma leitura, morria de tédio e ia para a Netflix, ou, então, olhava para a minha estante desanimada e não queria nem saber de ler. Pois é, foi difícil.

Não sei o que foi que me motivou a tirar “Fangirl” da estante, mas eu tirei e, olha, ainda bem!

Da Rainbow Rowell eu já tinha lido “Eleanor e Park”, um livro que eu achei absurdamente triste e poético. No ano passado, comprei todos os outros livros dela por R$10, em uma promoção doida e “Fangirl” estava no meio da pilha. Confesso que fiz a compra meio às cegas, confiando na história da autora e torcendo para que um deles fosse um romance leve e fofo.

Em “Fangirl” a gente acompanha a vida de Cath, uma caloura de faculdade que parece não estar lá muito pronta para essa nova fase da vida. Sua irmã gêmea, Wren, que sempre esteve junto dela para tudo, decidiu ser colega de quarto de outra pessoa e agora ela vai ter que lidar sozinha com a ansiedade de conhecer gente nova e de estar em um lugar diferente.

Cath é fã da série de livros Simon Snow e escreve fanfics gays com os personagens. Sua fanfic, “Vá em Frente” é lida por milhares de pessoas todos os dias e os livros dessa escritora fazem tanto parte da sua vida, que ela decide levar pôsteres para seu quarto da faculdade.

Quando ela conhece sua colega de quarto, Reagan e o namorado fofo dela, o Levi, ela percebe que, talvez, essa não foi a melhor ideia. Ou será que foi?

“Levi não ficaria impressionado com a fanfiction dela; achar legal não era o mesmo que ficar impressionado. Ele já achava ela uma esquisitona e isso só faria ela parecer ainda mais esquisita. A mulher barbada ficava empolgada quando algum gatinho vinha assistir ao show dela?” p. 132

Além de trabalhar como social media de algumas organizações, eu também produzo conteúdo. Toda vez que eu termino de escrever um artigo (não os do blog, infelizmente), eu recebo uma pequena quantia de dinheiro.

Isso quer dizer que, para complementar minha renda, eu preciso escrever PRA CARAMBA. Meu plano era escrever 4 textos diferentes no sábado, para conseguir respirar mais tranquila. Mas então decidi ler algumas páginas de “Fangirl” e só parei de ler quando cheguei ao final feliz.

“Não tem como a pessoa ser mãe se ela aparece depois que as crianças já cresceram. Ela parece com a cigarra que aparece no inverno após deixar a formiga fazer todo o trabalho. Quando a gente precisava dela, ela nem retornava as ligações. Quando ficamos menstruadas, tivemos que procurar informações no Google. Mas agora que a gente não sente mais a falta dela, depois que paramos de chorar por causa dela, depois que elaboramos tudo, agora ela quer nos conhecer?” p. 161

Esse livro não só matou minha produtividade, como me fez sorrir e querer mais e mais páginas que poderiam causar minha ruína financeira.

Essa foi uma leitura maravilhosa. Foi como receber uma massagem nas costas, daquelas que te ajuda a aliviar a dor constante e se livra daqueles nós nos músculos.  Foi como colocar meias secas nos pés, depois de andar na chuva e de ficar com o sapato encharcado. Foi um lembrete daquelas tardes em que eu tinha muita lição de casa para fazer, mas que tudo o que eu queria era ler e ler e ler.

Levou alguns segundos para que as linhas e cores compusessem um rosto que Cath pensou que poderia reconhecer. Nesses segundos, parte de Cath correu até a estranha, envolveu suas coxas com os braços e enfiou o rosto em sua barriga. Parte de Cath gritou. O mais alto que pôde. E parte dela ateou fogo ao planeta só para vê-lo arder.” p. 326

Tenho lido vários livros de “gente grande”. Clássicos, não-ficção, biografias… E eu adoro eles, mas eu não tinha percebido o quanto eu tinha sentido falta de livros como “Fangirl”, que te fazem sorrir, chorar e te deixam com sentimentos quentinhos no coração.

A Cath me fez lembrar daquela época em que eu estava absolutamente obcecada com “A Infiltrada”, da Nathália Marques. A fanfic da Cath “Vá em frente” tem um papel enorme no livro e vários trechos dela aparecem pela história. Pense em Malfoy se apaixona por Harry Potter e você vai ter uma ideia do que é. Confesso que eu queria tanto saber o que ia acontecer com a Cath que meio que dei uma pulada nessas páginas.

Eu me vi em vários pontos nessa personagem e fiquei até assustada. Muitas características da personalidade dela são parecidas com as minhas (A ansiedade! Os problemas com a mãe – no meu caso é o pai! A vontade de escrever!) e eu não consigo lembrar de uma personagem fictícia mais igual a mim. Eu também me apaixonei perdidamente pelo parzinho da Cath. Ainda estou suspirando por causa dele! haha

“- Ele é só um garoto – disse Reagan. – Claro que é diferente de você. Você nunca vai achar um garoto que seja exatamente como você. Primeiro porque esse cara nunca sai do quarto…” p. 181 (isso é muito Mandariela)

Os outros personagens do livro, Levi, Reagan, Wren, Laura e Nick são bem completos e descritos. A gente acompanha o primeiro ano universitário da Cath e acontecem muitas situações diferentes, que vão se desenvolvendo aos poucos, o que deixa tudo mais verossímil.

A única coisa “defeituosa” foi que eu achei o final meio corrido. Mas acho que é só porque eu queria ter mais e mais páginas para ler! haha

A tradução é meio horrenda, confesso, e eu peguei uns 3 erros diferentes. Em uma das páginas eles traduzem “Olive Garden”, o restaurante, como sendo “Jardim Olive”. Com certeza uma fada morreu por causa disso. É uma pena porque um livro tão bom e legal, que acaba sendo desvalorizado por coisas bobas.

Minha ressaca literária já foi curada e eu já passei da metade de “O Sol também é uma estrela”, da Nicola Yoon. Tomara que eu não vicie nesse também, porque se não não vou ter internet para poder postar no blog!

Às vezes, escrever é como descer um morro, seus dedos tocam o teclado do mesmo modo que suas pernas pisam o chão quando não conseguem lutar contra a gravidade.” p. 413

Beijoos, A Garota do Casaco Roxo

5 documentários para conhecer melhor a Inglaterra

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Ônibus de dois andares, cabines de telefones vermelhas, a Torre de Londres, táxis pretos e a realeza… São muitas coisas que evocam o imaginário das pessoas quando o assunto é Inglaterra.

Muita gente sonha em conhecer o país e em visitar alguns de seus monumentos turísticos. Confesso: entre Londres e Paris, minha predileção vai para os franceses. Mas, recentemente, me surpreendi com a quantidade de documentários disponíveis na Netflix sobre a Inglaterra.

Como eu não recuso um bom doc, acabei embarcando na viagem e descobrindo muitas coisas sobre o país da Rainha Elizabeth.  

Por isso, elaborei a lista dos melhores documentários que vi sobre a Inglaterra. Vamos conferir?

  • “She-Wolves: England’s Early Queens”

she-wolves england's early queens

Recentemente, eu reclamei aqui no blog sobre o quão pouco a gente aprende sobre história da América Latina, durante a escola. “She-Wolves: England’s Early Queens” me mostrou que até mesmo aquilo que a gente aprende sobre a história de outros países não é lá tão aprofundado.

Eu, por exemplo, sempre acreditei que Elizabeth I sucedeu Edward VI de imediato. Os dois são filhos do Henrique VIII, aquele do anglicismo e que costumava matar as esposas (a mãe da Elizabeth, Ana Bolena, inclusive). O que eu não sabia eram as diversas disputas de poder que aconteceram antes de Elizabeth I assumir o trono.

Em “She-Wolves: England’s Early Queens”, nós seguimos a trajetória de 7 diferentes rainhas inglesas, que assumiram o poder em momentos diferentes da história da Inglaterra. Por meio de guerras, disputas internas e conspirações, as rainhas abriram caminho para que a monarca Elizabeth II pudesse reinar por mais de 60 anos.

dr helen castor presenting she wolves englands early queens

O programa é dividido em 3 episódios e é apresentado por Helen Castor, uma historiadora que costuma biografar diversas rainhas, inclusive Joanna D’Arc.

O ritmo do documentário é um pouco lento e muitas informações são passadas ao mesmo tempo. Confesso que me perdi em alguns episódios e tive que voltar para trás para entender o que estava acontecendo.

Mesmo assim, o documentário tem grande apelo e charme e qualquer pessoa que goste da realeza vai amar entender melhor como as linhas de sucessão funcionavam no passado.

  • Secrets of Westminster

Secrets of westminster cover photo

Esse é o tipo de documentário que qualquer pessoa com vontade de conhecer Londres ia amar!

Ele faz uma viagem super detalhada por dentro do Parlamento Britânico, da Abadia de Westminster e do Big Ben. Além disso, o documentário aborda tradições e explica o porquê da rainha não poder entrar NUNCA na “House of Commons”, o equivalente à nossa Câmara dos Deputados.

Eu, por exemplo, sempre vi imagens aéreas de Londres e não sabia que a Abadia onde Kate Middleton se casou ficava exatamente atrás do prédio do Parlamento Britânico.

Bem editado e rico em imagens, a impressão que dá é que você está passeando pelas ruas de Westminster mesmo.

  • Os Segredos de Scotland Yard e Secrets of her Majesty’s Secret Service

secrets of scotland yard

Reuni os dois documentários em um só porque ambos falam sobre segurança pública na Inglaterra. O primeiro aborda um pouco da história da Scotland Yard, desde seu surgimento até os dias atuais.

O pessoal que ama investigação criminal vai adorar esse documentário, porque ele retoma algumas investigações que foram importantes para a polícia como a de Jack, o Estripador. Além disso, eles falam um pouquinho sobre perícia criminal e sobre como o trabalho deles se desenvolveu.

secrets of her majesty's secret service

O segundo, “Secrets of her Majesty’s Secret Service”, fala sobre o MI6 e os serviços de espionagem da Inglaterra. Vi ele em uma semana que eu estava bem obcecada com James Bond e foi bem legal ver que há todo um pano de realidade por trás da história do espião.

O documentário não é lá muito esclarecedor porque, bem, ele fala sobre uma coisa que deveria ser secreta, né? Mas eles retomam a história do surgimento da agência, como uma divisão da Marinha Britânica, além de falarem um pouco, mas bem pouco, sobre como eles trabalham.

  • Secrets of Underground London

secrets of underground london

“Secrets of Underground London” segue a mesma linha de “Secrets of Westminster”, mas mostra um lado de Londres que não dá para ver por imagens aéreas: o subterrâneo.

O documentário aborda um pouco da história dos 154 anos de existência do metrô de Londres, desde o espanto com seu surgimento até os dias atuais, mas não fica só nisso.

placa do metrô de londres

Ele mostra um pouco do cotidiano dos londrinos, durante a Segunda Guerra Mundial, que envolvia se esconder em estações de metrô abandonadas e em bunkers subterrâneos, que seguem completamente preservados. Um desses abrigos pertencia a Winston Churchill e é bem legal ver como eles costumavam “se esconder” naquela época.

Uma escavação arqueológica que está recuperando os vestígios deixados pelos invasores romanos também é visitada pelos documentaristas e é bem interessante ver o passado de Londres abordado bem “profundamente”. Ba dam tss!

  • Secrets of Althorp – The Spencers

secrets of althorp the spencer

Esse foi um dos documentários que eu mais amei! Althorp é a residência oficial da família Spencer, do tipo, Lady Diana Spencer.

Ao contrário do que muitos pensam – eu, inclusive – Lady Di não era uma plebéia como Kate Middleton, mas sim descendente de uma família de aristocratas britânicos muito, muito ricos. A família tinha dinheiro a ponto de ter uma casa enorme, à la Pemberley,  como em Orgulho e Preconceito.

Na verdade, a linhagem real dos Spencer vem da Casa dos Stuart e é mais antiga do que a Casa de Windsor, de quem a família da Rainha Elizabeth descende. Há boatos de que os Spencer são mais da realeza do que a própria rainha. Cara, isso é tão Game of Thrones.

O documentário é quase que inteiro baseado em entrevistas de Charles Edward Spencer, 9° Conde de Spencer e irmão de Diana.

Charles Spencer 9° conde
Charles Spencer, durante a filmagem do documentário

Não só ele mostra a residência em que ele e Lady Di cresceram, mas também retoma um pouco da história e da memória da família, sem deixar de mencionar a irmã. Há um memorial na propriedade de Althorp, dedicado totalmente à Diana e a gente pode passear um pouco por ele, pelas das imagens do documentário.

É bem legal de ver e me fez ficar com vontade de ler a biografia de Lady Di e saber mais sobre ela, no ano em que seria o 20° aniversário de sua morte.

Bônus

  • Secrets of Great British Castles

secrets of great british castles

Esse documentário fez tanto sucesso, que não só tem 2 temporadas, mas também tem um spin-off, o “Secrets of Great Irish Castles”  que foca nos castelos da Irlanda.

Os programas são apresentados pelo historiador Dan Jones e cada episódio se desenrola em torno de castelos que tiveram papel importante na história do Reino Unido. Dover, a Torre de Londres, Caernarfon e Carrickfergus são alguns dos endereços visitados durante a série de documentários.

o apresentador de Secrets of Great British Castles na Torre de Londres
o apresentador de Secrets of Great British Castles na Torre de Londres

Editado por meio de reencenações de acontecimentos históricos, entrevistas com especialistas e tours dentro dos próprios castelos, o documentário é bem legal.

Apesar de bem informativo, ele não é tão cansativo quanto o “She-Wolves” e tem vários momentos de descontração. É bem interessante conhecer a história de castelos que foram erguidos em 1300 e são bem mais velhos do que meu próprio país.

Dan Jones no castelo de Cardiff
Dan Jones no castelo de Cardiff

Espero que minha lista te ajude a conhecer um pouco melhor a Inglaterra, seus pontos turísticos e a sua história. Agora é só abrir a Netflix e viajar sem sair do sofá!

Beeijos, A Garota do Casaco Roxo