Livros para gostar de química

24 ago

Mal digitei o título e já consigo sentir o número de visualizações no meu blog diminuindo. Acredito que a maioria dos meus leitores, assim como eu, não curtam muito química, matemática ou física. Para ser sincera, eu também não sou muito chegada não. Mas por que, oh-toda-poderosa-Amanda, você está escrevendo um texto sobre “livros para gostar de química”?

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Porque, apesar de não saber como balancear equações direito e de ter um passado traumático com ligações covalentes, eu gosto muito de entender como as coisas funcionam. É muito mais fácil amar e respeitar a maravilha que é meu corpo sabendo a dificuldade que é manter meu tico-e-teco funcionando direitinho. É incrível descobrir que a ilha de Nova York só se chama Nova ~York~ porque foi negociada pelos Holandeses e Ingleses, em troca de uma ilha no pacífico que produzia noz moscada. E é bem legal saber como os venenos eram descobertos pela perícia criminal nos anos 20.

A lista que eu elaborei aborda a química de uma maneira diferente. Ela não vai falar sobre a melhor forma de usar a estequiometria ou te ensinar o que são móleculas aromáticas. Essa lista mostra livros que tem como objetivo ajudar as pessoas a visualizar melhor o impacto e a importância da química na vida e na história do mundo. Confesso que, depois de ler, eu até senti vontade de refazer algumas listas de exercício. Depois eu caí em mim e aí voltei para minha realidade.

1. A Colher que Desaparece, de Sam Kean

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“A Colher que Desaparece” é um livro para quem, como eu, nunca entendeu muito bem a organização da tabela periódica. Ele orienta o leitor sobre a formação da tabela periódica e de como a IUPAC (Associação Internacional da Química, algo do tipo) decidiu organizar ela do jeito que a conhecemos hoje.

O livro conta o processo de descoberta, quem descobriu e até os bastidores das relações pessoais dos cientistas que descobriram elementos químicos no século passado. Através de anedotas, a gente acaba descobrindo histórias engraçadas dos cientistas que faliram tentando obter alguns miligramas de tálio ou de cientistas que nomearam os elementos químicos que descobriram com seus próprios nomes ou com os nomes das universidades em que estudaram.

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Alguns trechos tem fatos demais e eu fiquei um pouco perdida, confesso. Em outros, parecia um pouco livro didático demais, sabe? E em outros trechos faltou um pouco de clareza (frases longas demais, gente, longas demais). Mas, como eu estava lendo só por diversão, isso não foi exatamente um problema.

Talvez, daqui a dois anos eu já não me lembre mais nada sobre os detalhes dos elementos químicos que foram apresentados nesse livro, mas a visão que eu tinha anteriormente da tabela periódica sendo algo chato, irritante e desinteressante, foi embora para sempre.

2. Os Botões de Napoleão, de Penny Le Couteur

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Provavelmente, “Os Botões de Napoleão” é meu livro favorito dessa lista toda. Por que? Porque ele une química e ~história~.

O livro começa dizendo que a culpa pela derrota de Napoleão naquela incursão à Rússia que ele fez em 1812 seria toda dos casacos dos soldados. Por que? Os botões desses casacos eram feitos de latão e o latão, quando exposto a temperaturas muito baixas começa a esfarelar, esfarelar, até não ficar mais firme. Isso fazia com que os casacos permanecessem abertos e os soldados tivessem que 1. Segurar os casacos para não morrer de frio e 2. Manter suas mãos em um lugar que não fosse suas armas, ficando com a guarda abaixada.

É nessa linha de pensamento que o livro vai pegando 17 moléculas como o sal, a pílula anticoncepcional, o chocolate, a noz moscada, os explosivos, a borracha e vai traçando e explicando porque eles funcionam da forma como funcionam e que impacto que eles tiveram da nossa história.

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O capítulo da borracha foi meu favorito da história toda. Bem didático, ele explicou o processo de vulcanização, descoberto por Charles Goodyear (sim, dos pneus), para depois vir ao Brasil e explicar sobre como o Amazonas ficou muito rico com a exploração da borracha, como e porquê compramos o Acre e até como o declínio da exploração do látex – a matéria prima da borracha- aconteceu.

Qualquer um que queira entender como os elementos químicos influenciaram o curso da história vai adorar esse livro. Eu queria muito que, ao invés de abordar só 17, a autora tivesse falando sobre umas 50 moléculas. Eu ficaria bem entretida na leitura.

3. The Poisoner´s Handbook, de Deborah Blum

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Eu também gostei muito desse porque ele envolve química, história, ciências forenses e investigações criminais. O único defeito é que eu li ele em inglês e acabei perdendo algumas coisinhas aqui e lá por causa da barreira da língua.

Nele, a gente acompanha a cidade de Nova York nos anos 20, na chamada “Era do Jazz”, quando as taxas de crime eram muito altas e as técnicas de investigação ainda eram na base de “dá uma perguntada por aí”. A história acompanha o médico legista Charles Norris e o toxicologista Alexander Getler, em suas tentativas de utilizar técnicas científicas da química para resolver crimes. Eles são uma espécie de “pais” de programas de TV como CSI e inspiraram – com certeza- o personagem Gil Grissom.

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O livro é de não-ficção e muito bem escrito. Você acaba se envolvendo na história e nem percebe que está lendo fatos e não vendo um filme noir bem interessante. As descrições da Nova York do começo do século passado, que nada lembra a Nova York de hoje, são incríveis e acho que qualquer pessoa que goste da cidade vai ter uma visão melhor da evolução da metrópole se ler esse livro – mesmo que ele fale majoritariamente de química.

Nós acompanhamos Norris e Getler em sua investigação de uma família que ficou careca repentinamente, de trabalhadores de fábrica que tinham ossos tão fracos que o mero ato de andar causava quebras e um restaurante que servia tortas envenenadas. O livro também conta as dificuldades do trabalho dos dois e como eles tinham que lutar contra orçamentos apertados e a falta de profissionais qualificados.

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Dividido em capítulos, o livro utiliza Norris e Getler e crimes reais – resolvidos ou não resolvidos- para explicar como funcionam o clorofórmio, o arsênico, o Mércurio, o monóxido de carbono, o rádio (que era usado como um remédio antigamente) e outros compostos.

O livro também tem trechos doidos sobre como a “Era da Proibição” (onde o presidente dos EUA decretou que era proibido vender e produzir bebidas alcoólicas) causou uma série de cegueiras e mortes por envenenamento de pessoas que queriam produzir ilegalmente seu estoque secreto de mé e que acabaram realizando procedimentos de forma incorreta. Sério, foi algo bem estúpido e, na época, as pessoas bebiam qualquer coisa só para ficar alegrinhas.

A única coisa chata é que ele não está disponível em português.

Tenho um amigo que diz que a gente nunca deve dormir sem aprender duas ou três coisas mais e acho que essa é uma filosofia importante. Eu espero que esses livros te ajudem a aprender duas ou três coisas extras sobre química, história, ciências forenses, astronomia, física e até culinária.

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Beeijos, A Garota do Casaco Roxo

5 documentários legais para assistir na Netflix

17 ago

Eu adoro assistir televisão antes de dormir e, agora que não tenho mais TV no quarto, tenho que recorrer a Netflix. Nem sempre tenho saco para assistir filmes, e seriados são um problema para mim: Quando eu gosto de um programa, eu assisto até o fim e fico semi-obcecada pela coisa toda. Tenho problemas de confiança causados por seriados que terminaram em cliff-hangers e que não voltaram nunca mais.

Me sobrou só uma alternativa: ver documentários. Eles são curtos, dinâmicos, sempre ensinam uma lição ou outra e – o melhor – eu não tenho que esperar por continuações.

Já vi documentários absurdos, que fizeram eu questionar “Meu Deus, o que foi que eu fiz com minha vida, não é possível que eu esteja vendo uma coisa dessas” e que vão render um post só deles aqui no blog. No geral, dá para dizer que minha experiência com esses programas foi bem interessante. Os nomes estão em inglês para facilitar na busca, mas estão todos disponíveis em português.

1. Being Elmo – A Pupeteer´s Journey

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Eu chorei horrores com esse documentário porque sou uma manteiga derretida sem critério. Em “Being Elmo”, a gente acompanha a história de Kevin Clash, o homem que controla o fantoche do Elmo, da Vila Sésamo.

Durante sua infância, Clash ficou obcecado pelos programas de TV com fantoches que eram controlados por Jim Henson, o criador do Kermit (ele é mais conhecido por nós como “Caco”). Com o tempo, ele passou a fazer seus próprios fantoches e a produzir shows em cidades pequenas e em hospitais. Até que ele cresceu, cresceu, cresceu e conseguiu fazer parte do seu programa favorito na infância. E é essa a trajetória que acompanhamos no documentário, narrado por Whoopi Goldberg.

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Quando nenhum dos “fantochistas” da Vila Sésamo conseguia entender o uso de um boneco vermelho de nariz laranja, Clash decidiu, inspirado por seus pais, que transformaria Elmo em um símbolo do amor. Deu tão certo que o Elmo é conhecido mundialmente e que crianças que estão morrendo pedem para conhecê-lo. Nem é preciso dizer que em um desses encontros, registrado no documentário, eu chorei horrores.

Clash é extremamente talentoso e a gente vê ele ensinando outros artistas a trabalharem com fantoches e até levando crianças para conhecer os estúdios da Vila Sésamo, como fizeram com ele quando ele era pequeno. É um documentário que vai aquecer seu coração e que vai fazer você se encantar novamente pelo mundo dos fantoches.

2. Cosmos – A Spacetime Odyssey

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“Cosmos” é a continuação de uma série produzida nos anos 80, apresentada pelo cientista Carl Sagan. O programa é comandado nesta edição pelo, também cientista, Neil DeGrasse Tyson, que tinha Sagan como o mentor. A história do encontro dos dois é contada em um dos episódios da série/documentário e é realmente inspiradora, em relação a velha máxima de tratar bem os outros porque a gente nunca sabe o que pode acontecer.

Os 13 episódios acompanham Neil na nave do conhecimento, através de galáxias, estrelas e pelas atmosferas dos planetas do Sistema Solar. Até os dinossauros e as espécies no “hall das extinções” são vistadas por aqueles que entram na viagem. O programa é visualmente muito bonito e ajuda a ilustrar melhor alguns daqueles conhecimentos da escola, além de atrair a atenção de quem quer aprender com mais eficiência. É bem difícil ignorar ou olhar para o lado quando se vê um pulsar ou um buraco negro girando na tela.

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Outra coisa legal é a forma como eles apresentam o “calendário cósmico”, que a gente vê nos livros de biologia. O diferencial é que Neil realmente dá uma escala compreensível à formação do universo. É impossível não ficar embasbacado ao ter uma noção exata das proporções de tempo.

Se você detesta ciência e acha tudo isso bem “méh” vai adorar a série, que foi feita para agradar até aqueles que não se importam com esse assunto. Tenho memória de peixinho dourado e esqueço tudo relacionado às exatas muito facilmente, mas vi Cosmos – todos os 13 episódios- duas vezes, de tão fascinante que é.

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O documentário tem trechos em desenho animado, para retratar o passado e a história das grandes descobertas da ciência.

3. Vu du Ciel

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“Vu du Ciel” é mais conhecido no Netflix como ‘Earth From Above”. Fiquei super feliz quando o descobri porque ele é narrado em francês e eu precisava praticar as minhas habilidades de escuta nessa língua.

Assim como “Cosmos”, “Vu du Ciel” é uma série de documentários. No Netflix, salvo engano, estão disponíveis 10. O programa é apresentado por  Yann Arthur-Bertrand, que passou anos tirando fotos aéreas maravilhosas da Terra.

Rodando por diversos países, os programas apresentam vistas incríveis do nosso Planeta, além de apontar ameaças como a poluição, o aquecimento global, a pesca e a caça fora de época à espécies ameaçadas de extinção e o uso de combustíveis fósseis. Os vídeos são verdadeiras aulas de ambientalismo, porque ele explica, narra e mostra realmente aquilo que pode ser destruído se a gente continuar consumindo do jeito que consome hoje em dia.

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Uma das fotos mais icônicas de Bertrand, que apresenta o Vu du Ciel. No documentário ele retorna a esse mesmo lugar e, infelizmente, o que ele encontra é um grande sinal da destruição do nosso planeta.

O documentário foi filmado em partes do Brasil que eu nunca tinha ouvido falar e não tinha noção de que existiam em meu país. Outro ponto interessante é que ele foi feito utilizando créditos de carbono – tudo aquilo que eles gastaram e  emitiram de gás carbônico na atmosfera foi compensado de alguma forma.

Não pude encontrar o trailer para essa série, mas a TED Talk de Yann Arthur-Bertrand ajuda a ter uma ideia do que você encontrará no documentário.

4. Trophy Kids

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Em época de Olimpíada eu não consigo deixar de pensar no esforço e no trabalho dos atletas para chegar onde chegaram. Em “Trophy Kids”, os bastidores desse empenho são mostrados através do ponto de vista dos pais.

Ambientado nos EUA, o documentário me deu arrepios porque mostra como certos pais moldam as crianças para vencer, vencer e vencer. A derrota não é aceita por eles, que não tem um bom espírito competitivo. É triste de ver e chega a ser enervante.

Me revoltou muito ver um pai brigar com uma menina de 9 anos porque ela queria empurrar seu próprio carrinho de golfe ao invés de competir. Ou ver um pai brigando feio com o filho porque ele está namorando e não se concentra no futebol.

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O interessante deste documentário é que mostrou um outro lado daqueles que querem chegar no topo do pódio, além de me oferecer novas perspectivas do relacionamento pai-e-filho, algo que sempre foi do meu interesse.

Esse deve ser visto só quando se tiver estômago.

5. Beltrachi – The Art of Forgery

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Eu acho que esse documentário saiu do catálogo brasileiro do Netflix, porque já faz um tempo que ele não aparece para mim. Mesmo assim, é um documentário que merece ser visto.

O alemão Wolfgang Beltrachi é um artista maravilhoso. Ele sabe como ninguém fazer pinturas que pareçam realistas e que te deixam de queixo caído. Mas ele também é um artista em falsificar quadros e em vendê-los por milhões, como se fossem de Picasso, Monet, Manet, Dalí e de qualquer outro pintor renomado.

O documentário mostra como ele realizava as falsificações e até o processo de busca por quadros em que ele pudesse pintar por cima, além de como ele falsificava assinaturas e de como tentava inserir as obras em determinada fase de um artista. Mais além, o filme também mostra sua queda: os anos  que passou preso, a liberação da cadeia e a mansão enorme que ele teve que vender para reembolsar as pessoas que prejudicou. Sua esposa também é uma das personagens principais do filme. Ela também foi presa por trabalhar como sua assistente nas falsificações.

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Beltrachi nunca pediu desculpas por suas falsificações, você acaba criando uma grande empatia por ele e o documentário vai fazer você refletir – e muito!- sobre o real valor da arte.

Já vi muito outros documentários interessante, mas esses foram os que mais me marcaram até o momento. Outras séries que não são exatamente documentários, mas que pendem para um lado mais educacional, como “Caçadores de Mitos” e “Truques da Mente” também estão na minha watchlist, já assisti todos episódios disponíveis e mal posso esperar para que a Netflix libere mais alguns. Super recomendo elas para quem está no mundo para aprender cada dia mais.

Beeijos, A Garota do Casaco Roxo

The Secret Diary of Lizzie Bennet – Bernie Su e Kate Rorick

10 ago

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Nome: The Secret Diary of Lizzie Bennet
Autores: Bernie Su e Kate Rorick
Editora: Touchstone
Páginas: 400
Idioma: Inglês intermediário

escrevi no blog sobre o quão obcecada fiquei com o seriado do Youtube “The Lizzie Bennet Diaries”. A websérie acabou, mas as amizades que eu fiz através dele continuam até hoje. De tanto que me impactou, não seria estranho saber que TLDB (só pros íntimos) gerou umas anedotas curiosas na minha vida, no mínimo.

Certo dia, eu estava no twitter quando Kate Rorick, uma das roteiristas da série, pediu ajuda de alguém que falasse português. Como eu não tinha nada para fazer, me ofereci. Turns out que Kate Rorick escreve romances históricos maravilhosos sob o pseudônimo Kate Noble. Em um de seus livros, o personagem principal solta umas frases aqui e lá em português, e ela queria que eu fizesse uma tradução correta delas e enviasse áudios de como elas soariam se faladas por um nativo.

Em troca desse “servicinho” – honestamente, eu estava tão empolgada em conversar com ela que teria feito sem receber nada – Kate me enviou dois de seus romances históricos, um monte de coisinhas fofas de TLDB e  uma cópia de “The Secret Diary of Lizzie Bennet”, que tinha acabado de ser lançado e que eu não tinha esperanças de ter em tão pouco tempo.

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Minha reação quando o carteiro chegou com o pacote que ela me enviou.

Se você tem vivido embaixo de uma pedra nos últimos dois anos, The Lizzie Bennet Diaries é uma adaptação moderna, em formato transmídia, de Orgulho e Preconceito. Lizzie conta sua história através de vlogs semanais, que ela deve gravar durante um ano para finalmente conseguir seu mestrado em comunicação.

Tem a mãe que quer casá-la logo, o Sr. Bennet que gosta de trenzinhos, a irmã Lydia, que é bem reckless, Jane, a irmã fofa e que estuda moda, o médico Bing Lee, sua irmã Caroline e William Darcy, um jovem que tem enriquecido muito com negócios na área de tecnologia. Os outros personagens também são maravilhosos e a série tem uma diversidade de personalidades e racial que deixa qualquer produtor cultural encantado.

Basicamente, é maravilhoso. E se você amou a websérie, vai amar ainda mais o livro.

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Funcionando exatamente no modelo de transmídia que aprendi no último semestre da faculdade, o livro é um complemento a aquilo que está nos vídeos. Os pontos abordados da história são os mesmos, mas com mais profundidade e informações adicionais, que vem em dois gumes, porque, por ser o diário de Lizzie, a gente fica sabendo só do ponto de vista dela, sem ter a opção de recorrer aos vídeos, tweets e posts no Facebook dos outros personagens.

O diário de Lizzie também tem o grande poder de ter cenas que não aconteceram na frente da câmera, ou seja, que ficaram de fora da série. Por exemplo, logo no começo dos vídeos ela menciona uma festa de passagem e, no livro, a gente acaba vendo todas as cenas que aconteceram durante a festa.

Dessas cenas do diário, a que mais me marcou foi uma que rola depois de todo o bafafá do clímax da série. Basicamente, Darcy olha para Lizzie e diz: “Come to bed, Lizzie”. E ela vai. E eu fico desmaiada porque isso não está na série – nem teria lugar, na verdade-, mas dá um baita complemento, em 4 palavras, a todo o relacionamento deles. 

Além disso, o livro dá uma grande profundidade à Lizzie. Ela deixa de ser aquele personagem dos vídeos e passa a ser um personagem com pensamentos e sentimentos mais explícitos. Se no vlog a gente acha que entende pelo que ela tá passando e aquilo que ela está pensando, no diário a gente tem mais certeza das coisas, consegue sentir mais empatia e se envolver mais com toda a história.

Comecei a assistir a websérie quando estava no episódio 60, mais ou menos. Eu esperava ansiosamente pelas tardes de quarta feira, para receber um vídeo novo e saber o que acontecia no mundo da Lizzie. Depois de ler o livro e saber alguns bastidores da história, eu não tive escolha se não voltar ao Youtube e rever todos os vídeos – de novo e de novo.

“The Secret Diary of Lizzie Bennet” foi lançado em português como “O Diário Secreto de Lizzie Bennet”, pela editora Verus. Mas, se você já conhece bem a série e quer tentar ler algo em Inglês, o livro é bom para quem não tem muitos conhecimentos na língua e quer praticar a leitura!

Kate Rorick e Bernie Su também escreveram “The Epic Adventures of Lydya Bennet”, que conta a história da Lydia depois de todos os acontecimentos da época do vlog. Esse eu ainda não li, mas mal posso esperar para fazê-lo.

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Beeijos, A Garota do Casaco Roxo

Os Hathaway – Lisa Kleypas

3 ago

Não consigo me lembrar qual foi a última série de livros que me fisgou da maneira que “Os Hathaway” me fisgou. Estava passeando por uma Saraiva, quando vi que os livros da série estavam todos por meros R$ 14,00. Agindo por impulso, sem conhecer nem a autora, nem a sinopse dos livros e querendo um romancezinho histórico, eu comprei todos os que estavam ali (faltava só o quarto volume).

Quem acompanha o blog com frequência sabe que, apesar de adorar esse gênero, eu quase nunca faço resenhas de romances históricos. Explico: Não tenho um crivo bom para esses livros. Mesmo. Se em um romance tradicional eu reclamaria do “clichê”, das cenas que se repetem -apesar de serem escritas por autores diferentes-, dos suspiros e dos dramas exagerados que jamais aconteceriam na vida real, em um romance histórico eu adoro tudo isso. Não sei dizer, mas acho que é minha influência latina. Quanto mais drama e mais clichê nesses romances históricos, mais feliz Mandariela fica.

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Patrícia Cabot, Kate Noble, Judith McNaught, Eloisa James, Julia Quinn… Eu adoro! Mas, de tanto que eu amei “Os Hathaway”, achei que valeria a pena quebrar essa minha regra de “não escrever sobre romances históricos” – colocando uma explicação antes, claro.

Desejo à Meia-Noite 

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Eu não gostei muito dos títulos da série. Entendo que eles acompanhem os períodos do dia – cada irmão Hathaway com o seu. Mas me incomodou um pouco essa coisa de “desejo, tentação, sedução, núpcias…”. Como uma pessoa que lê mais no metrô do que qualquer outro lugar, achei indiscreto.

Outra coisa que me aborreceu um bocado foi a falta de uma boa sinopse no próprio livro. Quando eu estava na Saraiva, li a quarta capa e as orelhas do livro e não encontrei nada que me convencesse a comprar a história. Nas orelhas, a editora escolheu colocar um trecho da cena do primeiro beijo entre os personagens e achei isso super desnecessário. Apesar de Kleypas escrever essas cenas com maestria, acabou ficando meio deslocado. Fora que, em alguns livros onde a gente não sabia quem ia ser o mocinho, o trecho na orelha acabava soltando um baita spoiler.

Em “Desejo à Meia-Noite” temos o primeiro contato com a família Hathaway, que tinha uma vida cercada de livros, amorosidade e erudição na pequena Stony Cross. Amelia, Leo, Win, Poppy e Beatrix tinham os dois pais por perto e nenhuma preocupação na cabeça.

Até que o velho Sr. Hathaway sofre uma doença e vai definhando aos poucos. Quando o marido morre, a Sra. Hathaway se sente sem forças para continuar a viver sem seu grande amor e começa a definhar também. Em menos de seis meses, os Hathaway têm que aprender a se virarem sozinhos fora da proteção dos pais.

Para piorar as coisas, uma epidemia de escarlatina atinge Stony Cross, afetando Win, uma das irmãs Hathaway, que fica quase inválida depois da doença, e Laura, a noiva de Leo, que morre nos braços de seu amado. Como se não bastasse, um tio distante morre e deixa vago seu título de “Lorde Ramsay”, que vai parar nas mão de Leo. Muito afetado pela morte da noiva, Lorde Ramsay, como passa a ser conhecido, só quer saber de beber, fumar ópio e agir como um libertino.

A família acaba sendo controlada por Amelia, a irmã mais velha que tem que fazer de tudo para manter o lar unido, cuidar de sua irmã Win, deixar Leo fora de encrencas e cuidar das meninas mais novas. Depois de uma desilusão amorosa, Amelia está convencida de que não vai se casar nunca mais e de que deve cuidar das irmãs, porque seu irmão não vai fazer isso.

Certa noite, Leo desaparece. Para encontrá-lo, Amelia sai pela cidade com o cigano Merripen, que foi abandonado nas terras da família quando era criança e que cuida dos Hathaway por um motivo que só ele sabe.

Quando Amelia encontra uma famosa casa de apostas, um reduto boêmio da cidade, onde acredita que seu irmão possa estar, ela acaba conhecendo Cam Rohan. Alto, moreno, cheio de anéis nos dedos e com um diamante na orelha, Amelia não consegue disfarçar sua atração pelo moço, que sente o mesmo.

Certa de que nunca mais vai encontrá-lo, Amelia parte com Leo e o resto de sua família para a Ramsay House, que foi herdada por Leo junto com o título e que fica no Interior. O destino interfere e surprise! Cam Rohan está hospedado com o vizinho da mansão.

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Rohan não é nobre, pelo contrário. Igual a Merripen, Cam é um cigano que tem muitas habilidades em ganhar dinheiro, mesmo detestando acumular fortuna. Quando ele encontra Amelia e se apaixona de uma vez só por ela e por sua família, ele não tem escolha se não tentar ajudar a família disfuncional a voltar a ser o que era antes.

Mas as coisas não são tão faceis assim, Amelia não está muito convencida de que deve casar com Rohan e quando um antigo amor do passado volta para cortejar ela, a mocinha fica muito em dúvida.

O romance entre Cam e Amelia (não vou mentir, a gente sabe que eles ficam juntos) é uma gracinha. Ele tenta tomar a liderança da família e ajuda-lá a cuidar dos irmãos, respeitando a opinião dela. Amelia é uma personagem forte e independente, apesar de ter uma história cheia de tristezas. A relação dela com as irmãs, quase maternal, mas de muito companheirismo é muito bem abordada e faz com que você queira ser amiga de todas elas.

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Cam é o Jack, Amelia é a Rose e eu sou o Dinossauro do Ship, adorando esse livro.

Eu também adorei a forma como a autora conduziu a história de Leo. Ao não aceitar que sua noiva tenha morrido, ele acabou se deixando morrer um pouco também, o que foi bem triste. A cena, com um quê espiritualista, em que Leo finalmente se libertou, é uma das minhas favoritas de toda a série.

No geral, eu achei que “Desejo à Meia Noite” foi uma ótima leitura, um excelente começo para essa série. Os personagens pareciam reais e me cativaram muito, o que ajudou muito no meu vício.

Sedução ao Amanhecer 

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“Sedução ao Amanhecer” é o meu favorito da série toda. Nele, acompanhamos a história pelo ponto de vista de Win, a mocinha, e de Merripen, o mocinho. O cigano Merripen apareceu pouco no livro anterior. E o pouco que apareceu sempre deixou um suspense no ar.

Win, se cansava muito fácil e não podia fazer esforços nenhum, uma consequência da escarlatina que sofreu quando era mais nova. Por isso, com a ajuda de seu cunhado, Cam e de sua irmã, Amelia, ela parte para o sul da França junto com o irmão, Leo, na tentativa de fazer uma série de tratamentos experimentais para recuperar sua forma anterior.

Tudo isso deixa o cigano Merripen muito triste. Quando sua tribo o abandonou ferido, achando que ele estava morto, nas terras dos Hathaway, a família levou ele para dentro de casa e cuidou do jovem garoto. Arredio, ele só conversava com Win e assim cresceu uma paixão que durou quase toda a vida dos dois.

Merripen cuidava dos Hathaway principalmente porque sabia que cuidar deles era cuidar de Win e isso é um clichêzão que eu acho uma gracinha e que me derreteu todinha. Os sentimentos dele eram correspondidos por Win, que sempre quis amar livremente o cigano. Mas, por ele achar que não era digno da garota, nada de importante aconteceu.

Cuidando da Ramsay House junto com Cam, Merripen encontra uma distração de seus pensamentos de Win. Ele constrói quartos, arruma jardins, decora paredes… Tudo isso pensando naquilo que for melhor para ela e isso é muito fofinho.

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Quando Win volta da França, saudável e pronta para ter a vida que sempre quis, o coração de Merripen encolhe um pouquinho. A garota veio acompanhada de seu médico francês bonitão, que tem sérias intenções de ficar com ela.

A família sempre soube dos sentimentos de Merripen por Win e sempre respeitou isso, o que eu achei muito bonitinho. O único defeito deste livro é que Merripen demora muito para tomar uma decisão e, quando ele finalmente toma, a narrativa que já tinha um quê de magia fica uma gracinha mesmo.  Antes disso, quando ele anda pela casa tentando fazer com que Win deteste ele, eu achei ele um pouco babaquinha. Mas só um pouco.

Tem algumas cenas bem legais com a Amelia e o Cam também e eu gostei que a autora não abandonou o casal por completo, depois de ter escrito o livro deles. Outra coisa legal foi que, quando voltou da França, Win voltou 100%. Nada daquela coisa de “donzela em perigo”, é ela que manda e que dá as ordens e que joga fogo em armários.

Tentação ao Pôr-do-Sol

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No terceiro livro acompanhamos a história de Poppy Hathaway, uma das irmãs mais novas. Poppy e sua irmã estão sendo guiadas por uma governanta, a Srta. Evans, que deve ensinar modos e etiqueta às meninas, agora que elas estão estreando suas temporadas em Londres.

A família está hospedada no Hotel Rutledge e, quando o furão de Beatrix foge com algumas cartas de amor que Poppy escreveu para um garoto, ela não tem escolha se não perseguir o furão pelo hotel inteiro. Ela persegue ele de tal maneira que acaba encontrando com Harry Rutledge, o misterioso dono do hotel, cujas fofocas denunciavam seu passado negro.

Gostei desse livro? Gostei, mas meu personagem favorito da história inteira foi Dodger, o furão. Poppy é legal, mas é a irmã Hathaway com menos personalidade. Harry, o dono do hotel e mocinho da trama (isso não é um spoiler), tem um passado negro e é genial, mas não é tudo isso, sabe?

Acho que a autora tentou fazer algo ao estilo Bela e a Fera, já que Rutledge, em uma outra história, seria um vilão. Mas não conseguiu ganhar minha simpatia. Foi só ok.

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O final tem uma grande reviravolta e achei legal que a história se inverteu um pouco – com a mocinha salvando o mocinho, mas foi só isso.

O legal é que a gente descobre que a governanta não é exatamente quem ela parece ser e isso é uma grande previsão do próximo livro. Os outros casais dos livros anteriores não aparecem tanto quanto no livro anterior, mas algumas cenas fofas ainda acontecem.

Manhã de Núpcias

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“Manhã de Núpcias” não estava disponível na Saraiva, no dia em que eu dei alocka e comprei os livros. Mas, depois de devorar os três livros da Família Hathaway em meros 3 dias, eu não tive escolha se não comprá-lo pela internet e aguardar ansiosamente a chegada dele.

No livro, acompanhamos a história de Catherine Marks, a governanta da Família Hathaway. Meticulosa e organizada, ela ama a família Hathaway porque eles a tratam com amor e respeito, como se ela fosse um membro do clã. Exceto Leo Hathaway. Esse, ela detesta muito.

Dodger, o furão, aparece de novo e faz coisas tão engraçadas que foi impossível não amar ele. Secretamente apaixonado pela Srta. Marks, Dodger rouba suas meias, ligas e tudo mais o que puder carregar em suas mãozinhas, o que dá uma grande leveza para o livro.

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Uma coisa que aprendi com esses livros: Quando furões dormem, eles deixam o corpinho todo relaxado. Parece que estão mortos, mas é só uma soneca bem tirada.

Apesar de amar a família Hathaway, Catherine insiste em se esconder. Ela pinta os cabelos, usa óculos grossos e roupas escuras, tentando ao máximo passar despercebida. No entanto, Leo sente que a garota esconde um segredo muito grande, que ele tenta descobrir de qualquer forma.

Ao retornar da França recuperado e dono de si, como sua irmã, Win, Leo passa a enxergar Catherine de maneira diferente, apesar de todos os segredos. E não é que ela também? As brigas constantes acabam evoluindo em algo mais, naquele típico romance garota-odeia-garoto-depois-ama-ele que eu AMO. Esse, depois de “Sedução ao Amanhecer”, é meu favorito.

O clímax é um pouco exagerado. O “oh meu Deus, gigantesco segredo” não é tão grande assim, é clichê. Mas, como eu disse no começo do texto, eu adoro um clichê em romance histórico – hehehe – me dá mais!

Paixão ao Entardecer

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Beatrix gosta de animais mais do que de gente e isso tem sido um sério problema. Aos 23 anos ela ainda não encontrou ninguém que aceitasse ter uma cabra, um ouriço, um furão e uma gata de três pernas, além de um burro, dentro de um lar.

Além disso, Beatrix tem um certo probleminha. Toda vez que ela está ansiosa acaba, imperceptivelmente, roubando alguma coisa de alguém. Ela guarda as coisas em sua bolsa e só então percebe que as levou.

Fazendo um esforço para agradar sua família e encontrar um esposo, Beatrix incia uma amizade com Prudence, uma garota bonita, mas superficial. Prudence está de namorico com um capitão dos Rifles da Inglaterra, Christopher Phelan.

Phelan partiu para a guerra e, como forma de manter sua sanidade, passa a mandar cartas para sua amada. Como Prudence está sendo cortejada por outros caras, ela decide ignorar as cartas do Capitão. Mas Beatrix fica com dó dele e responde a carta, em nome da amiga, iniciando uma correspondência de amor de mais de um ano.

Quando a guerra acaba e Phelan retorna como um herói de guerra, Prudence não quer nem saber de lhe revelar a verdade, magoando os sentimentos de Beatrix.

Eu gostei deste livro, mas acho que ele tem probleminhas que eu não posso ignorar para ser feliz. Adoro essa parte da correspondência e dele se apaixonar pela pessoa errada. Mas, a narrativa se desenvolve muito rapidamente e, quando Phelan descobre que não era Prudence que escrevia as cartas, ele aceita tudo muito rápido mesmo tendo dito no passado que Beatrix “pertencia aos estábulos”.

Phelan volta muito traumatizado da guerra, com uma espécie de PTSD (Post Traumatic Stress Disorder), que o deixa violento repentinamente e com uma tendência ao alcoolismo. Gostei que o mocinho foi mostrado com uma grande fraqueza, mas senti que os problemas de Bea foram todos ignorados em detrimento da história do mocinho. Como uma espécie de Manic Pixie Dream Girl, sabe?

A impressão que dá é que ela ignorou toda sua história pessoal e seus defeitos em detrimento dos dele e, por mais que isso seja clichê, eu não gostei. O clímax do final também foi exagerado e pareceu muito apressado, sem muito desenvolvimento. Nem Dodger, o furão, ou Medusa, o ouriço, aparecem muito.

Foi um jeito meio triste de encerrar a série.

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Sempre terei os Hathaway em minha estante e, quando der saudades, vou voltar para visitá-los em Ramsay House. Sinto que vou sentir falta dessa série, mas, de consolo, sei que Lisa Kleypas tem outras séries de romance histórico que eu posso amar tanto quanto amei “Os Hathaway”.

Beeijos, A Garota do Casaco Roxo

 

Filmes que vi #18

20 jul

Faz séculos que não posto essa tag, não? Justamente porque faz muito tempo que não vejo nenhum filme que me deixe “Oh, meu Deus, preciso escrever sobre isso”. Tudo mudou no último final de semana, quando fui ao cinema duas vezes – um recorde!

Procurando Dory

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Ouvi muita gente escrevendo críticas, pessoas reclamando de que a narrativa era fraca e de que a saída estava sempre em um herói momentâneo. Também ouvi um pessoalzinho dizendo que Procurando Nemo era melhor e que o filme não tinha correspondido às expectativas.

Antes do filme começar, enquanto os trailers rolavam e eu me enchia de pipoca, não pude deixar de pensar no que ia acontecer durante o filme. Será que a Dory ia sumir? Será que ela seria pescada e aí Marlin iria atrás dela, deixando o Nemo sob a guarda de algum outro peixe? Eu não sabia. Não havia visto o trailer de Procurando Dory e acho que isso contribuiu, de certa forma, com minha opinião final.

Eu adorei Procurando Dory. Não achei ele 100% muito louco, irado e maneiro, como eu achei Procurando Nemo, mas julguei que era tudo culpa da idade. Procurando Dory é um filme que agrada gerações, mas que, ainda assim, é feito para crianças.

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A forma como ele aborda a deficiência mental, a relação com a família, o apoio dos amigos e como a gente pode superar nossas dificuldades alcança o coração de todo mundo, mas ressoa mais entre as crianças. É lindo, fofo, vai fazer você chorar feito um bebezinho no cinema e agradecer às forças maiores pela existência de roteiristas que conseguem produzir histórias como essa.

O curta que passa no começo, “Piper”, também é maravilhoso. Não tem uma palavra, mas vai deixar seu coração quentinho.

Vi o filme em inglês e com legenda (não, não foi para evitar crianças) e agora estou com vontade de ver ele dublado, só para ver como ele fica na minha língua. Todos os filmes da Disney tem leves adaptações no roteiro, quando estão em nosso idioma, e quero ver o que eles fizeram no Brasil. Prepare-se para falar muito balêies.

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Uma correção: Nem todas as dublagens são boas, perdão. Me esqueci de “Enrolados”, que tem um trabalho horrível de dublagem feito pelo Luciano Huck. É bem vergonhoso e até minha mãe, que geralmente prefere dublado para não ter o trabalho de ler legendas, prefere ver em inglês.

“Procurando Dory” também me deixou muito feliz por um motivo inusitado: eu não como nada que venha do mar. Peixe, lula, polvo, camarão, lagostim… Nada disso entra na minha boca. E, olha, depois de me emocionar com um filme desses fiquei feliz por isso. Já pensou estar comendo um ceviche e saber que ele quase virou comida do Geraldo ou que tem pais e filhos que se preocupam com ele? Não se depender de mim!

Caça Fantasmas

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Não tá escrito o quanto de controvérsia esse filme gerou. Se você viveu o último ano debaixo de uma pedra, te atualizo: Fizeram um gender-reversed remake de Caça Fantasmas e isso deixou os garotos muito, muito irritados.

Deixando de lado os mimimis, tenho que dizer que esse filme foi incrível. Ah, você quer ser uma cientista certinha e usar scarpins? Podjé. Quer ser uma engenheira genial e meio doida que tem um estilo próprio e não se importa com o que os outros pensam? Podjé. Quer ser uma atendente de metrô simpática com todo mundo, que conhece sua cidade melhor que ninguém e que tá lá, caçando fantasma, mesmo sabendo que vai desmaiar se ver um? Podjé. Quer ser uma outra cientista, descolada e maneira e louca por sopa? Também podjé.

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Sai do cinema sentindo que eu podia fazer tudo e que nada iria me segurar. E é aí que tá a importância desse filme. Se ele fez isso comigo, um modelo de mulher semi-novo, imagina o que vai fazer com as meninas mais novas?

Com o 3D sendo bem usado, tomei altos sustos e fiquei fascinada com algumas das cenas de luta alguns dos espectros fantasmagóricos, especialmente as da Holtzmann. Eu adoro a Viúva Negra, dos filmes da Marvel, mas sei que esse é um personagem molto sexualizado, o que implica que suas cenas de luta também o são. Não é o que acontece com Caça Fantasmas. Depois de ver o filme, deu até vontade de comprar um canivete suíço.

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Os destaques do filme ficam por conta de Chris Hemsworth, como Kevin, o secretário boa pinta, mas burro. Com direito até a piadinhas de pedreiro das meninas. “Nossa, quem chamou um deus nórdico?” me faz rir até agora. Eu adoro ele e achei muito injusto que Deus deu todas essas qualidades para um homem só, não é possível. Aposto que ele deve ter chulé!

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Tinha os meios receios com a Melissa McCarthy, que faz a Abby. Nos últimos filmes que vi dela, sempre acabava com a impressão de que ela forçava demais. Mas, desta vez, ela até ficou meio ofuscada.

Durante o filme, fique de olho para as participações especiais dos Caça Fantasmas originais – Bill Murray, Dan Aykroyd, Sigourney Weaver, Ernie Hudson e até a secretária da equipe original, que aparecem em cenas inusitadas.

Beeijos, A Garota do Casaco Roxo

Onde o Amor Se Esconde – Veridiana Maenaka

14 jul

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Nome: Onde o Amor Se Esconde

Autora: Veridiana Maenaka

Editora: Verus

Páginas: 350

Sabe aquele romance histórico, bem levinho, que te leva a relaxar e a sonhar em ter uma vida parecida? Então, esse não é o caso de “Onde o Amor Se Esconde”.

Ambientado na São Paulo do Século XX, a história acompanha a vida de Glória, uma jovem que sonha em casar por amor, com o homem dos seus sonhos. A coitada acaba casando com Erasmo, um homem mais velho e frio, que foi escolhido por seu pai. Erasmo vê em Glória nada mais do que a oportunidade de enriquecer e ascender socialmente e a mocinha fica cada vez mais infeliz no casamento, ao tentar conceber um herdeiro e falhar repetidas vezes na tarefa.

A situação de Glória piora quando ela vê que sua amiga Marisa, sempre muito livre e “moderninha” para a época, acaba ficando feliz em seu casamento com um libertino. Vendo a amiga sofrer nas mãos do marido, Marisa apresenta ela a Fernando, um homem que talvez possa dar a Glória a felicidade marital (ou pelo menos carnal, né?) que ela sempre quis.

Mas a situação doméstica piora e Erasmo se mostra um sádico, que chega a abusar de sua esposa de diversas formas. Para mim, essa foi a parte mais difícil de ler. Não consigo acompanhar muito bem narrativas que abordam o estupro (isso é bem pessoal meu, viu, gente? Para mim é meio que “mata, mas não estupra”) e quase abandonei o livro, mas continuei a leitura – até para saber o que seria da Glória, coitadinha.

A narrativa tem reviravoltas surpreendentes, com Marisa se mostrando muito mais liberal do que eu pensava (até para essa época ela seria um escândalo, de certa forma), Fernando muito menos (beeem menos, quase nada) do que eu esperava e com o destino de Glória sendo salvo por pessoas e até por lugares inimagináveis.

As cenas mais memoráveis do livro, para mim, aconteceram em um bordel. As personagens, de certa forma, me lembraram as meninas do Bataclan, de “Gabriela”, de Jorge Amado. Isso ajudou a quebrar um pouco o peso do livro e a dar um alívio para narrativa. Além da parte meio sobrenatural e espiritualista que deu um toque a mais pro livro e que me deixou arrepiada.

Este não é um livro leve e fofo, mas sim um livro necessário para discutir um pouco da história das mulheres e como a gente evoluiu para chegar no ponto em que estamos hoje — tendo ainda uma longa caminhada pela frente.

Uma coisa que senti falta foi da ambientação, que podia ter sido um pouco melhor. Tinha várias expectativas em relação ao romance ser situado aqui em São Paulo, ao invés de na Inglaterra, como estou acostumada a ler, mas elas não foram cumpridas. Além de algumas menções a bairros específicos e ao Jardim da Luz, muito pouco foi dito sobre a São Paulo da época e acho que seria bem legal se isso fosse aprofundado.

No geral, eu gostei da leitura e estou curiosa para ler o outro livro de Veridiana que aborda a mesma época histórica, “Jardim de Espelhos”. Recomendo a leitura, mas leia sabendo que “ceci n´est pas um roman tradicionale”.

Beijos, A Garota do Casaco Roxo

 

 

O Mundo das Múmias – Heather Pringle

6 jul

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Nome: O Mundo das Múmias
Autora: Heather Pringle
Editora: Ediouro
Páginas: 291

Nossa, já faz um tempo que não posto aqui, né? *tira a poeira das coisas* *liga a luz*

Quando se posta só uma vez por semana e se passa algumas semaninhas sem postar, a impressão que dá e que faz decênios que não sento aqui para falar sobre minhas leituras. Sobrevivi ao fim do penúltimo semestre da faculdade e a organização de um Congresso – voltei! Yay!

A resenha de hoje vai causar um grande estranhamento para aqueles que vem aqui esperando resenhas de romances da Meg Cabot e da Carina Rissi. Por vezes, eu deixo escapar aqui que tenho um gosto secreto por livros de não-ficção – são um dos meus guilty pleasures! Já resenhei livros científicos e engraçadinhos como o “E Se?” e o “Stiff: The Curious Life of Human Bodies“.

“O Mundo das Múmias”, de Heather Pringle, dá um pouco de continuidade ao que eu aprendi com “Stiff”. Se neste, falávamos sobre cadáveres e pessoas que doaram seu corpo à ciência, no livro de Pringle descobrimos mais sobre pessoas que doaram seus corpos à história – sem querer, né?

O livro começa com a jornalista Heather Pringle em um Congresso de Múmias, no Peru. Nele, a jornalista acaba descobrindo todo um nicho secreto: Pesquisadores que estudam o cabelo de múmias, para saber o que elas comiam e se elas usavam drogas, corpos incorruptíveis, aqueles que não apodrecem, e que, por isso, foram canonizados pela Igreja Católica, múmias de crianças incas que ainda têm os cílios e até mesmo estudos sobre o corpo de Lênin, que foi embalsamado e até hoje tá lá preservado.

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O livro tem várias fotos e imagens que te ajudam a visualizar melhor aquilo que a autora descreve. Essa daqui é de uma múmia egípcia de 2.000 anos com cabelo ruivo e cacheado – muito mais bem tratado que o meu…

O livro é bem doido.

Mas é fascinante. Pringle vai tecendo, à partir do Congresso, uma narrativa que te leva por várias partes do mundo e que aborda de maneira clara, abrangente e, por vezes, cômica, o estranho hábito que nossos antepassados tinham de preservar seus corpos e se manter “em forma” para a próxima vida.

Monges japoneses que tentaram mumificar a si mesmos, os embalsamadores de Stálin, múmias chinchorro e até mesmo corpos do pântano são analisados pela autora, que, com o auxílio de outros pesquisadores, monta um passado e até uma breve “análise” de como essas pessoas morreram.

É uma leitura ótima e esclarecedora tanto para pesquisadores quanto para quem (como eu!) tem um pouco de curiosidade demais na veia. A única ressalva é que eu gostaria de ter lido ele com mais calma. A narrativa é tão envolvente que eu devorei o livro em poucas sentadas. Talvez eu poderia ter aproveitado mais, se tivesse tomado como um bom vinho ao invés de entornar como se fosse catuaba.

Beeijos, A Garota do Casaco Roxo

PS: A capa que aparece no começo do post é da edição em inglês do livro. Não consegui encontrar ele em nenhuma loja oficial, então as fotos da capa em português são todas de outras pessoas, não me senti confortável em usá-las.

Encontrada – Carina Rissi

8 jun
Capa frente - Encontrada
Nome: Encontrada
Autora: Carina Rissi
Editora: Verus
Páginas: 476

Logo no começo do blog,  quando eu ainda tinha tempo para elaborar textos e realmente me dedicar a ele, eu tive a chance de entrevistar a Carina Rissi.  Curiosa e bem empolgada com “Perdida”, perguntei a ela de teriamos um outro livro com Sofia e Ian. Para minha surpresa ela disse “sim!”.

Passado certo tempo, realmente tivemos a continuação de Perdida, com o nome de “Encontrada” e de volta ao século XIX.  Mas, se “Remembrance” pecou por ter enredo demais, com “Encontrada” aconteceu o contrário.

No livro,  Sofia e Ian estão em plena preparação para o casamento do século – o deles próprios.  Sofia está animada e toda enrolada nos hábitos e costumes do pessoal do século passado, mas percebe que Ian está distante,  como se escondesse algo de sua amada. Para piorar surge uma tia distante, que quer impedir o casamento dos dois de qualquer forma.

E é isso.

A história é boa e a Carina escreve maravilhosamente bem. Você consegue criar imagens mentais lendo ela e realmente sente aquilo que os personagens sentem.

A idéia de “Encontrada” é boa, mas o livro é gigantesco e a impressão que temos é que não tem um clímax, nada que justifique um livro inteiro sobre o assunto. Por vezes eu lia uma cena e pensava “aha! Lá vem ele, o drama!!!”, só para ler mais algumas páginas e fuen, tudo ser resolvido em um breve diálogo. Não é que o livro foi corrido; apressado, só tinha enredo de menos mesmo. 

Por mais que eu quissesse saber como rolou o casamento de Ian e Sofia (a melhor cena do livro), eu acho que teria preferido que a história viesse em um conto ou algo do tipo.

O que eu realmente achei que ia acontecer em “Encontrada” aconteceu em “Destinado”. Eu nem ia ler o terceiro livro da série (até para não incentivar as editoras de publicarem continuações de histórias que já estão bem fechadas)  mas que bom que eu fiz isso! Vou escrever sobre ele em breve,  mas já adianto que amei demais a continuação!

Sofia e Ian são um dos meus casais favoritos e acho que “Encontrada” valeu só por saber um pouquinho mais da vida deles no passado!

Se você quer ler mais um poquinho de Sofia e Ian, leia “Encontrada” sem medo e sem muitas expectativas.  Mas, se quiser uma história que una os melhores pontos de Carina Rissi (amo todos os livros dela, mas em chick-lit ela é minha favorita), pule direto para “Destinado”.

                                                                                Beeijos, A Garota do Casaco Roxo.

Remembrance – Meg Cabot

1 jun

Meg-Cabot-Remembrance

Nome: Remembrance
Autora: Meg Cabot
Páginas: 388
Editora: Harper Collins
Idioma: Inglês intermediário

“Remembrance” foi lançado pouco tempo depois que terminei de ler “Proposal” (você pode ler a resenha da prequel aqui) e, por isso, eu estava muito animada para ler o livro e voltar de vez ao mundo de “A Mediadora”.

No geral, eu gostei da leitura, mas foi tudo muito “fuén”. Eu tinha grandes expectativas, assim como tinha com o follow up de “O Diário da Princesa”, Royal Wedding. Só que dessa vez, elas não foram cumpridas.

Em “Remembrance”, Suze está quase se formando em uma Community College de sua cidade (eu esperava muito mais dela nesse ponto, mas é um pouco de preconceito da minha parte), ela faz estágio na Mission High School, onde fez o ensino médio e mora em um dormitório com outras garotas (o que é bem contraditório porque community colleges são “faculdades para a comunidade” é bem diferente de universidades grandes, que precisam de dormitórios porque recebem alunos de todos os lugares). Ela está noiva de Jesse (olha o save the date ai embaixo, gente! Matador, no?) e mal vê o ex-fantasma porque ele está terminando sua residência para completar a faculdade de medicina. Mesmo depois de tanto tempo juntos, eles ainda não fizeram amor e isso está deixando Suze um bocado frustrada, já que Jesse quer esperar o casamento, como um fantasma de 150 anos de idade faria.

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Para deixar a situação ainda mais complicada, Paul Slater, aquele capeta que quase separou Suze e Jesse nos livros anteriores, está de volta. Mais arrogante e rico do que nunca, Paul está fazendo Suze ficar balanceada com a ideia de casar com Jesse – para o meu desespero.

Desta vez, a Mediadora tem que ajudar uma garota que estuda na Missão e que está sendo permanentemente assombrada pelo fantasma de uma criança, que quer proteger menina de tudo. Em uma das cenas mais dramáticas do livro, Suze quase se afoga na piscina por causa do fantasma, mas é salva por *suspiro* Jesse.

Os pais de Suze venderam a casa em que eles moravam e que Jesse costumava assombrar. Paul Slater é o novo dono e está ameaçando demolir o lugar. Baseando-se em uma antiga lenda de mediadores, ele acredita que demolir a casa pode liberar algum tipo de lado ruim, até demoníaco de Jesse e, por isso, Paul começa a chantagear Suze.

Ufa! Parece que contei história demais, né? Se esses parágrafos foram só uma breve ideia dos principais acontecimentos do livro, que podem convencer você a lê-lo, imagina o resto da história? E é aqui que eu acho que a Meg pecou um pouquinho: tem história demais,

Quer dizer, é a Mediadora e eu a adoro, mas me senti muito atordoada durante a leitura. Cada página era um splash de acontecimentos. Umas das colegas de Suze é cleptomaníaca e recebemos sugestões de que algo vai envolver ela de vez na narrativa, porém Nada Acontece Feijoada. Além disso, temos o retorno dos meio-irmãos de Suze, um deles é gay e outro abriu uma loja para vender maconha medicinal e está ganhando muito dinheiro com isso. Quem serão? Você vai ter que ler para descobrir. Ceecee e os outros amigos de Suze até aparecem na narrativa, mas de maneira ofuscada por todos os acontecimentos. O Padre Dominic também foi ofuscado, mas com ele até foi compreensível. A cidade de Carmel continua aparecendo como um personagem forte da narrativa e eu quero muito visitar esse lugar, apesar de já terem me dito que é um lugar de “velhinhos ricos”. Oh, well, talvez eu encontre um marido por lá.

Tudo isso fez com que a história fosse um pouco decepcionante para mim. Reduzindo os acontecimentos do livro pela metade ou até transformando ele em dois livros diferentes (se bem que, pela forma como ele terminou, acho que posso dizer “hm… Sinto cheiro de série vindo por aí!”) teria sido melhor.

Não percebi muito amadurecimento em Suze, como percebi na Mia e Jesse vai continuar fazendo você suspirar!

A leitura vale a pena para os mais saudosos, mas algumas coisas precisam ser relevadas. Lembro de ter lido uma entrevista com a Meg, em que ela declarava que muita coisa teve que ser reescrita e deixada de lado em “Remembrance”, se não o livro teria 53663727 páginas – o que eu teria preferido.

Em relação aos “Retornos de Meg Cabot”, tenho que dizer que gostei mais de Royal Wedding, mas eu sempre gostei mais da Mia (estou lendo “Terre D’Ombre”, a versão em francês do primeiro livro e acho que deveria ter comprado o primeiro livro do Diário da Princesa mesmo…). De qualquer forma, recomendo para todo mundo que leria até a lista de compras de Meg Cabot.

O inglês está num nível bom para iniciantes, mas lembre-se que este é um livro longo. Para aqueles que “escolheram esperar”, como Jesse, “Remembrance” será publicado no Brasil em julho, pela Galera Record, com o título “Lembranças”.

A capa brazuca é infinitamente melhor que a dos EUA, mas eu não sei se posso publicar ela aqui!😦

                                                                                         Beeijos, A Garota do Casaco Roxo

A Caminho do Verão – Sarah Dessen

18 maio

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Nome: A Caminho do Verão

Autora: Sarah Dessen

Editora: iD

Páginas: 416

Eu adoro o twitter da Sarah Dessen. Se fosse só pelas sinopses, eu provavelmente nunca teria lido um livro dela. Mas, a forma como ela narra os eventos de sua vida em 140 caracteres, deixando tudo muito mais interessante e vívido me encantou. Primeiro li “O Que Aconteceu com o Adeus” e até resenhei ele para o blog e, nossa, que soco no estômago foi esse livro. Peguei “A Caminho do Verão” achando que seria uma história leve, de veraneio e, na verdade, acabei com outro soco no estômago.

Em “A Caminho do Verão” seguimos a história de Auden, uma jovem estudante brilhante e perfeccionista que tem problemas em dormir. Ela nunca, nunca dorme. Como vai se formar no ensino médio, Auden decide sair da casa da mãe (e das festas que ela dá para seus estudantes de mestrado) e passar o verão na casa de praia do pai e da nova esposa dele, com sua irmã que acaba de nascer, Thibes.

Auden nunca se divertiu muito, nunca saiu da linha e sempre fez de tudo para agradar a mãe e impressioná-la. Por isso, quando ela começa a ajudar na contabilidade da loja de sua madrasta e a lidar com as outras adolescentes que trabalham lá, ela começa a ter um gostinho de um mundo que antes, ela tinha até medo. As coisas começam a ficar ainda mais interessante quando ela conhece Eli, um garoto que mora na cidade e que também tem problemas para dormir.

Juntos, durante a noite, Eli e Auden vão finalmente viver a vida. Ele, superando um trauma do passado e ela, aprendendo a ser feliz.

Acho incrível como esse livro propõe uma leitura flexível de sua narrativa. Algumas resenhas dizem que a história é sobre duas pessoas solitárias tentando se conectar, outras dizem que o livro é sobre a transformação e o crescimento de Auden. Para mim, o livro é sobre famílias. Já é a segunda história de Sarah Dessen que eu leio e é a segunda que tem cenas realmente vividas e que eu provavelmente não leria se viessem com o Trigger Warning. O relacionamento de Auden e seu pai parece bom, de início. Mas, conforme a narrativa avança e ele se revela um babaca egocêntrico, foi bem difícil não associar tudo isso com a minha própria história pessoal (sinto uma bronca do meu psicólogo se aproximando…). Foi bem interessante para refletir a questão da família de um ponto de vista exterior.

Alguns dos textos que li sobre esse livro reclamavam que a Sarah Dessen sempre escreve o mesmo enredo, que é tudo a mesma história, mas com detalhes diferentes. Concordo, em partes. As histórias se parecem sim e gosto disso porque eu já sei o que eu vou ler e que esse livro vai me sensibilizar em vários níveis. Mas não é como se eu fosse ler todos, um seguido do outro, certo? Gosto, de certa forma, do jeito previsível de suas histórias (o mesmo se aplica a Dan Brown).

As mulheres também são excelentes nesse livro. Tanto Auden, quanto as meninas que trabalham na loja, quanto a madrasta, quanto a mãe da personagem principal (embora essa seja ligeiramente falhada, por vezes) dão lições sobre sororidade e amizade feminina. É uma gracinha de ler.

O livro tem ótimas descrições e por vezes me senti mesmo em uma cidade de praia, andando de bicicleta e tomando sorvete e torta com Auden e Eli.

Já faz alguns meses que li o livro (ando numa ressaca terrível, estou lendo muito pouco)e ainda assim me pego pensando em algumas cenas e lembrando de como certos trechos me impactaram.

Recomendo para todo mundo que quer refletir um pouco mais sobre sua relação com seus pais, mas principalmente sobre sua relação com si mesmo.

                                                                                                     Beeijos, A Garota do Casaco Roxo

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