Pepitas Brasileiras – Jean-Yves Loude

12 abr

pepitas brasileiras

Nome: Pepitas Brasileiras: Do Rio de Janeiro ao Maranhão, uma viagem de 5.000 quilômetros em busca dos heróis negros do país.

Autor: Jean-Yves Loude

Editora: Autêntica

Páginas: 351

Terminei de ler a última página de “Pepitas Brasileiras” com vontade de reler o livro, até que todas as palavras e informações contidas nele estivessem impregnadas em minha memória.

Deitada em minha cama, finalizei o relato de viagem de Leuk e Leão sabendo que aquela jornada de mais de 5 mil quilômetros havia mudado minha perspectiva em muitos assuntos e que “Pepitas Brasileiras” tem o grande potencial de ser minha melhor leitura de 2017.

Que livro, minha gente, que livro!

Nossa jornada começa com um e-mail, recebido no primeiro dia do ano por um casal de etnólogos franceses que, provavelmente, não tem nem ideia da aventura que os espera. Na tela do computador eles são encarados pelos olhares computadorizados da projeção da aparência de Luiza, cujo esqueleto – de 11 mil anos de idade – foi encontrado aqui no Brasil. A reação de ambos é de surpresa e de excitação, afinal de contas, o crânio tinha características negras, a projeção tem pele negra e pertence a uma época em que os pesquisadores acreditavam que América só estava sendo colonizada por migrantes da Sibéria e da Mongólia, que vinham através do Estreito de Bering. Será possível que os negros chegaram de barco a esta terra que conhecemos por Brasil antes que os outros “colonizadores”?

O e-mail, enviado por Zayda, diretora da companhia de cultura “Tambor de Crioula Catarina de Mina”, foi o impulso final para que Leuk e Leão organizassem suas coisas e viessem para o Brasil em busca dos personagens negros de nossa história, cujas vidas, feitos e conquistas foram encobertos ou esquecidos de alguma forma.

“Há uma coisa de que o Brasil sofre ainda hoje: a persistência de preconceitos ligados à evocação do país, clichês fabricados em grande parte pelo cinema, pela televisão e pela indústria turística e que sobrevivem graças à preguiça intelectual. Uma visão tacanha que irrita aqueles que se recusam a ver o gênio plural do Brasil, mestiço, efervescente, em perpétua criação, reduzido à simples evocação de Copacabana, do futebol, das novelas, da violência, do tráfico, do Carnaval e da coisificação do corpo feminino.”

p.18

Com os textos e a narrativa em formato de diário de viagem e endereçados especificamente à Zayda, o leitor observa um verdadeiro desfile de personagens, cores, gostos, cheiros e cidades deste Brasil, cujos nomes são tão pouco conhecidos que eram ignorados por mim.

Através de visitas em museus, sítios arqueológicos, quilombos, marcos históricos e cidades inteiras, contando com o apoio das pesquisas de Leuk e de entrevistas e diálogos com pesquisadores brasileiros, a jornada dos etnólogos é costurada à trajetória daqueles que marcaram a história do meu país. O resultado é uma mistura, aquela pontinha de sabor que faz você querer pesquisar e saber mais e mais sobre tudo aquilo que foi nos ensinado.

Desfilam pelas páginas e pelo nosso imaginário os mais conhecidos personagens negros de nossa história, como Aleijadinho e Castro Alves, passando por Ana das Carrancas e Santa Anastácia, cuja história eu já tinha ouvido aqui e lá, até chegar em Negro Cosme, a Beata Maria de Araújo e a história das mulheres do Quilombo Conceição das Crioulas, que eu realmente desconhecia.

“Essa imagem da liberdade reconquistada foi coberta por uma pichação escrota do tipo: “Deus criou o pé para chutar a bunda!”. Compreende-se que se trata da bunda do negro. Anoto a fórmula diante de um senhor que está ali passeando e parece constrangido por nossa atenção a semelhante expressão de racismo ordinário. Explico-lhe que também anotei outra reflexão, muito bonita, caligrafada na parede, inscrita na moldura pintada de um falso pergaminho: “Existe uma história do povo negro sem o Brasil. Mas não existe uma história do Brasil sem o povo negro.”

p.272

Muitos outros personagens aparecem no livro e uma das coisas que eu mais gostei é que você não precisa ser um historiador ou um intelectual para apreciar algumas das vidas apresentadas no livro. Basta ter empatia e você já vai sair anotando nomes, para pesquisar mais sobre essas “pepitas”. Didático, Jean-Yves pega o leitor pela mão e nos ajuda a refrescar conceitos que nos foram ensinados na escola e depois esquecidos com o passar dos anos.

Cada personagem que passava pelas páginas de “Pepitas Brasileiras” me ensinava um pouco mais sobre a história de meu país e sobre os contextos que foram torcidos para justificar a escravidão e o racismo. Aprendi que as estátuas de namoradeiras têm um fundo bem melancólico e triste até. Aprendi que a cultura do Nordeste é muito mais extensa e profunda do que eu tinha conhecimento. Aprendi que “Maria Padilha” tem um significado histórico real, que vai bem além de um simples nome.

“Um rapaz jovem e loquaz aponta cada figura policroma e nos apresenta São Jorge derrotando seu eterno dragão, os gêmeos médicos Cosme e Damião, uma série de Nossas Senhoras em suas diversas atribuições, Nossa Senhora Aparecida em perfeita cumplicidade com Iemanjá, a entidade espiritual das águas salgadas, ela própria muito próxima de Santa Bárbara. Tem também Ogum, Exu, Oxum, Iansã…. Uma verdadeira reunião cordial de potências sobrenaturais. E aqui os espíritos índios, Sete Catacumbas e Sete Encruzilhadas. E Zé Pelintra, o boêmio de roupa branca e chapéu de malandro: mas cuidado, por trás de sua silhueta de sambista cafajeste se esconde um espírito poderoso.”

p.59

Descobri que, para uma pessoa que gosta de história e que considerava conhecer relativamente bem o assunto, eu não sei de nada. Arrisco dizer que, da missa, eu arranho só um Pai Nosso.

Além do aspecto histórico, as religiões afro-brasileiras também têm grande destaque na narrativa e certos aspectos delas são explicados e aprofundados de forma que praticantes e não praticantes possam entendê-las um pouco melhor. Sem preconceitos.

“Uma vozinha interior nos guia para uma loja escura de estátuas afrorreligiosas. Imagino, Zayda, que esses minimercados atulhados de produtos místicos devem parecer banais para você. Mas eles nos fascinam. Cheiram a incenso e transbordam efígies de gesso pintado ou de ferro, de todos os tamanhos, orixás e santos católicos lado a lado, bunda a bunda, Virgens tímidas, deuses impudicos, gênios índios, espíritos vestidos de malandro sambista ou de marinheiro: só mesmo o céu brasileiro para abençoar tamanho samba do crioulo doido.”

p. 185

Eu queria que todo brasileiro lesse “Pepitas Brasileiras”. Eu queria uma nova versão dele, com a linguagem um pouco mais simples, para que ele pudesse ser lido nas escolas. O livro original foi escrito em francês e a tradução foi feita por Fernando Scheibe, que fez um ótimo trabalho em dar picardia e charme brasileiros a escrita de Jean-Yves.

Eu gostaria que a divulgação deste livro fosse bem maior. A Editora Autêntica fez alguns posts patrocinados no Facebook e eu aproveitei para comprar o livro na Festa do Livro da USP, depois de ler um desses. Mesmo assim, quem fez o cadastro de “Pepitas Brasileiras” no Goodreads foi a própria que vos escreve e eu ainda estou para ver alguma resenha dele em algum site (vi uma crítica no O Globo, mas foi só).

Como disse no começo do texto, quero reler “Pepitas Brasileiras” em breve. É um livro que te ensina e te incita a querer saber mais. Agora que tomei conhecimento desse Brasil, quero ir mais além e ler mais sobre a história de meu próprio país.

“Nunca me esquecerei de uma senhora negra, batista, prosélita, que aceitou vir ao Salão do Livro para nos escutar falar das consequências das expansões europeias na África e no Brasil. Essa mulher forte, empregada doméstica, levantou-se e interpelou toda a plateia: “Não é absurdo que seja preciso esse casal de brancos para nos falar de nossa história como se fossem negros?!” – e atravessou a sala para nos abraçar.”

p.301

Recomendo “Pepitas Brasileiras” para qualquer um, independente de idade, raça, escolaridade, sexo ou nacionalidade. Não estou exagerando ao dizer que esse livro ampliou meus horizontes.

Beeijos, A Garota do Casaco Roxo

Damas de Honra – Jane Costello

5 abr

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Nome: Damas de Honra

Autora: Jane Costello

Editora: Record

Páginas: 431

“Damas de Honra” é um livro complicadíssimo para mim. Eu acabei a leitura dele sem saber muito bem o que tinha achado dele (o que sempre é um mal sinal) e sigo meio confusa em relação aos meus sentimentos com essa leitura.

Eu acredito que, para os padrões de 2017, “Damas de Honra” têm elementos suficientes para ser considerado um livro problemático.

Nele, nós acompanhamos Evie Hart, uma jornalista que nunca teve um relacionamento verdadeiramente duradouro. A verdade é que, aos 27 anos, Evie nunca se apaixonou, nunca sentiu aquele frisson e também se convenceu de que não nasceu para o amor. Até o momento, isso nunca tinha incomodado ela de verdade, mas, agora que a temporada de casamentos começou – e que ela vai ser dama de honra em três deles – ela se sente bem confusa.

Grace, uma das melhores amigas de Evie, já tem uma filha com seu noivo e os dois vão casar em breve. É no casamento dela que a jornalista conhece Jack, um homem capaz de fazer Evie duvidar de suas convicções para com o amor. O único problema? Jack veio acompanhado de Valentina, a amiga mais sexy, sensual, “que dorme com qualquer um” e poderosa do grupo.

Evie está convencida de que Valentina “não é mulher” para Jack, afinal de contas, ela só dorme com caras sem cérebro, que só pensam nas calças e Jack, por ser o diretor de uma ONG que ajuda pessoas na África, definitivamente não faz o tipo dela.

Além disso, Evie também tem que lidar com a constante perseguição de Gareth, seu ex-namorado cheio de espinhas e que só quer saber de vê-la usando um maiô de couro com buracos nos mamilos.

Pouco antes do segundo casamento da temporada, o de Georgia, Charlotte, outra amiga, está se sentindo muito mal com seu corpo.  Evie, Georgia, Valentina e Grace, então, começam a ajudá-la a emagrecer e a transformar seu visual.

Conforme a narrativa avança, Charlotte, que agora está magra, admite ter uma paixão ardente por um dos noivos – agora maridos, né?- de uma das amigas. E o barraco é de cair o queixo.

Eu não posso contar -muito- mais coisas sem dar spoilers e estragar o livro para alguém que queira dar uma chance a ele. Mas a verdade é que, além do slut shamming com Valentina, as cenas com a Charlotte também me incomodaram um bocado e eu não sei dizer exatamente o quê, mas tudo me pareceu bem incorreto. Ainda mais com o que acontece bem no finalzinho do livro.

O livro tem 441 páginas, mas isso não me parece suficiente para o bom desenvolvimento da narrativa. Acontece coisa demais e não há respiro. Em certo momento, o foco da narrativa sai de Evie e do seu problema em manter relacionamentos duradouros, mesmo parecendo que ela encontrou “O” cara certo. Então, a autora passa o foco à Charlotte e as outras amigas e o arco dessas personagens se torna bem maior do que o da personagem principal, mesmo sendo um livro narrado em primeira pessoa.  Acho que a história seria bem mais interessante se fosse narrada por cada uma das personagens, alternando seus pontos de vista.

Outro problema que eu encontrei, que, em partes, combina com a questão anterior, foi a narrativa em primeira pessoa. A gente sabe que esse é o padrão do chick-lit e que é isso que os torna tão atraentes para o público, mas é necessário saber dosá-lo. O “xis” da questão aqui foi que Evie quase não tem aquele monólogo interno, que faz com que a gente entenda os problemas da personagem e acabe se identificando, torcendo e se apaixonando junto com ela. Essa falta de descrições faz com que Evie cometa ações e tome atitudes, que nos deixam  “???” e sem entender lhufas, mesmo sendo um livro em primeira pessoa, tecnicamente, mais pessoal e profundo.

A falta de explicações na narrativa em primeira pessoa e o grande espaço ocupado pelas histórias paralelas das outras personagens tomam tanto tempo que, até agora, eu não sei dizer exatamente como Evie resolveu seu problema com relacionamentos duradouros (não é spoiler, né, gente? É tipo dizer que alguém morre em um episódio de CSI. Em um chick-lit, a gente sabe que alguém fica junto no final).

Mas, sendo sincera, a parte que mais me incomodou foi a da Charlotte. Não me pareceu certo os comentários quanto a imagem corporal dela, em nenhum momento. As atitudes tomadas pela própria Charlotte e pelas amigas também me deixaram bem confusa. O livro é de 2008 e já faz um tempo, mas será que é tempo o suficiente para justificar o que hoje eu considero rude, grosseiro e até vulgar?

“Damas de Honra” não funcionou para mim, mesmo sendo um chick-lit que envolve casamentos e outras coisas que eu adoro. Mas, pode ser que ele funcione para você. Sendo sincera, ele teve um ou dois momentos que me fizeram rir, mas isso não foi o suficiente para que eu o considerasse um livro bom, arrebatador e de me deixar suspirando por semanas.

Tem alguém aqui que já leu “Damas de Honra” e que tope conversar comigo sobre ele? Talvez, debatendo um pouco, eu consiga entender melhor algumas das coisas que me incomodaram!

Beeijos, A Garota do Casaco Roxo

O Demônio na Cidade Branca – Erik Larson

29 mar

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Nome: O Demônio na Cidade Branca: Assassinato, magia e loucura na feira que mudou os EUA

Autor: Erik Larson

Editora: Record (mas foi publicado pela Intrínseca recentemente também)

Páginas: 556

“O Demônio na Cidade Branca” foi um achado. Explico: Na livraria do meu bairro, vira e mexe vendem alguns livros bons, que ficaram encalhados no estoque das editoras, por R$ 12.  Lá, eu comprei “O Demônio na Cidade Branca” e muitos outros títulos – muitos mesmo, por isso estou proibida de comprar livros novos. Pouco tempo depois, descobri que a Editora Intrínseca tinha republicado o livro de Erik Larson no final do ano passado. Minha edição é de 2005, mas acho que a experiência de leitura é a mesma.

“O Demônio na Cidade Branca” é um livro de não-ficção que aborda acontecimentos e fatos históricos reais. Mais especificamente, nós seguimos a história da Exposição Universal de 1893, oficialmente conhecida como “Exposição Internacional Colombiana”. Sediada na cidade de Chicago, a feira internacional teve duração de um ano e buscava celebrar os 400 anos da chegada de Cristovão Colombo ao Novo Mundo, a América – daí o nome “Colombiana”.

Erik Larson, através de uma extensa pesquisa em livros, documentos oficiais, diários e arquivos, reconstrói a narrativa de tal forma, que a impressão que temos é que estamos lendo um romance com diálogos, cenários e personagens principais e secundários. Ele chega a ser quase cinematográfico.

No livro, nós acompanhamos as dores e o trabalho árduo de Daniel Burham, um dos maiores arquitetos dos Estados Unidos e o responsável por realizar a feira.  Burnham foi o criador do edifício Flatiron em Nova Iorque e ficou encarregado de supervisionar o trabalho de elaboração e design dos prédios da Exposição Universal. Ele também foi o responsável por construir os planos e por tonar a feira realidade. Os prédios seguiram um padrão arquitetônico e eram todos brancos, daí o nome “Cidade Branca”.

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Na Exposição Universal de 1893, havia prédios para cada área do conhecimento (Humanidades, Manufaturas, Indústrias…) e também pavilhões temáticos para diversos países do mundo.

Junto com Burnham estava também Frederic Law Olmsted, o paisagista responsável pelo Central Park, também de Nova Iorque. Juntos, os dois tiveram o trabalho gigantesco e descomunal de transformar uma área pantanosa e úmida nos arredores de Chicago em uma Exposição Universal de dar inveja à de Paris, que aconteceu em 1889, e de sobrepujar o grande marco da exposição anterior, a Torre Eiffel. A exposição tinha até um grande lago navegável, que foi construído para agradar aos desejos paisagísticos de Olmsted.

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A “Corte de Honra” de Burnham e o lago de Olmstead.

Paralelamente aos desafios de Burnham, nós seguimos o jovem médico H.H. Holmes, cujos olhos carinhosos e gestos afetuosos eram uma fachada para um grande psicopata que matou muita gente, ao longo do decorrer da Exposição Universal.

Visando obter lucro com o afluente de pessoas que iria até Chicago para visitar os pavilhões e prédios de Burnham, H.H. Holmes construiu um hotel mórbido, com canos de ventilação, passagens secretas e um porão equipado com um crematório e ácidos e solventes químicos, para ajudá-lo a se livrar dos corpos. Holmes era um serial-killer de deixar Jack, o Estripador no chinelinho. 

Entre os anos de preparativos que antecederam a Exposição, até a construção dos prédios; os acontecimentos da Feira em si; os assassinatos de Holmes, culminando, por fim, na prisão do assassino, através do trabalho do detetive Geyer, “O Demônio na Cidade Branca” é um livro eletrizante e de tirar o fôlego, que vai fazer qualquer jornalista desejar tê-lo escrito. Eu me peguei segurando a respiração em diversos momentos, por causa de Holmes, e também torcendo para que o trabalho de Burnham desse certo, além do sucesso da exposição.

Cenários e diálogos são reconstruídos por Larson através de suas extensas pesquisas. A narrativa começa conosco a bordo do Olympic, junto com Burnham, enquanto o navio cruza o Oceano Atlântico, para ajudar a resgatar a tripulação e os passageiros de um outro navio, que havia afundado a pouco, o Titanic. Tecendo conexões entre momentos históricos e comparativos que ajudam leitores mais leigos a entender o que está acontecendo, um dos principais momentos da história dos EUA ganha vida, cor, cheiro e forma.

Muitas curiosidades são levantadas e a quantidade de coisa que eu aprendi com esse livro não tá escrita! Um dos exemplos desses aprendizados inesperados aconteceu por conta do exaustivo trabalho dos engenheiros para encontrar algo que fosse superior à Torre Eiffel ,em todos os aspectos. O resultado foi obtido pelo engenheiro George Ferris, que construiu a primeira roda gigante (em inglês “Ferris Wheel”) da história. Os carrinhos da roda gigante tinham janelas de vidro e as descrições de Larson sobre o terror e o medo dos primeiros passageiros da roda gigante são hilárias. Pedidos de casamento, casamentos e tentativas de suicídio aconteceram naquela roda gigante.

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A primeira Roda Gigante da história, construída na Feira Internacional Colombiana

Outros personagens de importância histórica mundial passeiam pela feira e tudo o que você vai querer é ler mais e mais. Os assassinatos de Holmes também ajudam a dar um toque meio noir ao livro e, apesar de serem pesados, as descrições não são tão detalhadas a ponto de deixar você – muito – assustado. O perfil psicológico de Holmes é muito bem construído e é difícil não se surpreender com a quantidade de gente que ele matou sem que ninguém percebesse ou notasse algo de estranho.

A única coisa que eu senti falta foram imagens e fotografias. É bem comum, nesse tipo de livro, ter um capítulo inteiro só com imagens e fotografias que ajudam a criar um imaginário das cenas descritas e dos personagens também (eu, por exemplo, imaginei Burnham como Chris Hemsworth e agora me recuso a pesquisar seu rosto e ver que ele não é nada disso). A verdade é que a falta de imagens é explicada até por Larson, no próprio livro. Como uma forma de conseguir mais lucros para a exposição – que estava atolada em dívidas – Burnham vendeu os direitos de imagem e só havia um único fotógrafo autorizado a tirar fotos do local, por isso a escassez de registros. Qualquer hora vou até uma livraria só para ver se há fotos na edição da Intrínseca.

Recomendo “O Demônio na Cidade Branca” para qualquer um que goste de história, arquitetura, assassinatos, suspense, investigação e curiosidades. Quem gostou de filmes como “Os Intocáveis”, do Brian de Palma, vai adorar isso aqui. O livro é um prato cheio para quem quer se desafiar e sair um pouquinho da zona de conforto na leitura.  

Definitivamente, essa já é uma das melhores leituras que fiz em 2017 e agora só me resta procurar por livros semelhantes e tão legais quanto esse.

Beeijos, A Garota do Casaco Roxo

Livrarias legais para conhecer em Montevidéu

8 mar

Conheço poucas livrarias legais aqui em São Paulo. Tem a Livraria Cultura, claro; as unidades da Livraria da Vila, cada uma com seu charme próprio e as Saraivas e Nobels da vida. Fora isso, nada. Não conheço livrarias pequenas, independentes e com seu catálogo próprio, selecionado. Não conheço redutos de leitores e lugares especiais – e preciso trabalhar nisso!

Talvez, por esse motivo, eu tenha ficado tão impressionada com as livrarias que encontrei no Uruguai. Com pouquíssimas redes, cada lugar que visitei tinha seu charme especial. Você sentia, realmente, que estava em um reduto, em um palácio de livros.

Líbreria Más Puro Verso

Peatonal Sarandí 675

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A Más Puro Verso é uma das mais conhecidas de Montevidéu. Ela tem outras 3 unidades, mas a que conheci fica na Peatonal Sarandí, logo atrás da Plaza Independencia.

Eu sabia que a livraria ficava em algum lugar por ali e, como tinha ido almoçar no Cabildo, estava de olho nas lojas, para ver se a encontrava. E, olha, quase a perdi. A entrada é super discreta e, com o movimento da hora do almoço da Peatonal, aliado com os artesãos e artistas de rua (eu tenho horror a estátuas vivas e era o que mais tinha por lá, cruzes!),  ficou impossível. Quando você for, fique de olho!

De acordo com informações da internet, o edifício onde a livraria está localizada, o Pablo Ferrando, foi construído em estilo art noveau, em 1917 e é uma criação do arquiteto italiano Leopoldo Tosi. O objetivo era que a loja funcionasse como um ponto de venda de artigos ópticos e equipamentos de precisão.

As escadarias são o ponto alto do prédio e eu recomendo que vocês as suba! No piso superior há um restaurante e café com umas janelas de vidro enormes, com vista direta para o pessoal passando na Peatonal. Acabei não comendo nada por lá porque tinha me entupido de chivitos e papas fritas e não tinha espaço nenhum na  minha barriga.

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Vista do topo da escadaria

Uma curiosidade: Como a vi nos últimos dias de minha viagem, acabei decidindo comprar um livro do Mario Benedetti por lá. Procurei em todas as mesas, bancas e prateleiras e até subi nas escadas laterais para ver se enxergava eles. Sem efeito. Desisti e perguntei a um vendedor que me informou que os livros do escritor uruguaio ficavam sempre atrás do caixa. Por que? Aparentemente, eles eram roubados tão frequentemente que decidiram mudar o esquema.

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Detalhe dos vitrais! A foto ficou tremida porque eu não tenho uma mão firme e o zoom da minha câmera é um fresco!

Libreria Yenny

Boulevard España y Rambla Rep. de Perú

Confesso: Eu não fui na Yenny atrás de livros coisa nenhuma. Eu tinha lido na internet que lá tinha uma torta de alfajor deliciosa e queria conhecer o lugar. Eu fiquei em uma casa em Pocitos e, logo no primeiro dia, eu e minha tia decidimos ir caminhando pela Rambla de Montevidéu, curtindo a praia e observando as pessoas. Quando percebi que estava mais ou menos perto da Yenny, comentei sobre essa livraria com a minha tia e usei o que restava do meu roaming para pesquisar o endereço exato.

Em uma virada noveleira, minha tia se deu conta de que é na Yenny que trabalha uma das amigas dela, Gabriela. Um motivo mais que especial para continuarmos nossa caminhada pela Rambla! (no final, depois do tanto de doce que eu comi, eu fiz minha tia caminhar até a Playa Ramirez. Do ponto de onde saímos, até Ramírez, são quase 10km. Devo ter gasto umas 200 calorias nessa brincadeira…)

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Titia e Gabriela, nas mesinhas do lado de fora da Yenny! O teto e as paredes são de vidro e tem ar condicionado. É bem agradável!

Entre os livros, Gabriela e a torta de alfajor mais sensacional, mais doce, mais seduzente e mais calórica que eu já comi em minha vida, acabei esquecendo de tirar fotos. Foi mal.

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Torta de Alfajor da Yenny: Se esse não é o bebê mais lindo de toda a história da humanidade, eu não sei qual é.

A confeitaria onde Gabriela trabalha, que fica no mesmo espaço da livraria, chama-se Oro del Rhin. Há outras unidades espalhadas em Montevidéu, mas eu não cheguei a entrar e perguntar se por lá também tinha torta de alfajor. O grande barato mesmo é pegar um livro, sentar em uma das mesinhas do lado de fora, com vista pro mar, enquanto se saboreia a torta de alfajor.

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Para o meu mérito, eu não consegui devorar tudo! Um pedaço só dessa torta de Alfajor é o suficiente para duas pessoas. Da minha metade, eu acabei embalando e levando o resto… E comendo de café da manhã no dia seguinte! :X

Há um espaço nos fundos com mais e mais livros. Gabriela me contou que a Yenny também empresta os livros – desde que você não os estrague, nem os leve para casa-, então você pode ler sem desembolsar muito.

Aliás, uma coisa que eu reparei e fiquei surpresa: O preço dos livros no Uruguai. É bem caro e bem acima da média dos preços daqui. Todos os livros que eu peguei eram de R$ 40 para cima e é bem difícil encontrar livros de bolso ou em promoção nas lojas de lá. Pode ser que eu tenha procurado nos lugares errados, mas acredito que comprar livros no Uruguai só vale a pena se você não conseguiu encontrar nada por aqui.

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Pensando nele… O Culote!!!

Babilônia Libros

Tristán Narvaja 1591, quase Mercedes

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Conheci essa aqui graças a uma foto compartilhada no Instagram pela Leila Rego. Eu fui nela no mesmo dia em que visitei a Fundação Mario Benedetti e caminhei de lá até a livraria (eu andei muito no Uruguai, usando o Google Maps). Não levou nem 15 minutos minutos da Fundação até a Calle Tristán Narvaja, que também abriga a famosa feira de antiguidades, aos domingos.

A rua é cheia de sebos e lojinhas de antiguidade e é uma graça. Há banquinhas com vendedores de livros na rua também. Eu queria entrar em todos e tirar fotos de tudo, mas já estava atrasada para encontrar uns amigos e morta de fome.

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A Babilônia é linda e é super diferente. A livraria tem plantas trepadeiras por todo lado e você fica com a impressão de que entra num mundo mágico.

A única coisa chata é o atendimento. O vendedor estava ouvindo algum tipo de podcast em alemão e mal prestou atenção em mim. Eu queria muito um livro que contasse toda a história de Montevidéu e, quando pedi, ele levantou, atravessou algumas prateleiras e jogou o livro na minha mão, para depois voltar a ouvir seu podcast.

O livro era o “Boulevard Sarandí” e eu fiquei bem interessada nele, mas… A edição em minhas mãos tinha marcas de água e sujeira e, dentro, alguns papéis aleatórios funcionando como marca páginas, um deles era um convite de casamento (de 2008!!! Será que o casal ainda está junto???). Tudo isso pela bagatela de $590. Nops. R$ 60 eu só pago em livro novo mesmo. Fica para uma próxima.

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Talvez o vendedor só estivesse cansado dos turistas que vão lá, porque a Babilônia já virou quase um ponto turístico. De qualquer forma, vale a visita.

Moebius Libros – A minha favorita

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Certo dia, minha tia e eu pegamos o Bus Turístico de Montevidéu, que percorre toda a cidade e te dá uns fones de ouvido para acompanhar algumas explicações. Eu achei o preço da entrada meio salgado, mas valeu a pena, de certa forma. Minha recomendação: Venta muito, muito, muito em Montevidéu. Isso normalmente. Com aviso de ciclone, como nós tínhamos, e sentadas no andar de cima do Bus Turístico, eu quase morri congelada. Tipo assim:

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Nós o pegamos na Parada 9, em Pocitos, e tivemos que descer no Mercado del Puerto, a parada 0. Uma baita de uma estratégia de marketing, já que nem eu nem minha tia tínhamos a intenção de comer ou comprar e acabamos fazendo os dois. E depois de fazer tudo isso, lógico, perdemos o horário do ônibus, que passa de meia em meia hora. Decidimos subir a rua lateral ao Mercado del Puerto e tentar pegar o bus ali na Plaza Independenzia.

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A Péres Castellano é uma rua peatonal, ou seja, só de pedestres. Caminhando pela rua, logo nós vemos algo de diferente…

E foi nessa ruazinha que encontramos a Moebius.

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Nova modalidade: Agachamento Literário! Conseguem ver o livro sobre como plantar maconha ali na frente?

Charmosa, pequena, muito desorganizada e com surpresas e deleites para os olhos em cada prateleira, a Moebius não é uma livraria, é uma experiência. Eles vendem livros usados e novos e não tinham nenhum dos 5 títulos que eu perguntei sobre (como o vendedor sabia o que tinha e o que não tinha de cabeça, sem verificar nada, eu não sei, mas ele sabia).

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Eu fiquei uma boa meia hora por lá, só explorando e apreciando e acabei perdendo o segundo bus turístico. Ops. Valeu a pena, de qualquer forma. Acabou virando meu lugar favorito. Sem o charme da Más Puro Verso, nem a extravagância da Babilônia e as distrações da Yenny, consegui curtir bastante o lugar e me arrependo muito de não ter comprado a estátua do Mujica com o termo y el mate debaixo do braço e a cachorra sentada a seus pés – se é que ela estava a venda, não?

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A escultura é tão perfeitinha que a cachorra de Mujica, Manuela, também tem 3 patas.

Bônus, que não é Livraria  – Café Brasileiro

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Já que a gente já tinha perdido o ônibus mesmo, acabamos caminhando por toda a Ciudad Vieja (é melhor não fazer isso de noite, viu gente?). Passeamos pela Plaza Zabala e pelo Museu Romântico (um museu que guarda móveis e miudezas de pessoas ricas da antiga Montevidéu. Ele está situado em uma casa de 1810, que pertencia a um comerciante e tem muitas, muitas coisas bonitas e objetos que pertenceram a presidentes uruguaios e tudo mais. Ao mesmo tempo, ele é bem vazio e tem uma vibe esquisita. As únicas pessoas por lá eram eu e minha tia e as moças responsáveis por nos guiar agradeceram a visita dizendo que morreriam de tédio se nós não estivéssemos lá).

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Vai dizer que não tem uma vibe meio esquisita, gente?

Quando eu saí de lá, segui caminhando e, quando percebi, estava quase na esquina do Café Brasileiro. Mario Benedetti e Eduardo Galeano frequentavam o café com frequência e costumavam sentar nas janelas, para observar as pessoas. O café também foi frequentado por muitos outros intelectuais e artistas uruguaios e está lá desde 1877!!!

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Recentemente, terminei minha leitura de “A Trégua” e o número de vezes que Martín Santomé, o personagem principal, vai a cafés para tomar cortados (café com leite) e media lunas (como um croissant, que pode ser recheado com jámon y queso ou só manteiga #quero) é impressionante. Na verdade, ele e a mocinha, Laura Avellaneda, têm seu primeiro encontro fora do escritório, em alguns dos cafés de Montevidéu.  Martín também escreve muitos sobre como seria um bom garçom e reflete sobre as personalidades dos frequentadores. As cenas que li ganharam muito mais vida depois que conheci o Café Brasileiro, mas aquele final… Nunca vou perdoá-lo.

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A decoração tem fotos, artigos de jornal e miudezas que ajudam a relembrar e a traçar um pouco da história longeva do lugar. Há um café especial chamado Galeano, que vem com amaretto, chocolate e dulche de leche e foi uma das coisas mais deliciosas que tomei durante a viagem. Foi nomeado em homenagem ao Galeano, porque era assim que ele costumava tomar seu café desse jeitinho.

Peguei esse com uma fatia de torta de chocolate branco e blueberry e meu estômago estava no paraíso. Eu quase me esqueci de tirar foto porque já fui comendo direto.

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Um “Café Galeano”, do jeitinho que o escritor tomava e um cheesecake de chocolate branco com cobertura de frutas vermelhas

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Havia um homem sentado no lugar do Benedetti e, quando ele finalmente saiu, eu pude tirar uma fotinha de recuerdo. Agora, resta esperar que os mesmos deuses que inspiraram e abençoaram Benedetti, me abençoem também.

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❤ ❤ ❤

Beeijos, A Garota do Casaco Roxo

Visita à Fundação Mario Benedetti, em Montevidéu

2 mar

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No começo de fevereiro eu tive a oportunidade de visitar o Uruguai pela primeira vez. Minha família é uruguaia e eu cresci com todo um imaginário das ruas, pessoas e dialetos locais e agora, finalmente, consegui colorir e dar vida a todas as imagens mentais que criei durante minha vida. Tudo graças a um casal de amigos! ❤

A verdade é que muitas das ideias que eu tinha sobre o local foram derrubadas e outras foram assentadas. Entre mates, chivitos, choripans e biscochos, o mais impressionante foi caminhar pelas ruas e pelo bairros de Montevidéu como se eu conhecesse tudo muito bem, como a palma da minha mão e talvez até melhor que São Paulo. Eu sabia quais ônibus pegar, que rua descer e para que lado caminhar sem nem precisar olhar para os mapas.

Talvez, essa impressão tenha sido causada pela leitura de livros do escritor uruguaio Mario Benedetti (tem a influência da minha família também, mas vocês me entendem). “Primavera Num Espelho Partido”, “A Borra de Café” e, mais recentemente, “A Trégua” foram alguns livros que li do autor e que me deixaram com a permanente sensação de familiaridade, de já ter lido aquelas histórias e de, talvez, já ter caminhado por aquelas ruas sem nem ter ido para lá. Com “A Trégua”, que eu li em espanhol, a sensação foi mais intensa. A linguagem montevideana, os sotaques e as escolhas de palavras me passaram a sensação de estar escutando uma história lida pelo meu avô.

Eu não criei um roteiro específico para visitar Montevidéu, mas tinha comigo uma lista de lugares que queria conhecer. Um deles era a Fundação Mario Benedetti, que fica na Calle Joáquin de Salteráin, 1293, no bairro de Cordón, em uma região majoritariamente residencial (eu super achei que tinha me perdido no caminho, porque só encontrei casas, um mercadinho e uma borracharia).

Um show à parte, a sede da Fundação é uma casa de 1910, que foi reformada e restaurada recentemente para sediar o local. Antes disso, o acervo de Benedetti ficava em uma Associação de Escritores Uruguaios.

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Fui recebida no local por Hortensia, a secretária do local e a pessoa responsável por fazer os tours da casa. Ela me contou que a fundação era um projeto de vida de Benedetti, que só pode realizá-lo depois de morto. Ele acreditava que criar a fundação com seu nome, quando ainda estava vivo era ser um grande puxa-saco de si mesmo.

Em seu testamento, Benedetti deixou tudo planejado: as ações da fundação, os presidentes, vice-presidentes e até suplentes, caso os primeiros selecionados morressem e ele também escolheu o local da sede: O apartamento onde ele e Luz, sua esposa, passaram boa parte de suas vidas, depois do exílio na Espanha.

Por ser um prédio residencial, os vizinhos não gostaram da ideia de ter gente entrando e saindo para visitar o local. Então, como alternativa, os diretores da fundação apontados por Benedetti escolheram a casa e a compraram e reformaram com o dinheiro da venda dos apartamentos de Montevidéu e da Espanha, que Benedetti tinha comprado durante o exílio.

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Quando cheguei, não havia ninguém além de Hortensia na casa. Ela me contou que poucas pessoas, uruguaios inclusive, sabem da existência da Fundação, que além de preservar o trabalho de Benedetti, também organiza um concurso literário bienal e também trabalha para a preservação dos direitos humanos.

Todos os móveis usados no local, as cadeiras, mesas, lustres e até as xícaras e pratos eram de Benedetti e Luz. Em uma das salas há um armário lindo armário com todas as coisas de cozinha do casal. A foto que eu tirei de lá ficou ruim, por conta da luz, mas é possível ver um pedacinho dele aqui:

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Há uma réplica do escritório de Benedetti, feita à partir dos relatos dos amigos e colegas do escritor, que dá a impressão de que ele saiu para ir na panaderia comprar biscochos e logo estará de volta. É possível ver um caderno com suas anotações, sua boina e seus suspensórios pendurados ao lado da porta. 

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Ao fundo, há um jogo de xícaras e um bule de café, pronto para ser usado. Hortensia me contou que, certa vez, Luz disse a Benedetti que a única função dele na casa era fazer o café e, por isso, as xícaras ficavam sempre em seu escritório. Em uma das estantes, há uma coleção das edições estrangeiras de seus livros. O local fica fechado porque Hortensia me contou que era comum que as pessoas tocassem e até tentassem roubar algumas coisas.

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A biblioteca com o acervo de livros pessoal de Benedetti também está lá e Hortensia conta que, em breve, esses livros vão ser disponibilizados ao público. Um dos objetivos da Fundação é que o local de sua sede funcione como um espaço cultual que possa ser desfrutado pelo público e por estudantes, para a realização de oficinas e cursos.

A impressão que tive é que a fundação ainda está se organizando e seu trabalho não está totalmente finalizado ainda, da forma como Benedetti queria.

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Depois da visita à casa, Hortensia me deu um folheto, o “Guia Benedetti”, uma ideia genial que te ajuda a conhecer Montevidéu a pé. Como boa parte dos livros de Benedetti tem referências a lugares e ruas de Montevidéu, o Guia Benedetti seleciona esses trechos específicos e cria rotas que você pode seguir, junto com os trechos em que Benedetti os mencionou e a que livro pertencem. Maravilhoso!

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A única coisa chata é o horário de funcionamento. No site, somos informados de que a Fundação fica aberta até às 18 horas. Fui uma segunda vez para o local, desta vez acompanhada da minha tia e chegamos lá às 17h21. Mesmo assim, Hortensia informou que não poderia realizar o tour, por conta do horário. Uma pena. 😦

Além da fundação, eu visitei um monte de livrarias e até um café super especial e simbólico em Montevidéu, mas isso fica para outro post! Fique de olho!

Beeijos, A Garota do Casaco Roxo

(Mais) séries legais para ver no Netflix e fugir do Carnaval

20 fev

Meu humor no Carnaval varia muito de ano para ano. Em 2016, por exemplo, eu estava super animada e cheguei a ir em alguns ensaios de Escolas de Samba e até em um técnico, que aconteceu no Anhembi. Bloquinhos não são minha praia, já que eu detesto multidões.

Sinto que vou passar meu Carnaval de 2017 de uma forma bem NSLC (Netflix, Spotify, Livros e Cama), com a ocasional mirada na televisão, para ver os desfiles.

Se você é como eu, aqui vai uma listinha de séries para te ajudar a passar o tempo. O legal é que todas são curtinhas com, no máximo, duas temporadas. Eu também classifiquei elas de acordo com tom, para te ajudar a fazer uma escolha mais certeira. Vamos lá?

The People Vs. O.J. Simpson: American Crime Story – Para você que quer histórias reais, um pouco das Kardashians, crimes e julgamentos judiciais

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Faz quase duas semanas que terminei de ver “The People Vs. O.J. Simpson” e eu sigo pensando na história verídica retratada por ela…

Foi igual quando vi “Making a Murderer”, que eu gostei muito, mas que não resenhei para o blog. Ambas as séries me fizeram pensar muito e fizeram com que eu me colocasse no lugar das pessoas retratadas por elas. Será que eu faria igual aos jurados de ambos os casos? Será que a mídia pode ser culpabilizada? Será que O.J. Simpson matou essas pessoas?

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O.J. Simpson era um atleta renomado de futebol americano. Ele foi acusado do assassinato violento de Nicole Brown, sua ex-esposa, e de Ronald Goldman. Na época, a polícia de Los Angeles recebia acusações de violência policial contra negros e os casos de má-conduta policial aconteciam com frequência.

Um “dream team” de advogados foi contratado por O.J. para defendê-lo e, na promotoria, estavam Marcia Clark e Chris Darden. Boa parte dos episódios está centrada no caso judicial em si. Há muitas cenas no tribunal e reviravoltas acontecem durante o tempo inteiro. Uma hora um lado está na frente e, em outra, o panorama está completamente alterado. Eu ainda não era nascida na época do assassinato, mas imagino que deve ter sido um pesadelo real acompanhar todos os acontecimentos do julgamento.

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Os eventos dentro e fora do fórum são frenéticos e é impossível não ficar de queixo caído em cada episódio.

O material da série foi baseado no livro “The Run of His Life: The People v. O.J. Simpson”, de Jeffrey Toobin. Há um episódio inteiro dedicado ao sexismo sofrido pela promotora Marcia Clark, que, na época, também enfrentava um divórcio. Absolutamente tudo foi abordado, desde  a  exposição dela na mídia, os comentários machistas e até as alterações que ela teve que fazer na imagem pessoal, para ser mais bem aceita pelo público. Eu fiquei impressionada. Será que se um caso como esse acontecesse hoje em dia, as repercussões em cima da promotora responsável seriam iguais?

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No geral, a série me fez refletir muito sobre o poder da retórica e a força da opinião pública. A série mostra os fatos, ao mesmo tempo em que me parece ter um viés. Mas, de qualquer forma, fiquei impressionada com o resultado do julgamento.

Outro ponto interessante é o Rob Kardashian. Rob é o melhor amigo de O.J. e acaba se tornando um de seus advogados. A série dá um enfoque grande na relação dele com as filhas e com a ex-esposa, Kris Jenner. Talvez para dar um destaque atual ao seriado ou até para explicar de onde vem a fama das garotas, que disseram publicamente que o retrato delas na série é exagerado e sensacionalista. Rob Kardashian confessou ter dúvidas sobre a verdadeira inocência de O.J. Eu também.

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Eu não sei o que eu faria se fosse uma jurada do caso, mas, certamente, os acontecimentos posteriores da vida de O.J. Simpson me deixaram bastante chocada. Cuba Gooding Jr, que interpretou O.J., disse que teve dificuldades para sair do personagem. Ele também disse que fez dois takes de cada cena: em um, ele interpretava um culpado que dizia ser inocente, e no outro, ele fazia as vezes de um inocente querendo provar que era inocente. A escolha final de qual cena usar seria só do diretor. Todas essas informações estão disponíveis na página do IMDB da série.

Além das discussões que trouxe à tona e dos monólogos interiores que ela me fez ter, essa série é viciante e eu quero revê-la com minha mãe, que adora dramas jurídicos.

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Ryan Murphy é um dos produtores da série (sim, o mesmo de Glee e American Horror Story), que deve ter novas temporadas. Parece que o material vai seguir o formato de “American Horror Story”, com uma história diferente em cada temporada.

A próxima deverá abordar o Furacão Katrina e o Governo Americano, que foi culpabilizá-lo por falhas no socorro e na prevenção de todas as mortes.

Fleming: The Men Who Would Be Bond – Para você que quer espionagem, cenas calientes, ficção histórica, mais cenas caliente à la Mr. Grey e Segunda Guerra Mundial

Admito, o único motivo para eu ter começado essa série tem nome e sobrenome: Dominic Cooper. Sou apaixonada por ele desde “Mamma Mia” e acabei vendo a série só por ter ele como protagonista e que bom que fiz isso!

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A minissérie da BBC conta a história de Ian Fleming, o escritor que criou o personagem “James Bond”. Antes da Segunda Guerra Mundial, Fleming nada mais era que um bon-vivant, um filhinho de papai que fazia suas vontades e nada mais. Seu irmão, Peter Fleming, é um escritor brilhante, um herói de guerra e a estrela dos olhos da mãe.

Tudo muda quando, após um ultimato de sua mãe e das conexões dela, Fleming consegue um emprego no escritório da Marinha Real. Logo depois a Segunda Guerra Mundial estoura e Fleming tem que amadurecer, criar responsabilidade e se tornar um homem de verdade.

Através de suas idéias revolucionárias, da criação de uma unidade especial de luta e espionagem e de estratégicas novelísticas, Fleming passa a ganhar o respeito de seus colegas na Marinha.

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Os roteiristas da série intercalaram fatos verídicos com algumas das estripulias de James Bond, imaginadas por Ian Fleming. Seria impossível recriar todos os feitos reais da carreira dele já que, até hoje, boa parte dos documentos que a contam em detalhes é secreta.

A vida pessoal de Fleming também é bem movimentada e retratada na série. Ele tem uma namorada fixa, Muriel, que acaba tendo um destino trágico. Mas, seu verdadeiro amor é Ann O´Neill, esposa de um oficial do exército que está lutando na Alemanha. Enquanto o marido está longe, Ann também vive um affair bem público com outro homem, mas também está interessada em Fleming. Enfim, uma bagunça.

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Os cenários, vestidos e as cenas de ação são incríveis. A série é rica em detalhes e absolutamente linda de se ver. De repente, você é sugado para o século passado e a série termina te deixando com gosto de “quero mais”. As cenas calientes de Ian Fleming são realmente calientes. É melhor deixar para ver essa daqui sem a família junto.

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A série tem 4 episódios, sendo que o último é uma reflexão dos atores e produtores sobre a vida incrível de Ian Fleming. Esse episódio mostra os bastidores da produção e a dificuldade em reproduzir a Inglaterra durante a Segunda Guerra Mundial. O material também inclui uma entrevista com o biógrafo oficial de Ian Fleming, que ajuda retrata o escritor com mais vivacidade. Um deleite para nerds de história, como eu. Toda série baseada em uma pessoa real ou que conta uma história verídica deveria ter algo assim.

Eu nunca li nada do Ian Fleming, nem vi filmes da série do James Bond, mas fiquei totalmente encantada com o personagem retratado e agora super quero me aventurar por histórias de espionagem.

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Crazyhead – Para você que quer uma série girl-power, engraçada e curtinha

Crazyhead tem uma vibe meio “Buffy” e “Charmed” que me encantou.

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Amy é uma menina que trabalha em um boliche e que passa por um tratamento médico, depois de certos acidentes. Ela acreditava que conseguia ver demônios, que habitavam o corpo de outras pessoas para fazer o mal e passou a tomar medicamentos para suprimir suas “ilusões”, tudo sob recomendação médica.

Raquel é doida e mora com o irmão. Ela é despachada e hilária e, certo dia, ela passa por perto do boliche onde Amy trabalha e vê a garota sendo atacada por um demônio. A vida de Raquel é matar os malditos demônios – menos no horário do Pilates – e ela fica surpresa ao descobrir que Amy também tem a capacidade de ver os danados.

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As duas engatam uma amizade e passam a caçar demônios em conjunto. Trabalhando para esconder tudo do irmão de Raquel, Tyler, e de cuidar de Suzanne, a melhor amiga de Amy, que sofre de problemas sérios.

São 6 episódios de um humor leve e bobo. Alguns sustinhos são bons e você não daria nada pela série só por ver os primeiros episódios. Conforme a narrativa avança, Raquel e Amy acabam presas em uma confusão bem doida, com demônios por toda parte e com segredos sendo revelados em ambas as partes. É divertido sem ser pretencioso demais.

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Eu não teria visto Crazyhead se não tivesse descoberto que o papel de Raquel era interpretado por Susan Wokona. Conheci a atriz em “Chewing Gun” – que eu amei- e já achei ela engraçada no papel de Cinthia. Agora, mais ainda.

Santa Clarita Diet – Para você que quer humor leve e bobo e algo que possa ser visto em família

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Terminei de ver “Santa Clarita Diet” ontem de noite e, confesso, ainda estou bem brava porque a primeira temporada termina em um MALDITO CLIFFHANGER!!!

Deus sabe o quanto eu detesto séries que chegam em um clímax e terminam em um beco sem saída, te deixando sem resposta alguma e sentado feito um trouxa, esperando a próxima temporada. Acho que é um trauma causado por Lost.

“Santa Clarita Diet” conta a história de uma família normal, tradicional e até meio entediante. Os pais, Sheila e Joel, são casados desde o ensino médio e trabalham como corretores de imóveis. A filha, Abby, é uma típica adolescente de 16 anos.

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Durante uma visitação em uma casa que está a venda, Sheila vomita muito. Tipo, muito mesmo. Estilo exorcista, sabe? Joel acredita que a esposa está morta, mas Sheila parece estar bem normal, mesmo depois de todo o líquido perdido e de uma misteriosa bola vermelha que saí de dentro dela.

No outro dia, Sheila se sente mais impulsiva e determinada. Ela age para satisfazer suas vontades e… só consegue comer carne. Preferencialmente, carne de humanos bem fresquinha, tirada pela própria mulher.

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A família, então, passa a buscar uma cura para o novo estado de morta-viva da esposa, ao mesmo tempo em que tem que matar pessoas e disfarçar tudo isso dos dois vizinhos, que são policiais. Uma loucura e totalmente fora da vida entediante e normal que eles tinham antes.

Ao todo são 10 episódios de meia hora, que te envolvem e te deixam querendo mais. Algumas partes são bem nojentas e hilárias e a Drew Barrymore fez a personagem ficar bem engraçadinha, mas o ator que interpreta o marido, Timothy Oliphant, foi o meu favorito. Fica claro que ele ama a esposa e que vai fazer qualquer coisa para deixá-la feliz.

Acho bom a Netflix liberar logo a segunda temporada…

Bônus!

Eu sou a pior pessoa para ver séries quando elas estão no hype e, geralmente, deixo para ver tudo beeem depois, quando a poeira já começou a baixar. Com essas duas séries, eu me encantei, apaixonei e… Já quero as novas temporadas!

Unbreakable Kimmy Schmidt – Para você que quer rir, se encantar, cantar e voltar a acreditar em seus sonhos

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Unbreakable Kimmy Schmidt é maravilhosa, gente! Honestamente não sei porque demorei tanto para ver essa série!

Com duas temporadas (e com a terceira já confirmada para ser liberada em 19 de maio), a série segue a história de Kimmy Schmidt, que foi sequestrada na adolescência por um maluco religioso, que acreditava no dia do Juízo Final. Kimmy  passou quase 15 anos em um bunker, com outras 4 mulheres, até ser resgatada. Longe de ser um drama ou uma história triste, Kimmy é inquebrável (há, entendeu?) e agora vai ter a chance de realizar seus sonhos e viver a vida que sempre quis.

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Cause females are strong as hell, no?

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A série é muito engraçada e cada personagem que entra na história acaba tendo um desenvolvimento muito interessante. Tem Titus Andromedon, um ator que nunca conseguiu se dar bem na carreira e que é o colega de quarto de Kimmy. Negro e gay, Titus tem um talento maravilhoso para cantar. Peeeno Noir, bitches!! Lilian é a dona do apartamento onde vivem Titus e Kimmy e é um doce, meio raivosa, mas gentil. Ela morre de medo da gentrificação que está acontecendo em seu bairro (eu também!) e faz coisas bem doidas. Jacqueline é uma mulher rica, que acaba contratando Kimmy como sua assistente e babá e até Andrea, a terapeuta de Kimmy.

O mais legal é que Kimmy é a que sofreu mais, mas ela segue inspirando todo mundo a buscar uma versão de melhor de si mesmos. Super recomendo, não consegui parar de ver nem quando estava no Uruguai!

Stranger Things – Para você que quer mistério, sustos, um pouco de inocência infantil e uma vibe à la “E.T”

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Todo o hype gerado em torno de “Stranger Things” me fez ter um pouco de preguiça da série. Na verdade, ela foi tão falada na internet que eu já sabia – aqui e acolá- de algumas coisas que iam acontecer na história. Em uma premiação (acho que foram os Emmys) o cast infantil da série tirou uma foto super fofa, sentados numa mesa parecendo entediados. Achei uma graça e, só por isso, decidi ver a série.

“Stranger Things” se passa em uma cidade pequena, onde todo mundo conhece todo mundo e onde nada parece acontecer. Até que um dia, o garoto Will Byers desaparece misteriosamente. Seus melhores amigos, Mike, Dustin ❤ e Lucas, partem, então em busca dele garoto, através das florestas e bosques da cidade.

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Mas, o que eles encontram, na verdade, é uma garota estranha, de cabelo raspado e com um passado misterioso, que se chama Eleven e é viciada em waffles. A menina acaba ficando amiga dos garotos.  O Sheriff Jim Hopper e a mãe de Will, Joyce, também são um ponto alto da história e eu adorei a química entre os dois.

Você, provavelmente, já sabe um pouco do enredo, que é bem detalhado. Qualquer coisa que eu diga a mais pode ser um baita spoiler. Então você vai ter que confiar na minha palavra, ao dizer que a narrativa é envolvente e empolgante, com reviravoltas emocionantes e de te deixar de cabelo em pé.

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A série é cheia de surpresas e de personagens fora do padrão, como Nancy, a irmã de Mike, que acaba virando bem badass. Tem também a Barb, amiga de Nancy, que eu adorei, mesmo sem muitos motivos. Até mesmo Steve, o peguete de Nancy e típico galã de ensino médio, tem seus méritos, apesar de ser meio babaca no começo.

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Eu adorei que conseguimos respostas parciais no final, nem tudo foi revelado, mas soluções foram encontradas para os problemas propostos. Não me senti traída e estou louca pela segunda temporada.

O seriado tem inúmeras referências a livros do Stephen King e agora estou doida para ler um. Só que vai ter que ser uma coisa que não dê muito medo porque, olha, Deus sabe que eu detesto perder meu sono.

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Espero que essa lista tenha te ajudado a escolher algo legal para ver e passar o Carnaval. Tem alguma sugestão legal para mim, já que eu já vi tudo isso?

Beeijos, A Garota do Casaco Roxo

11 livros da minha estante para ler em 2017

15 fev

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Wow, faz tempo que eu não posto aqui, não?

A verdade é que a vida dá suas voltas, seus tropeços e seus pulos e, a primeira coisa a ser cortada quando isso acontece, são os hobbies e as distrações que levam tempo. Eu amo escrever para o blog e me solto muito – tanto na escrita quanto nos sentimentos – quando estou por aqui. Pode ser que demore, pode ser que leve alguns dias. Pode ser que eu não tenha mais aquela periodicidade. Mas, tenha certeza, de tempos em tempos volte aqui para ver as atualizações.

Dito isso, em dezembro Mandariela estava dando um rolê no shopping, em busca de presentes de Natal de última hora. Inocentemente, a menina entrou em uma Livraria Nobel, viu que eles tinham livros bem legais por R$ 12 cada e… Acabou saindo de lá com 4 deles.

Parece normal, não? Mas, infelizmente e para o desespero da minha mãe, esse tem sido um padrão de comportamento normal meu. Não tem uma vez que eu não vá comprar livros que eu compre só 1. Isso gera vários problemas, dentre eles:

  1. Uma lista de livros para ler interminável;
  2. Uma falta de espaço na estante crônica e irremediável;
  3. Mandariela não se lembrando das razões pelas quais comprou determinado livro. Mandariela convencendo a si mesma de que jamais leria determinado livro. Mandariela se convencendo de que está louca. 
  4. Mandariela doando o referido livro para a biblioteca, sem nunca ter lido ele;
  5. Os gastos, minha nossa senhora, os gastos!!!!

Então, aproveitando o clima de ano novo, vida nova, decidi fazer uma resolução e tentar levá-la a sério o máximo possível. Só vou poder comprar livros novos em 2017 depois que conseguir atingir 30 livros lidos (isso é metade da minha meta de leitura anual). Tecnicamente, eu já falhei nisso porque fui para o Uruguai e não resisti em comprar um livrinho do Benedetti em espanhol. Mas olha a vitória: Foi um só mesmo.

Eu já estou sofrendo porque toda vez que vejo listas de lançamentos das editoras, meu coração dá pulinhos.

Para ajudar meu pobre coração consumista – de livros e nada mais – organizei a lista abaixo com os livros que, definitivamente, quero ler em 2017.

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  1. Damas de Honra, da Jane Costello

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Acredite ou não “Damas de Honra” figura desde 2013 na minha lista de “livros para ler”. A verdade é que eu tinha muita preguiça de pagar R$ 42 em um único livro (Esqueci de esclarecer que sou consumista, mas também pão-dura. Pago isso em vários livros, não em um único).

Na Bienal do ano passado, o estande da Editora Record tinha algumas promoções bem interessantes, entre elas: “Damas de Honra” por apenas R$ 20. Finalmente!!! Ele é meu, muito meeu!

Eu adoro chick-lits fofinhos e bobos e esse é um deles. Um livro sem pretensões só para distrair a cabeça é exatamente aquilo que precisamos de vez em quando.

Quando Evie Hart aceita ser dama de honra de sua melhor amiga, ela percebe que isso é o mais perto que conseguirá chegar do altar. Até hoje, aos 27 anos, Evie nunca viveu um grande amor. E, por ironia do destino, todos a seu redor, inclusive sua própria mãe, estão com os dias de solteiro contados. Ela treme só de pensar nos inúmeros casamentos que tem pela frente! Mas sua fobia de relacionamentos pode ter cura. Um convidado especial, que está sempre presente nas cerimônias, é capaz de fazer com que ela queira ser um pouco mais do que dama de honra.

2. A Livraria dos Finais Felizes, Katarina Bivald

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Esse eu também comprei na Bienal do ano passado e acho que paguei caro nele. A verdade é que eu estava cansada, frustrada e realmente queria sair do Anhembi com a sensação de que tinha satisfeito todas as minhas vontades, então, o comprei.

Esse daqui me chamou atenção pela capa super fofa e também pela sinopse. Ele também me ajuda a cumprir um dos itens do meu desafio de leitura do PopSugar: Katarina Bivald, a autora, é Sueca e acho que nunca li nenhum livro de um autor de lá. Tenho grandes expectativas e espero não me decepcionar *dedos cruzados*.

Sara tem 28 anos e nunca saiu da Suécia — a não ser através dos (vários) livros que lê. Quando sua amiga Amy, uma senhora com quem troca livros pelo correio há anos, a convida para visitá-la na cidade de Broken Wheel, Iowa, Sara decide se aventurar. Mas ao chegar lá, descobre que Amy faleceu. Sara se vê desacompanhada na casa da amiga, em uma cidade muito pequena, e começa a pensar que talvez esse não seja o tipo de férias que havia planejado.Com o tempo, Sara descobre que não está sozinha. Nessa cidade isolada e antiga, estão todas as pessoas que ela conheceu através das cartas da amiga: o pobre George, a destemida Grace, a certinha Caroline e Tom, o amado sobrinho de Amy. Logo Sara percebe que Broken Wheel precisa desesperadamente de alguma aventura, um pouquinho de autoajuda e talvez uma pitada de romance. Resumindo: a cidade precisa de uma livraria.

3. Os Sapatinhos Vermelhos, Joanne Harris

Daniel Pereira

O livro “Chocolate” foi uma das minhas leituras mais sinestésicas e marcantes. O material deu origem ao filme homônimo estrelado por Juliette Binoche e Judy Dench (não vou escrever o nome dele aqui, sorry).

A autora do livro, Joanne Harris, é hilária no twitter e através dos tweets dela descobri que “Chocolate” tem várias continuações. Na verdade, ele deu início a uma trilogia. “Sapatinhos Vermelhos” ou “Lollipop Shoes”, no original em inglês, foi publicado aqui no Brasil faz um tempão, pela Rocco. Depois, eles são seguidos por “Peaches for Monsieur Le Curé”, que apareceu em minhas pesquisas com o nome “O Aroma das Especiarias”, no que parece ser uma edição de Portugal.

Encontrei “Sapatinhos Vermelhos” sem querer, em uma busca despretensiosa pelo Estante Virtual. Acredito que seja impossível encontrá-lo em outro lugar que não sejam os sebos, mas o site da Amazon mostra ele a venda. Mal posso esperar para ler as aventuras de Anouk e Vianne, desta vez em Paris.

Autora com mais de quatro milhões de livros vendidos só na Inglaterra, Joanne Harris traz oito anos após ter encantado o mundo com Chocolat, adaptado para Hollywood, com Juliette Binoche e Johnny Depp nos papéis principais a continuação da saga de Vianne Rocher e sua filha Anouk em Os sapatinhos vermelhos. Acompanhadas agora da pequenina Rosette, filha de Vianne com o cigano Roux, elas têm que se adaptar a uma vida mais convencional para se proteger daqueles que temem seus poderes mágicos.No romance, a escritora levanta a questão de se vale a pena desistir de uma vida exuberante e cheia de paixão pela tranqüilidade financeira. Com novas surpresas a cada capítulo, Os sapatinhos vermelhos traz um olhar delicado sobre os conflitos e as dúvidas de Vianne e Anouk, que, ao lado de conjurações e feitiços, aprendem a lidar com as mudanças e crises provocadas pelas novas fases de suas vidas: a maturidade para a mãe e a adolescência da filha. Uma continuação ansiada e que promete cativar mais uma vez os leitores.

4) Onde Deixarei meu Coração, Sara Manning

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Mais uma compra impulsiva, dentre os livros que estavam em promoção no estande da Record, na Bienal.

Mas fala sério! A capa tem uma foto maravilhosa da Torre Eiffel e o título é suficientemente meloso para que eu decida ler ele quando estiver precisando chorar – ou brigar com alguém – para me acalmar.

O livro é mais voltado para o Young Adult que para o Chick-it e a hitória está situada em Paris. No final, descobri em uma folheada que há uma lista de filmes, livros e músicas que são um “Glossário para Les Coisas Francesas Iradas”. Parece interessante.

Bea acredita que é a mais entediante adolescente do mundo. Aos 17 anos, não é popular, engraçada ou bonita. A única coisa interessante em sua vida é o pai, que a abandonou mesmo antes de ela nascer e agora vive em Paris. Bea recebe um convite para passar as férias em Málaga e com um bônus: pode se afastar da mãe irritante e controladora. Porém, depois de apenas 48 horas na Espanha, ela se flagra mudando o itinerário. Ansiando pela vida parisiense a cada momento de sua apagada existência, ela acaba na cidade luz, à procura do pai que nunca conheceu. No caminho, conhece Toph, um estudante americano mochilando pela Europa e, em vez de achar o pai pelos cafés e boulevards de Paris, ela acaba perdendo um pouco a cabeça. Mas pode encontrar muito mais do que desejava. Pode encontrar a si própria.

5) Fangirl, Rainbow Rowell

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Li “Eleanor e Park” e gostei muito. Quando vi “Fangirl” em promoção, acabei comprando.

A verdade é que além desses, aqui em casa também tem “Ligações” e “Anexos”, da mesma autora, só esperando para serem lidos. Acabei selecionando “Fangirl” porque adoro pesquisar quotes de livros no Pinterest (I know, I know) e, os que eu sempre achava mais bonitinhos ou que tinham uma arte mais bonita, eram todos os de “Fangirl”.

Cath é fã da série de livros Simon Snow. Ok. Todo mundo é fã de Simon Snow, mas Cath, ser fã é sua vida – e ela é realmente boa nisso. Vive lendo e relendo a série; está sempre antenafa aos fóruns; escreve uma fanfic de sucesso; e até se veste igual aos personagens na estréia de cada filme. Diferente de sua irmã gêmea, Wren, que ao crescer deixou o fandom de lado, Cath simplesmente não consegue se desapegar. Ela não quer isso. Em sua fanfiction, um verdadeiro refúgio, Cath sempre sabe exatamente o que dizer, e pode escrever um romance muito mais intenso do que qualquer coisa que já experimentou na vida real. Mas agora que as duas estão indo para a faculdade, e Wren diz que não a quer como companheira de quarto, Cath se vê sozinha e completamente fora de sua zona de conforto.

Uma nova realidade pode parecer assustadora para a garota demasiadamente tímida. Mas ela terá de decidir se finalmente está preparada para abrir seu coração para novas pessoas e novas experiências. Será que Cath está pronta para começar a viver sua própria vida? Escrever suas próprias histórias?

6) O Demônio na Cidade Branca, Erik Larson

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Eu adoro livros de não-ficção e a forma como eles te absorvem. De uma hora para outra, você sai de sua bolha e acaba lendo sobre a produção de álcool caseiro durante a Era da Proibição, sobre a história de brasileiros na maravilhosa Cidade Luz ou até sobre como a cidade de São Paulo cresceu e se expandiu.

É um verdadeiro banquete para mim, apesar de dificilmente escrever sobre eles, são o tipo de livro que eu sempre tenho por perto. “O Demônio na Cidade Branca: Assassinato, Magia e Loucura na Feira que Transformou os Estados Unidos” sempre aparecia nas minhas recomendações do GoodReads e eu nem sabia que ele tinha uma edição em português.

Na verdade, ele tem duas. Em 2005, a Editora Record publicou ele por aqui. Acho que deve ter encalhado porque minha edição é dessas de 2005, mas o livro está novo em folha e eu comprei ele em uma livraria, por R$ 12 (Pão dura sim, gente). No ano passado, a Intrínseca reimprimiu o livro, que saiu em uma nova edição.

No final do século XIX os Estados Unidos eram uma nação jovem e orgulhosa, ávida por afirmar seu lugar entre as maiores potências mundiais. Nesse contexto, a Feira de Chicago de 1893 teve papel fundamental: com o objetivo de apresentar a maior e mais impressionante exposição de inovações científicas e tecnológicas já idealizada, coube ao arquiteto Daniel Burnham, famoso por projetar alguns dos edifícios mais conhecidos do mundo, a difícil tarefa de transformar uma área desolada em um lugar de magnífica beleza: a Cidade Branca. Reunindo as mais importantes mentes da época, Burnham enfrentou o mau clima, tragédias e o tempo escasso para construir a enorme estrutura da feira. A poucas quadras dali, outro homem igualmente determinado, H. H. Holmes, estava às voltas com mais uma obra grandiosa, um prédio estranho e complexo. Nomeado Hotel da Feira Mundial, o lugar era na verdade um palácio de tortura, para o qual Holmes atraiu dezenas, talvez centenas de pessoas. Autor de crimes inimagináveis, ele ficou conhecido como possivelmente o primeiro serial killer da história americana. Separados, os feitos de Burnham e Holmes são fascinantes por si só. Examinadas juntas, porém, suas histórias se tornam ainda mais impressionantes e oferecem uma poderosa metáfora das forças opostas que fizeram do século XX ao mesmo tempo um período de avanços monumentais e de crueldades imensuráveis. Combinando uma pesquisa meticulosa com a narrativa envolvente que lhe é característica, Erik Larson escreveu um suspense arrebatador, que se torna ainda mais assustador por retratar acontecimentos reais.

7) Vidas Provisórias, Edney Silvestre

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Adoro o Edney Silvestre na apresentação do “GloboNews Literatura”, mas só agora descobri que ele tem um trabalho bem prolífico na literatura. Sinto que, no momento, estou lendo poucos autores brasileiros e poucos que abordem nossa história recente, de uma maneira geral.

Expatriados, separados no tempo e na geografia, Paulo e Barbara compartilham, além da experiência do exílio, o estranhamento pela perda de suas identidades, o isolamento e a sensação de interrupção do curso normal de suas vidas. Diferentes motivos os levam ao estrangeiro. Em 1970, Paulo, perseguido pela ditadura militar, é preso, torturado e abandonado sem documentação na fronteira, de onde segue para o Chile e depois para a Suécia. Barbara, com uma identidade falsa, deixa o país para trás em 1991 — durante o governo Collor —, fugindo de um rastro de violência, e se instala nos Estados Unidos como imigrante ilegal. Em seu terceiro romance, Edney Silvestre cria um vigoroso retrato das transformações que ocorreram no país e no mundo nos últimos quarenta anos, com uma trama que viaja pelo Chile, Suécia, Estados Unidos, França e Iraque. O autor se vale, com sensibilidade, de sua experiência de onze anos como correspondente baseado em Nova York para revelar o universo dos imigrantes e, ao mesmo tempo, recriar de forma contundente um Brasil visto a distância.

8) Tia Júlia e o Escrevinhador, de Mario Vargas Llosa e O Aleph, de Jorge Luis Borges

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Mais duas tentativas de incluir um pouco mais de diversidade e de clássicos da literatura no meu menu literário.

Eu já conheço o trabalho do Mario Vargas Llosa e, além de “Tia Júlia e o Escrevinhador”, tenho aqui em casa ainda sem ler o “A Festa do Bode”, que me indicaram várias vezes.

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“O Aleph” é uma coletânea de contos de Jorge Luis Borges. Esse é meu primeiro contato com o autor e eu achei uma boa forma de começar a conhecer o trabalho dele. Até já comecei a ler e estou achando bem interessante, ao mesmo tempo em que acredito que preciso de um pouco mais de repertório para entendê-lo melhor.

Como os dois são clássicos, você não vai ler resenhas deles por aqui (na verdade, não vou nem colocar a sinopse deles). Mas, pode ser que eles apareçam em uma lista ou algo do tipo. Fique de olho!

9) O Livro Delas, Nove Romances

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Mais escritores brasileiros, yay! “O Livro Delas” reúne 9 histórias diferentes, cada uma escrita por autoras contemporâneas que eu amo muito como Fernanda França, Leila Rego, Fernanda Belém e Tammy Luciano.

Além das meninas, cuja trajetória eu acompanho faz um tempão, participam também Bianca Carvalho, Carolina Estrella, Chris Melo, Graciela Mayrink e Lu Piras. O material foi organizado pela jornalista Renata Frade.

Os contos são super diferentes e estão em gêneros distintos. A edição tá bem bonita e a única coisa que eu não curti muito foi o texto de orelha, escrito pelo Maurício Gomyde (que eu adoro). Um livro tão girlpower não precisa ter a validação ou o comentário de um homem. Nem mesmo na orelha.

Nove talentos da literatura nacional, que conquistaram os corações e mentes de leitores, em um livro de contos inesquecível. Organizado por Renata Frade, responsável pelo projeto LitGirlsBr, que visa a aproximar escritoras e leitoras e fomentar o debate sobre literatura nacional, “O livro delas” reúne histórias de Bianca Carvalho, Carolina Estrella, Chris Melo, Fernanda Belém, Fernanda França, Graciela Mayrink, Leila Rego, Lu Piras e Tammy Luciano, e apresenta o que há de mais representativo no estilo de cada escritora. Do sobrenatural ao chick-lit, passando por romance, aventura, drama e denúncia social, a coletânea agrada desde os leitores jovens adultos aos mais velhos. Em comum, o talento das nove autoras para contar belas histórias. O texto de orelha é assinado pelo escritor Maurício Gomyde.

10) The Brief Wondrous Life of Oscar Wao, Junot Díaz

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Esse livro foi super comentado no ano em que foi lançado e, além disso, ganhou o Prêmio Pulitzer. Junot nasceu na República Dominicana e estou bem interessada em conhecer melhor seu trabalho. 

Ando lendo muitos thrillers em inglês e acho que preciso pular um pouco para uma leitura mais desafiadora, de um autor contemporâneo. Minha tentativa é fugir um pouco da leitura dos clássicos em inglês e tentar conhecer mais a nova geração de escritores gringos.

Oscar is a sweet but disastrously overweight ghetto nerd, a New jersey romantic who dreams of becoming the Dominican J.R.R Tolkien, and, most of all, finding love. But Oscar may never get what he wants. Blame the fukú – a curse that has haunted Oscar´s family for generations, following them on their epic journey from the Dominican Republic to the United States and back again.

E… é isso. O que acharam da seleção? Alguém recomenda um livro que seja similar aos da lista? O único problema é que só vou poder comprá-lo depois que cumprir minha resolução! haha

Beeijos, A Garota do Casaco Roxo

 

Duas séries legais (e uma para passar longe) do Netflix

23 nov

Eu podia começar esse post pedindo desculpas, as usual. Mas, eu entreguei meu TCC e sou um elfo livre (até a banca oficial de aprovação), eu não preciso de desculpas, eu tenho um diploma (que não serve para muita coisa, mas é um diploma, non?). 

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Dito isso, eu tive poucos dias para realmente descansar e ler. O feriado foi gasto todo nos toques finais do relatório e agora estou com a cabeça tão cansada que nem vontade de ler sinto. Eu aguento fadiga e cansaço físico, mas não aguento cansaço mental. Não consigo ler nadica de nada e até para fazer a lição de casa do francês estou enrolando. 

E é em momentos como esse que eu recorro ao nosso querido e amado Netflix! Como disse antes, o cansaço mental me impede de realizar raciocínios simples como “2+2=4” e os documentários que costumo ver estavam fora de questão (até porque, produzimos um documentário de tcc e eu estou meio que enjoada da palavra “documentário”). Por isso, recorri a aquelas séries curtinhas, de 20 minutos e 12 episódios para poder relaxar.

Chewing Gum

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Tracey é uma menina que trabalha como caixa de uma loja de conveniência e mora num conjunto habitacional chamado Hamlet Towers. Ela tem um namorado de cinco anos chamado Ronald – que ela nunca nem sequer beijou – e uma mãe e uma irmã que são ultrareligiosas e que acham que tudo é pecado. 

Tudo o que Tracey quer é perder sua virgindade e vai conseguir isso com a ajuda de sua amiga Candice, da avó e do namorado dela e de seus vizinhos de Hamlet Tower. Será que Tracey consegue realizar seu sonho ou vai sempre viver carregada de culpa?

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Cinthia, sua irmã, e Joy, sua mãe, não gostam nada quando um garoto, morador do prédio que se considera um “poeta”, passa a se aproximar de Tracey.

Chewing Gum só tem 6 episódios e isso foi mais do que o suficiente para que eu ficasse encantada com a Tracey e com sua obsessão pela Beyonce! Já quero ser amiga dela na vida real! Eu super estou doida para ver a segunda temporada!

Os episódios são engraçados e a sensação é que Hamlet Towers poderia ser facilmente meu prédio ou até a rua onde cresci. Os personagens são diversificados e bem construídos e é impossível não morrer de rir quando você vê as situações em que Tracey se enfia.
Em alguns momentos, as imagens são um pouco explícitas e eu acho que, se forçassem mais um pouquinho, o seriado poderia cair facilmente na vulgaridade total. Não é o tipo de programa que dá para assistir em família ou com sua mãe por perto, etc. 

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Michaela Coel, a atriz que interpreta Tracey, cresceu em um conjunto habitacional chamado Hamlet Towers e também tinha uma mãe e uma irmã ultrareligiosas. Ela se formou em Inglês, em uma Universidade e escreveu a peça de teatro “Chewing Gum Dreams”, que deu origem à série original do Netflix. Acho que dá para dizer que a série foi, em partes, baseada na vida de Michaela, já que ela também assina o roteiro. Não é massa?

Au Service de la France

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Meu último post do blog foi uma dica para aqueles que estavam estudando francês e “Au Service de la France” também é uma! A série foi produzida em 2015 pelo canal francês Arte!, os episódios têm, no máximo, 25 minutinhos, e eles falam devagarzinho. É ótimo para quem quer afiar o ouvido.

“Au Service de la France” é uma série ambientada em Paris, nos anos 60. Ela segue a história do jovem André Merlaux, très beau (gato mesmo, no bom e velho português) e inteligente. Merlaux é selecionado para trabalhar no serviço secreto francês, mas antes de se tornar oficialmente um espião, ele deve passar por uma série de treinamentos e missões de reconhecimento.

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Com a ajuda dos agentes e típicos funcionários públicos Moïse, Jacquard, Calot e Moulinier, ele vai participar de uma série de mini missões e desafios, até se tornar um oficial do serviço francês.

Merlaux ainda vai passar por problemas amorosos com a jovem Sophie, problemas tensos com o chefão de todos, Le Colonel, e até problemas peculiares com a agente independente e forte Clayborne.

A princípio, não levei muito a sério “Au Service de la France” porque achei que tinha piadas canastronas, bem ao estilo de Zorra Total, em excesso. Com o tempo, fui entendendo que eles tinham uma pegada de humor mais britânico e a série foi evoluindo de uma forma que me deixou envolvida e me fez entender algumas das escolhas dos escritores.

O passado de Merlaux e dos outros personagens é revelado aos poucos e você passa a levar a sério o seriado. O último episódio é cheio de tensão (até porque você já está extra envolvida na narrativa, etc) e termina com uma reviravolta de deixar você chocado e recarregando o Netflix para ver se tem uma nova temporada disponível. 

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Pelo que eu entendi dos sites que li em francês (pardon les erreurs), uma segunda temporada está prevista para 2017. Eu, honestamente, duvido que consiga ficar tanto tempo longe do rostinho bonitinho de Hugo Becker, que faz o André Merlaux (en vraie, ele nem é tão bonito, mas conforme a série foi passando, tinha horas que eu achava ele lindo, horas que não, horas que lindo, horas não e aí eu acabei apaixonada por ele. É um caso a ser analisado com atenção pela Galãs Feios). 

Passe longe de Haters Back Off

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Eu juro, juro, juro que tento não ter birra com Youtubers, no geral, mas não tá dando. Tem um ou dois que eu até gosto, mas mais do que isso eu já torço o nariz. Eu nem sabia que Haters Back Off era um trabalho saído do Youtube, mas fui pesquisar o porquê do flop e essa foi uma das razões apontadas.

Em “Haters Back Off” acompanhamos a jornada de Miranda, uma garota em idade escolar que não tem talento algum, mas que quer ser famosa a todo e qualquer custo. Com o apoio de seu Tio Jim, Miranda coloca no Youtube um vídeo em que ela canta “Defying Gravity” – uma música que eu já não curto, ainda mais cantada fora de tom – e acaba torcendo para que o vídeo viralize. O “sucesso” chega quando um garoto que gosta dela passa a atualizar os vídeos várias vezes, para conseguir mais e mais visualizações. Isso sobe a cabeça de Miranda, que passa a acreditar que todas as críticas a ela são de “haters”.

Tinha potencial. Juro que tinha. Mas não consegui passar do quarto episódio. 

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Miranda acaba parecendo uma personagem extremamente egoísta e mimada, não tem nada nela que faça com que você simpatize e torça por seu sucesso. A garota está em idade escolar, mas a atriz que a interpreta, Colleen Ballinger, parece mais velha até do que a mãe da personagem, mesmo com as tentativas de usar roupas infantis. Além disso, ela tem uma voz tão nasalada que chega a ser desagradável de ouvir. O ator que interpreta o Tio Jim é muito forçado e faz tudo com exagero, talvez ele seria uma boa adição ao elenco da Escolinha do Professor Raimundo. Por fim, a mãe de Miranda inventa doenças fictícias e é capaz de desistir de tudo, só para manter Miranda feliz. O único mérito do seriado é a personagem Emily, irmã de Miranda, que é a única personagem normal da família. Talvez, se o seriado tivesse ela como destaque, ele não fosse tão ruim.

Li que o seriado foi uma criação de Collen Ballinger e que Miranda é uma personagem criada por ela para o Youtube. Não cheguei a ver os vídeos dela no canal, mas li reviews que diziam que “A Miranda é tolerável por 5 minutos, no Youtube mesmo, mais do que isso ela passa a ser irritante” e comentários como “esse seriado é horrível, vou até parar de seguir o canal dela do youtube”. As reviews positivas indicam que, lá para o final da temporada há uma mudança positiva e que, quem não gostou do seriado, não entendeu nada do personagem. Olha, honestamente, eu não vou ver mais e acho que nem quero entender esse personagem. 

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Parece que essa foi uma mudança de plataforma que não funcionou direito. Se é para apontar um mérito é que dá super para perceber que a Collen Ballinger tem um baita treinamento vocal e que, mesmo desafinando, dá para ver que ela só faz isso pelo personagem. 

Não recomendo Haters Back Off, mas Chewing Gum e Au Service de la France são meus dois novos amorzinhos. Estamos aí para conversar com qualquer um que esteja obcecado pela barba de Hugo Becker ou pela admiração de Tracey por Jay-Z e Beyonce.

Beeijos, A Garota do Casaco Roxo

Le Petit Nicolas – Sempé-Goscinny

26 out

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Nome: Le Petit Nicolas

Autores: Jean-Jacques Sempé e René Goscinny

Editora: Denöel

Páginas: 160

Idioma: Francês

Não, querido leitor, eu não sumi da face da Terra e parei de postar no blog sem nenhum aviso. A verdade é que chegou aquela época de maldade do semestre, onde a quantidade de coisas para fazer relacionadas a faculdade aumenta e onde o volume de trabalho dobra. Não tem erro, é sempre assim. Desculpa aê!

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Dito isso, também aviso que o post de hoje, apesar de parecer, não é uma resenha daquelas de sempre, é uma dica para quem, como eu, está aprendendo francês!

Le Petit Nicolas é uma série de livrinhos de 14 volumes, publicados nos anos 60. As histórias contam um pouco da vida de Nicolas, um menininho francês e seus amigos, Alceste, Clotaire, Eudes, Joachim, Geoffroy, Agnan e Rufus.

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Quando comecei a estudar inglês, meu professor sempre trazia livrinhos infantis e incentivava que nós lêssemos muito. Rolava nota para quem fizesse teatrinhos e eu achava tudo muito estressante na época.

O que eu percebi depois de começar com o francês é que eu tenho ótimas habilidades de escuta e isso ajuda muito na hora de aprender uma nova língua. É bem fácil falar e entender o que estão falando para mim, mas a figura muda na hora de escrever. O francês é uma língua bem traiçoeira porque muitas palavras não parecem muito com a versão escrita delas e outras são grafadas de maneira diferente, mas pronunciadas da mesma forma. Um pesadelo pra moi.

A solução que encontrei é a mesma que encontrei para aprender a escrever melhor: LEITURA!

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Zapeando pelo Netflix encontrei um filme chamado O Pequeno Nicolau. Nele, Nicolau, uma criança de 9 anos, se convence de que seus pais vão ter um novo filho e que, com a chegada da criança, ele será abandonado na floresta, para ser devorado por ursos. Nicolau, então, reúne seus amigos e passa por uma série de aventuras, desde contratar um ladrão para sequestrar sua irmã que ainda nem nasceu, até comprar flores para sua mãe e destruir a casa da família acidentalmente. 

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O filme é uma gracinha, doce e fofo, como se estivéssemos vendo o equivalente francês do Menino Maluquinho ou do Pedrinho, de O Sítio do Pica-Pau Amarelo. Uma pena que o filme foi removido do catálogo da Netflix, porque até continuação ele teve (e eu ainda nem vi).

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A curiosidade falou alto e, ao pesquisar, sobre o filme, encontrei a série de livros.

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Os livros são divididos em capítulos ultra curtinhos, com poucas páginas. O vocabulário é bem fácil e infantil e as frases são construídas da forma como uma criança falaria mesmo. É um pouco traiçoeiro porque, se a gente escreve frases dessa forma, vai parecer que somos crianças, mas, como o objetivo é só praticar a leitura, a coisa funciona. As ilustrações são fofas e, em alguns momentos, quando eu não compreendia uma palavra ou a situação, elas ajudavam a me situar, sem que eu tivesse que recorrer a traduções.

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Nicolau passa por várias aventuras, como a vez em que ele fumou um cigarro de verdade e não um de chocolate, a vez em que seus amigos foram brincar no terreno baldio, as bagunças no intervalo da escola e a zoeira com o inspetor, a vez em que eles ensaiaram a Marseillesa, para cantar pro Primeiro Ministro na escola e acabaram sendo fechados no porão e os jogos de cowboy seguidos de coups sur le nez.

As histórias também são super legais e é uma leitura rápida, sem grandes atropelos. Até o momento eu li “Le Petit Nicolas” e “Le Petit Nicolas et les copains” e teria lido muitos outros, se os livros não custassem um rim, no estande da Livraria Francesa da Bienal, e se não fosse tão difícil encontrar eles na Livraria Cultura da Paulista.

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No fim, recomendo para qualquer um que quer dar uma treinada na leitura em francês e se divertir um pouco com as aventuras das crianças.

Trailer do filme legendado em português:

Beijoos, A Garota do Casaco Roxo

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Destinado – Carina Rissi

21 set

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Nome: Destinado

Autora: Carina Rissi

Editora: Verus

Páginas: 462

Eu adoro a Carina Rissi. Tipo, mesmo. Eu leria a lista de compras dela e acho que parte desse carinho vem por acompanhar a trajetória dela desde que ela publicou “Perdida” em uma editora super pequena. Eu acabei entrevistando ela para o blog (uma das minhas primeiras entrevistas, gente!) e foi lá que eu descobri que Perdida teria sim uma continuação.

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Foi então que veio “Encontrada” e eu, apesar de ter aproveitado a leitura, confesso que achei a história toda meio desnecessária. “Perdida” era um livro redondinho e bem acabado, não havia a necessidade de se inventar novos enredos e novas coisas só para dar continuidade aos personagens, um conto já resolvia as coisas todas. Mas eu li e minhas opiniões completas podem ser encontradas aqui.

Foi então que eu ouvi um burburinho sobre “Destinado”  e fiquei um pouco decepcionada, até que… Eu li o livro e, aquilo que eu achei que iria acontecer em “Encontrada”, aconteceu em “Destinado” e eu amei demais! haha

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Em “Destinado”, Sofia e Ian estão de volta, bem como Marina, a filha dos dois (não é o spoiler, não faça com que eu me sinta culpada) e Elisa, a irmã de Ian. A história é contada pelo ponto de vista de Ian e essa mudança de perspectiva traz um pouco de ar fresco para a narrativa. Tudo vai bem na casa da família, até que um dia, um misterioso telefone celular aparece na casa dos Clarke.

O telefone vibra, emite luzes e é encontrado por Ian que, temendo que o aparelho telefônico tenha aparecido para levar sua esposa de volta pro futuro, o esconde. Mas, o objeto não é encontrado por Sofia e sim por Elisa, que é transportada diretamente para o século XXI.

Desesperada com o desaparecimento da querida cunhada, Sofia decide voltar ao futuro em busca de garota. Um telefone aparece para ela também e, quando ela aperta os botões e a luz aparece para levá-la ao nosso tempo, Ian a segura e ele também é transportado para o século XXI.

Aqui, os dois têm que se esforçar para encontrar Elisa o mais rápido possível e voltar para seu tempo e sua filhinha. Com a ajuda de Nina, a melhor amiga de Sofia, e Rafa, seu namorado (super quero um livro contando a história dos dois), Sofia e Ian vão ter que se adaptar à realidade de nosso século para conseguir, de novo, o felizes para sempre que tinham “perdido” por pouco.

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Nenhum motivo real para se ter esse gif por aqui, mas né? Um gif de Lizzie e Darcy não mata  ninguém… u.u

A história é legal e envolvente, a narração por Ian é muito interessante porque podemos visualizar nosso tempo através do olhar de uma pessoa do século passado, o que é super diferente. A única coisa que me desagrada um pouco é o quão super protetor ele é, entendo que o livro aborda um pouco da educação e do cavalheirismo, mas, no século XXI, talvez seria interessante se ele fosse um pouco menos tudo isso, sabe? A Sofia é um personagem super kick-ass e forte, ela se garantché!

Algumas cenas são hilárias e fofas e é uma gracinha de ver. A escrita da Carina é maravilhosa e eu fiquei verdadeiramente preocupada com Elisa, segurando a respiração durante toda a narrativa.

O sumiço de Elisa neste século é só um dos enredos do livro, que tem várias outras situações e confusões acontecendo ao mesmo tempo. Eu até que gostei disso (menos de uma certa parte em que memórias e lembranças começam a sumir…), porque senti que Carina soube explorar bem todas as possibilidades, dando um toque realista à história – já bem dizia minha mãe “desgraça pouca é bobagem!”.

Como disse na resenha de “Encontrada”, se você não é lá muito fã de “Perdida”, mas quer mais um pouco de Sofian, pule direto para “Destinado”, que você não vai se decepcionar.

Agora mal posso esperar para ler “Prometida”, que é a história da Elisa, olha que capa linda!

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Beeijos, A Garota do Casaco Roxo

 

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