As Biografias que eu Li

30 set

Eu não costumo resenhar biografias. Acho que na maioria das vezes, ao invés de resenharmos o texto, as imagens ou a abordagem do autor, avaliamos a vida do biografado e isso, pelo menos para mim, não é nada legal.

Cada pessoa (assim como cada livro clássico, que eu também não resenho) teve sua devida importância na época/momento histórico em que viveu e a ultima coisa que deveríamos fazer é julgar determinados atos ou condenar atitudes que hoje são repreensíveis, mas que naquela época eram corriqueiras. Não que eu queira inocentar alguém ou condenar a prisão, só prefiro ser mais neutra que eu puder.

Encontrei nas biografias paixão, ideais e uma dose de vida real e verossimilhança que sentia falta nas minhas ultimas leituras e, como eu sei que muitas pessoas tem um gosto parecido com o meu (e que por isso, também devem amar biografias) eu achei que seria legal fazer essa listinha.

Anne Frank: O Outro Lado do Diário – Miep Gies e Alison Leslie Gold

anne frank

A história de Anne Frank mexeu profundamente comigo. Li-a quando tinha 14 anos e não consigo sequer pensar em palavras para descrever o impacto que o texto da menina jovem e que viveu por quase dois anos em um sótão escondida teve em mim. Só sei que, até hoje, leio o máximo que posso sobre essa etapa terrível e vergonhosa da existência humana. Digo ”leio” porque não consigo assistir filmes relacionados ao Holocausto, só livro mesmo (talvez as imagens que eu forme na minha cabeça sejam menos terríveis que aquelas que vão para as telas do cinema).

Logo que acabei o diário, li ‘’Anne Frank: O Outro Lado do Diário’’, que foi escrito pela Miep Gies, secretária da empresa do pai de Anne na época e a mulher que ajudou as duas famílias a sobreviverem naquele sótão por tanto tempo. Era Miep quem conseguia os alimentos e era ela que cuidava de tudo para tentar, da melhor forma possível, fazer daquele lugar uma espécie de lar.

O legal é que ele não conta só a história de Anne, mas a história da própria Miep (considerada por alguns uma heroína), desde seu nascimento até seu casamento e as consequências que a convivência com as famílias tiveram em sua vida. Ela faleceu em 2010, aos 101 anos.

Também relacionado à Anne Frank eu tenho aqui em casa um livro chamado ‘’O Anexo’’ de Sharon Dogar, que conta –numa versão romanceada e baseada no diário- a historia de Peter Van Pelsen, o filho da outra família que morou naquele sótão e por quem Anne tinha uma quedinha. Ainda não li e, talvez por ser uma versão romanceada, eu o resenhe aqui.

Anne Frank é lembrada como símbolo do extermínio de milhões de judeus. Seu drama e o de sua família são vistos agora de um ângulo diferente, o da mulher holandesa que ajudou os Frank durante os dois anos que passaram escondidos dos nazistas num sótão de Amsterdã, e que se tornou único elo entre eles e o mundo exterior.

Olga – Fernando Moraes

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Tive que ler ‘’Olga’’ no ano passado, para uma prova da minha escola. Como era ano de vestibular e eu estava correndo de um lado para o outro, não tive tempo de ler o livro e acabei vendo só o filme.

Mas o que vi me emocionou de tal maneira e me deixou com o coração tão triste e apertado, que eu não tive escolha senão ler o livro assim que tivesse um tempinho e foi o que eu fiz.

Acho que dessa lista inteira, é um dos livros mais finos e é, ao mesmo tempo, um dos que mais emocionam e encantam. A história é contada de forma bem imparcial e está bem documentada (Olga era russa e, diferentemente do que acontecem aqui, eles guardam registros de muitas coisas por lá).

O subtítulo do filme ‘’Muitos amores em uma só vida’’ é, provavelmente, a frase que melhor define a vida de Olga Benário Prestes, uma judia comunista que foi entregue a Hitler por Getulio Vargas.

A obra fala sobre a vida de Olga Benário alemã, judia e comunista, que se envolveu com Luís Carlos Prestes. Ela veio ao Brasil para lutar com ele pelos ideais comunistas. Acabou sendo presa e deportada grávida para a Alemanha pelo governo brasileiro, tendo como presidente Getúlio Vargas. Morreu numa câmera de gás de um campo de concentração em 1942. 

Chatô: O Rei do Brasil – Fernando Moraes

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‘’Chatô: O Rei do Brasil’’ é quase um must-read  para estudantes de comunicação social. Do mesmo autor de ‘’Olga’’, desta vez acompanhamos a vida de Assis Chateaubriand, dono de um verdadeiro império de comunicações, da primeira televisão do Brasil e do museu de arte de São Paulo, o MASP.

O que eu mais gostei nessa biografia foram algumas cenas tão bem descritas e pintadas que poderiam muito bem fazer parte de alguma história inventada, mas que sabemos bem; fazem parte da vida real. Só o primeiro capítulo já vale a pena por todo o resto da história.

Chatô, o rei do Brasil – a história da vida vertiginosa de um dos brasileiros mais poderosos e controvertidos deste século. Dono de um império de quase cem jornais, revistas, estações de rádio e televisão – os Diários Associados – e fundador do MASP, Assis Chateaubriand, ou apenas Chatô, sempre atuou na política, nos negócios e nas artes como se fosse um cidadão acima do bem e do mal. Mais temido do que amado, sua complexa e muitas vezes divertida trajetória está associada de modo indissolúvel à vida cultural e política do país entre as décadas de 1910 e 1960, magistralmente recriada neste Chatô, o rei do Brasil.

Marighella: O Guerrilheiro que Incendiou o Mundo – Mario Magalhães

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A biografia do Marighella me deixou com vontade de ler a biografia de mais um monte de gente. Acho que o mais legal da leitura foi ter a oportunidade de entender mais um pouco da política do nosso país e de poder observar, através de uma pessoa, toda uma época da história brasileira.

Segue mais ou menos o mesmo estilo da biografia do Chatô, com cenas romanceadas e bem pintadas e que tornam o livro difícil de ser deixado de lado.

Nesta obra o autor busca percorrer a vida, a obra e a militância de Marighella, baiano que foi deputado federal, poeta e estrategista da guerrilha no Brasil. Passagens pela prisão, resistência à tortura, assaltos a bancos (e a um trem pagador), tiroteios e espionagem internacional fazem parte de sua biografia, que atravessa a história política entre as décadas de 1930 e 1960. Por isso, figuras como Fidel Castro, Getúlio Vargas, Carlos Lamarca, João Goulart, Che Guevara, Luiz Carlos Prestes, Carlos Lacerda e Olga Benario aparecem como coadjuvantes.

Missão Cumprida: A História Completa da Primeira Missão Espacial Brasileira – Marcos Pontes

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Sempre me fascinei com tudo o que é relacionado ao espaço. Lembro também que um dos trabalhos que mais me deu trabalho (há!) foi uma apresentação que fiz sobre o primeiro brasileiro a ir ao espaço. Claro que, assim que soube do lançamento desse livro, o comprei.

Confesso: Ainda não acabei de ler esse livro. Com 559 páginas, não é o tipo que pode ser colocado na mochila para ser lido no ônibus ou no metro (com o Marighella foi pior, o livro é de capa dura e tem mais de 700 páginas, só conseguia ler de bruços ou sentada com ele no colo) e, como esses são os lugares onde eu mais leio, é um pouco mais complicado ter o mesmo ritmo.

Outra coisa que deixa a leitura um pouco mais complicada é a quantidade de termos técnicos presentes no texto. Acho que algumas partes (especialmente as que se referem à estação espacial e ao foguete) deveriam ter explicações mais simples, com uma linguagem que o publico mediano poderia entender. E me irritou também a quantidade de referencias ao outro livro que Marcos Pontes lançou na mesma época desse aqui: ‘’É Possível ! Como Transformar seus Sonhos em Realidades’’, nada contra, mas achei um marketing mal colocado e fora de hora. 

O livro tem uma serie de cenas que vão ser um prato cheio para os amantes de astronomia e astronáutica ou para aqueles que, como eu, são meros curiosos e querem uma saber mais através fonte direta.

Acho que ia ser interessante poder ler a história da primeira missão espacial brasileira sobre os olhos de outra pessoa. Como uma estudante de jornalismo ainda na casca, não refleti muito sobre autobiografias, mas sei que talvez um texto mais imparcial e que mostre ambos os lados seja mais interessante do que um que mostre só um dos lados.

Neste livro, o leitor poderá conhecer um pouco mais de Marcos Pontes, um astronauta brasileiro. Ele relata, na obra, os eventos que se desenvolveram nos bastidores da primeira missão espacial brasileira – a política e os obstáculos antes do voo; os momentos de perigo, as curiosidades e a emoção de ver a Terra do espaço; a reação do país, as polêmicas, as críticas, os fatos, o orgulho nacional e a atitude positiva do astronauta, que procura inspirar as pessoas a lutarem pelos seus sonhos através da educação.

O mais legal de ler biografias é perceber que quanto mais você lê, mais você tem para ler. Aqui em casa já tem mais duas biografias só esperando eu acabar os livros atuais! E para vocês, quais são as suas biografias favoritas?

Beeijos, A Garota do Casaco Roxo

3 Respostas to “As Biografias que eu Li”

  1. Nil 2013/09/30 às 12:48 pm #

    Oi, Amanda. Duas biografias que li e achei muito boas foram O Anjo Pornográfico (sobre Nelson Rodrigues, escrita pelo Ruy Castro) e Minha razão de viver do Samuel Weiner. Recomendo a leitura!

    • Amanda Ariela 2013/09/30 às 3:01 pm #

      Ah, obrigada pela sugestão! Vou procurar mais sobre elas! Hihihi

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