Filmes que vi #21

Recentemente li um livro de romance tão incrível, tão fofo e tão legal, que acabei voltando direto para minha ressaca literária. Pois é. Para tentar me recuperar, dei um tempo dos livros e corri para ver uns filminhos legais.

Quanto ao nome e à resenha do referido livro que me deixou no chão, em breve vocês devem acompanhar o post aqui no blog!

Na edição #21 do “Filmes que eu vi”, os dois filmes estão disponíveis na Netflix!

Nu

Nu Netflix poster

“Nu” foi uma experiência bem interessante. Não costumo ser exigente com o cinema, mas esse tinha tantos defeitos, que eu não consegui relevar, curtir as cenas e piadas e seguir em frente.

A história segue uma tendência entre os roteiros de filmes do momento, onde o personagem revive várias e várias vezes o mesmo dia. É o que acontece com Rob Anderson, interpretado por Marlon Wayans. É o dia de seu casamento e ele acorda completamente nu dentro do elevador de um hotel. Toda sua família já está na Igreja e até a noiva já está pronta, à espera dele.

Marlon Wayans Nu

No começo é desesperador e tudo que você quer é que Rob consiga chegar ao casamento o mais rápido possível. De certa forma, o filme tem uma vibe meio “Se Beber, Não Case”, sabe?

Aos poucos, Rob percebe que pode alterar seu rumo tomando atitudes diferentes e começa a mudar seu comportamento.

Viagens no tempo, repetições de dias e coisas que mexem com padrões são muito, muito difíceis de serem roteirizadas. Juntando isso com a esperteza na hora de cobrir as partes de Marlon Wayans, o filme até que fica aceitável.

Marlon Wayans Nu filme

Mas, como eu disse antes, várias perguntas ficaram no ar. O porquê dele repetir os dias, por exemplo, foi uma coisa que não ficou clara no filme. Outros elementos da narrativa também me deixaram bem “???”.

As piadas também não foram nada memoráveis e sinto que vou esquecer desse filme rapidinho. Uma pena porque tinha potencial.

Fome de Poder

fome de poder pôster

Esse filme me deixou tão IRRITADA. Mas de um jeito bom, sabe? Acho que era mais indignação que qualquer outra coisa, rs!

Estrelado por Michael Keaton, que está maravilhoso, “Fome de Poder” conta a história de origem do McDonald’s. A verdadeira história do McDonald’s.

Michael Keaton Ray Kroc Fome de Poder

Ray Kroc é um vendedor de máquinas de milk-shake que está tendo problemas nos negócios. Apesar de tentar, ele simplesmente não consegue vender novas máquinas e está prestes a falir.

Até que ele recebe um pedido inusitado de 5 máquinas para um mesmo restaurante. Desconfiado de que há algo de errado, Ray vai até o restaurante e vê longas filas, comida sendo servida rapidamente e um hambúrguer extremamente saboroso.

O restaurante é diferente dos tradicionais da época e tá fazendo tanto sucesso, que Ray decide conhecer os donos. E, então, os irmãos Dick Mac Donald e Mac Mac Donald acabam apresentando a ele todos os segredos do restaurante, inclusive o novo sistema Speedy – criado por eles-, que entrega comida mais rápido.

Fome de poder mcdonald's do filme

Decidido a se aproveitar do sucesso dos irmãos, Ray começa a criar um sistema de franquias, que leva o McDonald’s para todos os estados do país. Com cada vez mais fome de poder (há!), Kroc começa a se tornar um personagem dúbio e você acaba se sentindo traída por ele.

Ray kroc fome de poder mcdonald's

O final é decepcionante para os irmão Mac Donald e, até os dias de hoje, se você pesquisar “quem é o fundador do McDonald’s” no Google, a resposta imediata é Ray Crook.

Dois filmes, um bom e um ruim. Um que te deixa nervoso e outro que te deixa com raiva. Espero que você escolha o que vai te fazer mais feliz!

Beeijos, A Garota do Casaco Roxo

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(Mais) documentários sensacionais para ver no Netflix

Eu avisei que estava vendo documentários como se estivesse bebendo coca-cola, não avisei?

Pois bem, reuni os melhores dos melhores que vi, na minha nova lista de documentários para assistir no Netflix (ou em qualquer outro lugar, não é?). Eu já tenho uma outra lista aqui no blog, com 5 documentários legais para ver no Netflix.

Paris is Burning

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Eu vi “Paris is Burning” porque apareceu na minha lista de sugestões, logo que terminei de ver todas as temporadas disponíveis de Ru Paul´s Drag Race.

“Paris is Burning” nos dá um olhar direto à cena LGBT do Harlem, nos anos 80. O filme estreou em 1991, mas levou cerca de 9 anos para ficar pronto.

Passando pelos bailes organizados pelas boates, pelos passos de voguing, pelas drag queens, até entrevistas gravadas na rua com os personagens, o documentário abre um mundo e uma cultura relativamente desconhecidos por mim. Se você achava que tudo começou com RPDR, como eu achava, sabe de nada, inocente! Prepare-se para uma lição de história! Acho que só aprendi o que é Shade mesmo com este documentário.

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Não importa se você é hétero, gay, ou qualquer outra coisa, “Paris is Burning” é uma análise cultural muito interessante.

Durante parte do filme, nós seguimos Venus Xtravaganza, que estava passando pelo processo de reatribuição do gênero. Em entrevistas gravadas na rua ou em seu quarto, conhecemos um pouco da vida de Venus, ouvimos ela contar sobre como sofreu transfobia em diversas ocasiões e sobre seus sonhos e anseios. Ao final do filme, descobrimos que Venus Xtravaganza foi assassinada de maneira brutal. Seu assassino nunca foi capturado.

Ainda que o filme não seja sobre Venus em si, ele fala com profundidade sobre os preconceitos que gays, drag queens, travestis e transexuais sofrem. De um pai que jogou fora todos os vestidos de drag do filho até o assassinato de Venus, essas histórias nos marcam e ficam para sempre na memória.

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Algumas acusações surgiram contra a diretora do filme, Jennie Livingston, e acredito que este artigo de Jorge Marcelo Oliveira explica bem os “poréms” do filme. Mesmo assim, acho um documentário importante, que merece ser visto.

A Um Passo do Estrelato

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Provavelmente, “A Um Passo do Estrelato” é meu documentário favorito da lista. Ele conta a história de gente que chega perto, muito perto do estrelato, mas que nunca ganham os spotlights: os cantores de apoio.

Ou backing vocal, se você preferir.

Com participações de Bruce Springsteen, Mick Jagger, Stevie Wonder, Sting e outros artistas, “A Um Passo do Estrelato” vira os refletores para os personagens secundários das maiores músicas da história. O filme ainda tem imagens de apoio de David Bowie, Ray Charles, Elton John, Michael Jackson, John Lennon, Tom Jones, Rod Stewart, Paul McCartney e tantos outros cantores que usaram backing vocal para dar profundidade às suas canções.

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O foco do documentário é jogado em Darlene Love, Merry Clayton, Tatá Vega, Janice Pendarvis, Lisa Fischer e Judith Hill. A narrativa se apoia nessas personagens para contar um pouco da história dos backing vocal e de como a música evoluiu através do trabalho delas (e deles também!)

Uma das histórias que mais me fascinou foi a de como fizeram os backing vocals de “Gimme Shelter”, dos Rolling Stones. Por algum motivo que só Deus conhece, eu achava que era o próprio Mick Jagger que fazia aquela voz sensacional, gritando “Rape, murder yeah, it´s just a shout away”. Mas não, Merry Clayton é a responsável por isso.

No documentário, ela conta que estava grávida e que era tarde da noite, quando ela recebeu uma ligação de um produtor local, que dizia que a banda dos “rolling qualquer-coisa” precisava de uma mulher para fazer uma voz de fundo. Merry já estava de pijama de seda e casaco de pele, com rolinhos no cabelo, cobertos por uma écharpe da Channel. E foi assim que ela gravou o vocal, em duas meras passadas.

O vídeo abaixo explica um pouquinho mais a fundo:

De cair o queixo, não? 

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“Você tende a se perguntar se há uma forma de sair dessa profissão ou dessa vida sem morrer de coração partido”

Aqui vai o trailer completo do documentário:

Betting on Zero

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Ugh, esse documentário me deixou tão brava!!!! Toda vez que eu penso nele, eu fico mais brava ainda!!!

“Betting on Zero” é um documentário que conta um pouco da história da empresa Herbalife, para além dos shakes e suplementos vitamínicos que eles vendem. Através de vídeos e depoimentos de vítimas, o diretor Ted Braun busca mostrar que os verdadeiros lucros da empresa não vêm da venda lícita dos produtos para quem quer ter uma vida saudável, mas sim, de um esquema de pirâmide.

Chame de Marketing Multinível ou do que for, o documentário mostra depoimentos de várias pessoas que caíram no esquema, gastaram rios de dinheiro e criaram “Clubes de Nutrição” com o objetivo de recrutar novas pessoas para realizar o mesmo trabalho e assim por diante. Sem nunca receber um centavo de volta e sendo muito prejudicadas por causa disso.

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Nós seguimos a história de um grupo de latinos que moveu uma ação em conjunto contra a empresa. Também seguimos a história de Bill Ackman, um hedge fund manager que investiu mais de 1 bilhão de dólares (não, não foi ele quem financiou o documentário) na tentativa de fazer com que a empresa fosse investigada pelo governo americano, porque acreditava que o fim da Herbalife seria bom para todo o mercado econômico dos EUA. Além disso, ele acredita que, por ser financiada através do engano de outras pessoas, a Herbalife não seria uma empresa legítima.

Por fim, o documentário mostra a participação de Carl Icahn, um investidor que decide dar rios de dinheiro à Herbalife, pela pura razão de detestar Bill Ackman. Icahn acabou sendo nomeado por Donald Trump como Assessor Especial da Presidência para a Reforma Regulatória.

Um verdadeiro drama, para ser sincera.

O documentário é bem recente e alguns dos acontecimentos nele datam de março de 2017, o que é uma raridade. É difícil encontramos documentários tão atuais assim no Netflix. Outro ponto a favor é de que, apesar de mostrar muito da vida do Bill Ackman e das atitudes dele em relação à empresa, o documentário tem o mérito de mostrar um outro lado e de questionar as verdadeiras intenções de Ackman. Esse é um dos filmes mais imparciais que já vi, apesar de denunciar um comportamento ilícito.

Em tempos de crise financeira, com o Brasil chegando a 14 milhões de desempregados (para vocês terem uma ideia, ainda que o tempo tenha passado e que as coisas sejam bem diferentes, na época em que Hitler foi eleito na Alemanha, eles tinham cerca de 7 milhões de desempregados), é bem comum que as pessoas estejam desesperadas em busca de alternativas. Anúncios sobre “ganhe dinheiro fácil, sem sair de casa” pipocam por todo lado e quase todo mundo quer te oferecer coisas da Hinode ou um novo esquema da Polishop, para o qual me convidaram dias atrás. A relevância do documentário atualmente é enorme.

O grupo de latinos foi o que mais me tocou e o que mais me enfureceu. Sem falar inglês e muitos sendo imigrantes ilegais, eles sofreram inúmeros prejuízos e não podem denunciar a Herbalife porque ela denuncia a ilegalidade deles. Os casos reais mostrados no filme acabam te emocionando e é impossível não sentir empatia ou pena dos que foram lesados pela empresa. Há uma seção inteira no site oficial do documentário que mostra as tentativas da Herbalife em silenciar o documentário.

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Eu não sei como é que a Herbalife atua no Brasil, mas, sinceramente, acho que nem quero saber. O pior de tudo é que muitas pessoas têm noção de que o que estão fazendo é ilegal e quem ficar na parte debaixo da pirâmide irá desmoronar e ser prejudicado. E mesmo assim, seguem fazendo sem nenhum escrúpulo, só querendo conseguir mais e mais dinheiro, ainda que para isso tenham que enganar terceiros.

“Betting on Zero” acaba te ensinando muito sobre principios econômicos e te fazendo perder um pouco de fé na humanidade.

Being George Clooney

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Outro documentário que está entre os mais divertidos que já vi, em conjunto com “A Um Passo do Estrelato”. Uma das coisas mais legais sobre ele é que o projeto foi quase todo financiado através do Kickstarter.

Being George Clooney aborda diretamente outro trabalho que também pode ser invisível, mas que é essencial para a indústria do entretenimento. Afinal de contas, atire a primeira pedra quem nunca ouviu um “Versão Brasileira, Herbert Richers”, antes de ver um filme, né? Aliás, recomendo que você não clique nesse vídeo. Ele apareceu enquanto eu pesquisava mais sobre esse documentário e agora a música não sai mais da minha cabeça.

Em “Being George Clooney”, o mundo dos dubladores ganha cores e faces e sotaques.

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A princípio, os nomes Marco Antonio Costa, Rajesh Kattar, Martin Umbach, Tamer Karadagli e Francesco Pannofino não parecem ter nada em comum. Os tipos físicos, sotaques e rostos são completamente diferentes. Mas os 5 são os responsáveis por emprestar suas vozes para o ator George Clooney e fazem o trabalho de tornar o ator ainda mais sexy e galã, só com o vozeirão.

Marco Antonio Costa é o dublador brasileiro do George e, além disso, ele é médico. Sério. A história apresentada no documentário é super interessante. Na época das filmagens de “E.R.: Plantão Médico”, as traduções dos termos médicos não ficaram muito boas. Marco Antonio foi convidado para ajudar eles com isso e, de quebra, fez também a voz icônica.

Outros dubladores brasileiros também participam do doc, além de especialistas que ajudam a explicar porque a dublagem é um sucesso em determinados países, como a Itália.

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Dublador italiano de George Clooney, Francesco Pannofino

Eu amei a participação da Sheila Dorfman, que é a dubladora brasileira da Sandra Bullock. Eu cresci vendo os filmes da Sandra Bullock direto na TV, no dublado mesmo, e achei bizarro quando ouvi a voz em inglês da Sandra e descobri que não era a voz da Sheila. A Sheila Dorfman faz uma fala muito interessante no documenário, sobre a estranha intimidade entre os dubladores e os atores dos filmes. Eles acabam conhecendo tudo, até mesmo a forma como os atores costumam respirar. A Sheila também dubla a Paola Bracho, Usurpadora, a Lorelai, de Gilmore Girls, a Mônica, de Friends e a Xena!  haha Haja diversidade!

“Being George Clooney” é um documentário a ser visto quando se quer relaxar ou distrair um pouco a cabeça. Qualquer pessoa que viu um filme dublado alguma vez vai amar descobrir os bastidores dessa profissão.

Espero que gostem da minha seleção de 4 documentários interessantes para ver no Netflix. Eu ia escrever mais, sobre outros documentários. Mas vi o tamanho do post e acabei decidindo parar nesses 4 mesmo. Prometo que teremos mais versões deste post no futuro próximo do blog.

Beeijos, A Garota do Casaco Roxo

Filmes que Vi #20

Confesso que vi “Marguerite” e “Bem-vindo a Marly-Gomont” faz tempo. Na verdade, eu estava esperando para fazer uma master-list de filmes em francês, que são contemporâneos (por mais que eu ame, não colocaria Amélie Poulan nessa lista) e que, o principal, estão disponíveis no Netflix.

Mas… eu empaquei nos filmes. Comecei de novo nessa onda de ver documentários e com tanto seriado legal novo (vi toda “Girlboss” em uma noite e ainda estou digerindo), deixei os filmes meio que de lado e optei por parar com essa de enrolar meus textos.

Marguerite

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Dirigido por Xavier Giannoli e estrelado por Catherine Frot (que também fez “Os Sabores do Palácio”, disponível no Netflix e que eu pretendo ver assim que tomar vergonha na cara). “Marguerite” conta a história de Marquerite Dumont, uma mulher rica que ama as artes e a música. Ama tanto, mas tanto, mas taaaanto, que convenceu a si mesma de que é uma excelente cantora. Só que não.

Marguerite é mais desafinada que o grito de um porco que está tendo seu rabo torcido. É capaz de quebrar taças, não com sua potência vocal, mas porque as taças decidiram sair deste mundo cruel através do suicídio. E a pobre coitada também não tem nenhum amigo, capaz de dizer a ela a verdade.

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A questão é que ela é muito rica e, na Paris dos anos 20, riqueza é sinônimo de influência. Ninguém quer entrar na lista negra de Marguerite ao dizer para ela que ela é uma péssima cantora.

O marido e os funcionários da casa de Marguerite ajudam-na a nutrir sua ilusão. Os convidados das pequenas soirées que ela organiza em sua casa, também aplaudem e sorriem, sob tortura.

Tudo vai bem e o segredinho obscuro da alta sociedade parisiense está bem escondido, até que… Marguerite, influenciada por um jornalista sarcástico e que precisa de dinheiro, decide amplificar seu talento a máximo, com a ajuda de um treinador e professor, e se apresentar em público, para todo mundo ouvir.

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TAN TAN TAN.

Esse filme tem algo de cômico e de engraçadinho, parece até um quadro dos Trapalhões ou coisa do tipo. Mas é um drama bem triste e, quanto mais eu pensava na situação de Marguerite, menos engraçado eu encontrava seus agudos e seus gritos desesperados.

O nível de francês é bom para quem tá começando, porque eles falam relativamente devagar. Ainda mais que é um filme de época, né? Mas, recomendo que não o vejam usando fones de ouvido, porque meu ouvido chegou a doer, nas cenas de canto de Marguerite. E olha que eu gosto de música clássica.

O mais legal é que a história, por mais bizarra que possa parecer, foi inspirado em uma vida real. Florence Foster Jenkins também era uma mulher rica, que adoraria se tornar uma cantora de ópera, apesar de não ter voz para isso.

Um segundo filme sobre a vida de Florence Foster Jenkins foi feito, estrelado por Meryl Streep. “Florence: Quem é essa mulher” é só um pouco diferente de “Marguerite”, se passa em Nova York, por exemplo, mas eu ainda não vi para poder comentá-lo.

Trailer de “Florence: Quem é essa mulher”:

Bem-vindo à Marly-Gomont

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“Bem-vindo à Marly-Gomont” conta a história de um estudante de medicina, natural do Zaire, Seyolo Zantoko, que é interpretado por Marc Zinga.

Depois de formado, Seyolo recusa a oportunidade de voltar para sua terra natal e trabalhar para a aristocracia de lá. Ao invés disso, ele decide ficar na França e ser o médico responsável pelo vilarejo Marly-Gomont.

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Junto com sua família – a esposa e dois filhos – Seyolo tem a difícil função de ganhar a confiança do vilarejo, se integrar e ser feliz em um ambiente bem racista, xenofóbico e provinciano. O filme se passa nos anos 80 e é baseado em uma história real, quem escreveu a história foi o filho de Seyolo.

Apesar dos temas abordados, o filme é muito leve e, ao invés de pender para críticas ao racismo e a xenofobia do povoado, ele usa o humor para exemplificar as situações. O horror da cidade quando os parentes barulhentos de Seyolo chegam em meio à uma celebração solene é hilário. As ligações entre Seyolo e a comunidade vão se desenvolvendo aos poucos e o filme acaba virando uma comédia leve.

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Há uma certa redenção, perto do final, mas não achei ela muito verídica. Talvez, se o filme fosse um pouquinho mais longo, eu conseguisse entendê-los um pouco melhor.

De qualquer forma, o filme é agradável e despretensioso e pode ser visto sem medo de ser feliz. O nível de francês é um pouco mais alto que o de Marguerite, porque eles falam super rápido. Além disso, há trechos em Lingala, a língua do Zaire, que também são super engraçados.

E aí, tem mais algum filme em francês no Netflix que eu deveria estar vendo? Alguma sugestão?

Beeijos, A Garota do Casaco Roxo

Um Amor de Cinema – Victoria Van Tiem

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Nome: Um Amor de Cinema

Autora: Victoria Van Tiem

Editora: Verus

Páginas: 293

“Um Amor de Cinema” foi um dos livros que comprei quando tive aquele breve surto de compras na Bienal do Livro do ano passado. Demorei para lê-lo porque estava em busca do momento perfeito e, quando a hora finalmente chegou, li ele em um só dia.

No livro, seguimos a história de Kenzi Shaw, diretora de marketing e arte de uma agência de publicidade, que está prestes a ficar noiva de seu lindo-e-maravilhoso colega de trabalho, Bradley.

os simpsons casamento

Kenzi acredita que seu noivado vai finalmente fazer com que ela seja notada por sua mãe e por sua família de médicos-super-ocupados. Mas, no dia em que todos se juntam para celebrar, sua cunhada, Ren, anuncia para todos que está grávida e rouba a cena de Kenzi.

anderson cooper eyeroll

Não bastasse a falta de tato da cunhada, uma solicitação de amizade no Facebook deixa Kenzi de cabelos em pé. Shane Bennett, seu namorado da faculdade, surge das profundezas do passado para assombrá-la.

Quando Bradley avisa à sua noiva de que a agência de publicidade em que eles trabalham corre o risco de fechar, se eles não conseguirem uma conta nova, cabe a Kenzie conquistar o novo cliente e convencê-lo a fechar o contrato com eles. Mas é claro que isso não seria tão simples, né? O novo cliente é ninguém mais ninguém menos do que o próprio Shane Bennett.

Muito espertinho, Shane impõe uma condição para contratar a agência de Kenzi: Que eles revivam algumas das cenas dos filmes de comédia romântica que ela tanto gostava de assistir.

A lista, compilada por Shane, é a seguinte:

  1. Sintonia de Amor
  2. Uma Linda Mulher
  3. O Diário de Bridget Jones
  4. Vestida para Casar
  5. Dirty Dancing: Ritmo Quente
  6. Gatinhas e Gatões
  7. Simplesmente Amor
  8. Digam o que Quiserem
  9. Mensagem para Você
  10. O Casamento do meu Melhor Amigo

“Sorrio, apesar de tudo. É um dos meus favoritos. Tudo bem, todos são meus favoritos. Tem alguma coisa tão inocente e doce em filmes românticos. O mundo nem sempre faz sentido, mas, em uma boa comédia romântica, tenho a garantia de um final feliz. A garota sempre encontra o cara certo, aquele que realmente a entende, no nível mais básico.”

p.26

Sinto que li esse livro de forma incorreta. As 293 páginas dele não são nada intimidadoras e é possível terminar a leitura em um único dia, ainda mais quando se está empolgada para saber o que vai acontecer. Mas, não deixo de achar que, talvez, se eu tivesse apreciado ele mais lentamente, eu teria curtido mais. A grande questão aqui é que muuuuita coisa acontece. Tipo, muita mesmo.

big mistake

Kenzi e seu noivado; Kenzi e seu relacionamento conturbado com sua família; Kenzi e o ex-namorado tentando reconquistá-la; Kenzi e suas escolhas de carreira; Kenzi e o fato de seu trabalho estar entrando em uma possível falência; Kenzi e alguns baphos (relaxa, eu não dou spoiler) que te deixam de cabelo em pé… Tudo isso acontece na história e sinto que alguns problemas foram acelerados mais para o final e outros foram deixados de lado (o que eu até entendo, porque é isso que acontece na vida real mesmo. Algumas tretas são simplesmente ignoradas e tudo bem). Só mais algumas páginas extras deixariam o livro com o enredo mais amarradinho.

“Era de esperar que a essa altura os homens já tivessem aprendido a interpretar a palavra “bem”. Não significa que está tudo certo. Significa que há mais para dizer, muito mais. Que ainda há sentimentos enterrados bem fundo. Mas que serão expostos uma hora ou outra. É só uma questão de tempo.”

p.28

As cenas com Shane foram super fofinhas, mas me irritei um pouco com ele, pela insistência no romance com Kenzi, mesmo quando ela estava #deboa com seu relacionamento com Bradley. Confesso que também não o curti muito porque imaginei ele como o Paul Rudd (eu nem acho o Paul Rudd bonito, sabe?). Mas, acho que se não fosse essa coisa dos romances, não teríamos nem livro, né?

how to loose a guy in 10 days

Eu amei demais as recriações de cenas de filme de comédias românticas. Eu já havia visto todos os filmes da lista de Shane e também todos os outros que são mencionados durante o livro. Eu A-M-O comédias românticas e, dias atrás, quando fui ver Guardiões da Galáxia 2, não pude deixar de ficar chateada com os trailers: basicamente, só vai ter filme distópico, de ação, de aliens, de morte ou de violência. Cadê a Julia Roberts e a Sandra Bullock para nos salvar desse buraco, gente? Esse artigo da Carol Prado, do G1, busca responder nossas questões íntimas sobre o desaparecimento desse gênero.  Seria menos pior se os filmes de ação fossem bons, né? Mas, infelizmente, eu também achei Guardiões da Galáxia bem medíocre e ia fazer um texto só para ele, apontando tudo o que vi e que me incomodou, mas esse texto aqui, do Chico Barney, que compara o filme da Marvel com um filme dos Trapalhões com orçamento milionário, já disse tudo o que eu gostaria de ter dito.

mensagem pra voce

Voltando a “Um Amor de Cinema”: é um livro fofo e despretensioso, que, quando você terminar de ler, vai ficar com um sorriso nos lábios e o coração mais quentinho.

Fiquei com vontade de rever todas as comédias românticas mencionadas no livro e super me relacionei com o que a autora, Victoria Van Tiem, escreveu em seu site oficial sobre de onde tirou a idéia para escrever “Um Amor de Cinema”:

“A ideia veio de querer esses grandes momentos dos filmes românticos para mim mesma. Afinal de contas, nossas vidas devem ser como os filmes. Devemos viver e amar muito, sem arrependimentos, porque, realmente, não temos garantia de recebermos uma segunda ´tomada´.”

o casamento do meu melhor amigo

Recomendo!

Beeijos, A Garota do Casaco Roxo

Filmes que vi #18

Faz séculos que não posto essa tag, não? Justamente porque faz muito tempo que não vejo nenhum filme que me deixe “Oh, meu Deus, preciso escrever sobre isso”. Tudo mudou no último final de semana, quando fui ao cinema duas vezes – um recorde!

Procurando Dory

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Ouvi muita gente escrevendo críticas, pessoas reclamando de que a narrativa era fraca e de que a saída estava sempre em um herói momentâneo. Também ouvi um pessoalzinho dizendo que Procurando Nemo era melhor e que o filme não tinha correspondido às expectativas.

Antes do filme começar, enquanto os trailers rolavam e eu me enchia de pipoca, não pude deixar de pensar no que ia acontecer durante o filme. Será que a Dory ia sumir? Será que ela seria pescada e aí Marlin iria atrás dela, deixando o Nemo sob a guarda de algum outro peixe? Eu não sabia. Não havia visto o trailer de Procurando Dory e acho que isso contribuiu, de certa forma, com minha opinião final.

Eu adorei Procurando Dory. Não achei ele 100% muito louco, irado e maneiro, como eu achei Procurando Nemo, mas julguei que era tudo culpa da idade. Procurando Dory é um filme que agrada gerações, mas que, ainda assim, é feito para crianças.

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A forma como ele aborda a deficiência mental, a relação com a família, o apoio dos amigos e como a gente pode superar nossas dificuldades alcança o coração de todo mundo, mas ressoa mais entre as crianças. É lindo, fofo, vai fazer você chorar feito um bebezinho no cinema e agradecer às forças maiores pela existência de roteiristas que conseguem produzir histórias como essa.

O curta que passa no começo, “Piper”, também é maravilhoso. Não tem uma palavra, mas vai deixar seu coração quentinho.

Vi o filme em inglês e com legenda (não, não foi para evitar crianças) e agora estou com vontade de ver ele dublado, só para ver como ele fica na minha língua. Todos os filmes da Disney tem leves adaptações no roteiro, quando estão em nosso idioma, e quero ver o que eles fizeram no Brasil. Prepare-se para falar muito balêies.

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Uma correção: Nem todas as dublagens são boas, perdão. Me esqueci de “Enrolados”, que tem um trabalho horrível de dublagem feito pelo Luciano Huck. É bem vergonhoso e até minha mãe, que geralmente prefere dublado para não ter o trabalho de ler legendas, prefere ver em inglês.

“Procurando Dory” também me deixou muito feliz por um motivo inusitado: eu não como nada que venha do mar. Peixe, lula, polvo, camarão, lagostim… Nada disso entra na minha boca. E, olha, depois de me emocionar com um filme desses fiquei feliz por isso. Já pensou estar comendo um ceviche e saber que ele quase virou comida do Geraldo ou que tem pais e filhos que se preocupam com ele? Não se depender de mim!

Caça Fantasmas

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Não tá escrito o quanto de controvérsia esse filme gerou. Se você viveu o último ano debaixo de uma pedra, te atualizo: Fizeram um gender-reversed remake de Caça Fantasmas e isso deixou os garotos muito, muito irritados.

Deixando de lado os mimimis, tenho que dizer que esse filme foi incrível. Ah, você quer ser uma cientista certinha e usar scarpins? Podjé. Quer ser uma engenheira genial e meio doida que tem um estilo próprio e não se importa com o que os outros pensam? Podjé. Quer ser uma atendente de metrô simpática com todo mundo, que conhece sua cidade melhor que ninguém e que tá lá, caçando fantasma, mesmo sabendo que vai desmaiar se ver um? Podjé. Quer ser uma outra cientista, descolada e maneira e louca por sopa? Também podjé.

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Sai do cinema sentindo que eu podia fazer tudo e que nada iria me segurar. E é aí que tá a importância desse filme. Se ele fez isso comigo, um modelo de mulher semi-novo, imagina o que vai fazer com as meninas mais novas?

Com o 3D sendo bem usado, tomei altos sustos e fiquei fascinada com algumas das cenas de luta alguns dos espectros fantasmagóricos, especialmente as da Holtzmann. Eu adoro a Viúva Negra, dos filmes da Marvel, mas sei que esse é um personagem molto sexualizado, o que implica que suas cenas de luta também o são. Não é o que acontece com Caça Fantasmas. Depois de ver o filme, deu até vontade de comprar um canivete suíço.

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Os destaques do filme ficam por conta de Chris Hemsworth, como Kevin, o secretário boa pinta, mas burro. Com direito até a piadinhas de pedreiro das meninas. “Nossa, quem chamou um deus nórdico?” me faz rir até agora. Eu adoro ele e achei muito injusto que Deus deu todas essas qualidades para um homem só, não é possível. Aposto que ele deve ter chulé!

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Tinha os meios receios com a Melissa McCarthy, que faz a Abby. Nos últimos filmes que vi dela, sempre acabava com a impressão de que ela forçava demais. Mas, desta vez, ela até ficou meio ofuscada.

Durante o filme, fique de olho para as participações especiais dos Caça Fantasmas originais – Bill Murray, Dan Aykroyd, Sigourney Weaver, Ernie Hudson e até a secretária da equipe original, que aparecem em cenas inusitadas.

Beeijos, A Garota do Casaco Roxo