Livros de não-ficção para quem gosta de história

A Capital da Vertigem, A Face da Guerra, A Vida Imortal da Henrietta Lacks, O Instante Certo

Hoje é Dia da Imprensa. A data passou a ser “comemorada” em 1999 e marca o primeiro dia de circulação do jornal Correio Braziliense, fundado em 1808, por Hipólito José da Costa. Pensando em encontrar uma forma de celebrar a data, achei que seria legal fazer uma lista de livros reportagem e coisa e tal. Achei que seria legal incluir Gay Talese, Truman Capote e gente que já li.

Mas depois de dar uma pensada, percebi que marcar o Dia da Imprensa com obras jornalísticas seria um pouco clichê. Por isso, decidi listar livros que não deixam de ser livros-reportagem, mas que superam isso e viram obras de não-ficção. São narrativas que foram escritas após anos de pesquisa, dedicação e suor. Todos os autores reunidos são jornalistas que, acima de tudo, são testemunhas da história.

  1. A Vida Imortal de Henrietta Lacks, de Rebecca Skloot

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Quem me conhece sabe que eu quase nunca leio um livro duas vezes. Convenhamos, a vida é curta e a lista de livros é interminável. Aproveito o meu tempo lendo livros novos e só dedico um tempinho extra para aqueles que me marcam mesmo e que mudaram minha forma de pensar de alguma forma. Pois bem, eu li “A Vida Imortal de Henrietta Lacks” duas vezes.

O livro conta a história de Henrietta Lacks, negra e moradora de Maryland, nos EUA de 1951. Henrietta sofre de uma forma particularmente agressiva de câncer. Os médicos retiram parte do seu tecido canceroso e para realizar uma biópsia e… As suas células continuam a se reproduzir, se colocadas em um meio de cultura correto e mantidas na temperatura certa. As células de Henrietta acabam por solucionar um grande problema da medicina. Algumas pesquisas e tratamentos não podiam ser feitos, simplesmente porque não podia ser testados. Com as células HeLa, como ficaram conhecidas, todo o problema é solucionado e uma indústria milionária é formada, sem que a família Lacks, muito humilde, saiba de qualquer coisa.

“Nos anos 1960, os cientistas diziam, brincando, que as células HeLa eram tão robustas  que provavelmente conseguiriam sobreviver em ralos de pia ou em maçanetas de porta. Estavam por toda parte. O público em geral podia cultivar células HeLa seguindo as instruções de um artigo tipo faça você mesmo da Scientific American, e tanto os cientistas russos como os americanos haviam conseguido cultivá-las no espaço.”

p. 180

O livro transcende a história de Henrietta, que, por si só, já é fascinante. Dos campos de tabaco em que ela costumava trabalhar na colheita, durante a infância, até a vida de Deborah, sua filha, sempre perturbada por conta das células. Rebecca Skloot passou 10 anos acompanhando a vida da família Lacks e o livro não deixa de ser um pouco sobre a própria jornalista.

Recentemente, “A Vida Imortal de Henrietta Lacks” foi adaptado para o cinema, pela HBO, tendo Oprah Winfrey como a protagonista, Deborah Lacks. Eu ainda não pude ver o filme, porque sou pobre e não tenho HBO, mas adoraria vê-lo um dia.

Henrietta e Rebecca, em um still do filme
Deborah Lacks e Rebecca Skloot, em uma imagem do filme

“A Vida Imortal de Henrietta Lacks” é, majoritariamente, um livro de jornalismo científico, mas não deixa de ser um livro que aborda diretamente o cenário dos EUA do século passado, principalmente nas relações raciais em si. Henrietta Lacks é uma das mencionadas nesse texto sobre 5 biografias de mulheres fortes, que eu escrevi para a Revista Pólen.

  1. A Face da Guerra, de Martha Gellhorn

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O fim da faculdade costuma ser um período de reflexão. A gente fica olhando para trás, pensando nas nossas decisões e no que nos levou a tomá-las. Bate uma certa nostalgia e a gente não consegue deixar de se perguntar “E aí, será que eu fiz a coisa certa?”. Comigo, pelo menos, está sendo assim. Todo mundo diz que isso é normal, que acontece com qualquer um, mas não deixo de estranhar o porquê de ninguém falar sobre esse assunto diretamente.

De qualquer forma, quem me convenceu a fazer jornalismo e a perseguir isso como carreira (ainda que eu esteja desanimada, nos últimos tempos) foi Martha Gellhorn. Com sua vida fascinante, sua relação amorosa com um escritor americano bem famoso do século passado – que vira nota de rodapé sempre que eu falo dela, Martha Gellhorn é a maior jornalista de guerra com quem já tive contato.

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Martha voltando aos EUA, depois de uma temporada na Europa.

Martha realizou a cobertura de quase todas as guerras do século passado, começando pela Guerra na Espanha, até a Invasão do Panamá. Também são abordados a Guerra dos Seis Dias, a Guerra do Vietnã e a Segunda Guerra Mundial, particularmente em um texto chamado Dachau, que foi meu primeiro contato com a autora e que conta um pouco do estado do campo de concentração de Dachau, logo após sua liberação. Falo mais sobre “Dachau” neste post que escrevi para a Revista Pólen, “Guerra e Registro: Martha Gellhorn”.

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Do seu marido-escritor, com quem ela casou em 1939 e se divorciou em 1945 (exatamente o tempo de duração da Segunda Guerra Mundial), Martha ganhou um livro dedicado a ela: “Por quem os sinos dobram”

Martha estava lá, presenciou e viu os horrores da guerra com seus próprios olhos e, talvez, por esse mesmo motivo, ela fosse uma pacifista totalmente contra a guerra. O texto é fascinante e é melhor do que qualquer filme hollywoodiano para te dar uma noção, em cores e alta definição, sobre como era realmente estar em uma guerra.

“Um menino chamado Paco estava sentado em sua cama com grande dignidade. Tinha 4 anos, um grave ferimento na cabeça e era lindo. Ele foi atravessar uma praça para se encontrar do outro lado com uma menininha com quem brincava à tarde. Então, uma bomba caiu. Muitas pessoas foram mortas e ele foi ferido na cabeça. Ele havia suportado sua dor silenciosamente, disse a enfermeira. O ferimento já tinha cinco meses. Ele sempre fora paciente com o ferimento e, à medida que os meses passavam, tornava-se mais solene e mais adulto a cada dia. Às vezes, chorava sozinho, mas sem fazer nenhum som, e, se alguém reparava, ele tentava parar.”

p. 54

“A Face da Guerra” deveria ser leitura obrigatória neste século e, ainda assim, muitos jornalistas que conheço sequer ouviram falar de Martha Gellhorn.

“Atrás do arame farpado e da cerca eletrificada, os esqueletos sentavam ao sol e catavam piolho neles mesmo. Eles não têm idade e não têm rostos; todos eles se parecem e não são como nada que você vai ver se tiver sorte.”

p.203

Seus textos foram todos escritos no século passado (ela cometeu suicídio em 1998), mas não consigo deixar de sentir um arrepio, toda vez que leio notícias sobre nossas guerras contemporâneas, em especial a da Síria, e consigo traçar paralelos entre os textos de Martha e os acontecimentos de hoje. Já dizia Edmund Burke, “quem não conhece a história, está fadado a repeti-la”.

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  1. A Capital da Vertigem, de Roberto Pompeu de Toledo

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“A Capital da Vertigem: Uma história de São Paulo de 1900 a 1954” é um livro que me deixou sem fôlego, na primeira vez que o vi na livraria.

Eu adoro história e adoro histórias de cidade. Acho horrível andar pelo centro velho da cidade e ver prédios com uma arquitetura peculiar e ruas com nomes conhecidos e disseminados por todo o país, sem saber ou ter a mínima noção de onde aquilo saiu e do porquê certas coisas são como são.

Me arrependi um pouco da forma como li “A Capital da Vertigem”. O livro tem mapas, fotografias, títulos de capítulos com nomes peculiares e pode ser lido como um romance, sem nenhuma dificuldade. O texto é bem fluído e usa técnicas de storytelling, usando personagens históricos para explicar trechos da história da cidade de São Paulo. Eu devo ter devorado suas 579 páginas em umas duas semanas.

“Mil novecentos e vinte foi um ano difícil para Mário de Andrade, o jovem professor de Estética e História da Música do Conservatório que encontramos ao final do capítulo VIII. Gastava o que tinha e o que não tinha na compra de livros e por isso vivia enrascado em problemas de dinheiro. Sentia esgotadas as experiências poéticas com bem-comportados versos parnasianos mas não conseguia encontrar o novo caminho e a nova voz pelos quais ansiava.”

p. 213

“A Capital da Vertigem” é, com certeza, um livro que irei reler, com mais calma de preferência. Seu antecessor, “A Capital da Solidão”, que conta a história da cidade de São Paulo de 1554 até 1900, é muito interessante e recheado de fatos históricos. Eu tive um pouco de dificuldade para lê-lo, talvez pela distância histórica entre os acontecimentos passados dois, três séculos atrás. Eu também quero comprar a edição de “A Capital da Solidão”, porque comprei a versão econômica do livro e acho que isso me atrapalhou um pouco.

É o livro ideal para quem quer saber mais sobre sua própria cidade, ou sobre como se desenvolveu a cidade (olha o meu bairrismo aí, gente!) mais importante do país.

            4. O Instante Certo, de Dorrit Harazim

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Quem sou eu para falar de Dorrit Harazim, não é mesmo? Ela é a jornalista contemporânea que mais admiro e seus textos sempre têm a capacidade de me transportar. Por vezes, quando ergo os olhos deles, me sinto temporariamente perdida, sem saber direito em que época ou onde estou.

Terminei de ler “O Instante Certo” poucas semanas atrás, com a sensação de que o livro poderia ter mais milhares de fotos e eu iria aproveitar com felicidade cada uma delas.

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American Girl in Italy, Florence, de Ruth Orkin é umas das imagens que aparece no livro e cuja história, realidade e bastidores são revelados.

Esse poderia ser um simples livro de fotografia, daqueles de pôr na mesinha de centro, para as visitas te acharem culta, ou poderia ser um tratado sobre técnicas, jogos de luzes, focos, lentes, aberturas de diafragmas, ISO e tudo mais que envolve uma boa foto. Mas ele vai muito além.

Dorrit resgata as histórias envolvidas nas fotos. Não importa se é a história pessoal do fotógrafo, a história do protagonista da foto ou da pessoa que está no plano de fundo. Não importa se é o cenário histórico que é realmente importante, como as fotos que falam do Apartheid e das violências no sul dos Estados Unidos, em plena era Jim Crow, ou as imagens de Sebastião Salgado, do atentado contra o presidente Ronal Reagan.

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“The Most Beautiful Suicide”, de Robert C. Wiles, abre o livro revelando a história da protagonista da foto e de quem realizou a imagem.

A jornalista selecionou fotos que já são peculiares ou interessantes por algum motivo e fez o impossível: deu vida ao que estava congelado e deu cor ao que estava em preto e branco. Cada foto presente no livro tem seu próprio capítulo e alguns são super curtos, com duas ou três páginas, outros, como o capítulo que fala sobre Sebastião Salgado, são enormes.

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Há um capítulo inteiramente dedicado aos fotógrafos dos presidentes dos EUA. O trabalho de Pete Souza, de registrar a Era Obama, tem grande destaque.

Diferente dos outros livros já mencionados na lista, “O Instante Certo” não está concentrado em um único ano, em uma determinada época ou localidade geográfica. Através dos 5 continentes, em diversas eras históricas, na época das fotos analógicas ou digitais, o livro de Dorrit é uma grande viagem.

A única coisa que senti falta foi uma bibliografia no final do livro. Imagino que a pesquisa deve ter sido bem extensa e gostaria de saber que livros foram utilizados para encontrar essas informações, já que, muitas vezes, eu gosto de ir atrás desses mesmos livros, em busca de mais coisas interessantes. Além disso, durante os capítulos, Dorrit menciona uma série de escritores e de livros e eu adoraria tê-los reunidos em um só apêndice.

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A imagem que Sebastião Salgado fez, do atentado contra a vida do presidente Ronald Reagan é usada para introduzir um pouco da vida e da história do maior fotógrafo brasileiro.

Com frequência, eu resenho livros de não-ficção aqui no blog. Se você gostou dessa lista, também poderá gostar de livros como O Demônio na Cidade Branca, A História do Brasil nas Ruas de Paris, Pepitas Brasileiras e  O Mundo das Múmias.

Você conhece algum livro de não-ficção legal para me recomendar? Deixe o nome nos comentários! Quem sabe não aparece uma resenha dele por aqui?

Beeijos, A Garota do Casaco Roxo

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As Biografias que eu Li

Eu não costumo resenhar biografias. Acho que na maioria das vezes, ao invés de resenharmos o texto, as imagens ou a abordagem do autor, avaliamos a vida do biografado e isso, pelo menos para mim, não é nada legal.

Cada pessoa (assim como cada livro clássico, que eu também não resenho) teve sua devida importância na época/momento histórico em que viveu e a ultima coisa que deveríamos fazer é julgar determinados atos ou condenar atitudes que hoje são repreensíveis, mas que naquela época eram corriqueiras. Não que eu queira inocentar alguém ou condenar a prisão, só prefiro ser mais neutra que eu puder.

Encontrei nas biografias paixão, ideais e uma dose de vida real e verossimilhança que sentia falta nas minhas ultimas leituras e, como eu sei que muitas pessoas tem um gosto parecido com o meu (e que por isso, também devem amar biografias) eu achei que seria legal fazer essa listinha.

Anne Frank: O Outro Lado do Diário – Miep Gies e Alison Leslie Gold

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A história de Anne Frank mexeu profundamente comigo. Li-a quando tinha 14 anos e não consigo sequer pensar em palavras para descrever o impacto que o texto da menina jovem e que viveu por quase dois anos em um sótão escondida teve em mim. Só sei que, até hoje, leio o máximo que posso sobre essa etapa terrível e vergonhosa da existência humana. Digo ”leio” porque não consigo assistir filmes relacionados ao Holocausto, só livro mesmo (talvez as imagens que eu forme na minha cabeça sejam menos terríveis que aquelas que vão para as telas do cinema).

Logo que acabei o diário, li ‘’Anne Frank: O Outro Lado do Diário’’, que foi escrito pela Miep Gies, secretária da empresa do pai de Anne na época e a mulher que ajudou as duas famílias a sobreviverem naquele sótão por tanto tempo. Era Miep quem conseguia os alimentos e era ela que cuidava de tudo para tentar, da melhor forma possível, fazer daquele lugar uma espécie de lar.

O legal é que ele não conta só a história de Anne, mas a história da própria Miep (considerada por alguns uma heroína), desde seu nascimento até seu casamento e as consequências que a convivência com as famílias tiveram em sua vida. Ela faleceu em 2010, aos 101 anos.

Também relacionado à Anne Frank eu tenho aqui em casa um livro chamado ‘’O Anexo’’ de Sharon Dogar, que conta –numa versão romanceada e baseada no diário- a historia de Peter Van Pelsen, o filho da outra família que morou naquele sótão e por quem Anne tinha uma quedinha. Ainda não li e, talvez por ser uma versão romanceada, eu o resenhe aqui.

Anne Frank é lembrada como símbolo do extermínio de milhões de judeus. Seu drama e o de sua família são vistos agora de um ângulo diferente, o da mulher holandesa que ajudou os Frank durante os dois anos que passaram escondidos dos nazistas num sótão de Amsterdã, e que se tornou único elo entre eles e o mundo exterior.

Olga – Fernando Moraes

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Tive que ler ‘’Olga’’ no ano passado, para uma prova da minha escola. Como era ano de vestibular e eu estava correndo de um lado para o outro, não tive tempo de ler o livro e acabei vendo só o filme.

Mas o que vi me emocionou de tal maneira e me deixou com o coração tão triste e apertado, que eu não tive escolha senão ler o livro assim que tivesse um tempinho e foi o que eu fiz.

Acho que dessa lista inteira, é um dos livros mais finos e é, ao mesmo tempo, um dos que mais emocionam e encantam. A história é contada de forma bem imparcial e está bem documentada (Olga era russa e, diferentemente do que acontecem aqui, eles guardam registros de muitas coisas por lá).

O subtítulo do filme ‘’Muitos amores em uma só vida’’ é, provavelmente, a frase que melhor define a vida de Olga Benário Prestes, uma judia comunista que foi entregue a Hitler por Getulio Vargas.

A obra fala sobre a vida de Olga Benário alemã, judia e comunista, que se envolveu com Luís Carlos Prestes. Ela veio ao Brasil para lutar com ele pelos ideais comunistas. Acabou sendo presa e deportada grávida para a Alemanha pelo governo brasileiro, tendo como presidente Getúlio Vargas. Morreu numa câmera de gás de um campo de concentração em 1942. 

Chatô: O Rei do Brasil – Fernando Moraes

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‘’Chatô: O Rei do Brasil’’ é quase um must-read  para estudantes de comunicação social. Do mesmo autor de ‘’Olga’’, desta vez acompanhamos a vida de Assis Chateaubriand, dono de um verdadeiro império de comunicações, da primeira televisão do Brasil e do museu de arte de São Paulo, o MASP.

O que eu mais gostei nessa biografia foram algumas cenas tão bem descritas e pintadas que poderiam muito bem fazer parte de alguma história inventada, mas que sabemos bem; fazem parte da vida real. Só o primeiro capítulo já vale a pena por todo o resto da história.

Chatô, o rei do Brasil – a história da vida vertiginosa de um dos brasileiros mais poderosos e controvertidos deste século. Dono de um império de quase cem jornais, revistas, estações de rádio e televisão – os Diários Associados – e fundador do MASP, Assis Chateaubriand, ou apenas Chatô, sempre atuou na política, nos negócios e nas artes como se fosse um cidadão acima do bem e do mal. Mais temido do que amado, sua complexa e muitas vezes divertida trajetória está associada de modo indissolúvel à vida cultural e política do país entre as décadas de 1910 e 1960, magistralmente recriada neste Chatô, o rei do Brasil.

Marighella: O Guerrilheiro que Incendiou o Mundo – Mario Magalhães

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A biografia do Marighella me deixou com vontade de ler a biografia de mais um monte de gente. Acho que o mais legal da leitura foi ter a oportunidade de entender mais um pouco da política do nosso país e de poder observar, através de uma pessoa, toda uma época da história brasileira.

Segue mais ou menos o mesmo estilo da biografia do Chatô, com cenas romanceadas e bem pintadas e que tornam o livro difícil de ser deixado de lado.

Nesta obra o autor busca percorrer a vida, a obra e a militância de Marighella, baiano que foi deputado federal, poeta e estrategista da guerrilha no Brasil. Passagens pela prisão, resistência à tortura, assaltos a bancos (e a um trem pagador), tiroteios e espionagem internacional fazem parte de sua biografia, que atravessa a história política entre as décadas de 1930 e 1960. Por isso, figuras como Fidel Castro, Getúlio Vargas, Carlos Lamarca, João Goulart, Che Guevara, Luiz Carlos Prestes, Carlos Lacerda e Olga Benario aparecem como coadjuvantes.

Missão Cumprida: A História Completa da Primeira Missão Espacial Brasileira – Marcos Pontes

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Sempre me fascinei com tudo o que é relacionado ao espaço. Lembro também que um dos trabalhos que mais me deu trabalho (há!) foi uma apresentação que fiz sobre o primeiro brasileiro a ir ao espaço. Claro que, assim que soube do lançamento desse livro, o comprei.

Confesso: Ainda não acabei de ler esse livro. Com 559 páginas, não é o tipo que pode ser colocado na mochila para ser lido no ônibus ou no metro (com o Marighella foi pior, o livro é de capa dura e tem mais de 700 páginas, só conseguia ler de bruços ou sentada com ele no colo) e, como esses são os lugares onde eu mais leio, é um pouco mais complicado ter o mesmo ritmo.

Outra coisa que deixa a leitura um pouco mais complicada é a quantidade de termos técnicos presentes no texto. Acho que algumas partes (especialmente as que se referem à estação espacial e ao foguete) deveriam ter explicações mais simples, com uma linguagem que o publico mediano poderia entender. E me irritou também a quantidade de referencias ao outro livro que Marcos Pontes lançou na mesma época desse aqui: ‘’É Possível! Como Transformar seus Sonhos em Realidades’’, nada contra, mas achei um marketing mal colocado e fora de hora. 

O livro tem uma serie de cenas que vão ser um prato cheio para os amantes de astronomia e astronáutica ou para aqueles que, como eu, são meros curiosos e querem uma saber mais através de uma fonte direta.

Acho que ia ser interessante poder ler a história da primeira missão espacial brasileira sobre os olhos de outra pessoa. Como uma estudante de jornalismo ainda na casca, não refleti muito sobre autobiografias, mas sei que talvez um texto mais imparcial e que mostre ambos os lados seja mais interessante do que um que mostre só um dos lados.

Neste livro, o leitor poderá conhecer um pouco mais de Marcos Pontes, um astronauta brasileiro. Ele relata, na obra, os eventos que se desenvolveram nos bastidores da primeira missão espacial brasileira – a política e os obstáculos antes do voo; os momentos de perigo, as curiosidades e a emoção de ver a Terra do espaço; a reação do país, as polêmicas, as críticas, os fatos, o orgulho nacional e a atitude positiva do astronauta, que procura inspirar as pessoas a lutarem pelos seus sonhos através da educação.

O mais legal de ler biografias é perceber que quanto mais você lê, mais você tem para ler. Aqui em casa já tem mais duas biografias só esperando eu acabar os livros atuais! E para vocês, quais são as suas biografias favoritas?

Beeijos, A Garota do Casaco Roxo