Morte em Terra Estrangeira – Donna Leon

MORTE EM TERRA ESTRANGEIRA

Nome: Morte em Terra Estrangeira

Autora: Donna Leon

Editora: Companhia das Letras

Páginas: 360

Esses dias eu fui na biblioteca do meu bairro (olha só o que o desemprego está fazendo comigo!!!), em busca de um livro para um dos meus próximos textos da Revista Pólen. É claro e óbvio que acabei saindo de lá com mais do que aquilo que fui atrás. “Morte em Terra Estrangeira” foi um desses livros.

Um corpo aparece boiando em um dos canais pitorescos de Veneza. O comissário Guido Brunetti é chamado no meio da noite para verificar o local do crime. Nos bolsos do cadáver, Brunetti encontra apenas alguns centavos de dólar, que sugerem que o corpo pode ser de um dos turistas que invadem a cidade.

Mas, o que parece ser um simples latrocínio acaba virando uma trama complicada. Ainda mais quando Guido descobre que o cadáver é o de um funcionário do governo americano, que estava estacionado na Base Militar americana de Vicenza.

Brunetti também é o responsável por identificar o responsável pelo assalto da mansão de um poderoso e perigoso comerciante de armas. De lá, levaram quadros de pintores famosos e jóias, mas será que o poderoso dono da mansão é apenas uma vítima mesmo?

Esse livro não foi particularmente bom, mas não pude deixar de me encantar com ele. Originalmente publicado em 1991, o livro foi traduzido pela Companhia das Letras e publicado por aqui apenas em 2004. É o segundo, de uma série de 26 (!!!) livros.

“O cadáver estava boiando de bruços na água turva do canal. A vazante o arrastava lentamente em direção à amplitude da laguna que se espraiava além da barra. A cabeça bateu algumas vezes nos degraus limosos da amurada em frente à Basílica de San Giovanni e Paolo, enroscou-se um momento, mas não tardou a se afastar quando os pés, num delicado movimento dançante, traçaram um arco que se desprendeu, e o corpo volto a se deslocar rumo à vastidão e à liberdade”.

p. 1

Basicamente, esse livro é mais velho do que eu e não é particularmente um clássico, então ele me pareceu extremamente datado. Em um dos momentos, Guido tem que descobrir uma série de informações sobre um determinado produto químico. Na era pré-internet ele vai até uma livraria e compra três livros diferentes sobre o assunto. Guido também comenta repetidas vezes que sua esposa, Paola, não se importa se ele não dá satisfações de seu paradeiro, também, na era pré-celular, é bem mais fácil.

O ritmo é bem lento e, às vezes, o livro parece se arrastar. Achei isso bem curioso. Apesar de ser um thriller policial, um desses livros de investigação criminal que eu adoro, fico me perguntando se realmente as aventuras de Guido são mais lentas ou se, atualmente, as coisas correm muito rápido e a gente quer que os livros sejam rápidos também.

Esse livro não é aquele Dan Brown, de te deixar na pontinha da cadeira, querendo saber o que vai acontecer. Os mistérios também não são muito misteriosos e eu gostaria de que ele fosse um pouco mais aprofundado, de que ele tivesse um tchãn extra, sabe? O final é meio decepcionante e abrupto e dá para sentir que Brunetti fica bem frustrado com isso, assim como leitor.

As descrições de Veneza e da Itália (ainda na época em que as máfias mandavam em tudo, se é que ainda não mandam, né?) são bem interessantes. Apesar de Veneza ser, acima de tudo, uma cidade turística, Donna Leon consegue trazer uma cidade de cartões-postais para a vida, mostrando seus defeitos e suas zonas mortas. Fiquei com vontade de acompanhar a leitura pelo Google Maps, só para entender melhor os percursos de Brunetti.

Veneza barcos laguna

De qualquer forma, eu gostei da leitura. Na biblioteca do meu bairro tem um outro livro da mesma autora “Morte no Teatro La Fenice”, que é o primeiro da série, na verdade. Acho que, se ainda estiver no clima para livros de investigação, posso dar uma chance para ele, quando for devolver este daqui.

Beeijos, A Garota do Casaco Roxo

6 livros para ler em um dia

livros pequenos

Se você é como eu, provavelmente estabeleceu uma meta de leitura ambiciosa no Goodreads. Escolhi ler 60 livros esse ano e amo que a plataforma te mostra o quanto da sua meta já foi cumprida (35%), mas detesto que também mostre se você está atrasada nas leituras – o que significa que você pode não cumprir seu objetivo, se continuar nesse ritmo.

No momento, estou lendo 2 livros diferentes e estou para trás em um título. Jessica Woodbury, do Book Riot, fala exatamente sobre essa nossa obsessão com o Goodreads e as metas de leituras. Basicamente, ela escreve: “Como uma pessoa que realmente não pratica esportes, mas que lê como se minha vida dependesse disso, talvez minha obsessão seja melhor explicada através de metáforas esportivas. O Reading Challenge é meus Jogos Olímpicos. Não ter livros atrasados significa que estou no ritmo certo, estar atrasada significa que minha medalha pode estar fora do meu alcance, é ganhar ou morrer; fazer ou quebrar; é hora de ir com tudo.”

reading

Eu não estou realmente em uma ressaca literária, mas estou lendo livros que requerem mais minha atenção e que realmente não quero correr para terminar, só para voltar ao ritmo imposto pelo Goodreads. É em momentos como esse que eu recorro aos meus “one-night stands”, hehehe. Eu vou atrás de livros que podem ser lidos em um só dia, além de dar mais caldinho para minha meta de leitura.

Por isso, elaborei uma lista com livros fininhos com menos de 200 páginas e que podem ser lidos rapidamente.

1) O Carteiro e o Poeta, de  Antônio Skármeta – 127 páginas

carteiro e poeta livroDe todos os livros dessa lista, “O Carteiro e o Poeta” é o único que eu já resenhei aqui no blog. Poético e simples, o livro tem um final um pouco denso e segue sendo uma das leituras que mais me marcou na vida.

Sou uma leitora relativamente rápida, isso e o fato de conhecer o enredo por ter visto o filme homônimo de Michael Radford, “Il Postino”, fez com que eu lesse ele bem rápido mesmo. O vocabulário do livro é um pouco avançado – mesmo em português, não são palavras que usamos habitualmente- pode ser que algumas pessoas demorem um pouco mais para terminá-lo.

  1. O Compadre de Ogum, de Jorge Amado – 103 páginas

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Quem sou eu para falar de Jorge Amado, não é mesmo? Mas, decidi incluir “O Compadre de Ogum” nessa lista porque foi uma das melhores, quiçá, minha melhor leitura de 2016.

Escrito em 1964, o livro conta a história de Massu, que é muito popular e amado por todos. Certo dia, a prostituta Benedita aparece muito doente na porta da casa de Massu, com um bebê no colo, o filho do casal.

Com quase 1 aninho de idade, o bebê gorducho e sorridente é entregue à vó de Massu, Veveva e, para o escandâlo da velhinha, a criança ainda não foi batizada na Igreja Católica.

Massu é muito querido por todos seus amigos e, por causa disso, todos querem ser o padrinho do moleque. E é então que o drama começa: Massu não consegue escolher uma única pessoa para ser seu compadre.

“A primeira reação de Massu foi de vaidade satisfeita, todos desejando a honra de chamá-lo de compadre, como se ele fosse político ou comerciante da Cidade Baixa. Por seu gosto convidaria a todos, o menino teria inúmeros padrinhos, os sete presentes e muitos outros, os amigos todos, os do cais, os dos saveiros, os dos mercados, das feiras, das Sete Portas e de Água dos Meninos, das casas de santo e das rodas de capoeira.”

p. 21

Da forma mais brasileira possível, Massu recebe uma visita de Ogum, seu pai de cabeça, que anuncia que ele, o orixá “em pessoa”, será o padrinho da criança.

Para saber como eles vão resolver essa confusão, que mistura religiões e crenças de uma forma deliciosa, só lendo o livro mesmo. Os personagens são todos maravilhosos e realistas, os detalhes muito especiais da organização do batizado do menino também são apresentados e você vai se pegar rindo alto. Super amaria se fizessem um seriado ou uma novela baseados nesse livro (filme eu sei que tem e dá para ver aqui, online)

Envolvente, engraçado e com cheiro de sol e de mar, esse livro tem a pura picardia do malandro. Toda vez que eu penso nele, acabo com um sorriso no rosto, ao lembrar das aventuras misturadas e das vidas contadas, sem preconceitos ou julgamentos.

  1. O Sal da Vida, de Françoise Héritier – 100 páginas

O Sal da Vida

“O Sal da Vida” não deve ser observado como um livro de romance, embora conte uma história. Basicamente, Françoise Héritier lista uma série de experiências, sensações, sentimentos, gostos e desejos, uns seguidos dos outros, de forma a ilustrar aquilo que dá graça à vida, aquilo que nos faz sermos humanos.

“[…] olhar, de cima, um gato que nem desconfia que está sendo observado, rir disfarçadamente, esperar o entardecer, regar as plantas e conversar com elas, apreciar o toque de um couro macio ou de um pêssego ou de um cabelo sedoso, estudar detalhadamente o plano e fundo da Mona Lisa ou as rendas de Van Dyck, ter um sobressalto de prazer ao som de uma voz, partir para uma aventura, ficar na penumbra sem fazer nada, provar com relutância gafanhotos grelhados, desfrutar o prazer das conversas sem fim com velhos amigos […]

p.21

É lindo e super diferente daquilo que estou acostumada a ler. Embora ele possa ser lido rapidamente, é um bom livro para quem está em busca de uma experiência de leitura diferente dos romances padrãozinhos.

Ele também propõe que nós mesmos observemos aquilo que é o sal da nossa vida, ao deixar as últimas páginas livres para serem preenchidas. Confesso que, logo após terminar a leitura, vi a vida com um pouco mais de cor.

  1. Talvez uma história de amor, de Martin Page – 157 páginas

capa talvez uma história de amor martin page

“Talvez uma História de Amor” é um dos poucos livros que eu não faço ideia de onde veio e de como foi parar na minha estante. Faz sentido se você considerar que o principal tópico do livro é uma possível amnésia.

Virgile é um publicitário de relativo sucesso e bastante anti-social. Seu relacionamentos nunca dão certo e ele sempre acaba levando um pé na bunda das namoradas. Mas, um dia, ele recebe uma ligação, que caí em sua secretária eletrônica. Uma mulher chamada Clara dá o veredito “está tudo acabado entre nós!”. Nada de novo aí. Mas… O problema é que Virgile não se lembra de ter namorado nenhuma mulher com esse nome.

Intrigado, ele tenta descobrir quem é essa Clara e, principalmente, tenta re (ou não, né?) conquistar o coração dela.

Esse livro se passa em Paris e a cidade chega a ser uma protagonista secundária, aparecendo no livro mais até do que Clara. O humor é bem daqueles secos e sarcásticos dos franceses, eu gosto, mas entendo que as doses de auto-depreciação do Virgile possam irritar um pouquinho.

“Ao chegar à estação de Montparnasse, com dezoito anos de idade, Virgile decidira que Paris seria o objeto do seu amor, pois era preciso, de alguma forma, dirigir seu amor para alguma coisa. Paris nunca o abandonaria. Paris estava ali sempre que precisava. Paris não exigia sair de férias para alguma ilha paradisíaca, com praias nojentas cheias de óleo e cremes e sol. Paris não estava nem aí se ele ficava sem lavar a louça uma semana, se não fazia barba ou se se vestia mal. Paris o amava.”

p. 67

O que mais me chocou, até agora, foi descobrir que “Talvez uma História de Amor” vai virar filme aqui no Brasil!!!!! Não é uma loucura? Será essa a comédia romântica que eu tanto ando querendo ver? O filme é estrelado por Matheus Solano (!), Thaila Ayala e Dani Calabresa (!!) e dirigido por Rodrigo Bernardo. A previsão de estréia é 07.dez.2017, segundo o Amo Cinema.

  1. O Menino do Pijama Listrado, de John Boyne – 186 páginas

o menino do pijama listrado capa

Todo mundo conhece bem a história de “O Menino do Pijama Listrado”, que foi adaptado para os cinemas em 2008, pelo diretor Mark Herman. Filme esse que, depois do soco no estômago que foi o livro, nunca consegui criar coragem para ler.

Se você não viveu debaixo de uma pedra nos últimos anos, sabe que o livro conta um pouco da história do Holocausto e dos horrores do Nazismo, do ponto de vista de uma criança, protegida por sua inocência.

Sempre que alguém precisava de alguma coisa, Pavel trazia o que quer que fosse imediatamente, mas quanto mais Bruno o observava, mais certo ficava de que uma catástrofe estava prestes a acontecer. Ele parecia menor a cada semana que passava, se é que isso era possível, e a cor que deveria estar corando suas faces havia se esgotado quase por completo. Os olhos pareciam pesados de lágrimas, e Bruno pensou que uma piscada mais demorada poderia desencadear uma verdadeira torrente delas.”

p. 126

Bruno, filho do comandante de um dos campos de concentração nazista, se torna amigo de Shmuel, uma das crianças judias presas no campo. Através da cerca elétrica que protege os limites do campo de concentração, os dois conversam e a história parte dessa premissa.

Curtinho e simples, na realidade, é um livro infanto-juvenil. Dá para ler “O Menino do Pijama Listrado” em uma sentada só. Ainda mais se você quiser saber o final desesperadamente.

O que poucas pessoas sabem é que John Boyne, o autor, escreveu a história inteirinha em dois dias e meio, sem quase dormir. Ele conta tudo em uma entrevista nesse site,[…] eu só continuei escrevendo até chegar no final. A história veio até mim, eu não sei de onde ela saiu. Enquanto eu escrevia, eu só pensava ´continue e não pense muito nisso´. Com meus outros livros, eu tive que planejar todos eles. Eu penso por meses antes de escrever qualquer coisa. Mas, com esse, na terça-feira a noite eu tive a idéia. Na quarta de manhã eu comecei a escrever e, na sexta-feira, na hora do almoço, eu já tinha o primeiro rascunho.”

Para ser justa, na mesma entrevista Boyne diz que depois desse primeiro rascunho, ele reescreveu o livro umas outras 8 vezes, até chegar no livro final.  A entrevista é ótima, também, para quem quer ser um escritor e precisa de um encorajamento. Se Boyne penou no começo de sua carreira e tinha que ter um emprego para poder se sustentar, imagina nós, pobres aspirantes?

  1. O Outro, de Bernhard Schlink – 95 páginas

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Confesso que só comprei esse livro, porque na capa diz que ele deu origem a um filme estrelado por Liam Neeson e Antônio Banderas. Como eu gosto de ambos os atores, decidi dar uma chance.

Basicamente, ele conta a história de Bengt, que perdeu a esposa para um câncer. Depois de uma vida inteira de casados e de se aposentar, Bengt não tem muito o que fazer e se concentra nas tarefas de casa para o tempo passar mais rápido (que tédio, né, gente?).

Certo dia, Bengt recebe uma carta de um remetente desconhecido, mas que foi endereçada à sua esposa. Com a mulher morta e longe de poder ler o conteúdo da carta, Bengt a abre e o que encontra o deixa de cabelos em pé. De um tal de Rolf, a carta revela um antigo affair de sua companheira.

Decidido a descobrir todas as mentiras que sua esposa manteve, ele começa a trocar correspondências como o “Outro”, como se fosse a falecida.

Sinceramente, eu esperava mais desse livro. Imaginando Liam Neeson no papel de Bengt e Antonio Banderas no papel de Rolf, eu esperava que rolasse alguma luta corporal ou até uns assassinatos básicos. Mas, os grandes acontecimentos deste livro acontecem quase todos no âmbito psicológico. As 95 páginas podem ser lidas em menos de um dia com facilidade. O trailer do filme pode ser visto aqui:

Gostou e quer mais dicas de livros para “ler em uma sentada”? A Larissa Siriani tem um vídeo no canal dela só falando sobre isso!

Beeijos, A Garota do Casaco Roxo

Um Amor de Cinema – Victoria Van Tiem

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Nome: Um Amor de Cinema

Autora: Victoria Van Tiem

Editora: Verus

Páginas: 293

“Um Amor de Cinema” foi um dos livros que comprei quando tive aquele breve surto de compras na Bienal do Livro do ano passado. Demorei para lê-lo porque estava em busca do momento perfeito e, quando a hora finalmente chegou, li ele em um só dia.

No livro, seguimos a história de Kenzi Shaw, diretora de marketing e arte de uma agência de publicidade, que está prestes a ficar noiva de seu lindo-e-maravilhoso colega de trabalho, Bradley.

os simpsons casamento

Kenzi acredita que seu noivado vai finalmente fazer com que ela seja notada por sua mãe e por sua família de médicos-super-ocupados. Mas, no dia em que todos se juntam para celebrar, sua cunhada, Ren, anuncia para todos que está grávida e rouba a cena de Kenzi.

anderson cooper eyeroll

Não bastasse a falta de tato da cunhada, uma solicitação de amizade no Facebook deixa Kenzi de cabelos em pé. Shane Bennett, seu namorado da faculdade, surge das profundezas do passado para assombrá-la.

Quando Bradley avisa à sua noiva de que a agência de publicidade em que eles trabalham corre o risco de fechar, se eles não conseguirem uma conta nova, cabe a Kenzie conquistar o novo cliente e convencê-lo a fechar o contrato com eles. Mas é claro que isso não seria tão simples, né? O novo cliente é ninguém mais ninguém menos do que o próprio Shane Bennett.

Muito espertinho, Shane impõe uma condição para contratar a agência de Kenzi: Que eles revivam algumas das cenas dos filmes de comédia romântica que ela tanto gostava de assistir.

A lista, compilada por Shane, é a seguinte:

  1. Sintonia de Amor
  2. Uma Linda Mulher
  3. O Diário de Bridget Jones
  4. Vestida para Casar
  5. Dirty Dancing: Ritmo Quente
  6. Gatinhas e Gatões
  7. Simplesmente Amor
  8. Digam o que Quiserem
  9. Mensagem para Você
  10. O Casamento do meu Melhor Amigo

“Sorrio, apesar de tudo. É um dos meus favoritos. Tudo bem, todos são meus favoritos. Tem alguma coisa tão inocente e doce em filmes românticos. O mundo nem sempre faz sentido, mas, em uma boa comédia romântica, tenho a garantia de um final feliz. A garota sempre encontra o cara certo, aquele que realmente a entende, no nível mais básico.”

p.26

Sinto que li esse livro de forma incorreta. As 293 páginas dele não são nada intimidadoras e é possível terminar a leitura em um único dia, ainda mais quando se está empolgada para saber o que vai acontecer. Mas, não deixo de achar que, talvez, se eu tivesse apreciado ele mais lentamente, eu teria curtido mais. A grande questão aqui é que muuuuita coisa acontece. Tipo, muita mesmo.

big mistake

Kenzi e seu noivado; Kenzi e seu relacionamento conturbado com sua família; Kenzi e o ex-namorado tentando reconquistá-la; Kenzi e suas escolhas de carreira; Kenzi e o fato de seu trabalho estar entrando em uma possível falência; Kenzi e alguns baphos (relaxa, eu não dou spoiler) que te deixam de cabelo em pé… Tudo isso acontece na história e sinto que alguns problemas foram acelerados mais para o final e outros foram deixados de lado (o que eu até entendo, porque é isso que acontece na vida real mesmo. Algumas tretas são simplesmente ignoradas e tudo bem). Só mais algumas páginas extras deixariam o livro com o enredo mais amarradinho.

“Era de esperar que a essa altura os homens já tivessem aprendido a interpretar a palavra “bem”. Não significa que está tudo certo. Significa que há mais para dizer, muito mais. Que ainda há sentimentos enterrados bem fundo. Mas que serão expostos uma hora ou outra. É só uma questão de tempo.”

p.28

As cenas com Shane foram super fofinhas, mas me irritei um pouco com ele, pela insistência no romance com Kenzi, mesmo quando ela estava #deboa com seu relacionamento com Bradley. Confesso que também não o curti muito porque imaginei ele como o Paul Rudd (eu nem acho o Paul Rudd bonito, sabe?). Mas, acho que se não fosse essa coisa dos romances, não teríamos nem livro, né?

how to loose a guy in 10 days

Eu amei demais as recriações de cenas de filme de comédias românticas. Eu já havia visto todos os filmes da lista de Shane e também todos os outros que são mencionados durante o livro. Eu A-M-O comédias românticas e, dias atrás, quando fui ver Guardiões da Galáxia 2, não pude deixar de ficar chateada com os trailers: basicamente, só vai ter filme distópico, de ação, de aliens, de morte ou de violência. Cadê a Julia Roberts e a Sandra Bullock para nos salvar desse buraco, gente? Esse artigo da Carol Prado, do G1, busca responder nossas questões íntimas sobre o desaparecimento desse gênero.  Seria menos pior se os filmes de ação fossem bons, né? Mas, infelizmente, eu também achei Guardiões da Galáxia bem medíocre e ia fazer um texto só para ele, apontando tudo o que vi e que me incomodou, mas esse texto aqui, do Chico Barney, que compara o filme da Marvel com um filme dos Trapalhões com orçamento milionário, já disse tudo o que eu gostaria de ter dito.

mensagem pra voce

Voltando a “Um Amor de Cinema”: é um livro fofo e despretensioso, que, quando você terminar de ler, vai ficar com um sorriso nos lábios e o coração mais quentinho.

Fiquei com vontade de rever todas as comédias românticas mencionadas no livro e super me relacionei com o que a autora, Victoria Van Tiem, escreveu em seu site oficial sobre de onde tirou a idéia para escrever “Um Amor de Cinema”:

“A ideia veio de querer esses grandes momentos dos filmes românticos para mim mesma. Afinal de contas, nossas vidas devem ser como os filmes. Devemos viver e amar muito, sem arrependimentos, porque, realmente, não temos garantia de recebermos uma segunda ´tomada´.”

o casamento do meu melhor amigo

Recomendo!

Beeijos, A Garota do Casaco Roxo

Pepitas Brasileiras – Jean-Yves Loude

pepitas brasileiras

Nome: Pepitas Brasileiras: Do Rio de Janeiro ao Maranhão, uma viagem de 5.000 quilômetros em busca dos heróis negros do país.

Autor: Jean-Yves Loude

Editora: Autêntica

Páginas: 351

Terminei de ler a última página de “Pepitas Brasileiras” com vontade de reler o livro, até que todas as palavras e informações contidas nele estivessem impregnadas em minha memória.

Deitada em minha cama, finalizei o relato de viagem de Leuk e Leão sabendo que aquela jornada de mais de 5 mil quilômetros havia mudado minha perspectiva em muitos assuntos e que “Pepitas Brasileiras” tem o grande potencial de ser minha melhor leitura de 2017.

Que livro, minha gente, que livro!

Nossa jornada começa com um e-mail, recebido no primeiro dia do ano por um casal de etnólogos franceses que, provavelmente, não tem nem ideia da aventura que os espera. Na tela do computador eles são encarados pelos olhares computadorizados da projeção da aparência de Luiza, cujo esqueleto – de 11 mil anos de idade – foi encontrado aqui no Brasil. A reação de ambos é de surpresa e de excitação, afinal de contas, o crânio tinha características negras, a projeção tem pele negra e pertence a uma época em que os pesquisadores acreditavam que América só estava sendo colonizada por migrantes da Sibéria e da Mongólia, que vinham através do Estreito de Bering. Será possível que os negros chegaram de barco a esta terra que conhecemos por Brasil antes que os outros “colonizadores”?

O e-mail, enviado por Zayda, diretora da companhia de cultura “Tambor de Crioula Catarina de Mina”, foi o impulso final para que Leuk e Leão organizassem suas coisas e viessem para o Brasil em busca dos personagens negros de nossa história, cujas vidas, feitos e conquistas foram encobertos ou esquecidos de alguma forma.

“Há uma coisa de que o Brasil sofre ainda hoje: a persistência de preconceitos ligados à evocação do país, clichês fabricados em grande parte pelo cinema, pela televisão e pela indústria turística e que sobrevivem graças à preguiça intelectual. Uma visão tacanha que irrita aqueles que se recusam a ver o gênio plural do Brasil, mestiço, efervescente, em perpétua criação, reduzido à simples evocação de Copacabana, do futebol, das novelas, da violência, do tráfico, do Carnaval e da coisificação do corpo feminino.”

p.18

Com os textos e a narrativa em formato de diário de viagem e endereçados especificamente à Zayda, o leitor observa um verdadeiro desfile de personagens, cores, gostos, cheiros e cidades deste Brasil, cujos nomes são tão pouco conhecidos que eram ignorados por mim.

Através de visitas em museus, sítios arqueológicos, quilombos, marcos históricos e cidades inteiras, contando com o apoio das pesquisas de Leuk e de entrevistas e diálogos com pesquisadores brasileiros, a jornada dos etnólogos é costurada à trajetória daqueles que marcaram a história do meu país. O resultado é uma mistura, aquela pontinha de sabor que faz você querer pesquisar e saber mais e mais sobre tudo aquilo que foi nos ensinado.

Desfilam pelas páginas e pelo nosso imaginário os mais conhecidos personagens negros de nossa história, como Aleijadinho e Castro Alves, passando por Ana das Carrancas e Santa Anastácia, cuja história eu já tinha ouvido aqui e lá, até chegar em Negro Cosme, a Beata Maria de Araújo e a história das mulheres do Quilombo Conceição das Crioulas, que eu realmente desconhecia.

“Essa imagem da liberdade reconquistada foi coberta por uma pichação escrota do tipo: “Deus criou o pé para chutar a bunda!”. Compreende-se que se trata da bunda do negro. Anoto a fórmula diante de um senhor que está ali passeando e parece constrangido por nossa atenção a semelhante expressão de racismo ordinário. Explico-lhe que também anotei outra reflexão, muito bonita, caligrafada na parede, inscrita na moldura pintada de um falso pergaminho: “Existe uma história do povo negro sem o Brasil. Mas não existe uma história do Brasil sem o povo negro.”

p.272

Muitos outros personagens aparecem no livro e uma das coisas que eu mais gostei é que você não precisa ser um historiador ou um intelectual para apreciar algumas das vidas apresentadas no livro. Basta ter empatia e você já vai sair anotando nomes, para pesquisar mais sobre essas “pepitas”. Didático, Jean-Yves pega o leitor pela mão e nos ajuda a refrescar conceitos que nos foram ensinados na escola e depois esquecidos com o passar dos anos.

Cada personagem que passava pelas páginas de “Pepitas Brasileiras” me ensinava um pouco mais sobre a história de meu país e sobre os contextos que foram torcidos para justificar a escravidão e o racismo. Aprendi que as estátuas de namoradeiras têm um fundo bem melancólico e triste até. Aprendi que a cultura do Nordeste é muito mais extensa e profunda do que eu tinha conhecimento. Aprendi que “Maria Padilha” tem um significado histórico real, que vai bem além de um simples nome.

“Um rapaz jovem e loquaz aponta cada figura policroma e nos apresenta São Jorge derrotando seu eterno dragão, os gêmeos médicos Cosme e Damião, uma série de Nossas Senhoras em suas diversas atribuições, Nossa Senhora Aparecida em perfeita cumplicidade com Iemanjá, a entidade espiritual das águas salgadas, ela própria muito próxima de Santa Bárbara. Tem também Ogum, Exu, Oxum, Iansã…. Uma verdadeira reunião cordial de potências sobrenaturais. E aqui os espíritos índios, Sete Catacumbas e Sete Encruzilhadas. E Zé Pelintra, o boêmio de roupa branca e chapéu de malandro: mas cuidado, por trás de sua silhueta de sambista cafajeste se esconde um espírito poderoso.”

p.59

Descobri que, para uma pessoa que gosta de história e que considerava conhecer relativamente bem o assunto, eu não sei de nada. Arrisco dizer que, da missa, eu arranho só um Pai Nosso.

Além do aspecto histórico, as religiões afro-brasileiras também têm grande destaque na narrativa e certos aspectos delas são explicados e aprofundados de forma que praticantes e não praticantes possam entendê-las um pouco melhor. Sem preconceitos.

“Uma vozinha interior nos guia para uma loja escura de estátuas afrorreligiosas. Imagino, Zayda, que esses minimercados atulhados de produtos místicos devem parecer banais para você. Mas eles nos fascinam. Cheiram a incenso e transbordam efígies de gesso pintado ou de ferro, de todos os tamanhos, orixás e santos católicos lado a lado, bunda a bunda, Virgens tímidas, deuses impudicos, gênios índios, espíritos vestidos de malandro sambista ou de marinheiro: só mesmo o céu brasileiro para abençoar tamanho samba do crioulo doido.”

p. 185

Eu queria que todo brasileiro lesse “Pepitas Brasileiras”. Eu queria uma nova versão dele, com a linguagem um pouco mais simples, para que ele pudesse ser lido nas escolas. O livro original foi escrito em francês e a tradução foi feita por Fernando Scheibe, que fez um ótimo trabalho em dar picardia e charme brasileiros a escrita de Jean-Yves.

Eu gostaria que a divulgação deste livro fosse bem maior. A Editora Autêntica fez alguns posts patrocinados no Facebook e eu aproveitei para comprar o livro na Festa do Livro da USP, depois de ler um desses. Mesmo assim, quem fez o cadastro de “Pepitas Brasileiras” no Goodreads foi a própria que vos escreve e eu ainda estou para ver alguma resenha dele em algum site (vi uma crítica no O Globo, mas foi só).

Como disse no começo do texto, quero reler “Pepitas Brasileiras” em breve. É um livro que te ensina e te incita a querer saber mais. Agora que tomei conhecimento desse Brasil, quero ir mais além e ler mais sobre a história de meu próprio país.

“Nunca me esquecerei de uma senhora negra, batista, prosélita, que aceitou vir ao Salão do Livro para nos escutar falar das consequências das expansões europeias na África e no Brasil. Essa mulher forte, empregada doméstica, levantou-se e interpelou toda a plateia: “Não é absurdo que seja preciso esse casal de brancos para nos falar de nossa história como se fossem negros?!” – e atravessou a sala para nos abraçar.”

p.301

Recomendo “Pepitas Brasileiras” para qualquer um, independente de idade, raça, escolaridade, sexo ou nacionalidade. Não estou exagerando ao dizer que esse livro ampliou meus horizontes.

Beeijos, A Garota do Casaco Roxo

Damas de Honra – Jane Costello

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Nome: Damas de Honra

Autora: Jane Costello

Editora: Record

Páginas: 431

“Damas de Honra” é um livro complicadíssimo para mim. Eu acabei a leitura dele sem saber muito bem o que tinha achado dele (o que sempre é um mal sinal) e sigo meio confusa em relação aos meus sentimentos com essa leitura.

Eu acredito que, para os padrões de 2017, “Damas de Honra” têm elementos suficientes para ser considerado um livro problemático.

Nele, nós acompanhamos Evie Hart, uma jornalista que nunca teve um relacionamento verdadeiramente duradouro. A verdade é que, aos 27 anos, Evie nunca se apaixonou, nunca sentiu aquele frisson e também se convenceu de que não nasceu para o amor. Até o momento, isso nunca tinha incomodado ela de verdade, mas, agora que a temporada de casamentos começou – e que ela vai ser dama de honra em três deles – ela se sente bem confusa.

Grace, uma das melhores amigas de Evie, já tem uma filha com seu noivo e os dois vão casar em breve. É no casamento dela que a jornalista conhece Jack, um homem capaz de fazer Evie duvidar de suas convicções para com o amor. O único problema? Jack veio acompanhado de Valentina, a amiga mais sexy, sensual, “que dorme com qualquer um” e poderosa do grupo.

Evie está convencida de que Valentina “não é mulher” para Jack, afinal de contas, ela só dorme com caras sem cérebro, que só pensam nas calças e Jack, por ser o diretor de uma ONG que ajuda pessoas na África, definitivamente não faz o tipo dela.

Além disso, Evie também tem que lidar com a constante perseguição de Gareth, seu ex-namorado cheio de espinhas e que só quer saber de vê-la usando um maiô de couro com buracos nos mamilos.

Pouco antes do segundo casamento da temporada, o de Georgia, Charlotte, outra amiga, está se sentindo muito mal com seu corpo.  Evie, Georgia, Valentina e Grace, então, começam a ajudá-la a emagrecer e a transformar seu visual.

Conforme a narrativa avança, Charlotte, que agora está magra, admite ter uma paixão ardente por um dos noivos – agora maridos, né?- de uma das amigas. E o barraco é de cair o queixo.

Eu não posso contar -muito- mais coisas sem dar spoilers e estragar o livro para alguém que queira dar uma chance a ele. Mas a verdade é que, além do slut shamming com Valentina, as cenas com a Charlotte também me incomodaram um bocado e eu não sei dizer exatamente o quê, mas tudo me pareceu bem incorreto. Ainda mais com o que acontece bem no finalzinho do livro.

O livro tem 441 páginas, mas isso não me parece suficiente para o bom desenvolvimento da narrativa. Acontece coisa demais e não há respiro. Em certo momento, o foco da narrativa sai de Evie e do seu problema em manter relacionamentos duradouros, mesmo parecendo que ela encontrou “O” cara certo. Então, a autora passa o foco à Charlotte e as outras amigas e o arco dessas personagens se torna bem maior do que o da personagem principal, mesmo sendo um livro narrado em primeira pessoa.  Acho que a história seria bem mais interessante se fosse narrada por cada uma das personagens, alternando seus pontos de vista.

Outro problema que eu encontrei, que, em partes, combina com a questão anterior, foi a narrativa em primeira pessoa. A gente sabe que esse é o padrão do chick-lit e que é isso que os torna tão atraentes para o público, mas é necessário saber dosá-lo. O “xis” da questão aqui foi que Evie quase não tem aquele monólogo interno, que faz com que a gente entenda os problemas da personagem e acabe se identificando, torcendo e se apaixonando junto com ela. Essa falta de descrições faz com que Evie cometa ações e tome atitudes, que nos deixam  “???” e sem entender lhufas, mesmo sendo um livro em primeira pessoa, tecnicamente, mais pessoal e profundo.

A falta de explicações na narrativa em primeira pessoa e o grande espaço ocupado pelas histórias paralelas das outras personagens tomam tanto tempo que, até agora, eu não sei dizer exatamente como Evie resolveu seu problema com relacionamentos duradouros (não é spoiler, né, gente? É tipo dizer que alguém morre em um episódio de CSI. Em um chick-lit, a gente sabe que alguém fica junto no final).

Mas, sendo sincera, a parte que mais me incomodou foi a da Charlotte. Não me pareceu certo os comentários quanto a imagem corporal dela, em nenhum momento. As atitudes tomadas pela própria Charlotte e pelas amigas também me deixaram bem confusa. O livro é de 2008 e já faz um tempo, mas será que é tempo o suficiente para justificar o que hoje eu considero rude, grosseiro e até vulgar?

“Damas de Honra” não funcionou para mim, mesmo sendo um chick-lit que envolve casamentos e outras coisas que eu adoro. Mas, pode ser que ele funcione para você. Sendo sincera, ele teve um ou dois momentos que me fizeram rir, mas isso não foi o suficiente para que eu o considerasse um livro bom, arrebatador e de me deixar suspirando por semanas.

Tem alguém aqui que já leu “Damas de Honra” e que tope conversar comigo sobre ele? Talvez, debatendo um pouco, eu consiga entender melhor algumas das coisas que me incomodaram!

Beeijos, A Garota do Casaco Roxo

O Demônio na Cidade Branca – Erik Larson

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Nome: O Demônio na Cidade Branca: Assassinato, magia e loucura na feira que mudou os EUA

Autor: Erik Larson

Editora: Record (mas foi publicado pela Intrínseca recentemente também)

Páginas: 556

“O Demônio na Cidade Branca” foi um achado. Explico: Na livraria do meu bairro, vira e mexe vendem alguns livros bons, que ficaram encalhados no estoque das editoras, por R$ 12.  Lá, eu comprei “O Demônio na Cidade Branca” e muitos outros títulos – muitos mesmo, por isso estou proibida de comprar livros novos. Pouco tempo depois, descobri que a Editora Intrínseca tinha republicado o livro de Erik Larson no final do ano passado. Minha edição é de 2005, mas acho que a experiência de leitura é a mesma.

“O Demônio na Cidade Branca” é um livro de não-ficção que aborda acontecimentos e fatos históricos reais. Mais especificamente, nós seguimos a história da Exposição Universal de 1893, oficialmente conhecida como “Exposição Internacional Colombiana”. Sediada na cidade de Chicago, a feira internacional teve duração de um ano e buscava celebrar os 400 anos da chegada de Cristovão Colombo ao Novo Mundo, a América – daí o nome “Colombiana”.

Erik Larson, através de uma extensa pesquisa em livros, documentos oficiais, diários e arquivos, reconstrói a narrativa de tal forma, que a impressão que temos é que estamos lendo um romance com diálogos, cenários e personagens principais e secundários. Ele chega a ser quase cinematográfico.

No livro, nós acompanhamos as dores e o trabalho árduo de Daniel Burham, um dos maiores arquitetos dos Estados Unidos e o responsável por realizar a feira.  Burnham foi o criador do edifício Flatiron em Nova Iorque e ficou encarregado de supervisionar o trabalho de elaboração e design dos prédios da Exposição Universal. Ele também foi o responsável por construir os planos e por tonar a feira realidade. Os prédios seguiram um padrão arquitetônico e eram todos brancos, daí o nome “Cidade Branca”.

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Na Exposição Universal de 1893, havia prédios para cada área do conhecimento (Humanidades, Manufaturas, Indústrias…) e também pavilhões temáticos para diversos países do mundo.

Junto com Burnham estava também Frederic Law Olmsted, o paisagista responsável pelo Central Park, também de Nova Iorque. Juntos, os dois tiveram o trabalho gigantesco e descomunal de transformar uma área pantanosa e úmida nos arredores de Chicago em uma Exposição Universal de dar inveja à de Paris, que aconteceu em 1889, e de sobrepujar o grande marco da exposição anterior, a Torre Eiffel. A exposição tinha até um grande lago navegável, que foi construído para agradar aos desejos paisagísticos de Olmsted.

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A “Corte de Honra” de Burnham e o lago de Olmstead.

Paralelamente aos desafios de Burnham, nós seguimos o jovem médico H.H. Holmes, cujos olhos carinhosos e gestos afetuosos eram uma fachada para um grande psicopata que matou muita gente, ao longo do decorrer da Exposição Universal.

Visando obter lucro com o afluente de pessoas que iria até Chicago para visitar os pavilhões e prédios de Burnham, H.H. Holmes construiu um hotel mórbido, com canos de ventilação, passagens secretas e um porão equipado com um crematório e ácidos e solventes químicos, para ajudá-lo a se livrar dos corpos. Holmes era um serial-killer de deixar Jack, o Estripador no chinelinho. 

Entre os anos de preparativos que antecederam a Exposição, até a construção dos prédios; os acontecimentos da Feira em si; os assassinatos de Holmes, culminando, por fim, na prisão do assassino, através do trabalho do detetive Geyer, “O Demônio na Cidade Branca” é um livro eletrizante e de tirar o fôlego, que vai fazer qualquer jornalista desejar tê-lo escrito. Eu me peguei segurando a respiração em diversos momentos, por causa de Holmes, e também torcendo para que o trabalho de Burnham desse certo, além do sucesso da exposição.

Cenários e diálogos são reconstruídos por Larson através de suas extensas pesquisas. A narrativa começa conosco a bordo do Olympic, junto com Burnham, enquanto o navio cruza o Oceano Atlântico, para ajudar a resgatar a tripulação e os passageiros de um outro navio, que havia afundado a pouco, o Titanic. Tecendo conexões entre momentos históricos e comparativos que ajudam leitores mais leigos a entender o que está acontecendo, um dos principais momentos da história dos EUA ganha vida, cor, cheiro e forma.

Muitas curiosidades são levantadas e a quantidade de coisa que eu aprendi com esse livro não tá escrita! Um dos exemplos desses aprendizados inesperados aconteceu por conta do exaustivo trabalho dos engenheiros para encontrar algo que fosse superior à Torre Eiffel ,em todos os aspectos. O resultado foi obtido pelo engenheiro George Ferris, que construiu a primeira roda gigante (em inglês “Ferris Wheel”) da história. Os carrinhos da roda gigante tinham janelas de vidro e as descrições de Larson sobre o terror e o medo dos primeiros passageiros da roda gigante são hilárias. Pedidos de casamento, casamentos e tentativas de suicídio aconteceram naquela roda gigante.

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A primeira Roda Gigante da história, construída na Feira Internacional Colombiana

Outros personagens de importância histórica mundial passeiam pela feira e tudo o que você vai querer é ler mais e mais. Os assassinatos de Holmes também ajudam a dar um toque meio noir ao livro e, apesar de serem pesados, as descrições não são tão detalhadas a ponto de deixar você – muito – assustado. O perfil psicológico de Holmes é muito bem construído e é difícil não se surpreender com a quantidade de gente que ele matou sem que ninguém percebesse ou notasse algo de estranho.

A única coisa que eu senti falta foram imagens e fotografias. É bem comum, nesse tipo de livro, ter um capítulo inteiro só com imagens e fotografias que ajudam a criar um imaginário das cenas descritas e dos personagens também (eu, por exemplo, imaginei Burnham como Chris Hemsworth e agora me recuso a pesquisar seu rosto e ver que ele não é nada disso). A verdade é que a falta de imagens é explicada até por Larson, no próprio livro. Como uma forma de conseguir mais lucros para a exposição – que estava atolada em dívidas – Burnham vendeu os direitos de imagem e só havia um único fotógrafo autorizado a tirar fotos do local, por isso a escassez de registros. Qualquer hora vou até uma livraria só para ver se há fotos na edição da Intrínseca.

Recomendo “O Demônio na Cidade Branca” para qualquer um que goste de história, arquitetura, assassinatos, suspense, investigação e curiosidades. Quem gostou de filmes como “Os Intocáveis”, do Brian de Palma, vai adorar isso aqui. O livro é um prato cheio para quem quer se desafiar e sair um pouquinho da zona de conforto na leitura.  

Definitivamente, essa já é uma das melhores leituras que fiz em 2017 e agora só me resta procurar por livros semelhantes e tão legais quanto esse.

Beeijos, A Garota do Casaco Roxo

Le Petit Nicolas – Sempé-Goscinny

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Nome: Le Petit Nicolas

Autores: Jean-Jacques Sempé e René Goscinny

Editora: Denöel

Páginas: 160

Idioma: Francês

Não, querido leitor, eu não sumi da face da Terra e parei de postar no blog sem nenhum aviso. A verdade é que chegou aquela época de maldade do semestre, onde a quantidade de coisas para fazer relacionadas a faculdade aumenta e onde o volume de trabalho dobra. Não tem erro, é sempre assim. Desculpa aê!

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Dito isso, também aviso que o post de hoje, apesar de parecer, não é uma resenha daquelas de sempre, é uma dica para quem, como eu, está aprendendo francês!

Le Petit Nicolas é uma série de livrinhos de 14 volumes, publicados nos anos 60. As histórias contam um pouco da vida de Nicolas, um menininho francês e seus amigos, Alceste, Clotaire, Eudes, Joachim, Geoffroy, Agnan e Rufus.

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Quando comecei a estudar inglês, meu professor sempre trazia livrinhos infantis e incentivava que nós lêssemos muito. Rolava nota para quem fizesse teatrinhos e eu achava tudo muito estressante na época.

O que eu percebi depois de começar com o francês é que eu tenho ótimas habilidades de escuta e isso ajuda muito na hora de aprender uma nova língua. É bem fácil falar e entender o que estão falando para mim, mas a figura muda na hora de escrever. O francês é uma língua bem traiçoeira porque muitas palavras não parecem muito com a versão escrita delas e outras são grafadas de maneira diferente, mas pronunciadas da mesma forma. Um pesadelo pra moi.

A solução que encontrei é a mesma que encontrei para aprender a escrever melhor: LEITURA!

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Zapeando pelo Netflix encontrei um filme chamado O Pequeno Nicolau. Nele, Nicolau, uma criança de 9 anos, se convence de que seus pais vão ter um novo filho e que, com a chegada da criança, ele será abandonado na floresta, para ser devorado por ursos. Nicolau, então, reúne seus amigos e passa por uma série de aventuras, desde contratar um ladrão para sequestrar sua irmã que ainda nem nasceu, até comprar flores para sua mãe e destruir a casa da família acidentalmente. 

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O filme é uma gracinha, doce e fofo, como se estivéssemos vendo o equivalente francês do Menino Maluquinho ou do Pedrinho, de O Sítio do Pica-Pau Amarelo. Uma pena que o filme foi removido do catálogo da Netflix, porque até continuação ele teve (e eu ainda nem vi).

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A curiosidade falou alto e, ao pesquisar, sobre o filme, encontrei a série de livros.

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Os livros são divididos em capítulos ultra curtinhos, com poucas páginas. O vocabulário é bem fácil e infantil e as frases são construídas da forma como uma criança falaria mesmo. É um pouco traiçoeiro porque, se a gente escreve frases dessa forma, vai parecer que somos crianças, mas, como o objetivo é só praticar a leitura, a coisa funciona. As ilustrações são fofas e, em alguns momentos, quando eu não compreendia uma palavra ou a situação, elas ajudavam a me situar, sem que eu tivesse que recorrer a traduções.

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Nicolau passa por várias aventuras, como a vez em que ele fumou um cigarro de verdade e não um de chocolate, a vez em que seus amigos foram brincar no terreno baldio, as bagunças no intervalo da escola e a zoeira com o inspetor, a vez em que eles ensaiaram a Marseillesa, para cantar pro Primeiro Ministro na escola e acabaram sendo fechados no porão e os jogos de cowboy seguidos de coups sur le nez.

As histórias também são super legais e é uma leitura rápida, sem grandes atropelos. Até o momento eu li “Le Petit Nicolas” e “Le Petit Nicolas et les copains” e teria lido muitos outros, se os livros não custassem um rim, no estande da Livraria Francesa da Bienal, e se não fosse tão difícil encontrar eles na Livraria Cultura da Paulista.

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No fim, recomendo para qualquer um que quer dar uma treinada na leitura em francês e se divertir um pouco com as aventuras das crianças.

Trailer do filme legendado em português:

Beijoos, A Garota do Casaco Roxo

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Destinado – Carina Rissi

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Nome: Destinado

Autora: Carina Rissi

Editora: Verus

Páginas: 462

Eu adoro a Carina Rissi. Tipo, mesmo. Eu leria a lista de compras dela e acho que parte desse carinho vem por acompanhar a trajetória dela desde que ela publicou “Perdida” em uma editora super pequena. Eu acabei entrevistando ela para o blog (uma das minhas primeiras entrevistas, gente!) e foi lá que eu descobri que Perdida teria sim uma continuação.

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Foi então que veio “Encontrada” e eu, apesar de ter aproveitado a leitura, confesso que achei a história toda meio desnecessária. “Perdida” era um livro redondinho e bem acabado, não havia a necessidade de se inventar novos enredos e novas coisas só para dar continuidade aos personagens, um conto já resolvia as coisas todas. Mas eu li e minhas opiniões completas podem ser encontradas aqui.

Foi então que eu ouvi um burburinho sobre “Destinado”  e fiquei um pouco decepcionada, até que… Eu li o livro e, aquilo que eu achei que iria acontecer em “Encontrada”, aconteceu em “Destinado” e eu amei demais! haha

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Em “Destinado”, Sofia e Ian estão de volta, bem como Marina, a filha dos dois (não é o spoiler, não faça com que eu me sinta culpada) e Elisa, a irmã de Ian. A história é contada pelo ponto de vista de Ian e essa mudança de perspectiva traz um pouco de ar fresco para a narrativa. Tudo vai bem na casa da família, até que um dia, um misterioso telefone celular aparece na casa dos Clarke.

O telefone vibra, emite luzes e é encontrado por Ian que, temendo que o aparelho telefônico tenha aparecido para levar sua esposa de volta pro futuro, o esconde. Mas, o objeto não é encontrado por Sofia e sim por Elisa, que é transportada diretamente para o século XXI.

Desesperada com o desaparecimento da querida cunhada, Sofia decide voltar ao futuro em busca de garota. Um telefone aparece para ela também e, quando ela aperta os botões e a luz aparece para levá-la ao nosso tempo, Ian a segura e ele também é transportado para o século XXI.

Aqui, os dois têm que se esforçar para encontrar Elisa o mais rápido possível e voltar para seu tempo e sua filhinha. Com a ajuda de Nina, a melhor amiga de Sofia, e Rafa, seu namorado (super quero um livro contando a história dos dois), Sofia e Ian vão ter que se adaptar à realidade de nosso século para conseguir, de novo, o felizes para sempre que tinham “perdido” por pouco.

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Nenhum motivo real para se ter esse gif por aqui, mas né? Um gif de Lizzie e Darcy não mata  ninguém… u.u

A história é legal e envolvente, a narração por Ian é muito interessante porque podemos visualizar nosso tempo através do olhar de uma pessoa do século passado, o que é super diferente. A única coisa que me desagrada um pouco é o quão super protetor ele é, entendo que o livro aborda um pouco da educação e do cavalheirismo, mas, no século XXI, talvez seria interessante se ele fosse um pouco menos tudo isso, sabe? A Sofia é um personagem super kick-ass e forte, ela se garantché!

Algumas cenas são hilárias e fofas e é uma gracinha de ver. A escrita da Carina é maravilhosa e eu fiquei verdadeiramente preocupada com Elisa, segurando a respiração durante toda a narrativa.

O sumiço de Elisa neste século é só um dos enredos do livro, que tem várias outras situações e confusões acontecendo ao mesmo tempo. Eu até que gostei disso (menos de uma certa parte em que memórias e lembranças começam a sumir…), porque senti que Carina soube explorar bem todas as possibilidades, dando um toque realista à história – já bem dizia minha mãe “desgraça pouca é bobagem!”.

Como disse na resenha de “Encontrada”, se você não é lá muito fã de “Perdida”, mas quer mais um pouco de Sofian, pule direto para “Destinado”, que você não vai se decepcionar.

Agora mal posso esperar para ler “Prometida”, que é a história da Elisa, olha que capa linda!

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Beeijos, A Garota do Casaco Roxo

 

The Secret Diary of Lizzie Bennet – Bernie Su e Kate Rorick

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Nome: The Secret Diary of Lizzie Bennet
Autores: Bernie Su e Kate Rorick
Editora: Touchstone
Páginas: 400
Idioma: Inglês intermediário

escrevi no blog sobre o quão obcecada fiquei com o seriado do Youtube “The Lizzie Bennet Diaries”. A websérie acabou, mas as amizades que eu fiz através dele continuam até hoje. De tanto que me impactou, não seria estranho saber que TLDB (só pros íntimos) gerou umas anedotas curiosas na minha vida, no mínimo.

Certo dia, eu estava no twitter quando Kate Rorick, uma das roteiristas da série, pediu ajuda de alguém que falasse português. Como eu não tinha nada para fazer, me ofereci. Turns out que Kate Rorick escreve romances históricos maravilhosos sob o pseudônimo Kate Noble. Em um de seus livros, o personagem principal solta umas frases aqui e lá em português, e ela queria que eu fizesse uma tradução correta delas e enviasse áudios de como elas soariam se faladas por um nativo.

Em troca desse “servicinho” – honestamente, eu estava tão empolgada em conversar com ela que teria feito sem receber nada – Kate me enviou dois de seus romances históricos, um monte de coisinhas fofas de TLDB e  uma cópia de “The Secret Diary of Lizzie Bennet”, que tinha acabado de ser lançado e que eu não tinha esperanças de ter em tão pouco tempo.

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Minha reação quando o carteiro chegou com o pacote que ela me enviou.

Se você tem vivido embaixo de uma pedra nos últimos dois anos, The Lizzie Bennet Diaries é uma adaptação moderna, em formato transmídia, de Orgulho e Preconceito. Lizzie conta sua história através de vlogs semanais, que ela deve gravar durante um ano para finalmente conseguir seu mestrado em comunicação.

Tem a mãe que quer casá-la logo, o Sr. Bennet que gosta de trenzinhos, a irmã Lydia, que é bem reckless, Jane, a irmã fofa e que estuda moda, o médico Bing Lee, sua irmã Caroline e William Darcy, um jovem que tem enriquecido muito com negócios na área de tecnologia. Os outros personagens também são maravilhosos e a série tem uma diversidade de personalidades e racial que deixa qualquer produtor cultural encantado.

Basicamente, é maravilhoso. E se você amou a websérie, vai amar ainda mais o livro.

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Funcionando exatamente no modelo de transmídia que aprendi no último semestre da faculdade, o livro é um complemento a aquilo que está nos vídeos. Os pontos abordados da história são os mesmos, mas com mais profundidade e informações adicionais, que vem em dois gumes, porque, por ser o diário de Lizzie, a gente fica sabendo só do ponto de vista dela, sem ter a opção de recorrer aos vídeos, tweets e posts no Facebook dos outros personagens.

O diário de Lizzie também tem o grande poder de ter cenas que não aconteceram na frente da câmera, ou seja, que ficaram de fora da série. Por exemplo, logo no começo dos vídeos ela menciona uma festa de passagem e, no livro, a gente acaba vendo todas as cenas que aconteceram durante a festa.

Dessas cenas do diário, a que mais me marcou foi uma que rola depois de todo o bafafá do clímax da série. Basicamente, Darcy olha para Lizzie e diz: “Come to bed, Lizzie”. E ela vai. E eu fico desmaiada porque isso não está na série – nem teria lugar, na verdade-, mas dá um baita complemento, em 4 palavras, a todo o relacionamento deles. 

Além disso, o livro dá uma grande profundidade à Lizzie. Ela deixa de ser aquele personagem dos vídeos e passa a ser um personagem com pensamentos e sentimentos mais explícitos. Se no vlog a gente acha que entende pelo que ela tá passando e aquilo que ela está pensando, no diário a gente tem mais certeza das coisas, consegue sentir mais empatia e se envolver mais com toda a história.

Comecei a assistir a websérie quando estava no episódio 60, mais ou menos. Eu esperava ansiosamente pelas tardes de quarta feira, para receber um vídeo novo e saber o que acontecia no mundo da Lizzie. Depois de ler o livro e saber alguns bastidores da história, eu não tive escolha se não voltar ao Youtube e rever todos os vídeos – de novo e de novo.

“The Secret Diary of Lizzie Bennet” foi lançado em português como “O Diário Secreto de Lizzie Bennet”, pela editora Verus. Mas, se você já conhece bem a série e quer tentar ler algo em Inglês, o livro é bom para quem não tem muitos conhecimentos na língua e quer praticar a leitura!

Kate Rorick e Bernie Su também escreveram “The Epic Adventures of Lydya Bennet”, que conta a história da Lydia depois de todos os acontecimentos da época do vlog. Esse eu ainda não li, mas mal posso esperar para fazê-lo.

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Beeijos, A Garota do Casaco Roxo

Os Hathaway – Lisa Kleypas

Não consigo me lembrar qual foi a última série de livros que me fisgou da maneira que “Os Hathaway” me fisgou. Estava passeando por uma Saraiva, quando vi que os livros da série estavam todos por meros R$ 14,00. Agindo por impulso, sem conhecer nem a autora, nem a sinopse dos livros e querendo um romancezinho histórico, eu comprei todos os que estavam ali (faltava só o quarto volume).

Quem acompanha o blog com frequência sabe que, apesar de adorar esse gênero, eu quase nunca faço resenhas de romances históricos. Explico: Não tenho um crivo bom para esses livros. Mesmo. Se em um romance tradicional eu reclamaria do “clichê”, das cenas que se repetem -apesar de serem escritas por autores diferentes-, dos suspiros e dos dramas exagerados que jamais aconteceriam na vida real, em um romance histórico eu adoro tudo isso. Não sei dizer, mas acho que é minha influência latina. Quanto mais drama e mais clichê nesses romances históricos, mais feliz Mandariela fica.

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Patrícia Cabot, Kate Noble, Judith McNaught, Eloisa James, Julia Quinn… Eu adoro! Mas, de tanto que eu amei “Os Hathaway”, achei que valeria a pena quebrar essa minha regra de “não escrever sobre romances históricos” – colocando uma explicação antes, claro.

Desejo à Meia-Noite 

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Eu não gostei muito dos títulos da série. Entendo que eles acompanhem os períodos do dia – cada irmão Hathaway com o seu. Mas me incomodou um pouco essa coisa de “desejo, tentação, sedução, núpcias…”. Como uma pessoa que lê mais no metrô do que qualquer outro lugar, achei indiscreto.

Outra coisa que me aborreceu um bocado foi a falta de uma boa sinopse no próprio livro. Quando eu estava na Saraiva, li a quarta capa e as orelhas do livro e não encontrei nada que me convencesse a comprar a história. Nas orelhas, a editora escolheu colocar um trecho da cena do primeiro beijo entre os personagens e achei isso super desnecessário. Apesar de Kleypas escrever essas cenas com maestria, acabou ficando meio deslocado. Fora que, em alguns livros onde a gente não sabia quem ia ser o mocinho, o trecho na orelha acabava soltando um baita spoiler.

Em “Desejo à Meia-Noite” temos o primeiro contato com a família Hathaway, que tinha uma vida cercada de livros, amorosidade e erudição na pequena Stony Cross. Amelia, Leo, Win, Poppy e Beatrix tinham os dois pais por perto e nenhuma preocupação na cabeça.

Até que o velho Sr. Hathaway sofre uma doença e vai definhando aos poucos. Quando o marido morre, a Sra. Hathaway se sente sem forças para continuar a viver sem seu grande amor e começa a definhar também. Em menos de seis meses, os Hathaway têm que aprender a se virarem sozinhos fora da proteção dos pais.

Para piorar as coisas, uma epidemia de escarlatina atinge Stony Cross, afetando Win, uma das irmãs Hathaway, que fica quase inválida depois da doença, e Laura, a noiva de Leo, que morre nos braços de seu amado. Como se não bastasse, um tio distante morre e deixa vago seu título de “Lorde Ramsay”, que vai parar nas mão de Leo. Muito afetado pela morte da noiva, Lorde Ramsay, como passa a ser conhecido, só quer saber de beber, fumar ópio e agir como um libertino.

A família acaba sendo controlada por Amelia, a irmã mais velha que tem que fazer de tudo para manter o lar unido, cuidar de sua irmã Win, deixar Leo fora de encrencas e cuidar das meninas mais novas. Depois de uma desilusão amorosa, Amelia está convencida de que não vai se casar nunca mais e de que deve cuidar das irmãs, porque seu irmão não vai fazer isso.

Certa noite, Leo desaparece. Para encontrá-lo, Amelia sai pela cidade com o cigano Merripen, que foi abandonado nas terras da família quando era criança e que cuida dos Hathaway por um motivo que só ele sabe.

Quando Amelia encontra uma famosa casa de apostas, um reduto boêmio da cidade, onde acredita que seu irmão possa estar, ela acaba conhecendo Cam Rohan. Alto, moreno, cheio de anéis nos dedos e com um diamante na orelha, Amelia não consegue disfarçar sua atração pelo moço, que sente o mesmo.

Certa de que nunca mais vai encontrá-lo, Amelia parte com Leo e o resto de sua família para a Ramsay House, que foi herdada por Leo junto com o título e que fica no Interior. O destino interfere e surprise! Cam Rohan está hospedado com o vizinho da mansão.

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Rohan não é nobre, pelo contrário. Igual a Merripen, Cam é um cigano que tem muitas habilidades em ganhar dinheiro, mesmo detestando acumular fortuna. Quando ele encontra Amelia e se apaixona de uma vez só por ela e por sua família, ele não tem escolha se não tentar ajudar a família disfuncional a voltar a ser o que era antes.

Mas as coisas não são tão faceis assim, Amelia não está muito convencida de que deve casar com Rohan e quando um antigo amor do passado volta para cortejar ela, a mocinha fica muito em dúvida.

O romance entre Cam e Amelia (não vou mentir, a gente sabe que eles ficam juntos) é uma gracinha. Ele tenta tomar a liderança da família e ajuda-lá a cuidar dos irmãos, respeitando a opinião dela. Amelia é uma personagem forte e independente, apesar de ter uma história cheia de tristezas. A relação dela com as irmãs, quase maternal, mas de muito companheirismo é muito bem abordada e faz com que você queira ser amiga de todas elas.

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Cam é o Jack, Amelia é a Rose e eu sou o Dinossauro do Ship, adorando esse livro.

Eu também adorei a forma como a autora conduziu a história de Leo. Ao não aceitar que sua noiva tenha morrido, ele acabou se deixando morrer um pouco também, o que foi bem triste. A cena, com um quê espiritualista, em que Leo finalmente se libertou, é uma das minhas favoritas de toda a série.

No geral, eu achei que “Desejo à Meia Noite” foi uma ótima leitura, um excelente começo para essa série. Os personagens pareciam reais e me cativaram muito, o que ajudou muito no meu vício.

Sedução ao Amanhecer 

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“Sedução ao Amanhecer” é o meu favorito da série toda. Nele, acompanhamos a história pelo ponto de vista de Win, a mocinha, e de Merripen, o mocinho. O cigano Merripen apareceu pouco no livro anterior. E o pouco que apareceu sempre deixou um suspense no ar.

Win, se cansava muito fácil e não podia fazer esforços nenhum, uma consequência da escarlatina que sofreu quando era mais nova. Por isso, com a ajuda de seu cunhado, Cam e de sua irmã, Amelia, ela parte para o sul da França junto com o irmão, Leo, na tentativa de fazer uma série de tratamentos experimentais para recuperar sua forma anterior.

Tudo isso deixa o cigano Merripen muito triste. Quando sua tribo o abandonou ferido, achando que ele estava morto, nas terras dos Hathaway, a família levou ele para dentro de casa e cuidou do jovem garoto. Arredio, ele só conversava com Win e assim cresceu uma paixão que durou quase toda a vida dos dois.

Merripen cuidava dos Hathaway principalmente porque sabia que cuidar deles era cuidar de Win e isso é um clichêzão que eu acho uma gracinha e que me derreteu todinha. Os sentimentos dele eram correspondidos por Win, que sempre quis amar livremente o cigano. Mas, por ele achar que não era digno da garota, nada de importante aconteceu.

Cuidando da Ramsay House junto com Cam, Merripen encontra uma distração de seus pensamentos de Win. Ele constrói quartos, arruma jardins, decora paredes… Tudo isso pensando naquilo que for melhor para ela e isso é muito fofinho.

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Quando Win volta da França, saudável e pronta para ter a vida que sempre quis, o coração de Merripen encolhe um pouquinho. A garota veio acompanhada de seu médico francês bonitão, que tem sérias intenções de ficar com ela.

A família sempre soube dos sentimentos de Merripen por Win e sempre respeitou isso, o que eu achei muito bonitinho. O único defeito deste livro é que Merripen demora muito para tomar uma decisão e, quando ele finalmente toma, a narrativa que já tinha um quê de magia fica uma gracinha mesmo.  Antes disso, quando ele anda pela casa tentando fazer com que Win deteste ele, eu achei ele um pouco babaquinha. Mas só um pouco.

Tem algumas cenas bem legais com a Amelia e o Cam também e eu gostei que a autora não abandonou o casal por completo, depois de ter escrito o livro deles. Outra coisa legal foi que, quando voltou da França, Win voltou 100%. Nada daquela coisa de “donzela em perigo”, é ela que manda e que dá as ordens e que joga fogo em armários.

Tentação ao Pôr-do-Sol

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No terceiro livro acompanhamos a história de Poppy Hathaway, uma das irmãs mais novas. Poppy e sua irmã estão sendo guiadas por uma governanta, a Srta. Evans, que deve ensinar modos e etiqueta às meninas, agora que elas estão estreando suas temporadas em Londres.

A família está hospedada no Hotel Rutledge e, quando o furão de Beatrix foge com algumas cartas de amor que Poppy escreveu para um garoto, ela não tem escolha se não perseguir o furão pelo hotel inteiro. Ela persegue ele de tal maneira que acaba encontrando com Harry Rutledge, o misterioso dono do hotel, cujas fofocas denunciavam seu passado negro.

Gostei desse livro? Gostei, mas meu personagem favorito da história inteira foi Dodger, o furão. Poppy é legal, mas é a irmã Hathaway com menos personalidade. Harry, o dono do hotel e mocinho da trama (isso não é um spoiler), tem um passado negro e é genial, mas não é tudo isso, sabe?

Acho que a autora tentou fazer algo ao estilo Bela e a Fera, já que Rutledge, em uma outra história, seria um vilão. Mas não conseguiu ganhar minha simpatia. Foi só ok.

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O final tem uma grande reviravolta e achei legal que a história se inverteu um pouco – com a mocinha salvando o mocinho, mas foi só isso.

O legal é que a gente descobre que a governanta não é exatamente quem ela parece ser e isso é uma grande previsão do próximo livro. Os outros casais dos livros anteriores não aparecem tanto quanto no livro anterior, mas algumas cenas fofas ainda acontecem.

Manhã de Núpcias

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“Manhã de Núpcias” não estava disponível na Saraiva, no dia em que eu dei alocka e comprei os livros. Mas, depois de devorar os três livros da Família Hathaway em meros 3 dias, eu não tive escolha se não comprá-lo pela internet e aguardar ansiosamente a chegada dele.

No livro, acompanhamos a história de Catherine Marks, a governanta da Família Hathaway. Meticulosa e organizada, ela ama a família Hathaway porque eles a tratam com amor e respeito, como se ela fosse um membro do clã. Exceto Leo Hathaway. Esse, ela detesta muito.

Dodger, o furão, aparece de novo e faz coisas tão engraçadas que foi impossível não amar ele. Secretamente apaixonado pela Srta. Marks, Dodger rouba suas meias, ligas e tudo mais o que puder carregar em suas mãozinhas, o que dá uma grande leveza para o livro.

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Uma coisa que aprendi com esses livros: Quando furões dormem, eles deixam o corpinho todo relaxado. Parece que estão mortos, mas é só uma soneca bem tirada.

Apesar de amar a família Hathaway, Catherine insiste em se esconder. Ela pinta os cabelos, usa óculos grossos e roupas escuras, tentando ao máximo passar despercebida. No entanto, Leo sente que a garota esconde um segredo muito grande, que ele tenta descobrir de qualquer forma.

Ao retornar da França recuperado e dono de si, como sua irmã, Win, Leo passa a enxergar Catherine de maneira diferente, apesar de todos os segredos. E não é que ela também? As brigas constantes acabam evoluindo em algo mais, naquele típico romance garota-odeia-garoto-depois-ama-ele que eu AMO. Esse, depois de “Sedução ao Amanhecer”, é meu favorito.

O clímax é um pouco exagerado. O “oh meu Deus, gigantesco segredo” não é tão grande assim, é clichê. Mas, como eu disse no começo do texto, eu adoro um clichê em romance histórico – hehehe – me dá mais!

Paixão ao Entardecer

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Beatrix gosta de animais mais do que de gente e isso tem sido um sério problema. Aos 23 anos ela ainda não encontrou ninguém que aceitasse ter uma cabra, um ouriço, um furão e uma gata de três pernas, além de um burro, dentro de um lar.

Além disso, Beatrix tem um certo probleminha. Toda vez que ela está ansiosa acaba, imperceptivelmente, roubando alguma coisa de alguém. Ela guarda as coisas em sua bolsa e só então percebe que as levou.

Fazendo um esforço para agradar sua família e encontrar um esposo, Beatrix incia uma amizade com Prudence, uma garota bonita, mas superficial. Prudence está de namorico com um capitão dos Rifles da Inglaterra, Christopher Phelan.

Phelan partiu para a guerra e, como forma de manter sua sanidade, passa a mandar cartas para sua amada. Como Prudence está sendo cortejada por outros caras, ela decide ignorar as cartas do Capitão. Mas Beatrix fica com dó dele e responde a carta, em nome da amiga, iniciando uma correspondência de amor de mais de um ano.

Quando a guerra acaba e Phelan retorna como um herói de guerra, Prudence não quer nem saber de lhe revelar a verdade, magoando os sentimentos de Beatrix.

Eu gostei deste livro, mas acho que ele tem probleminhas que eu não posso ignorar para ser feliz. Adoro essa parte da correspondência e dele se apaixonar pela pessoa errada. Mas, a narrativa se desenvolve muito rapidamente e, quando Phelan descobre que não era Prudence que escrevia as cartas, ele aceita tudo muito rápido mesmo tendo dito no passado que Beatrix “pertencia aos estábulos”.

Phelan volta muito traumatizado da guerra, com uma espécie de PTSD (Post Traumatic Stress Disorder), que o deixa violento repentinamente e com uma tendência ao alcoolismo. Gostei que o mocinho foi mostrado com uma grande fraqueza, mas senti que os problemas de Bea foram todos ignorados em detrimento da história do mocinho. Como uma espécie de Manic Pixie Dream Girl, sabe?

A impressão que dá é que ela ignorou toda sua história pessoal e seus defeitos em detrimento dos dele e, por mais que isso seja clichê, eu não gostei. O clímax do final também foi exagerado e pareceu muito apressado, sem muito desenvolvimento. Nem Dodger, o furão, ou Medusa, o ouriço, aparecem muito.

Foi um jeito meio triste de encerrar a série.

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Sempre terei os Hathaway em minha estante e, quando der saudades, vou voltar para visitá-los em Ramsay House. Sinto que vou sentir falta dessa série, mas, de consolo, sei que Lisa Kleypas tem outras séries de romance histórico que eu posso amar tanto quanto amei “Os Hathaway”.

Beeijos, A Garota do Casaco Roxo