As Fases da Lua – Clarissa Côrrea, Liliane Prata, Bianca Briones, Leila Rego e Jennifer Brown

as fases da lua

Nome: As Fases da Lua

Autoras: Clarissa Côrrea, Liliane Prata, Bianca Briones, Leila Rego e Jennifer Brown

Editora: Gutenberg

Páginas: 350

“As Fases da Lua” é um livro lançado no ano passado pela Editora Gutenberg, que reúne 5 contos diferentes. As histórias envolvem a lua de alguma forma e, por causa disso, são todas inevitavelmente românticas.

“Caminhos Cruzados” é o conto de Clarissa Côrrea e sua lua é a crescente. Ele abre o livro e tem 88 páginas – o que é bastante, considerando que é um conto. Apesar de ser a história que “abre” o livro e que nos apresenta o conceito e a ideia por trás da coletânea, ela não me surpreendeu.

Alice, a personagem principal, é uma garota do interior que nunca se sentiu muito conectada à sua família. Ela não vê a hora de prestar o vestibular e de morar em São Paulo, como sempre sonhou. Isso até que ela conhece Gustavo, um cantor lindo, porém deveras cafajeste.

O Gustavo vira a cabeça da Alice e, depois de um relacionamento-relâmpago, ela acaba engravidando dele. Sem querer assumir o bebê, ele dá um pé na bunda da Alice, não sem deixar a menina devastada.

Acontece tanta coisa, mas tanta coisa, que fica difícil escrever uma sinopse sem revelar muito e estragar a surpresa. Esse é o tipo de conto que ou 1- deveria ser um livro ou 2- deveria ser bem editado e reduzido pela metade.

A autora gasta muito tempo em acontecimentos inúteis e que não vão avançar o enredo, enquanto, simultâneamente, apressa (ou ignora totalmente) trechos que deveriam ser mais longos. Algumas das frases e parágrafos são gigantescos e a impressão que dá é que eles não foram revisados.

O conto é narrado como se a Alice estivesse dando um depoimento, sabe? Acaba sendo muito maçante. A premissa é boa e a história é recheada de mulheres fortes, mas a forma como o conto é narrado acaba tirando toda a diversão da leitura.

Há erros de continuidade na narrativa. Um trecho que me marcou foi quando a Alice se muda para São Paulo. Ela se muda para o apartamento da tia e gasta algumas frases falando sobre ter convidado os amigos para morarem com ela e etc. Uma ou duas páginas depois, ela escreve algo tipo “fui com minha tia para São Paulo, para conhecer o apartamento dela”. Tipo, que? Eu reli esse trecho algumas vezes e continuo sem entender.

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Outra coisa que me incomodou foram as expectativas TOTALMENTE IRREALISTAS em relação a carreira de jornalista. Sério, quanto mais eu lia, mais eu me irritava. Eu sei que é ficção, mas essa parte me pareceu tão inverossímil, que esse conto vai ficar marcado na minha mente – pelos motivos errados.

A verdade é que, se não fosse pela minha teimosia, baseando no que vi em “Caminhos cruzados”, eu provavelmente não teria lido os outros contos de “As fases da Lua”, mas, né, ainda bem que eu sou teimosa.

Algumas coisas que aprendi” é o conto da Liliane Prata e, ah, é tão lindo! A lua dela é a cheia.

A Lena também está sofrendo por conta de um cara babaca, o Eduardo. Ele ignora as mensagens dela e só a procura quando está carente, sabe? A Lena é tipo a booty call dele, e sofre horrores por conta disso. Ela trabalha como professora de artes em uma escola, apesar de sempre ter sonhado em ser uma grande ilustradora e a vida dela parece estar naquele estágio estranho de “vai” ou “não vai”.

Um dia, uma amiga de infância, a Giulia, entra em contato pela internet. A Giulia se mudou para a Itália, pouco antes delas entrarem no ensino médio e, naquela época, isso pareceu ser o fim do mundo. Para evitar que a distância de um oceano acabasse com a amizade, elas fizeram um pacto. Se um dia a Giulia estivesse triste, a Lena iria visitá-la na Itália e, se um dia a Lena estivesse triste, a Giulia viria visitá-la no Brasil.

Lena descobre que o pai de Giulia (com quem ela tinha uma conexão especial) morreu em um acidente de carro e que a amiga está devastada. Sem perceber, ela apela ao pacto da amiga e usa suas economias para passar um período na Itália.

Na Itália, Lena conhece novos lugares, muda de ares, se reconecta com a amiga querida e também conhece algumas pessoas, que vão fazer ela esquecer do Eduardo bem, bem, bem rápido.

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“Eu comeria carboidratos se um garoto italiano comprasse eles para mim” – Quem não, Kate?

A relação entre as duas amigas é bem descrita e há vários subplots interessantes nesse conto. Eu fiquei com vontade de ler mais e de descobrir tudo que ia acontecer – com todos os personagens.

As descrições dos lugares são muito boas e parecia que eu estava mesmo na Itália com a Lena. É um conto muito fofo e eu pularia direto para ele.

Se você pudesse ficar…” é o conto da Bianca Briones e eu chorei horrores com ele. O conto é o da lua minguante.

Em apenas 54 páginas, somos apresentados ao casal Bruna e Guilherme. Os dois estão juntos desde sempre, tipo, mesmo. São namorados desde que eram criança e, agora que terminaram os estudos e estão começando oficialmente na “vida adulta”, mal podem esperar para casar e fazer tudo juntos.

O relacionamento dos dois vai bem e tudo parece promissor até que Guilherme começa a ficar doente, muito doente. O conto tem flashbacks da história do casal e é fofo, fofo demais.

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Euzinha, depois de ler esse conto.

É o menor conto do livro inteiro e eu fiquei impressionada com a forma como ele conseguiu me envolver e me encantar (e me emocionar) em tão poucas páginas.

Minha canção favorita é você” é o conto da Leila Rego e eu fiquei com vontade de quero mais, de novo! Esse é o da lua nova.

Dora é uma médica-oftalmologista que está na Bahia – para um congresso profissional, sem mais nem menos. Ela sofreu nas mãos de um ex meio louco e agora só quer saber de estudar e trabalhar, para a tristeza de sua melhor amiga Sarah.

Sarah sabe que o show de encerramento desse congresso profissional vai ser feito pelo cantor João Leone, que é a sensação do momento. Ela quer que a amiga vá ao show para que ela consiga curtir também – vicariamente, mas Dora não vai ceder tão facilmente.

Enquanto as duas discutem pelo telefone, no elevador, Dora é observada de perto por um homem lindo e misterioso, que deixa a médica mole e bamba, como há muito tempo ela não ficava.

Dora não vai ter escolha a não ser se deixar envolver pelo homem misterioso, cuja personalidade real vai surpreendê-la. Mamma mia, que conto!

Eu fiquei verdadeiramente triste quando esse conto acabou, porque eu queria mais e mais!

Uma das coisas que eu mais gosto nos livros da Leila é que os seus personagens pertencem todos a um mesmo universo. Em determinada cena, Sarah e Dora almoçam no restaurante de André, personagem do livro “A Segunda Vez que te Amei”. O João Leone, por sua vez, é irmão do personagem de um livros ainda não publicados da Leila, que eu tive a feliz chance de ler recentemente.

Oráculo Azul” é o conto de Jennifer Brown e, o fato da lua ter apenas 4 fases, já deveria ter servido como um aviso de que esse conto não deveria ter sido inserido nessa coletânea. Ele, por sinal, aborda uma bem fictícia “lua azul”.

Sabe aquele barulho de agulha riscando o vinil? Foi exatamente esse o som que meu cérebro fez quando comecei a ler esse conto.

Ele conta a história de Destiny, uma garota que mora em um lar adotivo e que é forçada pelos seus pais adotivos a fazer trabalho voluntário (oi? sim, é isso mesmo). A cidade em que ela mora está sendo banhada por um misterioso luar azul e isso tem deixado todos eufóricos e cansados.

O conto tem, ao todo, 39 páginas de extensão e eu juro que não consegui entender a história da Destiny, o significado dela ou o porquê, oh céus, fariam tanto escândalo por conta de doações.

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Enquanto os 4 contos anteriores podem ser considerados bons exemplos de chick-lit e de histórias sobre mulheres fortes (até o primeiro conto, que eu não gostei muito, é um ótimo exemplo de uma história sobre uma – ou várias – mulheres fortes), “Oráculo Azul” é mais voltado para o público Young Adult e destoa muito dos outros.

Sem sentido e deslocado das histórias iniciais, o conto de Jennifer Brown foi um jeito “chôchô” e meio triste de terminar um livro que teria sido muito bom – se não fosse a tentativa de enfiar um estrangeiro no meio para dar “atrair leitores”.

Já leu “As Fases da Lua”? Conta para mim qual foi seu conto preferido?

Beeijos, A Garota do Casaco Roxo

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3 livros que li recentemente

Estou voltando ao meu ritmo normal de leitura de pouco em pouco. Setembro foi um mês tão corrido e atribulado que, mesmo se quisesse, eu provavelmente não teria conseguido ler muito. Por causa disso, preciso confessar: estou sem ideias para posts novos no blog.

Tem alguma dica ou sugestão? Tem alguma coisa que você gostaria de ver por aqui? Me deixa um comentário, quem sabe isso não ajuda a minha deusa interna da inspiração! haha

Alguns dos (poucos) livros que li esse ano não foram resenhados aqui no blog. Para que eles não passem em branco, optei por escrever um post com mini resenhas deles. Vamos ler?

leituras recentes

  • Killers of the flower moon: The Osage murders and the birth of the FBI, de David Grann

Cover of Killers of the Flower Moon the Osage Murders and the Birth of the FBI

Eu peguei “Killers of the flower moon” para ler porque achei que seria parecido com “O Demônio na Cidade Branca”, de Erik Larson. Os dois traçam um momento histórico, para então abordar assassinatos que aconteceram durante aquela época.

No livro de David Grann acompanhamos o boom do petróleo nos EUA, que tornou uma tribo indígena, os “Osage”, extremamente ricos. O governo federal impedia que o petróleo fosse explorado nas terras dos indígenas sem o pagamento de royalties e isso trouxe muito dinheiro ao estado de Oklahoma e aos índios.

Apesar da riqueza, os Osage ainda eram extremamente discriminados e sofriam constantes limitações. Naquela época, alguns deles tinham que pedir autorização a um “tutor branco” toda vez que mexiam no dinheiro obtido pelos royalties.  

Mesmo com as aparentes divisões entre os Osage e os brancos, tudo vai bem. Até que uma série de ataques contra os índios começam a acontecer. Explosões, tiros, bombas e mortes “acidentais” começam a afetar a tribo e o governo não sabe mais o que fazer para conseguir prender o culpado – até que Edgar J. Hoover entra em cena com o embrião do que viria a ser o FBI – Federal Bureau of Investigation.

Hoover e seus agentes começam uma investigação à moda antiga e o resultado é um livro extremamente curioso.

David Grann faz um excelente trabalho em trazer à vida esse período da história dos Estados Unidos que é tão pouco explorado pelos livros e filmes. O livro é dividido em duas partes e a primeira aborda a tribo indígena e a vida em Oklahoma naquela época. A segunda fala mais sobre a investigação dos assassinatos e o surgimento do FBI.

Surpreendentemente, gostei mais da parte que traça a história dos índios do que a parte da investigação em si. Como estive em Tulsa, quando fui Jovem Embaixadora, foi fascinante ler sobre a história de um lugar que eu conheci.

No geral, o livro é bem interessante e é mais um dos ótimos livros de não-ficção que li esse ano.

  • Casino Royale, de Ian Fleming

capa do livro casino royale de ian fleming

“Casino Royale”, publicado em 1953, é a primeira aventura de James Bond. No livro, somos apresentado ao mais reconhecido espião do mundo, criado por Ian Fleming (há uma série documental disponível no Netflix, que conta um pouco da vida desse escritor). Ao todo, Fleming escreveu 14 livros com esse personagem e “Casino Royale” é o inicial.

Bond é enviado ao sul da França com o objetivo de jogar cartas contra Le Chiffre, o tesoureiro de um sindicato controlado pelo serviço de contra-espionagem da Rússia (SMERSH). A responsabilidade de Bond é jogar baccarat contra Le Chiffre e apostar até levá-lo à falência.

Ligeiramente mais vulnerável que os James Bonds dos filmes, o Bond do livro ainda é charmoso e poderoso com as mulheres, mas sofre bastante. Sofre tanto que eu fiquei achando que ele ia morrer durante um bom pedaço da história.

O livro foi uma experiência interessante demais, até para ver como é que eles escreviam livros de ação back in the day. Ainda assim, sigo firme vendo os filmes.

  • Jane Eyre, de Charlotte Bronte

capa de jane eyre de charlotte bronte

Ler “Jane Eyre” também foi uma experiência interessante. Foi o primeiro livro que li na vida, em que, sem nunca ter colocado meus dedos na história, eu sabia o enredo todo.

Eu sabia da história não porque vi o filme ou coisa do tipo, mas porque “Jane Eyre” é tão mencionado em alguns livros que li sobre escrita, que eu não tive escolha mesmo.

Mas, mesmo assim, essa foi uma experiência libertadora. Libertadora porque removeu toda aquela ansiedade em saber o que ia acontecer com os personagens. Como eu já sabia todo o enredo, eu pude só me concentrar na escrita e na construção de cenas da escritora.

Levei quase 3 meses para terminar o livro (eu li ele em inglês, então é perdoável, né?) e terminei a narrativa sentindo que Jane Eyre merecia mais. Eu também não desenvolvi nenhum crush pelo Mr. Rochester, pelo contrário, achei ele um abusado.

E você? Já leu algum desses livros? O que achou deles?

Beeijos, A Garota do Casaco Roxo

5 livros legais de escritores latino-americanos

Muita gente acha que ser um bom leitor significa ler muitos, muitos, muitos livros. E só. Houve um tempo em que eu pensava assim e prezava mais pela quantidade do que por qualquer outra coisa.

Hoje penso de maneira diferente. A leitura é meu hobby e também a forma como eu aprendo mais sobre o mundo. Gosto de me desafiar e de disputar contra eu mesma em relação aos gêneros, estilos, autores, nível de dificuldade e, sim, até à quantidade de livros que leio de um ano para o outro.

Mas acho que o verdadeiro segredo para ser um bom leitor reside na diversidade de leitura.

Ler só livros de escritores homens ou só de autores de um determinado país pode ter seu mérito, mas não é exatamente diversidade, é?

Por mais que seja legal ter um autor favorito e ler todas as obras dele, acho interessante a ideia de sair da zona de conforto e de ler de tudo um pouco, mesmo. 

Para te ajudar a diversificar seu “cardápio” de leituras, elaborei uma lista com meus livros favoritos de escritores latino-americanos! Nossos hermanos têm obras excelentes e, muitas vezes, a gente acaba focando em dois ou três escritores e esquece que existem muitos outros que também são maravilhosos!

5 livros legais de escritores latino-americanos

Vamos aos títulos?

  • La Tregua e A Borra do Café, de Mario Benedetti

A trégua de mario benedetti

“La Tregua” foi o livro que fez eu quebrar meu jejum de não comprar livros, lá no começo do ano, quando fui para o Uruguai. Comecei a ler ele enquanto tomava sol na praia de Pocitos e acabei ficando mais morena nas costas do que na parte da frente do corpo. Não me arrependo nem um pouco.

O livro conta a história de Martín Santomé, um viúvo que está contando os dias até sua tão aguardada aposentadoria. Para marcar o feito, ele começa um diário onde relata alguns dos acontecimentos terrivelmente rotineiros de seu trabalho em um escritório, como contador. Os seus 3 filhos, já adultos, criados e maduros, também aparecem nos escritos.

Tudo vai bem rotineiro e calmo na vida de Martín. Até que uma funcionária nova, Laura Avellaneda, começa a trabalhar no escritório. Laura vira o mundo de Martín de ponta cabeça e a tão rotineira rotina dele vai para as cucuias. Os dois se apaixonam e engatam uma relação tão linda e preciosa, que você meio que se apaixona junto.

frases de la tregua mario benedetti

Eu li “La Tregua” em espanhol e  por ter tantas gírias e expressões tipicamente uruguaias me lembrou TANTO do meu vô, que eu quase não aguentei de saudades.

“La Tregua” é um livro doce, mas tão, tão, tão triste que eu fico chateada só de lembrar. Eu chorei horrores. É claro que vou reler no futuro – e em português, de preferência.

A história se passa em Montevidéu e as descrições são super vívidas, especialmente as dos cafés. A história foi publicada em 1959 e a impressão que temos é de que pouca coisa mudou na cidade, desde então.

Alguns dos pontos turísticos mencionados na história aparecem no Guia Benedetti, publicado pela Fundação Mario Benedetti. Quando terminei o livro, eu já estava em casa, mas a vontade foi voltar para o Uruguai, fazer o percurso do guia e ver Montevidéu pelos olhos do Martin.

capa de a borra de café de mario benedetti

“A Borra do Café”, eu li em português mesmo e me diverti bastante lendo. É a história de Claudio, começando por sua infância até ficar mais velho e adulto.

A infância de Claudio é marcada pelo futebol, pelas mudanças da família, a morte da mãe e pelo assassinato de um morador de rua em seu bairro. Há uma grande leveza na forma como ele narra esses acontecimentos.

“A Borra do Café” é parcialmente baseado nas memórias de infância do próprio Benedetti e acho que isso, de certa forma, me ajudou a gostar ainda mais do livro!

Minha impressão é de que em “A Borra do Café”, a cidade de Montevidéu aparece mais do que em “La Tregua”. Agora que conheço o lugar, quero reler o livro para verificar isso.

capa da nova edição de o carteiro e o poeta de antonio skármeta

Eu já resenhei “O Carteiro e o Poeta” aqui no blog e você pode ler a resenha para mais detalhes. Basicamente, o livro conta a história da inusitada amizade entre o poeta Pablo Neruda e seu carteiro.

Antonio Skarmeta é chileno e, recentemente, a Editora Record reeditou “O Carteiro e o Poeta”, que estava fora das prensas (o meu exemplar foi comprado em sebo, mas mesmo assim quero uma edição nova).

O livro virou filme em 1994 e eu escrevi sobre ele no blog também!

“Como Água para Chocolate” é um livro da escritora mexicana Laura Esquivel.

O livro conta a história de Tita, que nasceu em uma cozinha e cuja mãe não queria que se casasse. A tradição da família pregava que, por ser a filha mais nova, ela não poderia se casar e teria que ficar cuidando da mãe até ela morrer.

capa do livro como agua para chocolate da laura esquivel

Quando cresceu, Tita se apaixonou perdidamente por Pedro, sem poder ficar com ele por conta da bendita tradição. Para resolver todos os problemas (só que não, né?) Pedro acaba se casando com a irmã mais velha de Tita, só para poder ficar perto de sua amada.

Sem poder conversar ou trocar olhares por conta de uma proibição da irmã, Pedro e Tita se comunicam por meio da culinária e das sensações que a comida de Tita induz em todos os membros da família. As descrições alimentares são riquíssimas e a dose de realismo fantástico típica dos escritores latino-americanos também temperam o livro.

A resenha completa pode ser lida aqui no blog, neste link.

elenco de como água para chocolate
Tita e Pedro em uma das cenas de “Como água para Chocolate”

Capa de The Brief Wondrous Life of Oscar Wao

Apesar de estar em inglês, “The Brief Wondrous Life of Oscar Wao, é um livro de um escritor latino-americano. Junot Diaz nasceu na República Dominicana e emigrou para os EUA aos 6 anos de idade.

O livro conta a história de vida de Oscar Wao, mas vai além disso ao mostrar todas as gerações de mulheres fortes anteriores (e uma contemporânea) a ele.  O livro também se aprofunda e dá um grande panorama sobre como a ditadura de Trujillo afetou a vida de todos na República Dominicana.

É fascinante e, com certeza, uma das melhores leituras desse ano – até agora! Não é à toa que Junot ganhou um Pulitzer por esse livro, né?

Espero que minha lista te ajude a diversificar mais suas leituras! Sei que existem muitos outros escritores latino-americanos ótimos e alguns dos que li (Isabel Allende com “A Casa dos Espíritos” e Mario Vargas Llosa com “Travessuras de Menina Má”) não apareceram nessa lista.

Se gostarem do post, eu posso até fazer uma continuação!

Beeijos, A Garota do Casaco Roxo

PS: Recentemente escrevi uma resenha de um livro de mistério, com um narrador super não-confiável! Meu texto sobre “Sempre Viveremos no Castelo”, de Shirley Jackson, pode ser lido na Revista Pólen.

O Sol também é uma Estrela – Nicola Yoon

Capa de O Sol Também é uma Estrela, da Nicola YoonNome: O Sol também é uma Estrela

Autora: Nicola Yoon

Páginas: 276

Editora: Arqueiro

Eu ganhei “O Sol também é uma Estrela” de presente de aniversário, mas só agora, depois de finalmente superar minha ressaca literária, consegui ler ele.

O livro tem 276 páginas ao todo. Dessas, 270 são de uma história que se passa em um único dia na vida de dois adolescentes, Natasha e Daniel.

Natasha é jamaicana e imigrante ilegal nos EUA. Ao final daquele dia, ela será deportada de volta ao seu país de origem. Desesperada e querendo ficar no país que ela identifica como seu, ela vai tentar de tudo para poder conseguir um visto de estadia.

“Para a maioria dos imigrantes, mudar para um país novo é um ato de fé. Mesmo que você tenha ouvido histórias sobre segurança, oportunidade e prosperidade, ainda assim é um grande salto se afastar de sua língua, de seu povo e de seu país. De suas raízes. E se as histórias não fossem verdadeiras? E se você não conseguisse se adaptar? E se não fosse desejado no país novo?” p. 20

Científica, cética e a pessoa de exatas mais de exatas que eu já vi em um livro, Natasha não acredita em amor à primeira vista. Ela acredita em dados e em fatos científicos. Mas, só naquele dia, ela vai se permitir ter esperança de conseguir ficar naquele país.

Daniel é filho de coreanos ultra-exigentes. Naquele mesmo dia, ele vai fazer uma entrevista com um ex-aluno da Universidade de Yale, para tentar entrar na faculdade dos sonhos – de seus pais.

Ele quer ser poeta, mas seu pai quer que ele estude Medicina e seja médico. Daniel é de humanas, romântico e apaixonado. No dia da entrevista que vai definir os rumos de sua vida, ele vai se encontrar com Natasha ao “acaso” e vai fazer de tudo para provar para ela que amor à primeira vista existe sim.

“Há uma expressão japonesa da qual eu gosto: koi no yokan. Não significa exatamente amor à primeira vista. É mais parecido com amor à segunda vista. É a sensação que a gente tem quando conhece uma pessoa por quem vai se apaixonar. Talvez você não a ame imediatamente, mas é inevitável que acabe amando.” p. 66

Normalmente eu não curto muitos livros de “insta-love”. Sabe quando o mocinho e a mocinha se apaixonam quase que de imediato? Quando a gente tem aquela impressão de que o romance acontece de uma hora para outra e que não foi propriamente construído? Então, isso é “insta-love”.

Logo no começo da leitura de “O Sol também é uma Estrela”, eu fiquei com medo dele ser um livro assim, já que se passa em um único dia.

Mas o romance entre os dois é muito amorzinho. Junto com Natasha você passa, aos poucos, a acreditar também em amor à primeira vista. Apesar do romance ter duração de apenas um dia, os dois são imbatíveis e enfrentam logo de cara preconceitos e julgamentos dos outros.

“Como é que este pode ser o mesmo dia? Como é que todas essas pessoas podem continuar com a vida sem saber nada do que acontece na minha? Às vezes o mundo da gente balança com tanta força que é difícil imaginar que quem está ao redor não perceba também.” p.  196

Os capítulos são narrados por Natasha e Daniel alternadamente, mas há um terceiro narrador: O Universo.

O Universo interrompe a história do casal em vários momentos, para explicar o que acontece com os outros personagens do livro. São pessoas com quem eles têm contato, ainda que brevemente, ou são seus pais. A idéia é explicar como as coisas estão interligadas e como as nossas ações têm o poder de afetar os outros a nossa volta.

Alguns capítulos narrados pelo Universo são bem engraçados e contam a história do surgimento do olho ou do porquê coreanos são donos de quase todas as lojas de produtos para cabelos afro de Nova York. Outros são tristes e permitem que a gente enxergue e consiga ver o outro lado dos sentimentos de Natasha e Daniel.

Ao explicar como os pais dos adolescentes se sentem e porque se comportam da maneira que se comportam, o livro joga por terra aquela ideia maniqueísta de bem x mal.

“Há uma espécie de júbilo puro na certeza da crença. A certeza de que sua vida tem um propósito e um significado. De que, ainda que sua vida terrena possa ser difícil, existe um lugar melhor no futuro e que Deus tem um plano para você chegar lá.” p.45

Outra coisa que eu achei legal e interessante é como a Nicola Yoon amarrou a trama. Se Natasha e Daniel não tivessem se conhecido em um momento X, eles teriam se encontrado mais para frente em um momento 2X e assim por diante. O que à princípio se assemelha ao acaso, na verdade prova que acaso não existe mesmo. Deve ter dado um trabalhão fazer o outline desse livro, mas o resultado é surpreendente.

“O Sol também é uma Estrela” é um YA fofo e leve, que poderia ser bem batido e clichê, mas que acaba sendo inovador e diferente de tudo que já li antes. No geral, foi uma leitura fofa e que me deixou com sentimentos quentinhos no coração, assim como “Fangirl”.

A capa é linda e eu fiquei feliz que a versão brasileira é semelhante à americana. O pessoal da Editora Arqueiro fez um vídeo bem legal mostrando os bastidores de como eles montaram a capa, usando string-art.

Beeijos, A Garota do Casaco Roxo

Fangirl – Rainbow Rowell

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Nome: Fangirl

Autora: Rainbow Rowell

Editora: Novo Século

Páginas: 421

Quem acompanha meu blog toda semana percebeu que eu diminui bastante o número de resenhas publicadas aqui. Em comparação ao ano passado que, vale lembrar, foi meu ano de TCC, as resenhas quase sumiram! Há uma explicação para isso: entrei na maior ressaca literária da minha vida.

Eu começava a ler e deixava o livro de lado, começava a engrenar uma leitura, morria de tédio e ia para a Netflix, ou, então, olhava para a minha estante desanimada e não queria nem saber de ler. Pois é, foi difícil.

Não sei o que foi que me motivou a tirar “Fangirl” da estante, mas eu tirei e, olha, ainda bem!

Da Rainbow Rowell eu já tinha lido “Eleanor e Park”, um livro que eu achei absurdamente triste e poético. No ano passado, comprei todos os outros livros dela por R$10, em uma promoção doida e “Fangirl” estava no meio da pilha. Confesso que fiz a compra meio às cegas, confiando na história da autora e torcendo para que um deles fosse um romance leve e fofo.

Em “Fangirl” a gente acompanha a vida de Cath, uma caloura de faculdade que parece não estar lá muito pronta para essa nova fase da vida. Sua irmã gêmea, Wren, que sempre esteve junto dela para tudo, decidiu ser colega de quarto de outra pessoa e agora ela vai ter que lidar sozinha com a ansiedade de conhecer gente nova e de estar em um lugar diferente.

Cath é fã da série de livros Simon Snow e escreve fanfics gays com os personagens. Sua fanfic, “Vá em Frente” é lida por milhares de pessoas todos os dias e os livros dessa escritora fazem tanto parte da sua vida, que ela decide levar pôsteres para seu quarto da faculdade.

Quando ela conhece sua colega de quarto, Reagan e o namorado fofo dela, o Levi, ela percebe que, talvez, essa não foi a melhor ideia. Ou será que foi?

“Levi não ficaria impressionado com a fanfiction dela; achar legal não era o mesmo que ficar impressionado. Ele já achava ela uma esquisitona e isso só faria ela parecer ainda mais esquisita. A mulher barbada ficava empolgada quando algum gatinho vinha assistir ao show dela?” p. 132

Além de trabalhar como social media de algumas organizações, eu também produzo conteúdo. Toda vez que eu termino de escrever um artigo (não os do blog, infelizmente), eu recebo uma pequena quantia de dinheiro.

Isso quer dizer que, para complementar minha renda, eu preciso escrever PRA CARAMBA. Meu plano era escrever 4 textos diferentes no sábado, para conseguir respirar mais tranquila. Mas então decidi ler algumas páginas de “Fangirl” e só parei de ler quando cheguei ao final feliz.

“Não tem como a pessoa ser mãe se ela aparece depois que as crianças já cresceram. Ela parece com a cigarra que aparece no inverno após deixar a formiga fazer todo o trabalho. Quando a gente precisava dela, ela nem retornava as ligações. Quando ficamos menstruadas, tivemos que procurar informações no Google. Mas agora que a gente não sente mais a falta dela, depois que paramos de chorar por causa dela, depois que elaboramos tudo, agora ela quer nos conhecer?” p. 161

Esse livro não só matou minha produtividade, como me fez sorrir e querer mais e mais páginas que poderiam causar minha ruína financeira.

Essa foi uma leitura maravilhosa. Foi como receber uma massagem nas costas, daquelas que te ajuda a aliviar a dor constante e se livra daqueles nós nos músculos.  Foi como colocar meias secas nos pés, depois de andar na chuva e de ficar com o sapato encharcado. Foi um lembrete daquelas tardes em que eu tinha muita lição de casa para fazer, mas que tudo o que eu queria era ler e ler e ler.

Levou alguns segundos para que as linhas e cores compusessem um rosto que Cath pensou que poderia reconhecer. Nesses segundos, parte de Cath correu até a estranha, envolveu suas coxas com os braços e enfiou o rosto em sua barriga. Parte de Cath gritou. O mais alto que pôde. E parte dela ateou fogo ao planeta só para vê-lo arder.” p. 326

Tenho lido vários livros de “gente grande”. Clássicos, não-ficção, biografias… E eu adoro eles, mas eu não tinha percebido o quanto eu tinha sentido falta de livros como “Fangirl”, que te fazem sorrir, chorar e te deixam com sentimentos quentinhos no coração.

A Cath me fez lembrar daquela época em que eu estava absolutamente obcecada com “A Infiltrada”, da Nathália Marques. A fanfic da Cath “Vá em frente” tem um papel enorme no livro e vários trechos dela aparecem pela história. Pense em Malfoy se apaixona por Harry Potter e você vai ter uma ideia do que é. Confesso que eu queria tanto saber o que ia acontecer com a Cath que meio que dei uma pulada nessas páginas.

Eu me vi em vários pontos nessa personagem e fiquei até assustada. Muitas características da personalidade dela são parecidas com as minhas (A ansiedade! Os problemas com a mãe – no meu caso é o pai! A vontade de escrever!) e eu não consigo lembrar de uma personagem fictícia mais igual a mim. Eu também me apaixonei perdidamente pelo parzinho da Cath. Ainda estou suspirando por causa dele! haha

“- Ele é só um garoto – disse Reagan. – Claro que é diferente de você. Você nunca vai achar um garoto que seja exatamente como você. Primeiro porque esse cara nunca sai do quarto…” p. 181 (isso é muito Mandariela)

Os outros personagens do livro, Levi, Reagan, Wren, Laura e Nick são bem completos e descritos. A gente acompanha o primeiro ano universitário da Cath e acontecem muitas situações diferentes, que vão se desenvolvendo aos poucos, o que deixa tudo mais verossímil.

A única coisa “defeituosa” foi que eu achei o final meio corrido. Mas acho que é só porque eu queria ter mais e mais páginas para ler! haha

A tradução é meio horrenda, confesso, e eu peguei uns 3 erros diferentes. Em uma das páginas eles traduzem “Olive Garden”, o restaurante, como sendo “Jardim Olive”. Com certeza uma fada morreu por causa disso. É uma pena porque um livro tão bom e legal, que acaba sendo desvalorizado por coisas bobas.

Minha ressaca literária já foi curada e eu já passei da metade de “O Sol também é uma estrela”, da Nicola Yoon. Tomara que eu não vicie nesse também, porque se não não vou ter internet para poder postar no blog!

Às vezes, escrever é como descer um morro, seus dedos tocam o teclado do mesmo modo que suas pernas pisam o chão quando não conseguem lutar contra a gravidade.” p. 413

Beijoos, A Garota do Casaco Roxo