O Mundo das Múmias – Heather Pringle

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Nome: O Mundo das Múmias
Autora: Heather Pringle
Editora: Ediouro
Páginas: 291

Nossa, já faz um tempo que não posto aqui, né? *tira a poeira das coisas* *liga a luz*

Quando se posta só uma vez por semana e se passa algumas semaninhas sem postar, a impressão que dá e que faz decênios que não sento aqui para falar sobre minhas leituras. Sobrevivi ao fim do penúltimo semestre da faculdade e a organização de um Congresso – voltei! Yay!

A resenha de hoje vai causar um grande estranhamento para aqueles que vem aqui esperando resenhas de romances da Meg Cabot e da Carina Rissi. Por vezes, eu deixo escapar aqui que tenho um gosto secreto por livros de não-ficção – são um dos meus guilty pleasures! Já resenhei livros científicos e engraçadinhos como o “E Se?” e o “Stiff: The Curious Life of Human Bodies“.

“O Mundo das Múmias”, de Heather Pringle, dá um pouco de continuidade ao que eu aprendi com “Stiff”. Se neste, falávamos sobre cadáveres e pessoas que doaram seu corpo à ciência, no livro de Pringle descobrimos mais sobre pessoas que doaram seus corpos à história – sem querer, né?

O livro começa com a jornalista Heather Pringle em um Congresso de Múmias, no Peru. Nele, a jornalista acaba descobrindo todo um nicho secreto: Pesquisadores que estudam o cabelo de múmias, para saber o que elas comiam e se elas usavam drogas, corpos incorruptíveis, aqueles que não apodrecem, e que, por isso, foram canonizados pela Igreja Católica, múmias de crianças incas que ainda têm os cílios e até mesmo estudos sobre o corpo de Lênin, que foi embalsamado e até hoje tá lá preservado.

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O livro tem várias fotos e imagens que te ajudam a visualizar melhor aquilo que a autora descreve. Essa daqui é de uma múmia egípcia de 2.000 anos com cabelo ruivo e cacheado – muito mais bem tratado que o meu…

O livro é bem doido.

Mas é fascinante. Pringle vai tecendo, à partir do Congresso, uma narrativa que te leva por várias partes do mundo e que aborda de maneira clara, abrangente e, por vezes, cômica, o estranho hábito que nossos antepassados tinham de preservar seus corpos e se manter “em forma” para a próxima vida.

Monges japoneses que tentaram mumificar a si mesmos, os embalsamadores de Stálin, múmias chinchorro e até mesmo corpos do pântano são analisados pela autora, que, com o auxílio de outros pesquisadores, monta um passado e até uma breve “análise” de como essas pessoas morreram.

É uma leitura ótima e esclarecedora tanto para pesquisadores quanto para quem (como eu!) tem um pouco de curiosidade demais na veia. A única ressalva é que eu gostaria de ter lido ele com mais calma. A narrativa é tão envolvente que eu devorei o livro em poucas sentadas. Talvez eu poderia ter aproveitado mais, se tivesse tomado-o como um bom vinho ao invés de entornar como se fosse catuaba.

Beeijos, A Garota do Casaco Roxo

PS: A capa que aparece no começo do post é da edição em inglês do livro. Não consegui encontrar ele em nenhuma loja oficial, então as fotos da capa em português são todas de outras pessoas, não me senti confortável em usá-las.

The Art of Racing in the Rain – Garth Stein

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Nome: The Art of Racing in the Rain

Autor: Garth Stein

Editora: HarperCollins

Páginas: 321

Idioma: Inglês Intermediário

“The Art of Racing in the Rain” foi publicado no Brasil pela editora Ediouro, com o título “A Arte de Correr na Chuva” e é um livro destruidor.

Se em matéria de livros sobre gatos pensamos logo em “Um Gato de Rua Chamado Bob” em matéria de livros de cachorro pensamos em “Marley e Eu?”, certo? Errado. De agora em diante vou pensar só em “The Art of Racing in the Rain”, que seja por ser ficção, seja por ter mais alma e originalidade, vai te deixar no chão de tanto chorar e você vai querer mais.

Narrado do ponto de vista de Enzo, o cachorro, o livro conta os altos e baixos da vida de Denny, um homem que trabalha em uma oficina mecânica, mas cujo sonho mesmo é ser um piloto de corridas. Enzo adora assistir TV e quer, na próxima encarnação, se tornar um homem, por isso ele não cheira o bumbum dos outros cachorros nem late para eles na rua. Denny se casa, tem uma filha, sua esposa morre e sua vida vai entrando numa espiral descendente terrível, mas sem que o personagem perca seu brilho, pelo contrário, a admiração do leitor por ele só aumenta. É como se víssemos e sentíssemos por ele as mesmas coisas que o cachorro sente, como num espelho. 

Provavelmente, este será o último livro com animais de estimação que eu lerei na vida. Escolhi ler “The Art of Racing in the Rain” quando minha gata, Jujuba, estava bem doentinha. Ela faleceu poucos dias depois e, apesar deste ser um livro bom, a memória dele sempre será associada com a memória da perda da minha primeira gatinha. 

O livro cai em alguns momentos clichês, mas que são facilmente superados pelas maneiras criativas encontradas pela narração do cachorro, que em momentos parece uma criança escrevendo e falando, com uma linguagem toda especial. O epílogo dele vai te destruir e te deixar no chão, de tão lindo.

Quem gosta de corrida e ainda mantém viva a memória do Ayrton Senna também vai adorar esse livro. Recomendo para todo mundo que gosta de animais e que quer um romance que não foque em relacionamentos, só em uma boa amizade. 

Beeijos, A Garota do Casaco Roxo