Um Gato de Rua Chamado Bob – James Bowen

Um Gato de rua chamado Bob.inddNome: Um Gato de Rua Chamado Bob – A História da Amizade de um Homem e seu Gato

Autor: James Bowen

Editora: Novo Conceito

Páginas: 240

Preço: R$ 19, 90

Quem me segue no twitter viu que eu estava pedindo indicações de livros leves e divertidos. Tinha acabado de ler ‘’Rota 66’’ do Caco Barcellos para a faculdade e precisava de alguma coisa mais leve para me distrair.

Quando ‘’Um Gato de Rua Chamado Bob’’ chegou em casa, deixei de lado o livro que havia escolhido (There’s No Place Like Here da Cecelia Ahern, que logo aparece aqui no blog) e parti para a leitura.

‘’Londres sempre teve uma grande população de gatos de rua, os quais vagam por aí vivendo de restos de comida e do conforto de estranhos. Quinhentos ou seiscentos anos atrás, lugares como a Rua Gresham, no bairro financeiro, Clerkenwell Grenn e Alameda Drury costumavam ser conhecidos como ‘’ruas de gato’’ e eram tomados por eles. Aqueles vira-latas eram os destroços e os refugos da cidade, andando a esmo e lutando pela sobrevivência a cada dia. Muitos deles eram como aquele laranjinha: criaturas espancadas e quebradas.

Talvez ele tivesse visto em mim uma alma semelhante.

p.19’’

Em 240 páginas acompanhamos a historia de um viciado em recuperação, James Bowen, e sua luta pela sobrevivência e para ficar limpo. Com a ajuda do governo ele consegue um apartamento pequeno e começa a tocar nas ruas de Londres para conseguir dinheiro.

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Mais no inicio do livro percebemos que o autor escreve com um tom de revolta. Ele se sente invisível na sociedade e ignorado pelas pessoas que passam e que acreditam que ele seja só mais um pedinte. Se aqui no Brasil isso acontece muito, imagina na Inglaterra, um país onde as pessoas são conhecidas pela frieza?

‘’Os gatos são notoriamente exigentes a respeito de quem eles gostam. Se um gato não gosta do dono, ele sai e encontra outro. Gatos fazem isso o tempo todo. Eles vão embora e passam a viver com outra família. Ver-me com um gato suavizou-me aos olhos das pessoas. Ele me humanizou. Especialmente depois de eu ter sido tão desumanizado. De certa forma, ele estava devolvendo a minha identidade. Eu tinha sido uma não pessoa; e estava me tornando uma pessoa novamente.

p.84’’

A vida de James começa a mudar quando ele encontra um gatinho dentro de seu prédio. Ele decide adotá-lo e chamá-lo de Bob, o gato passa a ser um motivo extra para ele lutar contra o vicio, sobreviver e tentar ser feliz.

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Quando Bob decide seguir James até seu trabalho e ficar com ele nas ruas, a vida do ex-viciado começa a mudar. As pessoas começaram a parar para falar com ele sobre o gato e, até mesmo, para ouvir sua musica. Ele começou a ganhar mais dinheiro e a se apegar cada vez mais ao gato, que chegou a ficar famoso na internet.

Não é exagero quando James diz que Bob mudou sua vida.

‘’Era um imenso prazer ter tão boa companhia, tão grande companheiro. Mas, de alguma forma, senti como se houvesse recebido uma oportunidade para voltar aos trilhos.

p.83’’

Os dois se tornam imbatíveis e criam uma amizade profunda. É o desenrolar dessa relação e a recuperação de James que acompanhamos na historia de ‘’Um Gato de Rua Chamado Bob’’.

A história é encantadora, não tem como não criar simpatia pelo musico, seu gatinho e sua luta contra as drogas. Algumas vezes a narrativa se tornava um pouco pesada com as partes em que ele retratava o vicio, mas nada que durasse muito.

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É um livro de não-ficção e apesar de não ter muito estudo, James Bowen conseguiu levar a trama muito bem. Engana-se quem pensa que esse livro é mais um ‘’Marley e Eu’’, a narrativa me deixou assustada algumas vezes, mas nada que chegasse a ponto de me desesperar e fazer chorar copiosamente.  Para nossa alegria o livro não acaba com a morte de Bob, então se você é como eu (não muito fã de livros que fazem chorar) garanto que ‘’Um Gato de Rua Chamado Bob’’ vai te agradar.

Recomendo para todos aqueles que gostam de gatos e que sabem que bichinhos podem sim ser nossos melhores amigos.

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Dei uma pesquisada e o Daily Mail noticiou em Novembro do ano passado que as chances de ‘’Um Gato de Rua Chamado Bob’’ virarem filme são grandes. O livro foi produzido pela produtora britânica de ‘’Marley e Eu’’ e eles planejam também uma versão da historia para crianças e uma continuação.

Beijoos, A Garota do Casaco Roxo

P.S: Se você gostou de ‘’Um Gato de Rua Chamado Bob’’ e quer algo no mesmo estilo, sugiro que leiam ‘’Dewey – Um Gato entre Livros’’ que conta a historia de uma biblioteca cujo morador mais ilustre não era um livro raro, mas sim um gato. O livro é bem interessante e não tem como não se apaixonar por ele, só que diferente da historia de James Bowen esse aqui é triste, bem triste.

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Lola e o Garoto da Casa ao Lado – Stephanie Perkins

lolaNome: Lola e o Garoto da Casa ao Lado

Autora: Stephanie Perkins

Editora: Novo Conceito

Páginas: 288

Preço:  R$ 29, 90

Um dos meus livros favoritos de 2011 foi ‘’Anna e o Beijo Francês’’, da mesma autora, por isso, quando peguei Lola, já tinha altas expectativas e (ainda bem) elas não foram derrubadas.

‘’Está muito quente aqui fora e é por isso que, junto com as calças de pijama e as pulseiras de baquelita, estou usando uma regata. Também estou com meus óculos de sol estilo Jackie Onassis, brancos e gigantes, uma peruca morena com pontas verde-esmeralda e sapatilhas pretas de balé.

p.11’’

Lola não usa roupas, usa figurinos. Criada em São Francisco por seus pais Andy e Nathan, um dos primeiros casais gays a conseguirem adotar uma criança, ela tem um namorado chamado Max, que (para desespero dos pais) é mais velho e roqueiro.

‘’Minha esperança é de que, um dia, quando estivermos juntos por mais de um verão, meus pais se deem conta de que ele é o cara e que idade não seja mais motivo para criar caso. No entanto, apesar de não serem capazes de enxergar isso agora, eles não são idiotas. Lidam com Max porque acham que, se me proibissem de vê-lo, nós simplesmente fugiríamos juntos. Eu me mudaria para o apartamento dele e descolaria um trabalho dançando nua em boates ou vendendo LSD.

p.13’’

Isso até a volta dos gêmeos Bell, vizinhos de Lola, que a magoaram muito no passado. Até que Cricket Bell, o gêmeo inventor decide sair do domínio da irmã, a patinadora artística Calliope Bell – que Lola venerava quando era mais nova – para entrar no coração de nossa futura designer.

O mistério criado pela autora no começo do livro foi muito bem escrito, levamos páginas e paginas para descobrir o que os gêmeos Bell fizeram para deixar Lola aborrecida, mas não fica cansativo, é uma historia bem envolvente, daquelas que você só consegue largar depois que acaba.

Outra coisa que me encantou na história foi o cenário dela. Acho que o verdadeiro motivo de me apaixonar por ‘’Anna e o Beijo Francês’’ foram as descrições detalhadas de Paris, elas eram tão bem escritas que eu me sentia andando pelas ruas da Cidade Luz. O mesmo aconteceu com a São Francisco de Lola, que eu passei a achar bem mais interessante por causa do livro.

‘’Conseguimos estacionar ao pé da Rua Lombard, a ladeira íngreme com curvas em zigue-zague apelidada de ‘’a rua mais sinuosa da América’’. A via estreita e ziguezagueante é pavimentada de tijolos vermelhos e está repleta de flores vibrantes.

p.103’’

Também amei ler sobre patinação. Quem acompanha o blog desde o começo viu que essa é uma das minhas maiores paixões! Sou absolutamente louca pelos campeonatos, figurinos, coreografias e músicas. Acompanho tudo desde os 12 anos e ler sobre esse assunto deixou eu elétrica, logo que acabei o livro fui correndo pro Youtube para ver a minha patinadora favorita (a história dela é IGUALZINHA a da Calliope, sério gente! Eu só conseguia pensar nela enquanto lia, e outra, a música dela é igual, por isso, vou deixar aqui um linkzinho para quem quiser ver alguns vídeos dela).

Mas o que superou tudo foi poder ver, mesmo que em partes, como estão Anna e Etiénne, parece que essa é uma marca da autora, os personagens de seus livros estão sempre entrelaçados de alguma forma. O próximo livro dela (Isla and the Happy Ending ou Isla e o Final Feliz, em tradução livre) também é sobre uma personagem que apareceu tanto no Lola quanto no Anna e a narrativa ira se desenrolar entre Manhattan e Paris, a previsão de lançamento nos EUA é só setembro de 2013. VAI DEMORAR TAAANTO!

O único defeito é que eu achei a história parecida demais com a de Anna, mudando alguns detalhes, claro. Mas, no fundo, no fundo, o texto é tão delicioso de se ler que você nem repara nisso.

Apesar de ser uma série, não precisa ler Anna para ler Lola, mas a experiência fica bem mais legal quando se lê os dois.

Esse é o tipo de livro perfeito para ler, relaxar e ficar suspirando com um romance fofo. Assim que você acaba de ler, é impossível não ficar igual aos .gifs (vi eles no comentário de uma menina no goodreads !) com tanta fofura em uma historia só! E VIVA STEPHANIE PERKINS!

fofiiiiinhofofinho

Beijoos, A Garota do Casaco Roxo

PS: Coloquei poucos quotes porque a história era tão boa que eu não queria parar de ler para pegar minhas tags!

Estou Com Sorte – Douglas Edwards

Estou com Sorte CAPA.inddNome:       Estou com Sorte – Confissões do funcionário número 59 do Google

Autor: Douglas Edwards

Editora: Novo Conceito

Páginas: 480

Preço: R$39,90

 

Douglas Edwards: Vocês possivelmente não conhecem esse homem. Nem Larry Page, ou Sergey Brin. Então, possivelmente, vocês não têm noção da importância deles em sua vida. Pois saibam que foram esses dois últimos que, enquanto faziam seus doutorados na Universidade de Stanford, resolveram se unir e criar o poderoso Google.

Douglas é um milionário quase que por acaso. Formado em Inglês – com um desempenho que ele mesmo julga ser mediano –, Edwards passou vários anos trabalhando com agências de Marketing, até entrar para o jornal californiano San Jose Mercury, onde tornou-se gerente de marca online durante vários anos. Isso, pelo menos, até largar o emprego e aventurar-se em uma startup (empresas de internet que surgiram em um boom no fim dos anos 90) que mal e mal apresentava expectativa de dar certo.

De acordo com o descrito no livro, caso eu pudesse resumir o ambiente de trabalho do Google em uma palavra, ela seria “extravagante”: Dezenas de jovens recém-formados geniais amontoavam seus gostos e costumes excêntricos em um ambiente de trabalho bem próximo da Casa da Mãe-Joana. Aquele ambiente garantia ainda mais a eficiência e a criatividade de todos os funcionários, inclusive Douglas, que acabou se tornando o “cara do texto” do Google, até 2005.

O livro tem uma leitura fluída, convidativa, muitas vezes bastante engraçada e tem um adicional que a maioria dos trabalhos de não-ficção não têm: É narrado em primeira-pessoa, por alguém que presenciou as ações, participou delas, mas não foi o seu “protagonista” (não é como se fosse uma autobiografia, embora ele misture naturalmente alguns elementos de sua vida pessoal). Atrapalha um pouco que às vezes ele tenta explicar alguns termos técnicos e acaba nos deixando mais confusos do que esclarecidos, mas nada que atrapalhe o conteúdo de quem não está interessado em saber os detalhes do web-design.

As notas de rodapé, às vezes, mal e mal se conectam com o assunto que está sendo tratado e muitas informações importantes (como a explicação do nome do Google), que deveriam estar no texto, vão para lá. Em um momento ou outro, pareceu que a tradutora entrou no clima do livro e usou o Google Translate para traduzir o livro. Senti falta também (e principalmente) de um índice onomástico no final do livro, porque ele facilita em muito a leitura – o glossário ajuda bastante, mas mesmo assim, muitos termos estão de fora.

Mesmo assim, recomendo este livro, principalmente para quem está interessado em informática, internet, negócios, assuntos geek, marketing e/ou história (ou seja, praticamente todos). A diagramação também está sensacional e você acaba se sentindo ligeiramente íntimo do ambiente maluco que o Google ditou para a web.

Quebrando a tradição, vou reproduzir aqui não quotes, mas um trecho do livro, que foi um dos mais sensacionais: 

“Antes que eu começasse a trabalhar no Google, nunca tinha dito nenhuma dessas frases no emprego:

[…]

– Uau, Larry! Quem bagunçou seu escritório? Bem, é que… hum, não tem importância.

– Não seria mais fácil comprar patins de rodinhas que já vêm montados?

– Tem como programar a sauna para mais de meia-hora?

– Tudo bem se eu entrar no vestiário feminino para roubar algumas toalhas?

– Ah, desculpe. Não percebi que tinha alguém dormindo aqui.

– Olha, você derruba mais latas de lixo se atirar a bola em vez de apenas fazê-la rolar.

– Está na área atrás da pirâmide de latas de café, bem em frente de onde costuma ficar a roda-gigante.

– Eu tentei reservar por noventa minutos, mas a agenda estava cheia. Então eu só consegui uma hora. Você pode concentrar nas pernas e nos pés? Acho que estirei um músculo essa manhã.”

p. 107

Resenha por Hiago Vinícius da Silva

Dizem Por Aí… …que algumas pessoas são melhores do que outras para guardar segredos. – Jill Mansell

AF-CAPA-DizemPorAi.inddNome: Dizem Por Aí

Autora: Jill Mansell

Editora: Novo Conceito

Páginas: 432

Preço: R$ 29,90

Tilly Cole é uma londrina de 28 anos e acaba de levar um pé do namorado com quem divide um apartamento – o qual não tem condições de bancar sozinha – e decide visitar sua melhor amiga, Erin, que tem uma loja de roupas de grife usadas em uma cidade chamada Roxborough, enquanto pensa no que fazer com o problema do apartamento, já que é a única coisa que a incomoda no término com o namorado. Durante a visita, ela vê um anuncio de jornal para um “emprego divertido” e decide ligar, já que sua vida em Londres não está resolvida e morando em Roxborough ela ficaria perto da amiga. Calma, ela não vai trabalhar em um bordel.

Tilly acaba sendo empregada por Max, um gay divorciado com uma filha de 13 anos, Lou e uma ex-mulher, Kaye que é atriz de Hollywood, para trabalhar em sua casa e ajuda-lo na empresa de decoração, o que não parece um emprego muito divertido falando assim, mas ao longo do livro você vai desejar também ter um emprego desses só pelo empregador engraçado e por ter que encontrar frequentemente com Jack Lucas, melhor amigo de Max e eventualmente empregador dos serviços da empresa dele. Jack é conhecido na cidade como “o Garanhão” – mas não é pra menos, toda vez que uma cena com ele é narrada, a palavra “irresistível” aparece. Mesmo sendo avisada por todos do histórico de Jack, Tilly não consegue não se sentir atraída por ele, o que não significa que ela não possa tentar evitar ele caso tente alguma coisa, o que se torna engraçado com o fato de que ele desenvolve um interesse por ela e Tilly acaba tendo que evitar ele não só hipoteticamente.

Entre fofocas típicas de cidade pequena e fofocas Hollywoodianas, Kaye, a ex-mulher de Max volta para a cidade após ser vítima de mentiras espalhadas pela mulher ciumenta de seu diretor, o que não é problema para Tilly, porque elas acabam se dando muito bem, porém Tilly, que já estava ponderando sobre parar de evitar Jack, fica ainda mais receosa quanto a ele, já que Kaye vem reforçar o aviso de que ela deve se manter longe dele. O que ela, com muita dificuldade, tenta continuar fazendo. Olhem… Ela é forte.

Os personagens são divertidos, todos. Acho que é por isso que falam de “humor britânico” porque, assim como Charlotte Street, a história é engraçada sem ser boba e a maneira como ela é escrita é que faz o livro ficar mais divertido. Sem esse toque da escrita, os momentos desconcertantes de Tilly não seriam tão bons (e acredite, eles são muito bons). A Tilly é uma personagen com a qual é possível se identificar e ao mesmo tempo não é cheia de clichês como as personagens-identificáveis-usuais (Oi? Você entendeu.).

Fiquei sem entender o título do livro até a história começar a se desenrolar de verdade e coisas surpreendentes sobre Jack Lucas e sua reputação serem reveladas (e me fazer torcer ainda mais para ele e Tilly acabarem juntos), o que eu não esperava que acontecesse, porque a história já parecia bem interessante sem essas revelações. Ok, na verdade, mais que interessante, antes mesmo de chegar ao meio esse livro já havia ganhado um lugar entre meus favoritos, mesmo me perguntando o que o título tem a ver com a história (tem tudo, prometo). E eu não poderia deixar de encerrar falando que eu a-m-e-i.

Booktrailer: 

Resenha por Yasmin Quasne

A Luz Através da Janela – Lucinda Riley

LuzAtravezdaJanelaNome: A Luz Através da Janela

Autora: Lucinda Riley (mesma autora de ‘’A Casa das Orquídeas’’)

Editora: Novo Conceito

Páginas: 544

Preço: R$ 29,90

A Luz Através da Janela é contada com dois espaços cronológicos diferentes, com histórias que no fim revelam ligações entre si. O pretexto para essa organização da história é que “Conhecer o passado é a chave para libertar seu futuro”. Eu, pessoalmente, acho que isso só é válido em casos de carma e regressão, não de parentes mortos mal resolvidos.

O primeiro núcleo é o de Emilie, em 1998/1999, uma francesa de família rica e tradicional que vive indiferente ao peso do sobrenome até que sua mãe, ultimo membro de sua família, vem a falecer. Entre a responsabilidade de vender os imóveis, a decisão de manter o Chateau no campo e reforma-lo e as finanças, surge um inglês aparentemente simpático, Sebastian e demonstra interesse em Emilie e disposição em ajuda-la com a herança. Sem perceber como é estranho um cara aparecer do nada tão cheio de boa vontade e amor para dar bem quando ela recebe a herança, Emilie se envolve com Sebastian e se casa com ele.

Emilie vai morar na casa que Sebastian e seu irmão, Alex, herdaram de sua avó, Constance. Ah, e Emilie descobre, então, que Sebastian tem um irmão. Alex é paraplégico e, segundo a descrição de Sebastian, praticamente um psicopata viciado em qualquer tipo de substancia, lícita ou ilícita, o que, ao desenrolar da história, não se revela verídico. Aliás, Alex é muito amigável e interessante na verdade e você percebe que a autora descreve os personagens querendo te dar spoilers, porque de cara ela te faz não gostar de Sebastian (que se revelará um sacana) e adorar Alex. Só a Emilie que não pega os spoilers, coitada.

No núcleo vintage (-n), em 1943/1944Constance – sim, a avó de Sebastian e Alex – é uma agente da Inglaterra mandada para a França para ajudar a SOE contra os nazistas que invadiram a terra-da-Torre-Eiffel, mas na sua chegada, seus companheiros de SOE são capturados e ela tem que buscas abrigo na casa de Édouard, um aristocrata influente que é falsamente aliado aos nazistas com fim de ajudar a SOE e coincidentemente –ou não- viria a ser o pai de Emilie. Constance logo simpatiza com a irmã cega de Édouard, Sophia (e você finalmente entende porque tem poemas espalhados pelo livro e assinados por “Sophia”).

 Aí começam os conflitos, entram nazistas gêmeos com personalidades opostas, um bom e um mau (o que significa que um deles não é nazista, porque né…), filhos bastardos, prisões, execuções, amores proibidos… E o elo vai se fechando e tornando as duas histórias uma só, porém com dois personagens principais, Emilie e Constance – que apesar de principais, não têm outra ligação a não ser o marido de uma ser o neto da outra. E o passado vira a chave pra libertar o futuro, só que não, porque a Emilie poderia muito bem ter vivido sem saber de Constance, mas acontece que a história fica mais interessante para os conflitos de outros personagens ao saber ambos os espaços de tempo.

Essa estrutura, com duas histórias na mesma narrativa, assim como os conflitos do livro, é bastante parecida com A Casa das Orquídeas – outro livro da autora Lucinda Riley. Acontece que mesmo a história sendo previsível para mim, ela é bem trabalhada nos conflitos menores, que a diferem do outro livro e isso a fez é gostosa de ler mesmo assim. E se você tiver preconceito com livros grandes, leve em consideração que uma história com dois núcleos, espaços, tempos diferentes e que se cruzam com certa complexidade, precisa dessas 539 páginas para ser bem contada. 

Resenha por Yasmin Quasne