O Nevoeiro – Stephen King

tripulação de esqueletos

Nome: Tripulação de Esqueletos (calma que eu já já explico)

Autor: Stephen King

Editora: Suma de Letras

Páginas: 133

Mas Mandariela, você trocou as bolas? Por que o título do livro é um e o nome que aparece embaixo é outro?

“O Nevoeiro” é um conto de Stephen King, que aparece em “Tripulação de Esqueletos”, uma coletânea dos contos desse escritor, publicada pela primeira vez em 1985. Ele é o primeiro conto do livro e é enorme, gente! É quase tão grande quanto alguns dos exemplares que coloquei na minha lista de livros para ler em um dia!

Acabei pegando “Tripulação de Esqueletos” emprestado na biblioteca do meu bairro, só porque vi que esse era um dos contos inclusos e porque eu estava com vontade de ler algo que me lembrasse um pouco “Stranger Things” (vem ni mim, 27 de outubro!).

stranger things

No começo, acompanhamos a história de David Drayton, de sua esposa, Stephanie, e de seu filho, Billy. Os três estão em sua casa de veraneio em um dia bem quente de julho, só na curtição das férias. Até que uma grande tempestade os atinge. A combinação de chuva e de ventos fortes derruba árvores e fios elétricos e David, Billy e Stephanie ficam isolados na casa, sem comunicação alguma. Nem mesmo o rádio funciona.

Por cima e um pouco além do lago que permeia a propriedade dos Drayton, David consegue observar um nevoeiro denso e branco, como ele nunca tinha visto antes.

Decidido a ir comprar suprimentos para aguentar o dia, caso a luz não volte, David parte com seu filho Billy e o vizinho Brent Norton, até o supermercado da cidade. E é lá que eles estão quando o nevoeiro os atinge.

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Coisas horríveis acontecem com aqueles que optam por atravessar o nevoeiro, na tentativa de alcançar os familiares que ficaram do lado de fora. Banhos de sangue, barulhos estranhos e vultos animalescos podem ser vislumbrados por quem ficou do lado de dentro do supermercado, sem que ninguém tenha certeza do que está vendo. Por conta da densidade do nevoeiro, não é possível saber com clareza o que está do outro lado.

Olha, eu não gosto de terror. Mesmoooo. Eu só li “O Nevoeiro” porque li resenhas recomendando ele como não muito assustador e porque estou tentando preparar meu psicológico para ler “It – A Coisa” (mesmo que eu não goste de terror, eu gostei do trailer!). Talvez, por isso, quando eu terminei de ler “O Nevoeiro” não dei continuidade aos contos de “Tripulação de Esqueletos” e devolvi o livro para biblioteca com alívio no coração.

Esse é um livro bem interessante para se estudar como o King constrói o suspense e a tensão de cada uma das cenas. É fascinante.

Uma vez eu li um conselho de escrita que dizia que você deveria pensar em um personagem, entender qual seria o maior sonho dessa personagem e, depois, descobrir o que de pior poderia acontecer com esse personagem, para evitar que ele atinja seus sonhos. É exatamente isso que King faz nessa narrativa.

Sendo sincera, eu não senti muito medo e algumas cenas me pareceram meio banais. A impressão que eu tive é que, por estarem num supermercado, King fez uso de vários personagens que estavam ali fazendo compras e, conforme o texto foi avançando, ele foi usando esses personagens para dar continuidade à narrativa. E isso foi legal, mas toda vez que eu achava que ele ia utilizar esses personagens para amarrar uma ponta solta, ele acabava largando essa ponta de lado e seguindo em frente (meu medo de dar spoiler é tanto, que eu estou até misteriosa!)

susto

Eu estava um pouco errada quando achei que esse livro seria parecido com Stranger Things. Não é não. No seriado, a gente entende o porquê das coisas acontecerem e as motivações por trás de tudo. Em “O Nevoeiro” não há explicações. Duas ou três suposições aparecem e são levantadas por King, mas nada de concreto, sabe? Por mais clichê que seja, ás vezes, aquele momento em que o vilão conta todo o seu plano maligno para o herói é necessário para dar mais vivacidade para o texto.

Durante a leitura, fiquei preocupada que virasse algo parecido com “Ensaio sobre a Cegueira”, do Saramago. Eu adorei a leitura do Saramago, mas abandonei o livro desesperada, quando a narrativa culminou em uma cena que mexeu comigo de tal forma que, até agora, só de lembrar, eu fico enjoada.

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Mas não, apesar de ser um terror que pende para a distopia, ele não envereda pelas narrativas mais complicadas ou pelos juízos de moral. Muito pelo contrário.

O final foi… decepcionante. Qual é?! Disseram que o final do filme foi melhor e diferente. Eu não vejo filmes de terror e nunca vou saber avaliar isso direito, mas acho que qualquer coisa seria melhor do que o final incompleto que ele deu. Se ele decidisse transformar isso num livro de uma vez por todas, talvez o final fosse um pouco mais interessante.

Sem querer dar spoilers, foi meio que uma coisa à la “A Procura da Felicidade” sabe?

Em 2007, o diretor Frank Daranbot produziu um filme inspirado por “O Nevoeiro”. E em 22.jun.2017, uma série de TV baseada no livro estreou no canal Spike, lá dos EUA.

A Netflix anunciou recentemente que a série inspirada em “O Nevoeiro” vai ser disponibilizada no catálogo deles no dia 25.ago.2017. Tô ansiossísima!!! 

O NEVOEIRO THE MIST SERIADO IMAGEM DE DIVULGAÇÃO DISPONIVEL NA NETFLIX

Imagino que voltar a Paranapiacaba depois de ler um livro como “O Nevoeiro” vai ser uma tarefa muito difícil. Se você acha que narrativas como a do livro são totalmente de mentira e que “não é possível que algo assim aconteça na vida real,” tente ficar na cidadezinha depois das 16 horas, quando a noiva vem cobrir a cidade com seu céu. O documentário que eu produzi durante a faculdade ajuda a ter uma noção de como são as coisas por lá.

Esse tipo de livro sempre me deixa meio ansiosa ao lembrar que, em uma situação como essa, se eu perdesse meus óculos ou se algo acontecesse com eles, eu ia morrer muito rápido. Sou tão míope que só de ficar sem meus olhinhos, pelo menor período que seja, eu já fico com dor de cabeça. Eu totalmente ia me voluntariar para virar comida de monstro! lol

Recomendo para você que gosta de terror, que quer ler um clássico do mestre dos livros de terror e que, assim como eu, está procurando diversificar a lista de leitura e sair um pouquinho da zona de conforto.

Beeijos, A Garota do Casaco Roxo

3 motivos para ver a série GLOW

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Vez ou outra eu assisto alguma coisa na Netflix que não é um documentário. Eu vi um trailer bem legal de “GLOW” em junho e fiquei com ele na cabeça. Quando percebi que a série estava disponível para ver, nem pensei duas vezes e cliquei.

Dividido em 10 episódios, “GLOW” foi baseado em um seriado americano homônimo, que foi ao ar em 1986.

Nele, nós acompanhamos a história de Ruth Wilder, interpretada por Alison Brie, a Trudy Campbell de Mad Men. Ruth é uma atriz que está em busca de um bom papel, para alavancar sua carreira. Cansada de interpretar secretárias, Ruth é convidada por sua empresária a ir até uma audição de um novo projeto independente, “Glow”.

Ao descobrir que Glow, ou Gorgeous Ladies of Wrestlig (Garotas Lindas da Luta Livre), se preferir, não é uma série ou uma novela e sim um projeto para uma espécie de WWE feminina, Ruth fica desanimada e aborrecida.

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Como se isso pudesse justificar algo (mas a gente sabe que não pode), Ruth acaba dormindo com Mark, o marido de sua melhor amiga, Debbie Eagan. Na verdade, no começo, a gente tem a impressão de que Ruth tem um pouco de inveja de sua amiga. A Debbie, também atriz, fez um papel de sucesso em uma novela e agora parou de trabalhar para poder cuidar de seu filho com Mark e ser uma dona de casa.

Decidida a deixar seu preconceito com a luta livre de lado, Ruth decide tentar uma nova audição para fazer parte da equipe de Glow. Durante a segunda audição, Debbie interrompe Ruth furiosa. A amiga descobriu a traição e está prontinha para dar a maior surra – de verdade e na frente das outras meninas selecionadas e do diretor- em Ruth.

Sabendo que poucas coisas podem fazer o programa sair do papel e que precisa de boas atrizes para poder ter um lucro, o criador e o diretor de Glow, Sam Sylvia, decide convidar Debbie para fazer parte do programa.

personagens femininas de glow novo seriado da netflix

“Glow” envolve uma série de storylines pessoais e gerais e isso deixa o seriado bem legal. Há os problemas para tirar o programa do papel e torná-lo um sucesso, há os problemas de Ruth e de Debbie individualmente, e de Ruth e de Debbie como amigas que viraram inimigas. Além de outros acontecimentos que deixam todos os 10 episódios interessantes.

Eu gostei porque eles fizeram bom uso do tempo disponível do seriado, sem precisar encher a história com “fillers”, aqueles episódios sem nenhum conteúdo, que não avançam a narrativa e que só servem para deixar a temporada com um número X de programas.

  1. Girl Power

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Duh, é um programa sobre mulheres fazendo luta livre ao maior estilo Hulk Hogan, no auge dos anos 80, com direito a polainas e tudo mais. Só isso já deixa o seriado interessante e inovador.

Mas as personagens escolhidas para participar do programa não encarnam nada do estereótipo de gostosonas, muito pelo contrário. Glow tem uma diversidade de cores, nacionalidades, corpos e histórias pessoais que é bem legal.

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É impossível não ficar intrigado com a história pessoal da Sheila, the She-Wolf. Ou de torcer para a família de Machu Picchu, aceitar que, assim como eles, ela é uma lutadora nata. Ou de tentar entender um pouco mais da Britânica e de admirar certas atitudes dela, ao botar machistas no lugar.

O relacionamento entre Debbie e Ruth também é muito, muito legal. As duas super amigas, que viram quase inimigas depois de Ruth dormir com o marido de Debbie, não tem escolha e têm que trabalhar juntas, como uma dupla. A forma como elas superam esse problema no relacionamento é muito bem desenvolvida.

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O treinamento físico das meninas é mostrado no seriado em si e isso ajuda a gente a entender todo o trabalho que elas tiveram para deixar as lutas bem realistas. A única atriz que tinha um histórico de já trabalhar com luta livre é a Kia Stevens, que interpretou a Tammé Dawson ou, se você preferir, The Welfare Queen. Antes, ela era conhecida como Awesome Kong.

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     2. Desenvolvimento de Personagens

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Uma das coisas que eu menos gosto é daqueles seriados em que um personagem X atravessa o inferno inteiro, luta com demônios e bruxas, tem que cometer atos de crueldade e, quando termina sua jornada, não muda em absolutamente nada.

É tão irritante isso!

Para tornar “Glow” um programa de TV de sucesso, todas as meninas, Sam Sylvia, o diretor, e Bash, o produtor, tiveram que trabalhar duro e enfrentar diversidades. No episódio final é possível ver como e o quanto as personagens evoluíram e mudaram por causa disso.

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Sam Sylvia, por exemplo, o diretor de filmes gore e desconhecidos aceitou ser o diretor de “Glow”, em troca de poder gravar o filme que quisesse depois. Primeiramente visto como um homem babaca, ele evolui, assume responsabilidades e dá apoio. É ele quem participa de dois dos plot twists que eu mais gostei da série. Um acontece no episódio 7 e me deixou numa vibe de “Ai meu Deus, e agora??? O que é que vai acontecer??” e o outro foi meio previsível, mas a reação dele foi excelente.

Senti que “Glow” evoluiu bem e trabalhou de maneira habilidosa com os personagens que tinha em mãos. O último episódio termina e, apesar da gente querer mais, ele realmente tem um fim. Nada que escritores habilidosos não conseguissem trabalhar sobre, para obter uma nova temporada. Mas adorei muito a sensação de encerramento e de poder imaginar o que ia acontecer com as personagens depois, sem ter que ficar afoita para uma nova temporada (não é, Stranger Things?)

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    3. Esse vídeo que o pessoal da Netflix fez com a Gretchen

Todo mundo sabe que o marketing da Netflix é sensacional, né?

O que eu acho bem legal de ver é que os escritórios regionais da Netflix tem uma liberdade grande para poder fazer o que quiserem. Eu já vi comerciais de Orange is the New Black estrelados pela Valeska Popozuda, Narcisa e pela Inês Brasil e outro de Stranger Things com a Xuxa, eles são hilários, mas que seriam impossíveis de se explicar (especialmente em termos de conceito) para uma equipe gringa.

Para divulgar Glow, o pessoal do Brasil convidou a Rainha do Bumbum, Gretchen, para participar do seriado, junto com Rita Cadillac, neste vídeo hilário. Sensacional! Toda vez que eu penso nele, eu fico rindo sozinha! hahaha

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Espero que goste da minha indicação de seriado para ver na Netflix! Será que você vai gostar de Glow tanto quanto eu gostei?

Beijoos, A Garota do Casaco Roxo