Série “O Clube dos Canalhas” – Parte 2

Como prometido, voltei para contar para vocês o que achei dos dois últimos livros da série “O Clube dos Canalhas”, da escritora Sarah Maclean, publicada no Brasil pela Editora Gutenberg.

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No texto da semana passada, eu falei um pouco sobre os livros “Entre o Amor e a Vingança” e “Entre a Culpa e o Desejo”, que são os dois primeiros da série. Se você está com preguiça de ler o post inteiro, te adianto duas coisas: 1 – O primeiro livro é muito morno e esquecível e 2 – No segundo livro, é a mocinha que salva o “herói” e essa mudança de perspectiva foi bem legal.

Vamos à resenha dos dois últimos livros da série?

Entre a Ruína e a Paixão – Sarah MacLean

entre a ruína e a paixão

Nome: Entre a Ruína e a Paixão

Autora: Sarah Maclean

Editora: Gutenberg

Páginas: 295

Nos dois primeiros livros da série, nós seguimos as histórias de Bourne e Cross, respectivamente. Os dois são aristocratas que caíram em desgraça e que foram convidados pelo misterioso Chase para gerenciar e serem sócios de um cassino. O “Anjo Caído” é um antro de apostas e de perdições frequentado por toda nobreza da Inglaterra, mas o lugar não seria nada sem Temple, o terceiro sócio.

Temple é forte como um touro. Quando os aristocratas perdem suas fortunas nos jogos do cassino, a chance de “redenção” é lutar contra Temple. Se eles conseguirem derrotá-lo, as dívidas são perdoadas. Só que, é claro, isso nunca acontece e Temple sempre ganha.

Originalmente um duque, Temple perdeu tudo quando foi acusado de um crime. Na noite anterior do quarto casamento de seu pai, ele beijou sua futura madrasta. Na manhã seguinte, ele acordou nu e sem nenhuma memória, em uma cama completamente ensanguentada. O corpo da madrasta nunca foi encontrado e o crime fez Temple ser expulso de sua família.

Anos depois ele ainda está ostracizado por conta desse crime. Acolhido por Chase e pelo Anjo Caído, sua vida segue em frente… Até que ele é contatado pela mulher a qual foi acusado de ter assassinado.

Mara Lowe tem uma personalidade forte e tem a responsabilidade de cuidar de um orfanato. Com o local ameaçado pelas dívidas de jogo de seu irmão, ela não tem escolha se não se apresentar diretamente a Temple e dá-lo a redenção que ele sempre quis.

Parece que eu contei a história toda do livro, não é mesmo? Mas tanta coisa acontece que essa é só a premissa dele mesmo. Apesar de ser o menor livro da série, esse é o que tem mais ação e acontecimentos.

As descrições das cenas são super cinematográficas e, se no livro anterior a mocinha é quem salva o “herói”, nesse daqui, o casal passa uma ideia de igualdade que é bem interessante.

Mara e Temple têm uma química sensacional e eles brigam o tempo todo. Casais que se odeiam e depois se amam é minha trope favorita, e a dinâmica do relacionamento deles me lembrou muito a da Claire e do Beckett, do livro “A Infiltrada” – um dos meus favoritos ever.

A Mara tem uma porquinha de estimação, a Lavanda, e eu adoro quando animais de estimação aparecem em livros de romance histórico porque eles costumam garantir um grande alívio cômico, que não é tão comum em livros do gênero. Na verdade, “Entre a Ruína e a Paixão” tem várias cenas que vão fazer você rir alto.

No geral, esse foi o livro que eu mais gostei na série inteira. Ele é engraçado e fofo e, nossa, as cenas calientes dele são sensacionais.

Se você só puder ler um único livro da série, leia este daqui!

Nunca Julgue uma Dama pela Aparência – Sarah Maclean

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Nome: Nunca Julgue uma Dama pela Aparência

Autora: Sarah Maclean

Editora: Gutenberg

Páginas: 313

Ok, se você é daqueles que não curte muito spoiler, pode parar de ler aqui. Todos os livros da série “Clube dos Canalhas” podem ser lidos como um stand-alone, sem precisar ler os anteriores.

Mas, em “Nunca Julgue uma Dama pela Aparência”, o grande segredo dos livros anteriores “afinal, quem é o Chase?” é solucionado. E, se você não quiser saber spoilers antes de ler o livro, o melhor é parar de ler por aqui.

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Olha, eu avisei. É melhor você parar de ler…

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Não vai parar mesmo? Então continue por sua própria conta e risco.

Ok, lá vai: Chase é, na verdade, Lady Georgiana Pearson. Sim, o Chase é uma mulher.

9anos atrás ela caiu em desgraça porque se apaixonou pela pessoa errada. Grávida e sem estar casada, Lady Georgiana foi deixada de lado por toda a sociedade e por seus pais. Com o apoio de seu irmão, ela criou sua filha e financiou o que viria a ser o maior cassino de toda a Inglaterra.

Em troca de uma associação, Chase só pedia uma coisa: segredos pessoais e cabeludos. E foi assim que Lady Georgiana Pearson passou a ter toda a sociedade na palma de sua mão – sem que eles soubessem, é claro.

Agora que sua filha Caroline já está grandinha, Lady Georgiana quer voltar à sociedade aos poucos, em busca de um marido com um título intocável. Ela quer que as pessoas esqueçam os erros do passado, para que sua filha possa ter uma vida mais normal. Será que ela vai conseguir?

Enquanto isso, Duncan West, jornalista e dono dos 3 maiores jornais do país, precisa descobrir quem é Chase. Tipo, desesperadamente. E o mais rápido que ele puder. É uma questão de sobrevivência para ele e para sua irmã mais nova, Cinthia. Será que ele vai conseguir?

Eu amei a premissa desse livro. Quando descobrimos que Chase é uma mulher, eu quase dei gritinhos. Do tipo em alto e bom som. Na vida real.

Mas, preciso ser sincera, ele não me agradou de todo.

Eu não gosto muito de histórias em que todo o enredo se baseia em segredos, e essa é uma delas. Quer dizer, eu sou de Áries, com ascendente e lua em gêmeos – só senta aí e conversa até resolver tudo, sabe? O livro é bom e legal, mas eu não amei o tanto quanto eu esperava amá-lo.

Em meio aos segredos e intrigas de Chase, Georgiana e Duncan, eu acho que a Sarah MacLean se perdeu um pouco e o livro acabou ficando um pouco monótono e cansativo.

Mesmo assim, a reversão dos papéis e a história de uma heroína com um passado que é qualquer coisa menos “imaculado” foram bem interessantes e divertidas de se ler.

Minha ordem de preferência acabou sendo “Entre a Ruína e a Paixão”, “Entre a Culpa e o Desejo”, “Nunca Julgue uma Dama pela Aparência” e “Entre o Amor e a Vingança”. Você já leu os livros da série? Qual a sua ordem de preferência?

Beeijos, A Garota do Casaco Roxo

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5 livros legais de escritores latino-americanos

Muita gente acha que ser um bom leitor significa ler muitos, muitos, muitos livros. E só. Houve um tempo em que eu pensava assim e prezava mais pela quantidade do que por qualquer outra coisa.

Hoje penso de maneira diferente. A leitura é meu hobby e também a forma como eu aprendo mais sobre o mundo. Gosto de me desafiar e de disputar contra eu mesma em relação aos gêneros, estilos, autores, nível de dificuldade e, sim, até à quantidade de livros que leio de um ano para o outro.

Mas acho que o verdadeiro segredo para ser um bom leitor reside na diversidade de leitura.

Ler só livros de escritores homens ou só de autores de um determinado país pode ter seu mérito, mas não é exatamente diversidade, é?

Por mais que seja legal ter um autor favorito e ler todas as obras dele, acho interessante a ideia de sair da zona de conforto e de ler de tudo um pouco, mesmo. 

Para te ajudar a diversificar seu “cardápio” de leituras, elaborei uma lista com meus livros favoritos de escritores latino-americanos! Nossos hermanos têm obras excelentes e, muitas vezes, a gente acaba focando em dois ou três escritores e esquece que existem muitos outros que também são maravilhosos!

5 livros legais de escritores latino-americanos

Vamos aos títulos?

  • La Tregua e A Borra do Café, de Mario Benedetti

A trégua de mario benedetti

“La Tregua” foi o livro que fez eu quebrar meu jejum de não comprar livros, lá no começo do ano, quando fui para o Uruguai. Comecei a ler ele enquanto tomava sol na praia de Pocitos e acabei ficando mais morena nas costas do que na parte da frente do corpo. Não me arrependo nem um pouco.

O livro conta a história de Martín Santomé, um viúvo que está contando os dias até sua tão aguardada aposentadoria. Para marcar o feito, ele começa um diário onde relata alguns dos acontecimentos terrivelmente rotineiros de seu trabalho em um escritório, como contador. Os seus 3 filhos, já adultos, criados e maduros, também aparecem nos escritos.

Tudo vai bem rotineiro e calmo na vida de Martín. Até que uma funcionária nova, Laura Avellaneda, começa a trabalhar no escritório. Laura vira o mundo de Martín de ponta cabeça e a tão rotineira rotina dele vai para as cucuias. Os dois se apaixonam e engatam uma relação tão linda e preciosa, que você meio que se apaixona junto.

frases de la tregua mario benedetti

Eu li “La Tregua” em espanhol e  por ter tantas gírias e expressões tipicamente uruguaias me lembrou TANTO do meu vô, que eu quase não aguentei de saudades.

“La Tregua” é um livro doce, mas tão, tão, tão triste que eu fico chateada só de lembrar. Eu chorei horrores. É claro que vou reler no futuro – e em português, de preferência.

A história se passa em Montevidéu e as descrições são super vívidas, especialmente as dos cafés. A história foi publicada em 1959 e a impressão que temos é de que pouca coisa mudou na cidade, desde então.

Alguns dos pontos turísticos mencionados na história aparecem no Guia Benedetti, publicado pela Fundação Mario Benedetti. Quando terminei o livro, eu já estava em casa, mas a vontade foi voltar para o Uruguai, fazer o percurso do guia e ver Montevidéu pelos olhos do Martin.

capa de a borra de café de mario benedetti

“A Borra do Café”, eu li em português mesmo e me diverti bastante lendo. É a história de Claudio, começando por sua infância até ficar mais velho e adulto.

A infância de Claudio é marcada pelo futebol, pelas mudanças da família, a morte da mãe e pelo assassinato de um morador de rua em seu bairro. Há uma grande leveza na forma como ele narra esses acontecimentos.

“A Borra do Café” é parcialmente baseado nas memórias de infância do próprio Benedetti e acho que isso, de certa forma, me ajudou a gostar ainda mais do livro!

Minha impressão é de que em “A Borra do Café”, a cidade de Montevidéu aparece mais do que em “La Tregua”. Agora que conheço o lugar, quero reler o livro para verificar isso.

capa da nova edição de o carteiro e o poeta de antonio skármeta

Eu já resenhei “O Carteiro e o Poeta” aqui no blog e você pode ler a resenha para mais detalhes. Basicamente, o livro conta a história da inusitada amizade entre o poeta Pablo Neruda e seu carteiro.

Antonio Skarmeta é chileno e, recentemente, a Editora Record reeditou “O Carteiro e o Poeta”, que estava fora das prensas (o meu exemplar foi comprado em sebo, mas mesmo assim quero uma edição nova).

O livro virou filme em 1994 e eu escrevi sobre ele no blog também!

“Como Água para Chocolate” é um livro da escritora mexicana Laura Esquivel.

O livro conta a história de Tita, que nasceu em uma cozinha e cuja mãe não queria que se casasse. A tradição da família pregava que, por ser a filha mais nova, ela não poderia se casar e teria que ficar cuidando da mãe até ela morrer.

capa do livro como agua para chocolate da laura esquivel

Quando cresceu, Tita se apaixonou perdidamente por Pedro, sem poder ficar com ele por conta da bendita tradição. Para resolver todos os problemas (só que não, né?) Pedro acaba se casando com a irmã mais velha de Tita, só para poder ficar perto de sua amada.

Sem poder conversar ou trocar olhares por conta de uma proibição da irmã, Pedro e Tita se comunicam por meio da culinária e das sensações que a comida de Tita induz em todos os membros da família. As descrições alimentares são riquíssimas e a dose de realismo fantástico típica dos escritores latino-americanos também temperam o livro.

A resenha completa pode ser lida aqui no blog, neste link.

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Tita e Pedro em uma das cenas de “Como água para Chocolate”

Capa de The Brief Wondrous Life of Oscar Wao

Apesar de estar em inglês, “The Brief Wondrous Life of Oscar Wao, é um livro de um escritor latino-americano. Junot Diaz nasceu na República Dominicana e emigrou para os EUA aos 6 anos de idade.

O livro conta a história de vida de Oscar Wao, mas vai além disso ao mostrar todas as gerações de mulheres fortes anteriores (e uma contemporânea) a ele.  O livro também se aprofunda e dá um grande panorama sobre como a ditadura de Trujillo afetou a vida de todos na República Dominicana.

É fascinante e, com certeza, uma das melhores leituras desse ano – até agora! Não é à toa que Junot ganhou um Pulitzer por esse livro, né?

Espero que minha lista te ajude a diversificar mais suas leituras! Sei que existem muitos outros escritores latino-americanos ótimos e alguns dos que li (Isabel Allende com “A Casa dos Espíritos” e Mario Vargas Llosa com “Travessuras de Menina Má”) não apareceram nessa lista.

Se gostarem do post, eu posso até fazer uma continuação!

Beeijos, A Garota do Casaco Roxo

PS: Recentemente escrevi uma resenha de um livro de mistério, com um narrador super não-confiável! Meu texto sobre “Sempre Viveremos no Castelo”, de Shirley Jackson, pode ser lido na Revista Pólen.

Livros de não-ficção para quem gosta de história

A Capital da Vertigem, A Face da Guerra, A Vida Imortal da Henrietta Lacks, O Instante Certo

Hoje é Dia da Imprensa. A data passou a ser “comemorada” em 1999 e marca o primeiro dia de circulação do jornal Correio Braziliense, fundado em 1808, por Hipólito José da Costa. Pensando em encontrar uma forma de celebrar a data, achei que seria legal fazer uma lista de livros reportagem e coisa e tal. Achei que seria legal incluir Gay Talese, Truman Capote e gente que já li.

Mas depois de dar uma pensada, percebi que marcar o Dia da Imprensa com obras jornalísticas seria um pouco clichê. Por isso, decidi listar livros que não deixam de ser livros-reportagem, mas que superam isso e viram obras de não-ficção. São narrativas que foram escritas após anos de pesquisa, dedicação e suor. Todos os autores reunidos são jornalistas que, acima de tudo, são testemunhas da história.

  1. A Vida Imortal de Henrietta Lacks, de Rebecca Skloot

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Quem me conhece sabe que eu quase nunca leio um livro duas vezes. Convenhamos, a vida é curta e a lista de livros é interminável. Aproveito o meu tempo lendo livros novos e só dedico um tempinho extra para aqueles que me marcam mesmo e que mudaram minha forma de pensar de alguma forma. Pois bem, eu li “A Vida Imortal de Henrietta Lacks” duas vezes.

O livro conta a história de Henrietta Lacks, negra e moradora de Maryland, nos EUA de 1951. Henrietta sofre de uma forma particularmente agressiva de câncer. Os médicos retiram parte do seu tecido canceroso e para realizar uma biópsia e… As suas células continuam a se reproduzir, se colocadas em um meio de cultura correto e mantidas na temperatura certa. As células de Henrietta acabam por solucionar um grande problema da medicina. Algumas pesquisas e tratamentos não podiam ser feitos, simplesmente porque não podia ser testados. Com as células HeLa, como ficaram conhecidas, todo o problema é solucionado e uma indústria milionária é formada, sem que a família Lacks, muito humilde, saiba de qualquer coisa.

“Nos anos 1960, os cientistas diziam, brincando, que as células HeLa eram tão robustas  que provavelmente conseguiriam sobreviver em ralos de pia ou em maçanetas de porta. Estavam por toda parte. O público em geral podia cultivar células HeLa seguindo as instruções de um artigo tipo faça você mesmo da Scientific American, e tanto os cientistas russos como os americanos haviam conseguido cultivá-las no espaço.”

p. 180

O livro transcende a história de Henrietta, que, por si só, já é fascinante. Dos campos de tabaco em que ela costumava trabalhar na colheita, durante a infância, até a vida de Deborah, sua filha, sempre perturbada por conta das células. Rebecca Skloot passou 10 anos acompanhando a vida da família Lacks e o livro não deixa de ser um pouco sobre a própria jornalista.

Recentemente, “A Vida Imortal de Henrietta Lacks” foi adaptado para o cinema, pela HBO, tendo Oprah Winfrey como a protagonista, Deborah Lacks. Eu ainda não pude ver o filme, porque sou pobre e não tenho HBO, mas adoraria vê-lo um dia.

Henrietta e Rebecca, em um still do filme
Deborah Lacks e Rebecca Skloot, em uma imagem do filme

“A Vida Imortal de Henrietta Lacks” é, majoritariamente, um livro de jornalismo científico, mas não deixa de ser um livro que aborda diretamente o cenário dos EUA do século passado, principalmente nas relações raciais em si. Henrietta Lacks é uma das mencionadas nesse texto sobre 5 biografias de mulheres fortes, que eu escrevi para a Revista Pólen.

  1. A Face da Guerra, de Martha Gellhorn

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O fim da faculdade costuma ser um período de reflexão. A gente fica olhando para trás, pensando nas nossas decisões e no que nos levou a tomá-las. Bate uma certa nostalgia e a gente não consegue deixar de se perguntar “E aí, será que eu fiz a coisa certa?”. Comigo, pelo menos, está sendo assim. Todo mundo diz que isso é normal, que acontece com qualquer um, mas não deixo de estranhar o porquê de ninguém falar sobre esse assunto diretamente.

De qualquer forma, quem me convenceu a fazer jornalismo e a perseguir isso como carreira (ainda que eu esteja desanimada, nos últimos tempos) foi Martha Gellhorn. Com sua vida fascinante, sua relação amorosa com um escritor americano bem famoso do século passado – que vira nota de rodapé sempre que eu falo dela, Martha Gellhorn é a maior jornalista de guerra com quem já tive contato.

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Martha voltando aos EUA, depois de uma temporada na Europa.

Martha realizou a cobertura de quase todas as guerras do século passado, começando pela Guerra na Espanha, até a Invasão do Panamá. Também são abordados a Guerra dos Seis Dias, a Guerra do Vietnã e a Segunda Guerra Mundial, particularmente em um texto chamado Dachau, que foi meu primeiro contato com a autora e que conta um pouco do estado do campo de concentração de Dachau, logo após sua liberação. Falo mais sobre “Dachau” neste post que escrevi para a Revista Pólen, “Guerra e Registro: Martha Gellhorn”.

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Do seu marido-escritor, com quem ela casou em 1939 e se divorciou em 1945 (exatamente o tempo de duração da Segunda Guerra Mundial), Martha ganhou um livro dedicado a ela: “Por quem os sinos dobram”

Martha estava lá, presenciou e viu os horrores da guerra com seus próprios olhos e, talvez, por esse mesmo motivo, ela fosse uma pacifista totalmente contra a guerra. O texto é fascinante e é melhor do que qualquer filme hollywoodiano para te dar uma noção, em cores e alta definição, sobre como era realmente estar em uma guerra.

“Um menino chamado Paco estava sentado em sua cama com grande dignidade. Tinha 4 anos, um grave ferimento na cabeça e era lindo. Ele foi atravessar uma praça para se encontrar do outro lado com uma menininha com quem brincava à tarde. Então, uma bomba caiu. Muitas pessoas foram mortas e ele foi ferido na cabeça. Ele havia suportado sua dor silenciosamente, disse a enfermeira. O ferimento já tinha cinco meses. Ele sempre fora paciente com o ferimento e, à medida que os meses passavam, tornava-se mais solene e mais adulto a cada dia. Às vezes, chorava sozinho, mas sem fazer nenhum som, e, se alguém reparava, ele tentava parar.”

p. 54

“A Face da Guerra” deveria ser leitura obrigatória neste século e, ainda assim, muitos jornalistas que conheço sequer ouviram falar de Martha Gellhorn.

“Atrás do arame farpado e da cerca eletrificada, os esqueletos sentavam ao sol e catavam piolho neles mesmo. Eles não têm idade e não têm rostos; todos eles se parecem e não são como nada que você vai ver se tiver sorte.”

p.203

Seus textos foram todos escritos no século passado (ela cometeu suicídio em 1998), mas não consigo deixar de sentir um arrepio, toda vez que leio notícias sobre nossas guerras contemporâneas, em especial a da Síria, e consigo traçar paralelos entre os textos de Martha e os acontecimentos de hoje. Já dizia Edmund Burke, “quem não conhece a história, está fadado a repeti-la”.

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  1. A Capital da Vertigem, de Roberto Pompeu de Toledo

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“A Capital da Vertigem: Uma história de São Paulo de 1900 a 1954” é um livro que me deixou sem fôlego, na primeira vez que o vi na livraria.

Eu adoro história e adoro histórias de cidade. Acho horrível andar pelo centro velho da cidade e ver prédios com uma arquitetura peculiar e ruas com nomes conhecidos e disseminados por todo o país, sem saber ou ter a mínima noção de onde aquilo saiu e do porquê certas coisas são como são.

Me arrependi um pouco da forma como li “A Capital da Vertigem”. O livro tem mapas, fotografias, títulos de capítulos com nomes peculiares e pode ser lido como um romance, sem nenhuma dificuldade. O texto é bem fluído e usa técnicas de storytelling, usando personagens históricos para explicar trechos da história da cidade de São Paulo. Eu devo ter devorado suas 579 páginas em umas duas semanas.

“Mil novecentos e vinte foi um ano difícil para Mário de Andrade, o jovem professor de Estética e História da Música do Conservatório que encontramos ao final do capítulo VIII. Gastava o que tinha e o que não tinha na compra de livros e por isso vivia enrascado em problemas de dinheiro. Sentia esgotadas as experiências poéticas com bem-comportados versos parnasianos mas não conseguia encontrar o novo caminho e a nova voz pelos quais ansiava.”

p. 213

“A Capital da Vertigem” é, com certeza, um livro que irei reler, com mais calma de preferência. Seu antecessor, “A Capital da Solidão”, que conta a história da cidade de São Paulo de 1554 até 1900, é muito interessante e recheado de fatos históricos. Eu tive um pouco de dificuldade para lê-lo, talvez pela distância histórica entre os acontecimentos passados dois, três séculos atrás. Eu também quero comprar a edição de “A Capital da Solidão”, porque comprei a versão econômica do livro e acho que isso me atrapalhou um pouco.

É o livro ideal para quem quer saber mais sobre sua própria cidade, ou sobre como se desenvolveu a cidade (olha o meu bairrismo aí, gente!) mais importante do país.

            4. O Instante Certo, de Dorrit Harazim

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Quem sou eu para falar de Dorrit Harazim, não é mesmo? Ela é a jornalista contemporânea que mais admiro e seus textos sempre têm a capacidade de me transportar. Por vezes, quando ergo os olhos deles, me sinto temporariamente perdida, sem saber direito em que época ou onde estou.

Terminei de ler “O Instante Certo” poucas semanas atrás, com a sensação de que o livro poderia ter mais milhares de fotos e eu iria aproveitar com felicidade cada uma delas.

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American Girl in Italy, Florence, de Ruth Orkin é umas das imagens que aparece no livro e cuja história, realidade e bastidores são revelados.

Esse poderia ser um simples livro de fotografia, daqueles de pôr na mesinha de centro, para as visitas te acharem culta, ou poderia ser um tratado sobre técnicas, jogos de luzes, focos, lentes, aberturas de diafragmas, ISO e tudo mais que envolve uma boa foto. Mas ele vai muito além.

Dorrit resgata as histórias envolvidas nas fotos. Não importa se é a história pessoal do fotógrafo, a história do protagonista da foto ou da pessoa que está no plano de fundo. Não importa se é o cenário histórico que é realmente importante, como as fotos que falam do Apartheid e das violências no sul dos Estados Unidos, em plena era Jim Crow, ou as imagens de Sebastião Salgado, do atentado contra o presidente Ronal Reagan.

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“The Most Beautiful Suicide”, de Robert C. Wiles, abre o livro revelando a história da protagonista da foto e de quem realizou a imagem.

A jornalista selecionou fotos que já são peculiares ou interessantes por algum motivo e fez o impossível: deu vida ao que estava congelado e deu cor ao que estava em preto e branco. Cada foto presente no livro tem seu próprio capítulo e alguns são super curtos, com duas ou três páginas, outros, como o capítulo que fala sobre Sebastião Salgado, são enormes.

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Há um capítulo inteiramente dedicado aos fotógrafos dos presidentes dos EUA. O trabalho de Pete Souza, de registrar a Era Obama, tem grande destaque.

Diferente dos outros livros já mencionados na lista, “O Instante Certo” não está concentrado em um único ano, em uma determinada época ou localidade geográfica. Através dos 5 continentes, em diversas eras históricas, na época das fotos analógicas ou digitais, o livro de Dorrit é uma grande viagem.

A única coisa que senti falta foi uma bibliografia no final do livro. Imagino que a pesquisa deve ter sido bem extensa e gostaria de saber que livros foram utilizados para encontrar essas informações, já que, muitas vezes, eu gosto de ir atrás desses mesmos livros, em busca de mais coisas interessantes. Além disso, durante os capítulos, Dorrit menciona uma série de escritores e de livros e eu adoraria tê-los reunidos em um só apêndice.

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A imagem que Sebastião Salgado fez, do atentado contra a vida do presidente Ronald Reagan é usada para introduzir um pouco da vida e da história do maior fotógrafo brasileiro.

Com frequência, eu resenho livros de não-ficção aqui no blog. Se você gostou dessa lista, também poderá gostar de livros como O Demônio na Cidade Branca, A História do Brasil nas Ruas de Paris, Pepitas Brasileiras e  O Mundo das Múmias.

Você conhece algum livro de não-ficção legal para me recomendar? Deixe o nome nos comentários! Quem sabe não aparece uma resenha dele por aqui?

Beeijos, A Garota do Casaco Roxo

6 livros para ler em um dia

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Se você é como eu, provavelmente estabeleceu uma meta de leitura ambiciosa no Goodreads. Escolhi ler 60 livros esse ano e amo que a plataforma te mostra o quanto da sua meta já foi cumprida (35%), mas detesto que também mostre se você está atrasada nas leituras – o que significa que você pode não cumprir seu objetivo, se continuar nesse ritmo.

No momento, estou lendo 2 livros diferentes e estou para trás em um título. Jessica Woodbury, do Book Riot, fala exatamente sobre essa nossa obsessão com o Goodreads e as metas de leituras. Basicamente, ela escreve: “Como uma pessoa que realmente não pratica esportes, mas que lê como se minha vida dependesse disso, talvez minha obsessão seja melhor explicada através de metáforas esportivas. O Reading Challenge é meus Jogos Olímpicos. Não ter livros atrasados significa que estou no ritmo certo, estar atrasada significa que minha medalha pode estar fora do meu alcance, é ganhar ou morrer; fazer ou quebrar; é hora de ir com tudo.”

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Eu não estou realmente em uma ressaca literária, mas estou lendo livros que requerem mais minha atenção e que realmente não quero correr para terminar, só para voltar ao ritmo imposto pelo Goodreads. É em momentos como esse que eu recorro aos meus “one-night stands”, hehehe. Eu vou atrás de livros que podem ser lidos em um só dia, além de dar mais caldinho para minha meta de leitura.

Por isso, elaborei uma lista com livros fininhos com menos de 200 páginas e que podem ser lidos rapidamente.

1) O Carteiro e o Poeta, de  Antônio Skármeta – 127 páginas

carteiro e poeta livroDe todos os livros dessa lista, “O Carteiro e o Poeta” é o único que eu já resenhei aqui no blog. Poético e simples, o livro tem um final um pouco denso e segue sendo uma das leituras que mais me marcou na vida.

Sou uma leitora relativamente rápida, isso e o fato de conhecer o enredo por ter visto o filme homônimo de Michael Radford, “Il Postino”, fez com que eu lesse ele bem rápido mesmo. O vocabulário do livro é um pouco avançado – mesmo em português, não são palavras que usamos habitualmente- pode ser que algumas pessoas demorem um pouco mais para terminá-lo.

  1. O Compadre de Ogum, de Jorge Amado – 103 páginas

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Quem sou eu para falar de Jorge Amado, não é mesmo? Mas, decidi incluir “O Compadre de Ogum” nessa lista porque foi uma das melhores, quiçá, minha melhor leitura de 2016.

Escrito em 1964, o livro conta a história de Massu, que é muito popular e amado por todos. Certo dia, a prostituta Benedita aparece muito doente na porta da casa de Massu, com um bebê no colo, o filho do casal.

Com quase 1 aninho de idade, o bebê gorducho e sorridente é entregue à vó de Massu, Veveva e, para o escandâlo da velhinha, a criança ainda não foi batizada na Igreja Católica.

Massu é muito querido por todos seus amigos e, por causa disso, todos querem ser o padrinho do moleque. E é então que o drama começa: Massu não consegue escolher uma única pessoa para ser seu compadre.

“A primeira reação de Massu foi de vaidade satisfeita, todos desejando a honra de chamá-lo de compadre, como se ele fosse político ou comerciante da Cidade Baixa. Por seu gosto convidaria a todos, o menino teria inúmeros padrinhos, os sete presentes e muitos outros, os amigos todos, os do cais, os dos saveiros, os dos mercados, das feiras, das Sete Portas e de Água dos Meninos, das casas de santo e das rodas de capoeira.”

p. 21

Da forma mais brasileira possível, Massu recebe uma visita de Ogum, seu pai de cabeça, que anuncia que ele, o orixá “em pessoa”, será o padrinho da criança.

Para saber como eles vão resolver essa confusão, que mistura religiões e crenças de uma forma deliciosa, só lendo o livro mesmo. Os personagens são todos maravilhosos e realistas, os detalhes muito especiais da organização do batizado do menino também são apresentados e você vai se pegar rindo alto. Super amaria se fizessem um seriado ou uma novela baseados nesse livro (filme eu sei que tem e dá para ver aqui, online)

Envolvente, engraçado e com cheiro de sol e de mar, esse livro tem a pura picardia do malandro. Toda vez que eu penso nele, acabo com um sorriso no rosto, ao lembrar das aventuras misturadas e das vidas contadas, sem preconceitos ou julgamentos.

  1. O Sal da Vida, de Françoise Héritier – 100 páginas

O Sal da Vida

“O Sal da Vida” não deve ser observado como um livro de romance, embora conte uma história. Basicamente, Françoise Héritier lista uma série de experiências, sensações, sentimentos, gostos e desejos, uns seguidos dos outros, de forma a ilustrar aquilo que dá graça à vida, aquilo que nos faz sermos humanos.

“[…] olhar, de cima, um gato que nem desconfia que está sendo observado, rir disfarçadamente, esperar o entardecer, regar as plantas e conversar com elas, apreciar o toque de um couro macio ou de um pêssego ou de um cabelo sedoso, estudar detalhadamente o plano e fundo da Mona Lisa ou as rendas de Van Dyck, ter um sobressalto de prazer ao som de uma voz, partir para uma aventura, ficar na penumbra sem fazer nada, provar com relutância gafanhotos grelhados, desfrutar o prazer das conversas sem fim com velhos amigos […]

p.21

É lindo e super diferente daquilo que estou acostumada a ler. Embora ele possa ser lido rapidamente, é um bom livro para quem está em busca de uma experiência de leitura diferente dos romances padrãozinhos.

Ele também propõe que nós mesmos observemos aquilo que é o sal da nossa vida, ao deixar as últimas páginas livres para serem preenchidas. Confesso que, logo após terminar a leitura, vi a vida com um pouco mais de cor.

  1. Talvez uma história de amor, de Martin Page – 157 páginas

capa talvez uma história de amor martin page

“Talvez uma História de Amor” é um dos poucos livros que eu não faço ideia de onde veio e de como foi parar na minha estante. Faz sentido se você considerar que o principal tópico do livro é uma possível amnésia.

Virgile é um publicitário de relativo sucesso e bastante anti-social. Seu relacionamentos nunca dão certo e ele sempre acaba levando um pé na bunda das namoradas. Mas, um dia, ele recebe uma ligação, que caí em sua secretária eletrônica. Uma mulher chamada Clara dá o veredito “está tudo acabado entre nós!”. Nada de novo aí. Mas… O problema é que Virgile não se lembra de ter namorado nenhuma mulher com esse nome.

Intrigado, ele tenta descobrir quem é essa Clara e, principalmente, tenta re (ou não, né?) conquistar o coração dela.

Esse livro se passa em Paris e a cidade chega a ser uma protagonista secundária, aparecendo no livro mais até do que Clara. O humor é bem daqueles secos e sarcásticos dos franceses, eu gosto, mas entendo que as doses de auto-depreciação do Virgile possam irritar um pouquinho.

“Ao chegar à estação de Montparnasse, com dezoito anos de idade, Virgile decidira que Paris seria o objeto do seu amor, pois era preciso, de alguma forma, dirigir seu amor para alguma coisa. Paris nunca o abandonaria. Paris estava ali sempre que precisava. Paris não exigia sair de férias para alguma ilha paradisíaca, com praias nojentas cheias de óleo e cremes e sol. Paris não estava nem aí se ele ficava sem lavar a louça uma semana, se não fazia barba ou se se vestia mal. Paris o amava.”

p. 67

O que mais me chocou, até agora, foi descobrir que “Talvez uma História de Amor” vai virar filme aqui no Brasil!!!!! Não é uma loucura? Será essa a comédia romântica que eu tanto ando querendo ver? O filme é estrelado por Matheus Solano (!), Thaila Ayala e Dani Calabresa (!!) e dirigido por Rodrigo Bernardo. A previsão de estréia é 07.dez.2017, segundo o Amo Cinema.

  1. O Menino do Pijama Listrado, de John Boyne – 186 páginas

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Todo mundo conhece bem a história de “O Menino do Pijama Listrado”, que foi adaptado para os cinemas em 2008, pelo diretor Mark Herman. Filme esse que, depois do soco no estômago que foi o livro, nunca consegui criar coragem para ler.

Se você não viveu debaixo de uma pedra nos últimos anos, sabe que o livro conta um pouco da história do Holocausto e dos horrores do Nazismo, do ponto de vista de uma criança, protegida por sua inocência.

Sempre que alguém precisava de alguma coisa, Pavel trazia o que quer que fosse imediatamente, mas quanto mais Bruno o observava, mais certo ficava de que uma catástrofe estava prestes a acontecer. Ele parecia menor a cada semana que passava, se é que isso era possível, e a cor que deveria estar corando suas faces havia se esgotado quase por completo. Os olhos pareciam pesados de lágrimas, e Bruno pensou que uma piscada mais demorada poderia desencadear uma verdadeira torrente delas.”

p. 126

Bruno, filho do comandante de um dos campos de concentração nazista, se torna amigo de Shmuel, uma das crianças judias presas no campo. Através da cerca elétrica que protege os limites do campo de concentração, os dois conversam e a história parte dessa premissa.

Curtinho e simples, na realidade, é um livro infanto-juvenil. Dá para ler “O Menino do Pijama Listrado” em uma sentada só. Ainda mais se você quiser saber o final desesperadamente.

O que poucas pessoas sabem é que John Boyne, o autor, escreveu a história inteirinha em dois dias e meio, sem quase dormir. Ele conta tudo em uma entrevista nesse site,[…] eu só continuei escrevendo até chegar no final. A história veio até mim, eu não sei de onde ela saiu. Enquanto eu escrevia, eu só pensava ´continue e não pense muito nisso´. Com meus outros livros, eu tive que planejar todos eles. Eu penso por meses antes de escrever qualquer coisa. Mas, com esse, na terça-feira a noite eu tive a idéia. Na quarta de manhã eu comecei a escrever e, na sexta-feira, na hora do almoço, eu já tinha o primeiro rascunho.”

Para ser justa, na mesma entrevista Boyne diz que depois desse primeiro rascunho, ele reescreveu o livro umas outras 8 vezes, até chegar no livro final.  A entrevista é ótima, também, para quem quer ser um escritor e precisa de um encorajamento. Se Boyne penou no começo de sua carreira e tinha que ter um emprego para poder se sustentar, imagina nós, pobres aspirantes?

 

  1. O Outro, de Bernhard Schlink – 95 páginas

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Confesso que só comprei esse livro, porque na capa diz que ele deu origem a um filme estrelado por Liam Neeson e Antônio Banderas. Como eu gosto de ambos os atores, decidi dar uma chance.

Basicamente, ele conta a história de Bengt, que perdeu a esposa para um câncer. Depois de uma vida inteira de casados e de se aposentar, Bengt não tem muito o que fazer e se concentra nas tarefas de casa para o tempo passar mais rápido (que tédio, né, gente?).

Certo dia, Bengt recebe uma carta de um remetente desconhecido, mas que foi endereçada à sua esposa. Com a mulher morta e longe de poder ler o conteúdo da carta, Bengt a abre e o que encontra o deixa de cabelos em pé. De um tal de Rolf, a carta revela um antigo affair de sua companheira.

Decidido a descobrir todas as mentiras que sua esposa manteve, ele começa a trocar correspondências como o “Outro”, como se fosse a falecida.

Sinceramente, eu esperava mais desse livro. Imaginando Liam Neeson no papel de Bengt e Antonio Banderas no papel de Rolf, eu esperava que rolasse alguma luta corporal ou até uns assassinatos básicos. Mas, os grandes acontecimentos deste livro acontecem quase todos no âmbito psicológico. As 95 páginas podem ser lidas em menos de um dia com facilidade. O trailer do filme pode ser visto aqui:

Gostou e quer mais dicas de livros para “ler em uma sentada”? A Larissa Siriani tem um vídeo no canal dela só falando sobre isso!

Beeijos, A Garota do Casaco Roxo

Livros de CSI

Não é segredo para ninguém que uma das minhas séries favoritas sempre foi “CSI”. Eu esperava ansiosamente o horário de assistir os episódios, vi todas as temporadas e por um longo tempo cheguei a considerar uma carreira na investigação de crimes. Quem me conhece pessoalmente sabe que cheguei até a fazer um “mini-tour” pelo Instituto de Criminalística de São Paulo (essa história é épica, um dia eu conto!).

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Por isso, quando descobri que existia uma série de livros baseada nos roteiros e personagens da série (estilo fanfic mesmo!), meu bumbum caiu!

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Um deles eu já resenhei aqui no blog, é o Morte no Gelo. Eu achava que ele era só um livro feito por diversão e sem pretensões, mas depois descobri que ele é o terceiro de uma série de livros que vai até o 18º volume (os 8 primeiros foram escritos por Max Allan Collins, os outros são de vários autores como Ken Goddard, Greg Cox, Jerome Preisler, Donn Cortez e Jefrey J. Marriotte).

Encontrei “Cidade do Pecado” e “Jogo Duplo” em uma ida despretensiosa na biblioteca do meu bairro e peguei eles emprestados! Foram publicados por um editora chamada Vestígio Editorial, que não existe mais. Do 3º volume em diante, mais nenhum foi publicado aqui no Brasil. Vou tentar ler eles em inglês mesmo.

CSI: Jogo Duplo – Max Allan Collins

CSI - Jogo Duplo

Uma múmia é descoberta em um lixão que está sendo limpo para receber a construção do mais novo cassino de Las Vegas. O corpo estava escondido dentro de um trailer amassado e, com a secura do deserto, se mumificou. Ficou por lá durante 15 anos. Na múmia, podemos observar que a ponta de seus dedos foi cortada com atenção – na tentativa de dificultar a identificação. Na parte de trás da cabeça dois tiros foram dados com 1 centímetro de distância cada um, talvez uma assinatura.

No corredor de um hotel, câmeras de segurança registram um hóspede correndo assutado, olhando para trás e suando de nervoso. Ele é seguido por um vulto vestido casualmente, que se esconde do olhar inquisidor da câmera. Rendido na porta de seu quarto, o hóspede é morto ali mesmo, com dois tiros atrás da cabeça, com um centímetro de distância entre cada um.

Grissom, Sara, Nick, Catherine, Warrick, Greg e Brass estão de volta nesse episódio livro para contar como esses assassinatos aconteceram, usando as mais inovadoras técnicas de investigação criminal. Será que eles estão relacionados à máfia? Será que foram realizados pela mesma pessoa? Por que o FBI está interferindo nessa investigação?

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As perguntas são respondidas ao longo da leitura e, olha, apesar de ter riscado o episódio ali de cima, esse livro é lido da mesma forma como um episódio do seriado seria assistido. É incrível a forma como o texto se assemelha e te leva de volta às primeiras temporadas de CSI (no máximo, essa história poderia estar situada na 4ª temporada, mas só até ela mesmo).

Sendo uma grande fã da série, eu gostei da forma que o autor explorou a literatura para dar mais detalhes e atenção à aquilo que o seriado não podia fazer por causa do tempo dos episódios. Ao ter mais espaço, ele pesquisou e colocou informações adicionais sobre os equipamento e a tecnologia, ainda que hoje tudo pareca um pouco antiquado – o livro é de 2001.

Uma crítica fica em relação aos personagens. Amo todos eles, mas achei a retratação do Grissom forçada demais, com as citações e a maneira racional demais de ver as coisas. Me irritou um pouco. Parece que o autor errou um pouco a mão na hora de retratar os personagens.

Outro ponto é que os crimes não são tão misteriosos, é tudo meio óbvio até, mas você vê todos eles se matando e fazendo hora extra e fica cansada só de ler sobre todo esse esforço. Dos três livros baseados em “CSI” que eu li, esse é o que eu menos gosto.

É bem difícil encontrar “Jogo Duplo” nas livrarias, mas você pode fazer como eu e pegar na biblioteca ou tentar encontrá-lo em sebos ou no Estante Virtual.

CSI: Cidade do Pecado – Max Allan Collins

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Lynn Pierce pede para que sua amiga guarde uma fita cassete para ela e depois desaparece. Na fita, Lynn e seu marido, Owen, discutem feio e ele ameaça matá-la e depois cortá-la em pedacinhos. Com medo, os amigos acionam a polícia, que contata o marido, que declara que a esposa deve ter abandonado ele e a filha, já que, por ser religiosa, Lynn achava que os dois eram grandes pecadores. Dias depois, o tronco de Lynn Pierce é encontrado no Lago Mead.

Uma stripper que queria muito sair da carreira. Jenna Patrick estava pronta para se casar, mas tinha um noivo muito ciumento, que detestava sua carreira. Planejando o casamento, ela queria fazer faculdade e sair do ramo. Mas não dá tempo: ela é encontrada morta em uma das cabines de dança privada do clube onde trabalha. As fitas de segurança mostram um homem barbado, com a jaqueta do local de trabalho do namorado de Jenna, andando pelo clube minutos antes do assassinato.

Será que foi o namorado de Jenna que matou ela? Será que Owen matou a esposa? Será que eu vi esse episódio na TV ou que, pela descrição ser muito boa, eu acho que vi?

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Wow, esse foi muito melhor que o anterior! “Cidade do Pecado” tem reviravoltas impressionantes e de tirar o fôlego. Tive que interromper a leitura por um tempo – tinha coisas mais importantes para ler, oh well…-, mas estava louca para saber quem tinha cometido qual crime. Pela metade, eu já sabia quem era o assassino de Lynn Pierce, mas isso é só porque eu conheço bem o seriado! hehe

Outra parte legal foi o desenvolvimento da personagem de Catherine. Por ser ex-stripper e estar investigando o assassinato de Jenna Patrick, a gente consegue entender os conflitos que ela sente e o personagem tá bem escrito. Dessa vez, o autor acertou a mão.

“Cidade do Pecado” só não é meu favorito porque “Morte no Gelo” tem um pouco de romance entre Grissom e Sara (meu ship, ninguém sai!!). O livro tem um bom desenvolvimento e mais detalhes sobre as investigações e os equipamentos utilizados pelos CSI. Ele é tão bem escrito que eu terminei de ler com a impressão de já ter visto esse episódio na TV (pesquisei e não, na verdade ele é só bem escrito mesmo).

Novamente, ele está fora das prensas, sem editora e abandonado ao relento. Mas, como eu disse antes, sempre temos aquela biblioteca amiga ou aquele sebo parceiro.

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Beeijos, A Garota do Casaco Roxo

PS: Coloquei um gif das Olimpíadas aqui porque estou morrendo de saudades dos Jogos, mas já que recebi sua atenção, vai o aviso: Fique de olho nas redes sociais do blog! A Bienal tá bombando e talvez eu tenha uma coisinha ou duas para sortear entre meus leitores (isso excluí a mamãe e a Yasmin, por motivos óbvios! haha).

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