Livros de não-ficção para quem gosta de história

A Capital da Vertigem, A Face da Guerra, A Vida Imortal da Henrietta Lacks, O Instante Certo

Hoje é Dia da Imprensa. A data passou a ser “comemorada” em 1999 e marca o primeiro dia de circulação do jornal Correio Braziliense, fundado em 1808, por Hipólito José da Costa. Pensando em encontrar uma forma de celebrar a data, achei que seria legal fazer uma lista de livros reportagem e coisa e tal. Achei que seria legal incluir Gay Talese, Truman Capote e gente que já li.

Mas depois de dar uma pensada, percebi que marcar o Dia da Imprensa com obras jornalísticas seria um pouco clichê. Por isso, decidi listar livros que não deixam de ser livros-reportagem, mas que superam isso e viram obras de não-ficção. São narrativas que foram escritas após anos de pesquisa, dedicação e suor. Todos os autores reunidos são jornalistas que, acima de tudo, são testemunhas da história.

  1. A Vida Imortal de Henrietta Lacks, de Rebecca Skloot

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Quem me conhece sabe que eu quase nunca leio um livro duas vezes. Convenhamos, a vida é curta e a lista de livros é interminável. Aproveito o meu tempo lendo livros novos e só dedico um tempinho extra para aqueles que me marcam mesmo e que mudaram minha forma de pensar de alguma forma. Pois bem, eu li “A Vida Imortal de Henrietta Lacks” duas vezes.

O livro conta a história de Henrietta Lacks, negra e moradora de Maryland, nos EUA de 1951. Henrietta sofre de uma forma particularmente agressiva de câncer. Os médicos retiram parte do seu tecido canceroso e para realizar uma biópsia e… As suas células continuam a se reproduzir, se colocadas em um meio de cultura correto e mantidas na temperatura certa. As células de Henrietta acabam por solucionar um grande problema da medicina. Algumas pesquisas e tratamentos não podiam ser feitos, simplesmente porque não podia ser testados. Com as células HeLa, como ficaram conhecidas, todo o problema é solucionado e uma indústria milionária é formada, sem que a família Lacks, muito humilde, saiba de qualquer coisa.

“Nos anos 1960, os cientistas diziam, brincando, que as células HeLa eram tão robustas  que provavelmente conseguiriam sobreviver em ralos de pia ou em maçanetas de porta. Estavam por toda parte. O público em geral podia cultivar células HeLa seguindo as instruções de um artigo tipo faça você mesmo da Scientific American, e tanto os cientistas russos como os americanos haviam conseguido cultivá-las no espaço.”

p. 180

O livro transcende a história de Henrietta, que, por si só, já é fascinante. Dos campos de tabaco em que ela costumava trabalhar na colheita, durante a infância, até a vida de Deborah, sua filha, sempre perturbada por conta das células. Rebecca Skloot passou 10 anos acompanhando a vida da família Lacks e o livro não deixa de ser um pouco sobre a própria jornalista.

Recentemente, “A Vida Imortal de Henrietta Lacks” foi adaptado para o cinema, pela HBO, tendo Oprah Winfrey como a protagonista, Deborah Lacks. Eu ainda não pude ver o filme, porque sou pobre e não tenho HBO, mas adoraria vê-lo um dia.

Henrietta e Rebecca, em um still do filme
Deborah Lacks e Rebecca Skloot, em uma imagem do filme

“A Vida Imortal de Henrietta Lacks” é, majoritariamente, um livro de jornalismo científico, mas não deixa de ser um livro que aborda diretamente o cenário dos EUA do século passado, principalmente nas relações raciais em si. Henrietta Lacks é uma das mencionadas nesse texto sobre 5 biografias de mulheres fortes, que eu escrevi para a Revista Pólen.

  1. A Face da Guerra, de Martha Gellhorn

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O fim da faculdade costuma ser um período de reflexão. A gente fica olhando para trás, pensando nas nossas decisões e no que nos levou a tomá-las. Bate uma certa nostalgia e a gente não consegue deixar de se perguntar “E aí, será que eu fiz a coisa certa?”. Comigo, pelo menos, está sendo assim. Todo mundo diz que isso é normal, que acontece com qualquer um, mas não deixo de estranhar o porquê de ninguém falar sobre esse assunto diretamente.

De qualquer forma, quem me convenceu a fazer jornalismo e a perseguir isso como carreira (ainda que eu esteja desanimada, nos últimos tempos) foi Martha Gellhorn. Com sua vida fascinante, sua relação amorosa com um escritor americano bem famoso do século passado – que vira nota de rodapé sempre que eu falo dela, Martha Gellhorn é a maior jornalista de guerra com quem já tive contato.

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Martha voltando aos EUA, depois de uma temporada na Europa.

Martha realizou a cobertura de quase todas as guerras do século passado, começando pela Guerra na Espanha, até a Invasão do Panamá. Também são abordados a Guerra dos Seis Dias, a Guerra do Vietnã e a Segunda Guerra Mundial, particularmente em um texto chamado Dachau, que foi meu primeiro contato com a autora e que conta um pouco do estado do campo de concentração de Dachau, logo após sua liberação. Falo mais sobre “Dachau” neste post que escrevi para a Revista Pólen, “Guerra e Registro: Martha Gellhorn”.

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Do seu marido-escritor, com quem ela casou em 1939 e se divorciou em 1945 (exatamente o tempo de duração da Segunda Guerra Mundial), Martha ganhou um livro dedicado a ela: “Por quem os sinos dobram”

Martha estava lá, presenciou e viu os horrores da guerra com seus próprios olhos e, talvez, por esse mesmo motivo, ela fosse uma pacifista totalmente contra a guerra. O texto é fascinante e é melhor do que qualquer filme hollywoodiano para te dar uma noção, em cores e alta definição, sobre como era realmente estar em uma guerra.

“Um menino chamado Paco estava sentado em sua cama com grande dignidade. Tinha 4 anos, um grave ferimento na cabeça e era lindo. Ele foi atravessar uma praça para se encontrar do outro lado com uma menininha com quem brincava à tarde. Então, uma bomba caiu. Muitas pessoas foram mortas e ele foi ferido na cabeça. Ele havia suportado sua dor silenciosamente, disse a enfermeira. O ferimento já tinha cinco meses. Ele sempre fora paciente com o ferimento e, à medida que os meses passavam, tornava-se mais solene e mais adulto a cada dia. Às vezes, chorava sozinho, mas sem fazer nenhum som, e, se alguém reparava, ele tentava parar.”

p. 54

“A Face da Guerra” deveria ser leitura obrigatória neste século e, ainda assim, muitos jornalistas que conheço sequer ouviram falar de Martha Gellhorn.

“Atrás do arame farpado e da cerca eletrificada, os esqueletos sentavam ao sol e catavam piolho neles mesmo. Eles não têm idade e não têm rostos; todos eles se parecem e não são como nada que você vai ver se tiver sorte.”

p.203

Seus textos foram todos escritos no século passado (ela cometeu suicídio em 1998), mas não consigo deixar de sentir um arrepio, toda vez que leio notícias sobre nossas guerras contemporâneas, em especial a da Síria, e consigo traçar paralelos entre os textos de Martha e os acontecimentos de hoje. Já dizia Edmund Burke, “quem não conhece a história, está fadado a repeti-la”.

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  1. A Capital da Vertigem, de Roberto Pompeu de Toledo

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“A Capital da Vertigem: Uma história de São Paulo de 1900 a 1954” é um livro que me deixou sem fôlego, na primeira vez que o vi na livraria.

Eu adoro história e adoro histórias de cidade. Acho horrível andar pelo centro velho da cidade e ver prédios com uma arquitetura peculiar e ruas com nomes conhecidos e disseminados por todo o país, sem saber ou ter a mínima noção de onde aquilo saiu e do porquê certas coisas são como são.

Me arrependi um pouco da forma como li “A Capital da Vertigem”. O livro tem mapas, fotografias, títulos de capítulos com nomes peculiares e pode ser lido como um romance, sem nenhuma dificuldade. O texto é bem fluído e usa técnicas de storytelling, usando personagens históricos para explicar trechos da história da cidade de São Paulo. Eu devo ter devorado suas 579 páginas em umas duas semanas.

“Mil novecentos e vinte foi um ano difícil para Mário de Andrade, o jovem professor de Estética e História da Música do Conservatório que encontramos ao final do capítulo VIII. Gastava o que tinha e o que não tinha na compra de livros e por isso vivia enrascado em problemas de dinheiro. Sentia esgotadas as experiências poéticas com bem-comportados versos parnasianos mas não conseguia encontrar o novo caminho e a nova voz pelos quais ansiava.”

p. 213

“A Capital da Vertigem” é, com certeza, um livro que irei reler, com mais calma de preferência. Seu antecessor, “A Capital da Solidão”, que conta a história da cidade de São Paulo de 1554 até 1900, é muito interessante e recheado de fatos históricos. Eu tive um pouco de dificuldade para lê-lo, talvez pela distância histórica entre os acontecimentos passados dois, três séculos atrás. Eu também quero comprar a edição de “A Capital da Solidão”, porque comprei a versão econômica do livro e acho que isso me atrapalhou um pouco.

É o livro ideal para quem quer saber mais sobre sua própria cidade, ou sobre como se desenvolveu a cidade (olha o meu bairrismo aí, gente!) mais importante do país.

            4. O Instante Certo, de Dorrit Harazim

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Quem sou eu para falar de Dorrit Harazim, não é mesmo? Ela é a jornalista contemporânea que mais admiro e seus textos sempre têm a capacidade de me transportar. Por vezes, quando ergo os olhos deles, me sinto temporariamente perdida, sem saber direito em que época ou onde estou.

Terminei de ler “O Instante Certo” poucas semanas atrás, com a sensação de que o livro poderia ter mais milhares de fotos e eu iria aproveitar com felicidade cada uma delas.

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American Girl in Italy, Florence, de Ruth Orkin é umas das imagens que aparece no livro e cuja história, realidade e bastidores são revelados.

Esse poderia ser um simples livro de fotografia, daqueles de pôr na mesinha de centro, para as visitas te acharem culta, ou poderia ser um tratado sobre técnicas, jogos de luzes, focos, lentes, aberturas de diafragmas, ISO e tudo mais que envolve uma boa foto. Mas ele vai muito além.

Dorrit resgata as histórias envolvidas nas fotos. Não importa se é a história pessoal do fotógrafo, a história do protagonista da foto ou da pessoa que está no plano de fundo. Não importa se é o cenário histórico que é realmente importante, como as fotos que falam do Apartheid e das violências no sul dos Estados Unidos, em plena era Jim Crow, ou as imagens de Sebastião Salgado, do atentado contra o presidente Ronal Reagan.

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“The Most Beautiful Suicide”, de Robert C. Wiles, abre o livro revelando a história da protagonista da foto e de quem realizou a imagem.

A jornalista selecionou fotos que já são peculiares ou interessantes por algum motivo e fez o impossível: deu vida ao que estava congelado e deu cor ao que estava em preto e branco. Cada foto presente no livro tem seu próprio capítulo e alguns são super curtos, com duas ou três páginas, outros, como o capítulo que fala sobre Sebastião Salgado, são enormes.

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Há um capítulo inteiramente dedicado aos fotógrafos dos presidentes dos EUA. O trabalho de Pete Souza, de registrar a Era Obama, tem grande destaque.

Diferente dos outros livros já mencionados na lista, “O Instante Certo” não está concentrado em um único ano, em uma determinada época ou localidade geográfica. Através dos 5 continentes, em diversas eras históricas, na época das fotos analógicas ou digitais, o livro de Dorrit é uma grande viagem.

A única coisa que senti falta foi uma bibliografia no final do livro. Imagino que a pesquisa deve ter sido bem extensa e gostaria de saber que livros foram utilizados para encontrar essas informações, já que, muitas vezes, eu gosto de ir atrás desses mesmos livros, em busca de mais coisas interessantes. Além disso, durante os capítulos, Dorrit menciona uma série de escritores e de livros e eu adoraria tê-los reunidos em um só apêndice.

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A imagem que Sebastião Salgado fez, do atentado contra a vida do presidente Ronald Reagan é usada para introduzir um pouco da vida e da história do maior fotógrafo brasileiro.

Com frequência, eu resenho livros de não-ficção aqui no blog. Se você gostou dessa lista, também poderá gostar de livros como O Demônio na Cidade Branca, A História do Brasil nas Ruas de Paris, Pepitas Brasileiras e  O Mundo das Múmias.

Você conhece algum livro de não-ficção legal para me recomendar? Deixe o nome nos comentários! Quem sabe não aparece uma resenha dele por aqui?

Beeijos, A Garota do Casaco Roxo

6 livros para ler em um dia

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Se você é como eu, provavelmente estabeleceu uma meta de leitura ambiciosa no Goodreads. Escolhi ler 60 livros esse ano e amo que a plataforma te mostra o quanto da sua meta já foi cumprida (35%), mas detesto que também mostre se você está atrasada nas leituras – o que significa que você pode não cumprir seu objetivo, se continuar nesse ritmo.

No momento, estou lendo 2 livros diferentes e estou para trás em um título. Jessica Woodbury, do Book Riot, fala exatamente sobre essa nossa obsessão com o Goodreads e as metas de leituras. Basicamente, ela escreve: “Como uma pessoa que realmente não pratica esportes, mas que lê como se minha vida dependesse disso, talvez minha obsessão seja melhor explicada através de metáforas esportivas. O Reading Challenge é meus Jogos Olímpicos. Não ter livros atrasados significa que estou no ritmo certo, estar atrasada significa que minha medalha pode estar fora do meu alcance, é ganhar ou morrer; fazer ou quebrar; é hora de ir com tudo.”

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Eu não estou realmente em uma ressaca literária, mas estou lendo livros que requerem mais minha atenção e que realmente não quero correr para terminar, só para voltar ao ritmo imposto pelo Goodreads. É em momentos como esse que eu recorro aos meus “one-night stands”, hehehe. Eu vou atrás de livros que podem ser lidos em um só dia, além de dar mais caldinho para minha meta de leitura.

Por isso, elaborei uma lista com livros fininhos com menos de 200 páginas e que podem ser lidos rapidamente.

1) O Carteiro e o Poeta, de  Antônio Skármeta – 127 páginas

carteiro e poeta livroDe todos os livros dessa lista, “O Carteiro e o Poeta” é o único que eu já resenhei aqui no blog. Poético e simples, o livro tem um final um pouco denso e segue sendo uma das leituras que mais me marcou na vida.

Sou uma leitora relativamente rápida, isso e o fato de conhecer o enredo por ter visto o filme homônimo de Michael Radford, “Il Postino”, fez com que eu lesse ele bem rápido mesmo. O vocabulário do livro é um pouco avançado – mesmo em português, não são palavras que usamos habitualmente- pode ser que algumas pessoas demorem um pouco mais para terminá-lo.

  1. O Compadre de Ogum, de Jorge Amado – 103 páginas

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Quem sou eu para falar de Jorge Amado, não é mesmo? Mas, decidi incluir “O Compadre de Ogum” nessa lista porque foi uma das melhores, quiçá, minha melhor leitura de 2016.

Escrito em 1964, o livro conta a história de Massu, que é muito popular e amado por todos. Certo dia, a prostituta Benedita aparece muito doente na porta da casa de Massu, com um bebê no colo, o filho do casal.

Com quase 1 aninho de idade, o bebê gorducho e sorridente é entregue à vó de Massu, Veveva e, para o escandâlo da velhinha, a criança ainda não foi batizada na Igreja Católica.

Massu é muito querido por todos seus amigos e, por causa disso, todos querem ser o padrinho do moleque. E é então que o drama começa: Massu não consegue escolher uma única pessoa para ser seu compadre.

“A primeira reação de Massu foi de vaidade satisfeita, todos desejando a honra de chamá-lo de compadre, como se ele fosse político ou comerciante da Cidade Baixa. Por seu gosto convidaria a todos, o menino teria inúmeros padrinhos, os sete presentes e muitos outros, os amigos todos, os do cais, os dos saveiros, os dos mercados, das feiras, das Sete Portas e de Água dos Meninos, das casas de santo e das rodas de capoeira.”

p. 21

Da forma mais brasileira possível, Massu recebe uma visita de Ogum, seu pai de cabeça, que anuncia que ele, o orixá “em pessoa”, será o padrinho da criança.

Para saber como eles vão resolver essa confusão, que mistura religiões e crenças de uma forma deliciosa, só lendo o livro mesmo. Os personagens são todos maravilhosos e realistas, os detalhes muito especiais da organização do batizado do menino também são apresentados e você vai se pegar rindo alto. Super amaria se fizessem um seriado ou uma novela baseados nesse livro (filme eu sei que tem e dá para ver aqui, online)

Envolvente, engraçado e com cheiro de sol e de mar, esse livro tem a pura picardia do malandro. Toda vez que eu penso nele, acabo com um sorriso no rosto, ao lembrar das aventuras misturadas e das vidas contadas, sem preconceitos ou julgamentos.

  1. O Sal da Vida, de Françoise Héritier – 100 páginas

O Sal da Vida

“O Sal da Vida” não deve ser observado como um livro de romance, embora conte uma história. Basicamente, Françoise Héritier lista uma série de experiências, sensações, sentimentos, gostos e desejos, uns seguidos dos outros, de forma a ilustrar aquilo que dá graça à vida, aquilo que nos faz sermos humanos.

“[…] olhar, de cima, um gato que nem desconfia que está sendo observado, rir disfarçadamente, esperar o entardecer, regar as plantas e conversar com elas, apreciar o toque de um couro macio ou de um pêssego ou de um cabelo sedoso, estudar detalhadamente o plano e fundo da Mona Lisa ou as rendas de Van Dyck, ter um sobressalto de prazer ao som de uma voz, partir para uma aventura, ficar na penumbra sem fazer nada, provar com relutância gafanhotos grelhados, desfrutar o prazer das conversas sem fim com velhos amigos […]

p.21

É lindo e super diferente daquilo que estou acostumada a ler. Embora ele possa ser lido rapidamente, é um bom livro para quem está em busca de uma experiência de leitura diferente dos romances padrãozinhos.

Ele também propõe que nós mesmos observemos aquilo que é o sal da nossa vida, ao deixar as últimas páginas livres para serem preenchidas. Confesso que, logo após terminar a leitura, vi a vida com um pouco mais de cor.

  1. Talvez uma história de amor, de Martin Page – 157 páginas

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“Talvez uma História de Amor” é um dos poucos livros que eu não faço ideia de onde veio e de como foi parar na minha estante. Faz sentido se você considerar que o principal tópico do livro é uma possível amnésia.

Virgile é um publicitário de relativo sucesso e bastante anti-social. Seu relacionamentos nunca dão certo e ele sempre acaba levando um pé na bunda das namoradas. Mas, um dia, ele recebe uma ligação, que caí em sua secretária eletrônica. Uma mulher chamada Clara dá o veredito “está tudo acabado entre nós!”. Nada de novo aí. Mas… O problema é que Virgile não se lembra de ter namorado nenhuma mulher com esse nome.

Intrigado, ele tenta descobrir quem é essa Clara e, principalmente, tenta re (ou não, né?) conquistar o coração dela.

Esse livro se passa em Paris e a cidade chega a ser uma protagonista secundária, aparecendo no livro mais até do que Clara. O humor é bem daqueles secos e sarcásticos dos franceses, eu gosto, mas entendo que as doses de auto-depreciação do Virgile possam irritar um pouquinho.

“Ao chegar à estação de Montparnasse, com dezoito anos de idade, Virgile decidira que Paris seria o objeto do seu amor, pois era preciso, de alguma forma, dirigir seu amor para alguma coisa. Paris nunca o abandonaria. Paris estava ali sempre que precisava. Paris não exigia sair de férias para alguma ilha paradisíaca, com praias nojentas cheias de óleo e cremes e sol. Paris não estava nem aí se ele ficava sem lavar a louça uma semana, se não fazia barba ou se se vestia mal. Paris o amava.”

p. 67

O que mais me chocou, até agora, foi descobrir que “Talvez uma História de Amor” vai virar filme aqui no Brasil!!!!! Não é uma loucura? Será essa a comédia romântica que eu tanto ando querendo ver? O filme é estrelado por Matheus Solano (!), Thaila Ayala e Dani Calabresa (!!) e dirigido por Rodrigo Bernardo. A previsão de estréia é 07.dez.2017, segundo o Amo Cinema.

  1. O Menino do Pijama Listrado, de John Boyne – 186 páginas

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Todo mundo conhece bem a história de “O Menino do Pijama Listrado”, que foi adaptado para os cinemas em 2008, pelo diretor Mark Herman. Filme esse que, depois do soco no estômago que foi o livro, nunca consegui criar coragem para ler.

Se você não viveu debaixo de uma pedra nos últimos anos, sabe que o livro conta um pouco da história do Holocausto e dos horrores do Nazismo, do ponto de vista de uma criança, protegida por sua inocência.

Sempre que alguém precisava de alguma coisa, Pavel trazia o que quer que fosse imediatamente, mas quanto mais Bruno o observava, mais certo ficava de que uma catástrofe estava prestes a acontecer. Ele parecia menor a cada semana que passava, se é que isso era possível, e a cor que deveria estar corando suas faces havia se esgotado quase por completo. Os olhos pareciam pesados de lágrimas, e Bruno pensou que uma piscada mais demorada poderia desencadear uma verdadeira torrente delas.”

p. 126

Bruno, filho do comandante de um dos campos de concentração nazista, se torna amigo de Shmuel, uma das crianças judias presas no campo. Através da cerca elétrica que protege os limites do campo de concentração, os dois conversam e a história parte dessa premissa.

Curtinho e simples, na realidade, é um livro infanto-juvenil. Dá para ler “O Menino do Pijama Listrado” em uma sentada só. Ainda mais se você quiser saber o final desesperadamente.

O que poucas pessoas sabem é que John Boyne, o autor, escreveu a história inteirinha em dois dias e meio, sem quase dormir. Ele conta tudo em uma entrevista nesse site,[…] eu só continuei escrevendo até chegar no final. A história veio até mim, eu não sei de onde ela saiu. Enquanto eu escrevia, eu só pensava ´continue e não pense muito nisso´. Com meus outros livros, eu tive que planejar todos eles. Eu penso por meses antes de escrever qualquer coisa. Mas, com esse, na terça-feira a noite eu tive a idéia. Na quarta de manhã eu comecei a escrever e, na sexta-feira, na hora do almoço, eu já tinha o primeiro rascunho.”

Para ser justa, na mesma entrevista Boyne diz que depois desse primeiro rascunho, ele reescreveu o livro umas outras 8 vezes, até chegar no livro final.  A entrevista é ótima, também, para quem quer ser um escritor e precisa de um encorajamento. Se Boyne penou no começo de sua carreira e tinha que ter um emprego para poder se sustentar, imagina nós, pobres aspirantes?

  1. O Outro, de Bernhard Schlink – 95 páginas

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Confesso que só comprei esse livro, porque na capa diz que ele deu origem a um filme estrelado por Liam Neeson e Antônio Banderas. Como eu gosto de ambos os atores, decidi dar uma chance.

Basicamente, ele conta a história de Bengt, que perdeu a esposa para um câncer. Depois de uma vida inteira de casados e de se aposentar, Bengt não tem muito o que fazer e se concentra nas tarefas de casa para o tempo passar mais rápido (que tédio, né, gente?).

Certo dia, Bengt recebe uma carta de um remetente desconhecido, mas que foi endereçada à sua esposa. Com a mulher morta e longe de poder ler o conteúdo da carta, Bengt a abre e o que encontra o deixa de cabelos em pé. De um tal de Rolf, a carta revela um antigo affair de sua companheira.

Decidido a descobrir todas as mentiras que sua esposa manteve, ele começa a trocar correspondências como o “Outro”, como se fosse a falecida.

Sinceramente, eu esperava mais desse livro. Imaginando Liam Neeson no papel de Bengt e Antonio Banderas no papel de Rolf, eu esperava que rolasse alguma luta corporal ou até uns assassinatos básicos. Mas, os grandes acontecimentos deste livro acontecem quase todos no âmbito psicológico. As 95 páginas podem ser lidas em menos de um dia com facilidade. O trailer do filme pode ser visto aqui:

Gostou e quer mais dicas de livros para “ler em uma sentada”? A Larissa Siriani tem um vídeo no canal dela só falando sobre isso!

Beeijos, A Garota do Casaco Roxo

Livros de CSI

Não é segredo para ninguém que uma das minhas séries favoritas sempre foi “CSI”. Eu esperava ansiosamente o horário de assistir os episódios, vi todas as temporadas e por um longo tempo cheguei a considerar uma carreira na investigação de crimes. Quem me conhece pessoalmente sabe que cheguei até a fazer um “mini-tour” pelo Instituto de Criminalística de São Paulo (essa história é épica, um dia eu conto!).

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Por isso, quando descobri que existia uma série de livros baseada nos roteiros e personagens da série (estilo fanfic mesmo!), meu bumbum caiu!

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Um deles eu já resenhei aqui no blog, é o Morte no Gelo. Eu achava que ele era só um livro feito por diversão e sem pretensões, mas depois descobri que ele é o terceiro de uma série de livros que vai até o 18º volume (os 8 primeiros foram escritos por Max Allan Collins, os outros são de vários autores como Ken Goddard, Greg Cox, Jerome Preisler, Donn Cortez e Jefrey J. Marriotte).

Encontrei “Cidade do Pecado” e “Jogo Duplo” em uma ida despretensiosa na biblioteca do meu bairro e peguei eles emprestados! Foram publicados por um editora chamada Vestígio Editorial, que não existe mais. Do 3º volume em diante, mais nenhum foi publicado aqui no Brasil. Vou tentar ler eles em inglês mesmo.

CSI: Jogo Duplo – Max Allan Collins

CSI - Jogo Duplo

Uma múmia é descoberta em um lixão que está sendo limpo para receber a construção do mais novo cassino de Las Vegas. O corpo estava escondido dentro de um trailer amassado e, com a secura do deserto, se mumificou. Ficou por lá durante 15 anos. Na múmia, podemos observar que a ponta de seus dedos foi cortada com atenção – na tentativa de dificultar a identificação. Na parte de trás da cabeça dois tiros foram dados com 1 centímetro de distância cada um, talvez uma assinatura.

No corredor de um hotel, câmeras de segurança registram um hóspede correndo assutado, olhando para trás e suando de nervoso. Ele é seguido por um vulto vestido casualmente, que se esconde do olhar inquisidor da câmera. Rendido na porta de seu quarto, o hóspede é morto ali mesmo, com dois tiros atrás da cabeça, com um centímetro de distância entre cada um.

Grissom, Sara, Nick, Catherine, Warrick, Greg e Brass estão de volta nesse episódio livro para contar como esses assassinatos aconteceram, usando as mais inovadoras técnicas de investigação criminal. Será que eles estão relacionados à máfia? Será que foram realizados pela mesma pessoa? Por que o FBI está interferindo nessa investigação?

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As perguntas são respondidas ao longo da leitura e, olha, apesar de ter riscado o episódio ali de cima, esse livro é lido da mesma forma como um episódio do seriado seria assistido. É incrível a forma como o texto se assemelha e te leva de volta às primeiras temporadas de CSI (no máximo, essa história poderia estar situada na 4ª temporada, mas só até ela mesmo).

Sendo uma grande fã da série, eu gostei da forma que o autor explorou a literatura para dar mais detalhes e atenção à aquilo que o seriado não podia fazer por causa do tempo dos episódios. Ao ter mais espaço, ele pesquisou e colocou informações adicionais sobre os equipamento e a tecnologia, ainda que hoje tudo pareca um pouco antiquado – o livro é de 2001.

Uma crítica fica em relação aos personagens. Amo todos eles, mas achei a retratação do Grissom forçada demais, com as citações e a maneira racional demais de ver as coisas. Me irritou um pouco. Parece que o autor errou um pouco a mão na hora de retratar os personagens.

Outro ponto é que os crimes não são tão misteriosos, é tudo meio óbvio até, mas você vê todos eles se matando e fazendo hora extra e fica cansada só de ler sobre todo esse esforço. Dos três livros baseados em “CSI” que eu li, esse é o que eu menos gosto.

É bem difícil encontrar “Jogo Duplo” nas livrarias, mas você pode fazer como eu e pegar na biblioteca ou tentar encontrá-lo em sebos ou no Estante Virtual.

CSI: Cidade do Pecado – Max Allan Collins

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Lynn Pierce pede para que sua amiga guarde uma fita cassete para ela e depois desaparece. Na fita, Lynn e seu marido, Owen, discutem feio e ele ameaça matá-la e depois cortá-la em pedacinhos. Com medo, os amigos acionam a polícia, que contata o marido, que declara que a esposa deve ter abandonado ele e a filha, já que, por ser religiosa, Lynn achava que os dois eram grandes pecadores. Dias depois, o tronco de Lynn Pierce é encontrado no Lago Mead.

Uma stripper que queria muito sair da carreira. Jenna Patrick estava pronta para se casar, mas tinha um noivo muito ciumento, que detestava sua carreira. Planejando o casamento, ela queria fazer faculdade e sair do ramo. Mas não dá tempo: ela é encontrada morta em uma das cabines de dança privada do clube onde trabalha. As fitas de segurança mostram um homem barbado, com a jaqueta do local de trabalho do namorado de Jenna, andando pelo clube minutos antes do assassinato.

Será que foi o namorado de Jenna que matou ela? Será que Owen matou a esposa? Será que eu vi esse episódio na TV ou que, pela descrição ser muito boa, eu acho que vi?

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Wow, esse foi muito melhor que o anterior! “Cidade do Pecado” tem reviravoltas impressionantes e de tirar o fôlego. Tive que interromper a leitura por um tempo – tinha coisas mais importantes para ler, oh well…-, mas estava louca para saber quem tinha cometido qual crime. Pela metade, eu já sabia quem era o assassino de Lynn Pierce, mas isso é só porque eu conheço bem o seriado! hehe

Outra parte legal foi o desenvolvimento da personagem de Catherine. Por ser ex-stripper e estar investigando o assassinato de Jenna Patrick, a gente consegue entender os conflitos que ela sente e o personagem tá bem escrito. Dessa vez, o autor acertou a mão.

“Cidade do Pecado” só não é meu favorito porque “Morte no Gelo” tem um pouco de romance entre Grissom e Sara (meu ship, ninguém sai!!). O livro tem um bom desenvolvimento e mais detalhes sobre as investigações e os equipamentos utilizados pelos CSI. Ele é tão bem escrito que eu terminei de ler com a impressão de já ter visto esse episódio na TV (pesquisei e não, na verdade ele é só bem escrito mesmo).

Novamente, ele está fora das prensas, sem editora e abandonado ao relento. Mas, como eu disse antes, sempre temos aquela biblioteca amiga ou aquele sebo parceiro.

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Beeijos, A Garota do Casaco Roxo

PS: Coloquei um gif das Olimpíadas aqui porque estou morrendo de saudades dos Jogos, mas já que recebi sua atenção, vai o aviso: Fique de olho nas redes sociais do blog! A Bienal tá bombando e talvez eu tenha uma coisinha ou duas para sortear entre meus leitores (isso excluí a mamãe e a Yasmin, por motivos óbvios! haha).

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Livros para gostar de química

Mal digitei o título e já consigo sentir o número de visualizações no meu blog diminuindo. Acredito que a maioria dos meus leitores, assim como eu, não curtam muito química, matemática ou física. Para ser sincera, eu também não sou muito chegada não. Mas por que, oh-toda-poderosa-Amanda, você está escrevendo um texto sobre “livros para gostar de química”?

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Porque, apesar de não saber como balancear equações direito e de ter um passado traumático com ligações covalentes, eu gosto muito de entender como as coisas funcionam. É muito mais fácil amar e respeitar a maravilha que é meu corpo sabendo a dificuldade que é manter meu tico-e-teco funcionando direitinho. É incrível descobrir que a ilha de Nova York só se chama Nova ~York~ porque foi negociada pelos Holandeses e Ingleses, em troca de uma ilha no pacífico que produzia noz moscada. E é bem legal saber como os venenos eram descobertos pela perícia criminal nos anos 20.

A lista que eu elaborei aborda a química de uma maneira diferente. Ela não vai falar sobre a melhor forma de usar a estequiometria ou te ensinar o que são móleculas aromáticas. Essa lista mostra livros que tem como objetivo ajudar as pessoas a visualizar melhor o impacto e a importância da química na vida e na história do mundo. Confesso que, depois de ler, eu até senti vontade de refazer algumas listas de exercício. Depois eu caí em mim e aí voltei para minha realidade.

1. A Colher que Desaparece, de Sam Kean

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“A Colher que Desaparece” é um livro para quem, como eu, nunca entendeu muito bem a organização da tabela periódica. Ele orienta o leitor sobre a formação da tabela periódica e de como a IUPAC (Associação Internacional da Química, algo do tipo) decidiu organizar ela do jeito que a conhecemos hoje.

O livro conta o processo de descoberta, quem descobriu e até os bastidores das relações pessoais dos cientistas que descobriram elementos químicos no século passado. Através de anedotas, a gente acaba descobrindo histórias engraçadas dos cientistas que faliram tentando obter alguns miligramas de tálio ou de cientistas que nomearam os elementos químicos que descobriram com seus próprios nomes ou com os nomes das universidades em que estudaram.

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Alguns trechos tem fatos demais e eu fiquei um pouco perdida, confesso. Em outros, parecia um pouco livro didático demais, sabe? E em outros trechos faltou um pouco de clareza (frases longas demais, gente, longas demais). Mas, como eu estava lendo só por diversão, isso não foi exatamente um problema.

Talvez, daqui a dois anos eu já não me lembre mais nada sobre os detalhes dos elementos químicos que foram apresentados nesse livro, mas a visão que eu tinha anteriormente da tabela periódica sendo algo chato, irritante e desinteressante, foi embora para sempre.

2. Os Botões de Napoleão, de Penny Le Couteur

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Provavelmente, “Os Botões de Napoleão” é meu livro favorito dessa lista toda. Por que? Porque ele une química e ~história~.

O livro começa dizendo que a culpa pela derrota de Napoleão naquela incursão à Rússia que ele fez em 1812 seria toda dos casacos dos soldados. Por que? Os botões desses casacos eram feitos de latão e o latão, quando exposto a temperaturas muito baixas começa a esfarelar, esfarelar, até não ficar mais firme. Isso fazia com que os casacos permanecessem abertos e os soldados tivessem que 1. Segurar os casacos para não morrer de frio e 2. Manter suas mãos em um lugar que não fosse suas armas, ficando com a guarda abaixada.

É nessa linha de pensamento que o livro vai pegando 17 moléculas como o sal, a pílula anticoncepcional, o chocolate, a noz moscada, os explosivos, a borracha e vai traçando e explicando porque eles funcionam da forma como funcionam e que impacto que eles tiveram da nossa história.

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O capítulo da borracha foi meu favorito da história toda. Bem didático, ele explicou o processo de vulcanização, descoberto por Charles Goodyear (sim, dos pneus), para depois vir ao Brasil e explicar sobre como o Amazonas ficou muito rico com a exploração da borracha, como e porquê compramos o Acre e até como o declínio da exploração do látex – a matéria prima da borracha- aconteceu.

Qualquer um que queira entender como os elementos químicos influenciaram o curso da história vai adorar esse livro. Eu queria muito que, ao invés de abordar só 17, a autora tivesse falando sobre umas 50 moléculas. Eu ficaria bem entretida na leitura.

3. The Poisoner´s Handbook, de Deborah Blum

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Eu também gostei muito desse porque ele envolve química, história, ciências forenses e investigações criminais. O único defeito é que eu li ele em inglês e acabei perdendo algumas coisinhas aqui e lá por causa da barreira da língua.

Nele, a gente acompanha a cidade de Nova York nos anos 20, na chamada “Era do Jazz”, quando as taxas de crime eram muito altas e as técnicas de investigação ainda eram na base de “dá uma perguntada por aí”. A história acompanha o médico legista Charles Norris e o toxicologista Alexander Getler, em suas tentativas de utilizar técnicas científicas da química para resolver crimes. Eles são uma espécie de “pais” de programas de TV como CSI e inspiraram – com certeza- o personagem Gil Grissom.

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O livro é de não-ficção e muito bem escrito. Você acaba se envolvendo na história e nem percebe que está lendo fatos e não vendo um filme noir bem interessante. As descrições da Nova York do começo do século passado, que nada lembra a Nova York de hoje, são incríveis e acho que qualquer pessoa que goste da cidade vai ter uma visão melhor da evolução da metrópole se ler esse livro – mesmo que ele fale majoritariamente de química.

Nós acompanhamos Norris e Getler em sua investigação de uma família que ficou careca repentinamente, de trabalhadores de fábrica que tinham ossos tão fracos que o mero ato de andar causava quebras e um restaurante que servia tortas envenenadas. O livro também conta as dificuldades do trabalho dos dois e como eles tinham que lutar contra orçamentos apertados e a falta de profissionais qualificados.

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Dividido em capítulos, o livro utiliza Norris e Getler e crimes reais – resolvidos ou não resolvidos- para explicar como funcionam o clorofórmio, o arsênico, o Mércurio, o monóxido de carbono, o rádio (que era usado como um remédio antigamente) e outros compostos.

O livro também tem trechos doidos sobre como a “Era da Proibição” (onde o presidente dos EUA decretou que era proibido vender e produzir bebidas alcoólicas) causou uma série de cegueiras e mortes por envenenamento de pessoas que queriam produzir ilegalmente seu estoque secreto de mé e que acabaram realizando procedimentos de forma incorreta. Sério, foi algo bem estúpido e, na época, as pessoas bebiam qualquer coisa só para ficar alegrinhas.

A única coisa chata é que ele não está disponível em português.

Tenho um amigo que diz que a gente nunca deve dormir sem aprender duas ou três coisas mais e acho que essa é uma filosofia importante. Eu espero que esses livros te ajudem a aprender duas ou três coisas extras sobre química, história, ciências forenses, astronomia, física e até culinária.

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Beeijos, A Garota do Casaco Roxo

Os Hathaway – Lisa Kleypas

Não consigo me lembrar qual foi a última série de livros que me fisgou da maneira que “Os Hathaway” me fisgou. Estava passeando por uma Saraiva, quando vi que os livros da série estavam todos por meros R$ 14,00. Agindo por impulso, sem conhecer nem a autora, nem a sinopse dos livros e querendo um romancezinho histórico, eu comprei todos os que estavam ali (faltava só o quarto volume).

Quem acompanha o blog com frequência sabe que, apesar de adorar esse gênero, eu quase nunca faço resenhas de romances históricos. Explico: Não tenho um crivo bom para esses livros. Mesmo. Se em um romance tradicional eu reclamaria do “clichê”, das cenas que se repetem -apesar de serem escritas por autores diferentes-, dos suspiros e dos dramas exagerados que jamais aconteceriam na vida real, em um romance histórico eu adoro tudo isso. Não sei dizer, mas acho que é minha influência latina. Quanto mais drama e mais clichê nesses romances históricos, mais feliz Mandariela fica.

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Patrícia Cabot, Kate Noble, Judith McNaught, Eloisa James, Julia Quinn… Eu adoro! Mas, de tanto que eu amei “Os Hathaway”, achei que valeria a pena quebrar essa minha regra de “não escrever sobre romances históricos” – colocando uma explicação antes, claro.

Desejo à Meia-Noite 

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Eu não gostei muito dos títulos da série. Entendo que eles acompanhem os períodos do dia – cada irmão Hathaway com o seu. Mas me incomodou um pouco essa coisa de “desejo, tentação, sedução, núpcias…”. Como uma pessoa que lê mais no metrô do que qualquer outro lugar, achei indiscreto.

Outra coisa que me aborreceu um bocado foi a falta de uma boa sinopse no próprio livro. Quando eu estava na Saraiva, li a quarta capa e as orelhas do livro e não encontrei nada que me convencesse a comprar a história. Nas orelhas, a editora escolheu colocar um trecho da cena do primeiro beijo entre os personagens e achei isso super desnecessário. Apesar de Kleypas escrever essas cenas com maestria, acabou ficando meio deslocado. Fora que, em alguns livros onde a gente não sabia quem ia ser o mocinho, o trecho na orelha acabava soltando um baita spoiler.

Em “Desejo à Meia-Noite” temos o primeiro contato com a família Hathaway, que tinha uma vida cercada de livros, amorosidade e erudição na pequena Stony Cross. Amelia, Leo, Win, Poppy e Beatrix tinham os dois pais por perto e nenhuma preocupação na cabeça.

Até que o velho Sr. Hathaway sofre uma doença e vai definhando aos poucos. Quando o marido morre, a Sra. Hathaway se sente sem forças para continuar a viver sem seu grande amor e começa a definhar também. Em menos de seis meses, os Hathaway têm que aprender a se virarem sozinhos fora da proteção dos pais.

Para piorar as coisas, uma epidemia de escarlatina atinge Stony Cross, afetando Win, uma das irmãs Hathaway, que fica quase inválida depois da doença, e Laura, a noiva de Leo, que morre nos braços de seu amado. Como se não bastasse, um tio distante morre e deixa vago seu título de “Lorde Ramsay”, que vai parar nas mão de Leo. Muito afetado pela morte da noiva, Lorde Ramsay, como passa a ser conhecido, só quer saber de beber, fumar ópio e agir como um libertino.

A família acaba sendo controlada por Amelia, a irmã mais velha que tem que fazer de tudo para manter o lar unido, cuidar de sua irmã Win, deixar Leo fora de encrencas e cuidar das meninas mais novas. Depois de uma desilusão amorosa, Amelia está convencida de que não vai se casar nunca mais e de que deve cuidar das irmãs, porque seu irmão não vai fazer isso.

Certa noite, Leo desaparece. Para encontrá-lo, Amelia sai pela cidade com o cigano Merripen, que foi abandonado nas terras da família quando era criança e que cuida dos Hathaway por um motivo que só ele sabe.

Quando Amelia encontra uma famosa casa de apostas, um reduto boêmio da cidade, onde acredita que seu irmão possa estar, ela acaba conhecendo Cam Rohan. Alto, moreno, cheio de anéis nos dedos e com um diamante na orelha, Amelia não consegue disfarçar sua atração pelo moço, que sente o mesmo.

Certa de que nunca mais vai encontrá-lo, Amelia parte com Leo e o resto de sua família para a Ramsay House, que foi herdada por Leo junto com o título e que fica no Interior. O destino interfere e surprise! Cam Rohan está hospedado com o vizinho da mansão.

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Rohan não é nobre, pelo contrário. Igual a Merripen, Cam é um cigano que tem muitas habilidades em ganhar dinheiro, mesmo detestando acumular fortuna. Quando ele encontra Amelia e se apaixona de uma vez só por ela e por sua família, ele não tem escolha se não tentar ajudar a família disfuncional a voltar a ser o que era antes.

Mas as coisas não são tão faceis assim, Amelia não está muito convencida de que deve casar com Rohan e quando um antigo amor do passado volta para cortejar ela, a mocinha fica muito em dúvida.

O romance entre Cam e Amelia (não vou mentir, a gente sabe que eles ficam juntos) é uma gracinha. Ele tenta tomar a liderança da família e ajuda-lá a cuidar dos irmãos, respeitando a opinião dela. Amelia é uma personagem forte e independente, apesar de ter uma história cheia de tristezas. A relação dela com as irmãs, quase maternal, mas de muito companheirismo é muito bem abordada e faz com que você queira ser amiga de todas elas.

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Cam é o Jack, Amelia é a Rose e eu sou o Dinossauro do Ship, adorando esse livro.

Eu também adorei a forma como a autora conduziu a história de Leo. Ao não aceitar que sua noiva tenha morrido, ele acabou se deixando morrer um pouco também, o que foi bem triste. A cena, com um quê espiritualista, em que Leo finalmente se libertou, é uma das minhas favoritas de toda a série.

No geral, eu achei que “Desejo à Meia Noite” foi uma ótima leitura, um excelente começo para essa série. Os personagens pareciam reais e me cativaram muito, o que ajudou muito no meu vício.

Sedução ao Amanhecer 

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“Sedução ao Amanhecer” é o meu favorito da série toda. Nele, acompanhamos a história pelo ponto de vista de Win, a mocinha, e de Merripen, o mocinho. O cigano Merripen apareceu pouco no livro anterior. E o pouco que apareceu sempre deixou um suspense no ar.

Win, se cansava muito fácil e não podia fazer esforços nenhum, uma consequência da escarlatina que sofreu quando era mais nova. Por isso, com a ajuda de seu cunhado, Cam e de sua irmã, Amelia, ela parte para o sul da França junto com o irmão, Leo, na tentativa de fazer uma série de tratamentos experimentais para recuperar sua forma anterior.

Tudo isso deixa o cigano Merripen muito triste. Quando sua tribo o abandonou ferido, achando que ele estava morto, nas terras dos Hathaway, a família levou ele para dentro de casa e cuidou do jovem garoto. Arredio, ele só conversava com Win e assim cresceu uma paixão que durou quase toda a vida dos dois.

Merripen cuidava dos Hathaway principalmente porque sabia que cuidar deles era cuidar de Win e isso é um clichêzão que eu acho uma gracinha e que me derreteu todinha. Os sentimentos dele eram correspondidos por Win, que sempre quis amar livremente o cigano. Mas, por ele achar que não era digno da garota, nada de importante aconteceu.

Cuidando da Ramsay House junto com Cam, Merripen encontra uma distração de seus pensamentos de Win. Ele constrói quartos, arruma jardins, decora paredes… Tudo isso pensando naquilo que for melhor para ela e isso é muito fofinho.

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Quando Win volta da França, saudável e pronta para ter a vida que sempre quis, o coração de Merripen encolhe um pouquinho. A garota veio acompanhada de seu médico francês bonitão, que tem sérias intenções de ficar com ela.

A família sempre soube dos sentimentos de Merripen por Win e sempre respeitou isso, o que eu achei muito bonitinho. O único defeito deste livro é que Merripen demora muito para tomar uma decisão e, quando ele finalmente toma, a narrativa que já tinha um quê de magia fica uma gracinha mesmo.  Antes disso, quando ele anda pela casa tentando fazer com que Win deteste ele, eu achei ele um pouco babaquinha. Mas só um pouco.

Tem algumas cenas bem legais com a Amelia e o Cam também e eu gostei que a autora não abandonou o casal por completo, depois de ter escrito o livro deles. Outra coisa legal foi que, quando voltou da França, Win voltou 100%. Nada daquela coisa de “donzela em perigo”, é ela que manda e que dá as ordens e que joga fogo em armários.

Tentação ao Pôr-do-Sol

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No terceiro livro acompanhamos a história de Poppy Hathaway, uma das irmãs mais novas. Poppy e sua irmã estão sendo guiadas por uma governanta, a Srta. Evans, que deve ensinar modos e etiqueta às meninas, agora que elas estão estreando suas temporadas em Londres.

A família está hospedada no Hotel Rutledge e, quando o furão de Beatrix foge com algumas cartas de amor que Poppy escreveu para um garoto, ela não tem escolha se não perseguir o furão pelo hotel inteiro. Ela persegue ele de tal maneira que acaba encontrando com Harry Rutledge, o misterioso dono do hotel, cujas fofocas denunciavam seu passado negro.

Gostei desse livro? Gostei, mas meu personagem favorito da história inteira foi Dodger, o furão. Poppy é legal, mas é a irmã Hathaway com menos personalidade. Harry, o dono do hotel e mocinho da trama (isso não é um spoiler), tem um passado negro e é genial, mas não é tudo isso, sabe?

Acho que a autora tentou fazer algo ao estilo Bela e a Fera, já que Rutledge, em uma outra história, seria um vilão. Mas não conseguiu ganhar minha simpatia. Foi só ok.

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O final tem uma grande reviravolta e achei legal que a história se inverteu um pouco – com a mocinha salvando o mocinho, mas foi só isso.

O legal é que a gente descobre que a governanta não é exatamente quem ela parece ser e isso é uma grande previsão do próximo livro. Os outros casais dos livros anteriores não aparecem tanto quanto no livro anterior, mas algumas cenas fofas ainda acontecem.

Manhã de Núpcias

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“Manhã de Núpcias” não estava disponível na Saraiva, no dia em que eu dei alocka e comprei os livros. Mas, depois de devorar os três livros da Família Hathaway em meros 3 dias, eu não tive escolha se não comprá-lo pela internet e aguardar ansiosamente a chegada dele.

No livro, acompanhamos a história de Catherine Marks, a governanta da Família Hathaway. Meticulosa e organizada, ela ama a família Hathaway porque eles a tratam com amor e respeito, como se ela fosse um membro do clã. Exceto Leo Hathaway. Esse, ela detesta muito.

Dodger, o furão, aparece de novo e faz coisas tão engraçadas que foi impossível não amar ele. Secretamente apaixonado pela Srta. Marks, Dodger rouba suas meias, ligas e tudo mais o que puder carregar em suas mãozinhas, o que dá uma grande leveza para o livro.

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Uma coisa que aprendi com esses livros: Quando furões dormem, eles deixam o corpinho todo relaxado. Parece que estão mortos, mas é só uma soneca bem tirada.

Apesar de amar a família Hathaway, Catherine insiste em se esconder. Ela pinta os cabelos, usa óculos grossos e roupas escuras, tentando ao máximo passar despercebida. No entanto, Leo sente que a garota esconde um segredo muito grande, que ele tenta descobrir de qualquer forma.

Ao retornar da França recuperado e dono de si, como sua irmã, Win, Leo passa a enxergar Catherine de maneira diferente, apesar de todos os segredos. E não é que ela também? As brigas constantes acabam evoluindo em algo mais, naquele típico romance garota-odeia-garoto-depois-ama-ele que eu AMO. Esse, depois de “Sedução ao Amanhecer”, é meu favorito.

O clímax é um pouco exagerado. O “oh meu Deus, gigantesco segredo” não é tão grande assim, é clichê. Mas, como eu disse no começo do texto, eu adoro um clichê em romance histórico – hehehe – me dá mais!

Paixão ao Entardecer

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Beatrix gosta de animais mais do que de gente e isso tem sido um sério problema. Aos 23 anos ela ainda não encontrou ninguém que aceitasse ter uma cabra, um ouriço, um furão e uma gata de três pernas, além de um burro, dentro de um lar.

Além disso, Beatrix tem um certo probleminha. Toda vez que ela está ansiosa acaba, imperceptivelmente, roubando alguma coisa de alguém. Ela guarda as coisas em sua bolsa e só então percebe que as levou.

Fazendo um esforço para agradar sua família e encontrar um esposo, Beatrix incia uma amizade com Prudence, uma garota bonita, mas superficial. Prudence está de namorico com um capitão dos Rifles da Inglaterra, Christopher Phelan.

Phelan partiu para a guerra e, como forma de manter sua sanidade, passa a mandar cartas para sua amada. Como Prudence está sendo cortejada por outros caras, ela decide ignorar as cartas do Capitão. Mas Beatrix fica com dó dele e responde a carta, em nome da amiga, iniciando uma correspondência de amor de mais de um ano.

Quando a guerra acaba e Phelan retorna como um herói de guerra, Prudence não quer nem saber de lhe revelar a verdade, magoando os sentimentos de Beatrix.

Eu gostei deste livro, mas acho que ele tem probleminhas que eu não posso ignorar para ser feliz. Adoro essa parte da correspondência e dele se apaixonar pela pessoa errada. Mas, a narrativa se desenvolve muito rapidamente e, quando Phelan descobre que não era Prudence que escrevia as cartas, ele aceita tudo muito rápido mesmo tendo dito no passado que Beatrix “pertencia aos estábulos”.

Phelan volta muito traumatizado da guerra, com uma espécie de PTSD (Post Traumatic Stress Disorder), que o deixa violento repentinamente e com uma tendência ao alcoolismo. Gostei que o mocinho foi mostrado com uma grande fraqueza, mas senti que os problemas de Bea foram todos ignorados em detrimento da história do mocinho. Como uma espécie de Manic Pixie Dream Girl, sabe?

A impressão que dá é que ela ignorou toda sua história pessoal e seus defeitos em detrimento dos dele e, por mais que isso seja clichê, eu não gostei. O clímax do final também foi exagerado e pareceu muito apressado, sem muito desenvolvimento. Nem Dodger, o furão, ou Medusa, o ouriço, aparecem muito.

Foi um jeito meio triste de encerrar a série.

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Sempre terei os Hathaway em minha estante e, quando der saudades, vou voltar para visitá-los em Ramsay House. Sinto que vou sentir falta dessa série, mas, de consolo, sei que Lisa Kleypas tem outras séries de romance histórico que eu posso amar tanto quanto amei “Os Hathaway”.

Beeijos, A Garota do Casaco Roxo

 

10 Livros que Deveriam Virar Filme

Ok. Sei que está achando que estou louca por montar uma lista nesse estilo, já que todos sabem que é uma verdade universalmente verdadeira que nenhum livro pode ser adaptado para o cinema e permanecer bom.

Mas, para sustentar a minha teoria de que é sim interessante transformar narrativas literárias em roteiros cinematográficos, lanço dois filmes infanto-juvenis, que podem ser considerados ‘’decentes’’ e só.

‘’Percy Jackson e o Ladrão de Raios’’ e ‘’O Diário da Princesa’’ 1 e 2, foram vistos pela Garota do Casaco Roxo que vos escreve antes que ela pudesse ter acesso aos livros que deram origem aos filmes.

E preciso dizer que gostei MUITO de ambos. Com ‘’O Diário da Princesa’’ minha empolgação foi tanta, que eu afirmo que foi esse filme que me jogou de cabeça nos livros (tanto nos da Santa – Tia Meg Cabot, quanto em todos. Todos mesmo. Até naqueles que eu ainda não li).

‘’Percy Jackson e o Ladrão de Raios’’ me ajudou a perceber outros livros além do que eu estava acostumada a ler e, provavelmente, sem ele, eu não teria descoberto a narrativa gostosa do Rick Ryordan.

Por isso, defendo que livros bons devem sim ser transformados em filme, não como obras que se sustentam sozinhas, mas como um complemento a literatura e uma forma de ajudar a divulgá-la.

10. Livro de Joaquim/ Livro de LeahLaura Malin

Tempo_perdido_O_livro_de_Leah_BAIXAJá escrevi sobre eles aqui no blog, fazem parte da lista dos meus romances favoritos. A história de dois imortais que passam anos a procura um do outro, em lugares históricos e vivendo a maioria dos eventos que marcaram a humanidade é fascinante e de deixar qualquer um de queixo caído. A narrativa da Laura também é muito visual e dá para imaginar direitinho cada cena no lugar que acontece. Acho que seria um pouco difícil mostrar todos os acontecimentos pelos quais Joaquim e Leah passaram, mas só de imaginar, já dá para suspirar.

Capa - Antidoto_alta09. A Pílula do Amor/ AntídotoDrica Pinotti

Seguindo a onda dos últimos chick-lits que saem das paginas e vão para a telinha, ‘’A Pílula do Amor’’ junto com sua continuação ‘’Antídoto’’ daria uma bela comédia romântica, daquelas para ver numa tarde de inverno comendo pipoca e chocolate quente. Com a hipocondríaca Amanda de personagem principal e tendo Nova Iorque como cenário, não tem como não desejar um filme desse livro.

08. A Garota Americana/ Quase Pronta – Meg Cabot

A Garota AmericanaSamantha Madison tem 16 anos e uma vida comum. Até que ela salva o presidente dos EUA de ser assassinado e se torna uma heroína da nação. Não é preciso dizer que sua vida vira de ponta cabeça. Mas as coisas complicam mesmo quando o garoto que faz seu coração acelerar não é exatamente quem ela pensava. Só com a sinopse já dá para imaginar esse livro virando filme, além de ser um dos YAs mais cute-cute que eu já li, ia parar um pouco com essa onde de distopias que invadem a sala dos cinemas.

07. Anna e o Beijo Frances – Stephanie Perkins

Esse aqui tem, basicamente, a mesma motivação acima. Um YA fofo e sem zumbis/vampiros/monstros/mundospararelos/governosparalelos/afins. Ana e o Beijo FrancesConta a historia de Anna, uma menina que é mandada para a França para passar um ano estudando lá. Ela vai ter que se adaptar as novidades e tentar conquistar o seu primeiro beijo francês e o garoto dos seus sonhos. Uh lá lá. Só o fato de ser ambientado na França já daria a esse livro um motivo para ser transformado em filme, mas os diálogos bem construídos e os personagens cativantes o transformariam em um sucesso de bilheteria.

06. Procura-se Um MaridoCarina Rissi

procurase um maridoAlice é uma daquelas patricinhas que conseguem tudo com um simples estalar de dedos. Tem uma rotina de festas e baladas que deixam Lindsay Lohan, Amanda Bynes e Paris Hilton no chinelo. Isso até que seu avô morre e a deixa sozinha no mundo. Em seu testamento, o velhinho diz que para conseguir sua herança de volta, Alice tem que se casar. A história, muuuito resumida (mas dá para ver a resenha clicando no titulo do livro), é basicamente essa. Outra comédia romântica daquelas que te fazem rir e te deixam suspirando por horas depois de ler. O filme seria totalmente hilário.

05. Três Céus – Enderson Rafael

tresceus‘’Três Céus’’ conta a rotina de três pessoas envolvidas no mundo da aviação. Um é comandante e outros dois são pilotos. Suas vidas, que no inicio não parecem relacionadas se cruzam num desfecho emocionante, que chega até a tirar o fôlego. ‘’Três Céus’’ ficaria muito legal no cinema, ia ser um daqueles filmes de ação que você prende a respiração ate o final e depois se lembra da historia sempre que entrar em um avião.

04. Postais do Coração Ella Griffin

capa_postais do coracao.inddA rotina de um escritório de publicidade, um homem lutando para escrever seu livro, uma mulher e dois filhos trocados por esse livro, um passado não resolvido, vários romances, algumas desilusões… Acho que ‘’Postais do Coração’’ tem tanta historia em um só livro, que daria direitinho para virar série. Só não tenho certeza de que iriam conseguir manter os pontos de vista diferentes de cada personagem.

03. Antes que eu Vá – Lauren Oliver.

Before-I-FallSamantha Kingston é uma das garotas mais populares da escola. Todo mundo a ama e ela mal pode esperar para ir ao baile da escola. Até que ela morre. O destino, na tentativa de fazer Samantha perceber no que errou e tudo o que fez de errado em sua vida, faz com que ela refaça, durante 7 dias, seu ultimo dia de vida. Não sei se no cinema conseguiriam dar a aura de mistério e suspense que o livro tem, acho até que ficaria um pouco repetitivo, com cenas voltando e acontecendo de novo e de novo. Mas acho que se fossem fiéis ao livro, iria ser lindo.

Atualizado em 28/04/2017: Podem me chamar de Aman-Diná, se quiserem, mas “Antes que eu Vá” realmente virou um filme!!!! Pelo trailer, já dá para ver que a aura e o suspense do livro foram bem capturados! Mal posso esperar para ver a versão completa dele!

A obra é estrelada pela Zoey Dutch, que foi a protagonista do fime “Academia de Vampiros: O Beijo das Sombras”, também baseado em um Young Adult queridinho do público! O filme estréia no Brasil no dia 18.mai.2017, mas já passou pelos cinemas dos EUA!

Aqui vai o trailer: 

02. Nove Minutos com Blanda – Fenanda França

9-minutos-com-blandaEu adoro histórias de romance para relaxar e talvez seja por isso que minha lista esteja cheia deles. No caso de Blanda, sua sogra e sua mãe começam a planejar seu casamento com seu namorado, que não quer nada com nada, muito menos casar. Enquanto isso, ela segue a procura da sua carreira ideal, já que Direito não é o que quer fazer para sobreviver. Mas as coisas ficam ainda piores quando Blanda não consegue parar de pensar em um cara que ela sequer sabe o nome. As cenas são tão hilárias e tão reais, que não tem como não chorar de rir enquanto lemos. Ia ser uma daquelas comédias românticas que são mais comédia que romance.

1.   Um Amor de Detetive – Sarah Mason

um amor de detetiveOutro chick-lit fofo, só que esse tem um pouco de ação no meio. Holly Colshannon é uma jornalista que tem a função de seguir cada passo do detetive chato James Sabine. Juntos, eles investigam uma serie de roubos a casas e acabam se envolvendo cada vez mais. ‘’Um Amor de Detetive’’foi um dos primeiros chick-lits que eu li, por isso acho estranho que ele ainda não tenha ido parar no cinema, mas deveria. Tem tudo para ser outro filme de fim de tarde, daqueles que você assiste suspirando e dá umas boas gargalhadas junto.

Essa lista teria muito mais itens se dependesse de mim, talvez eu faça uma parte dois qualquer dia. E para vocês, que livros deveriam ser transformados em filme?

Beijoos, A Garota do Casaco Roxo

Os 7 melhores livros sobre investigação na minha opinião!

            O meu trabalho de PTC (projeto técnico cientifico, uma espécie de TCC, só pras ETECS e pro ensino médio) vai ser sobre Perícia criminal. Quando eu era menor (porque pequena eu ainda sou) queria ser perita criminal (e ainda quero, mas menos do que eu queria antes) e passava dias pesquisando e lendo sobre o assunto! Cheguei até a visitar o Instituto de Criminalística uma vez!

            Por isso, tudo o que eu lia na época era mais ou menos relacionado com isso, decidi então, fazer uma listinha, com os melhores livros de investigação que eu já li!

1.    Segunda Feira de luto – Kathy Reichs!

 Já fiz resenha dele aqui no blog. De longe, o melhor quando se trata de investigação criminal! Tanto que alguns produtores da Fox decidiram comprar os direitos do livro e daí surgiu a série Bones. Você pode ver a minha resenha aqui.

 

 

 

 

2.    Um Estudo em Vermelho – Arthur Conan Doyle

                                                                                                        Primeiro livro da série Sherlock Holmes. Li ele para fazer uma prova de interpretação de texto na escola e adorei. Tem como gostar do assunto e não se apaixonar por Holmes?! Acho-que-não viu!? Não fiz resenha dele!

 

 

 

 

3.    Post Mortem – Patrícia Cornwell

 Também não resenhei aqui no blog, isso porque li os livros da série na biblioteca, e já faz um tempinho! Espero relê-los para resenhar!

A história segue a mesma linha do Segunda Feira de Luto, só que, ao contrário de Kathy Reichs, Patrícia Cornwell não é uma detetive/perita/antropóloga-forense, ela é uma jornalista investigativa. Na minha opinião, isso nem diminuiu, nem aumentou meu interesse pelo livro. Infelizmente não li todos da série (são 6, se não me engano) já que a biblioteca do meu bairro não possui todos, só uns dois ou três. Dela também é A Ultima Delegacia que também li.

 4.    A Família Spellman – Lisa Lutz

 Esse é meu, mas nunca resenhei aqui no blog. Não é em si, uma investigação criminal, com policia, perícia e essas coisas legais. A personagem principal é uma detetive particular, que tem uma série de relacionamentos amorosos péssimos. Parece um bom enredo para um chick-lit, mas o jeito como a autora ‘’montou’’ tudo é meio sem sal! 

 

 

 

5.    CSI: Investigação da Cena do Crime – Morte no Gelo

Imagine ler um roteiro de CSI. Um projeto de episódio que nunca foi gravado. É assim que é esse livro. A coisa é tão doida que você acaba com a impressão de não ter lido e, sim, de ter visto um episódio com a história apresentada no livro.

“CSI: Morte no Gelo” faz parte de uma série de 18 livros!!! Os 3 primeiros foram traduzidos para o português e só. O resto, só pode ser lido em inglês. Eu resenhei para o blog outros livros dessa série nesse link aqui. Morte no Gelo tem uma resenha exclusiva de si mesmo, neste link aqui.

Se você sente falta de Grissom, Sarah, Nick, Catherine e Warrick, mas não quer maratonar a série, os livros são uma boa pedida. Além de que, os livros se encaixam perfeitamente no arco da terceira e quarta temporada, ou seja, é old-school CSI mesmo, do jeitinho que a gente gosta!

6.    O Colecionador de Ossos – Jeffrey Deaver

 Sim, o filme da Angelina Jolie foi baseado nesse livro. Achei mil vezes melhor que o filme (é sempre assim, né!?), li a edição disponível na biblioteca do meu bairro!

É de tirar o fôlego, com alguns detalhes técnicos aqui e ali! Muito mais detalhado que o roteiro do filme. Acho até que o assassino é diferente do livro pro filme, mas não tenho certeza! Recomendo pra aqueles que precisam de um pouquinho de tensão na vida!

 

 

7.    Um Amor de Detetive – Sarah Manson 

Apesar de não ser muito técnico, nem falar sobre investigações, perícias e coisas do tipo, “Um Amor de Detetive” é um romance fofo que tangeia uma investigação criminal.

Basicamente, o detetive-durão James Sabine tem poucas semanas para descobrir quem é o ladrão que vem efetuando uma série de furtos nas casas de um bairro da pacata Bristol, na Inglaterra. Ele em breve vai se casar e vai entrar de licensa. Mas, James mal sabe o que o espera, porque vai ter que aguentar a atrapalhada, engraçada e charmosa jornalista Holly Colshannon na sua cola, enquanto realiza a investigação.

Eu amo tanto esse livro que só digo: LEIAM!!!! 

Espero que tenham gostado da minha lista!

Beijoos, A Garota do Casaco Roxo